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OGM - Um Perigo Para a Biodiversidade?

Após o uso de um agroquímico, as pragas se recompõem geneticamente e partem para um contra-ataque, havendo, deste modo, cada vez mais espécies resistentes a estes produtos e disseminando doenças fúngicas. Também cada vez mais plantas apresentam resistência a herbicidas. Para manter as ervas daninhas vulneráveis aos herbicidas, algumas empresas sugeriram a utilização de aerossóis só quando forem necessários e com a recomendação dos agricultores reservarem uma parte das suas fazendas para plantios que não tenham sido geneticamente modificados. Os insectos que tiverem adquirido resistência (que estão nas lavouras GM) irão, deste modo, acasalar com os que não tiverem resistência (que estão nas lavouras não GM), diminuindo essa característica. Mas, segundo alguns ambientalistas dizem que estes “refúgios” para plantios não GM são pequenos ou mal planeados para manter os insectos à distância. O problema para o aumento das áreas de refúgios é que os plantadores de algodão não iriam concordar com essa ideia pelo facto de não ser rentável.

O uso de OGM poderá afectar espécies animais, não pela poluição devido ao lançamento de gases mas devido ao lançamento de genes o que provoca contaminação das plantas adjacentes podendo, por sua vez, contaminar e matar animais.

Um estudo científico de larga escala comparou campos de plantações GM de colza e beterraba com campos adjacentes das mesmas plantações não GM. Os resultados confirmaram o perigo que as plantações GM representam para a biodiversidade. Os campos onde a colza GM crescia tinham 30% menos borboletas, 70% menos ervas e 5 vezes menos sementes disponíveis para a alimentação de animais silvestres que os campos de colza não GM. Os campos de beterraba GM apresentavam 1,4 vezes menos borboletas, 1,3 vezes menos ervas, 3 vezes menos sementes de outras plantas silvestres que alimentam pássaros e insectos e ainda 40% menos flores nas suas margens, quando comparados aos campos de plantações de beterraba não GM.


A causa são alguns herbicidas tão fortes que só podem ser usados em culturas GM. Estes herbicidas têm um efeito destruidor sobre a biodiversidade. Muitos medicamentos podem sofrer com as consequências visto que são oriundos de biodiversidade, como por exemplo drogas usadas em cardiologia ou para doenças degenerativas, relaxantes musculares usados em cirurgia, aspirina e inúmeros antibióticos. Os OGMs provocam também alguns distúrbios na vida animal envolvente.


Uma das espécies prejudicadas é a borboleta monarca, um símbolo da população norte-americana, devido ao facto de ser a polinizadora de várias plantas. Uma delas é a Esclépia. Hoje, lavouras de Bacillus thuringiencis (Bt) contêm genes que lhes permitem resistir a ataques de insectos ou tolerar herbicidas de ervas daninhas, estas variedades fabricam o seu próprio insecticida. A resistência a insectos tem sido possível graças ao gene de uma bactéria, o Bacillus thuringiencis. Esse gene direcciona a célula para fabricar uma proteína que tem acção contra insectos e pragas que atacam as lavouras, especialmente lagartas e besouros. A proteína codificada pelo gene pode afectar diferentes colónias de insectos.


Quais os efeitos das plantações Bt nos animais que passam perto das plantas GM? Promoveriam a polinização das plantas adjacentes, propagando os genes Bt, criando superervas daninhas com um crescimento descontrolado? Que riscos poderá haver se os genes manipulados perderem a sua capacidade de protecção deixando, assim, as plantas modificadas geneticamente vulneráveis aos ataques de insectos e ervas daninhas? Um estudo de laboratório indica que a aveia selvagem, uma erva daninha invasora de culturas de aveia, pode ganhar os genes que dão resistência ao vírus do nanismo amarelo. Se isto acontecer numa lavoura, a aveia selvagem poderá alastrar-se com rapidez e intensidade incontroláveis, superando as aveias não selvagens.


Ecologistas diziam que as esclépias poderiam estar contaminadas com pólen Bt devido à proximidade da planta aos milharais Bt. Para saber se OGMs prejudicavam criaturas inocentes realizou-se uma experiência de laboratório no qual larvas de borboletas monarcas ingeriram folhas de planta da família asclepiadácea com pólen do milho Bt. Todas as larvas morreram.

fonte: Scientific American


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2 comentários:

Emerson Cargnin disse...

Ótimo artigo.
Você já viu o filme "O futuro dos alimentos", "nós alimentamos o mundo" ou a palestra abaixo sobre o "codex alimentárius" ?

http://www.anovaordemmundial.com/2009/07/o-futuro-dos-alimentos.html

http://www.anovaordemmundial.com/2009/08/nos-alimentamos-o-mundo-filme.html

http://www.anovaordemmundial.com/2009/07/codex-alimentarius-nutricidio-planejado.html

Fada do bosque disse...

Dário está mesmo muito bom este artigo, mas demonstra uma grande ameaça, ou não será assim?

28/04/2009

OGM - Um Perigo Para a Biodiversidade?

Após o uso de um agroquímico, as pragas se recompõem geneticamente e partem para um contra-ataque, havendo, deste modo, cada vez mais espécies resistentes a estes produtos e disseminando doenças fúngicas. Também cada vez mais plantas apresentam resistência a herbicidas. Para manter as ervas daninhas vulneráveis aos herbicidas, algumas empresas sugeriram a utilização de aerossóis só quando forem necessários e com a recomendação dos agricultores reservarem uma parte das suas fazendas para plantios que não tenham sido geneticamente modificados. Os insectos que tiverem adquirido resistência (que estão nas lavouras GM) irão, deste modo, acasalar com os que não tiverem resistência (que estão nas lavouras não GM), diminuindo essa característica. Mas, segundo alguns ambientalistas dizem que estes “refúgios” para plantios não GM são pequenos ou mal planeados para manter os insectos à distância. O problema para o aumento das áreas de refúgios é que os plantadores de algodão não iriam concordar com essa ideia pelo facto de não ser rentável.

O uso de OGM poderá afectar espécies animais, não pela poluição devido ao lançamento de gases mas devido ao lançamento de genes o que provoca contaminação das plantas adjacentes podendo, por sua vez, contaminar e matar animais.

Um estudo científico de larga escala comparou campos de plantações GM de colza e beterraba com campos adjacentes das mesmas plantações não GM. Os resultados confirmaram o perigo que as plantações GM representam para a biodiversidade. Os campos onde a colza GM crescia tinham 30% menos borboletas, 70% menos ervas e 5 vezes menos sementes disponíveis para a alimentação de animais silvestres que os campos de colza não GM. Os campos de beterraba GM apresentavam 1,4 vezes menos borboletas, 1,3 vezes menos ervas, 3 vezes menos sementes de outras plantas silvestres que alimentam pássaros e insectos e ainda 40% menos flores nas suas margens, quando comparados aos campos de plantações de beterraba não GM.


A causa são alguns herbicidas tão fortes que só podem ser usados em culturas GM. Estes herbicidas têm um efeito destruidor sobre a biodiversidade. Muitos medicamentos podem sofrer com as consequências visto que são oriundos de biodiversidade, como por exemplo drogas usadas em cardiologia ou para doenças degenerativas, relaxantes musculares usados em cirurgia, aspirina e inúmeros antibióticos. Os OGMs provocam também alguns distúrbios na vida animal envolvente.


Uma das espécies prejudicadas é a borboleta monarca, um símbolo da população norte-americana, devido ao facto de ser a polinizadora de várias plantas. Uma delas é a Esclépia. Hoje, lavouras de Bacillus thuringiencis (Bt) contêm genes que lhes permitem resistir a ataques de insectos ou tolerar herbicidas de ervas daninhas, estas variedades fabricam o seu próprio insecticida. A resistência a insectos tem sido possível graças ao gene de uma bactéria, o Bacillus thuringiencis. Esse gene direcciona a célula para fabricar uma proteína que tem acção contra insectos e pragas que atacam as lavouras, especialmente lagartas e besouros. A proteína codificada pelo gene pode afectar diferentes colónias de insectos.


Quais os efeitos das plantações Bt nos animais que passam perto das plantas GM? Promoveriam a polinização das plantas adjacentes, propagando os genes Bt, criando superervas daninhas com um crescimento descontrolado? Que riscos poderá haver se os genes manipulados perderem a sua capacidade de protecção deixando, assim, as plantas modificadas geneticamente vulneráveis aos ataques de insectos e ervas daninhas? Um estudo de laboratório indica que a aveia selvagem, uma erva daninha invasora de culturas de aveia, pode ganhar os genes que dão resistência ao vírus do nanismo amarelo. Se isto acontecer numa lavoura, a aveia selvagem poderá alastrar-se com rapidez e intensidade incontroláveis, superando as aveias não selvagens.


Ecologistas diziam que as esclépias poderiam estar contaminadas com pólen Bt devido à proximidade da planta aos milharais Bt. Para saber se OGMs prejudicavam criaturas inocentes realizou-se uma experiência de laboratório no qual larvas de borboletas monarcas ingeriram folhas de planta da família asclepiadácea com pólen do milho Bt. Todas as larvas morreram.

fonte: Scientific American

2 comentários:

Emerson Cargnin disse...

Ótimo artigo.
Você já viu o filme "O futuro dos alimentos", "nós alimentamos o mundo" ou a palestra abaixo sobre o "codex alimentárius" ?

http://www.anovaordemmundial.com/2009/07/o-futuro-dos-alimentos.html

http://www.anovaordemmundial.com/2009/08/nos-alimentamos-o-mundo-filme.html

http://www.anovaordemmundial.com/2009/07/codex-alimentarius-nutricidio-planejado.html

Fada do bosque disse...

Dário está mesmo muito bom este artigo, mas demonstra uma grande ameaça, ou não será assim?

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