RSS
email
22

O Perigo (Crime) da Desinformação na Internet


A Internet é uma grande fonte de informação, tanto da credível como da despresível, perigosa e da criminosa. Já li sobre várias teorias da conspiração mas as relacionadas com a Gripe são as piores. Não por serem as mais infundadas, ou fundadas em fontes que não são as melhores, mas por incentivarem à não vacinação, por exemplo.

No blog do professor João Vasconcelos Costa pode ler-se algo a desmentir, ou melhor a desmistificar o perigo da vacina da Gripe A H1N1:
"em 1976, houve uma epidemia nos EUA, conhecida como New Jersey, de um vírus também H1N1, cuja vacina causou acidentalmente um número considerável de casos de uma doença relacionada com infecções virais, o sindroma de Guillain-Barré (SGB), um quadro clínico essencialmente caracterizado por paralisias diversas.

1. Ainda não há vacina para a gripe pandémica de 2009. A comparação com casos anteriores é especulativa. Cada epidemia é diferente (H1N1 é coisa muito larga, até há vírus sazonais deste tipo), cada vacina é diferente. Acidentes na Medicina sempre houve e são a excepção, nada que justifique suspeitar de que se repitam sistematicamente. Pelo contrário, servem para se aprender e estar atento a evitá-los no futuro.

2. Se a H1N1 de 1976 (New Jersey) tivesse relação com esta até era bom, estávamos imunizados. Repito, não se pode fazer comparações, muito menos em relação a uma vacina que ainda nem existe.

3. O SGB não é uma situação clínica ligeira ou agradável, mas está muito longe de ser classificado como “doença nervosa fatal”, como diz o artigo. Na grande maioria dos casos cura-se em meses e a mortalidade é inferior a 4%, tendendo a diminuir com os tratamentos actuais.

4. O SGB ocorre depois de variadas infecções virais, principalmente a gripe e também depois de vacinação contra a gripe sazonal, sarampo, hepatite B, etc.

5. Em 1976 houve cerca de 500 casos devido à vacinação, nos EUA. Todos os anos há nos EUA 5000 a 10000 casos de SGB devidos a doenças virais e vacinação.

6. Se estimarmos que um quinto dos americanos foi vacinado em 1976, a incidência de SGB foi de 10/100.000, comparada com a incidência habitual de 2-4/100.000/ano. Foi mais alta mas não enormemente mais.

7. O número de mortes foi de 25, donde uma taxa de mortalidade de 5%, semelhante à habitual.

8. É verdade que estas consequências da vacinação foram superiores às da própria gripe de 1976, mas isto não terá sido devido à vacinação, mesmo com as lamentáveis consequências que teve?

9. A gripe pandémica de 2009 vai com mais de 250.000 casos e mais de 3000 mortos com gripe confirmada laboratorialmente (de facto, provavelmente muitos mais). Vai haver certamente no outono/inverno uma segunda vaga muito maior.

10. Estudos rigorosos mostram que a vacinação de 70% da população causaria o fim rápido da pandemia.

11. Assim, apelos à recusa de vacinação são uma irresponsabilidade criminosa."


A Hemaglutanina (o "H" do H1N1, por exemplo), liga-se a receptores contendo ácido siálico. Terá de construir ligações alfa2-3 e a alfa 2-6. O porco possui os dois tipos de ligação e, desta forma, será elemento que pode misturar as estirpes que possuem estas ligações.

A H5N1 só tem transmissibilidade para humanos a partir de aves em condições muito precárias de higiene. Ao infectar um humano vai formar ligações alfa2-6, numa zona mais profunda dos pulmões. Assim, os poucos infectados correm grande risco de vida.

A H1N1 é transmissível entre humanos. Ao infectar um humano vai formar ligações alfa 2-3, da zona superior respiratória. É mais fácil tratar.

Read more
0

Ética, Economia e Futuro


A economia pode-nos dar elementos de análise sobre as possíveis alternativas para a prevenção dos efeitos adversos da subida das temperaturas. O que devemos fazer? – é a pergunta. Quando interesses entram em conflito esta questão é sempre de natureza ética.

Como devemos avaliar o bem-estar das futuras gerações, considerando que terão mais bens materiais que nós?

Quase toda a gente reconhece o princípio moral básico de que não se deve fazer algo em seu benefício se prejudicar alguém. E quando causamos algum mal deveremos recompensar a vítima.

As alterações climáticas irão provocar danos. As doenças tropicais vão aumentar o seu alcance. A mudança nos padrões das chuvas levará à falta de alimentos e de água potável. Estas alterações vão afectar um número elevado de pessoas. A OMS estima que, desde 2000 o número anual de mortos devido às mudanças climáticas já superou os 150 mil.

Neste momento, quase tudo o que fazemos e compramos prejudica os outros. Não o podemos evitar. Contudo, recorrendo ao princípio moral básico, devemos tentar parar o mais depressa possível.

O que fazer?

Um projecto industrial que traga benefícios num futuro próximo, mas que emita gases de efeito estufa, e cujos benefícios ultrapassem os custos. Este projecto deve seguir em frente?

Ética dos Custos e Benefícios

Os custos da atenuação são os sacrifícios que a actual geração terá de fazer para reduzir os gases de efeito estufa. Os benefícios são um melhor nível de vida para as gerações futuras. Trata-se de uma discussão ética porque se avalia os benefícios para algumas pessoas em função dos custos para outras. A economia apresenta métodos para avaliar os benefícios em relação aos custos.

O relatório Stern Review on the Economics of Climate Change, de Nicholas Stern. O relatório compara custos e benefícios e conclui que os benefícios obtidos com a redução das emissões de gases de efeito estufa seriam maiores que os gastos para os reduzir. Um outro estudo, de William Nordhaus, conclui que a necessidade de intervenção não é urgente.

Qual a diferença nos diagnósticos de Stern e de Nordhaus? Stern usa uma “taxa de desconto” menor, ou seja, dá menor valor aos bens futuros relativamente aos actuais. Quanto mais no futuro estiverem esses bens mais desconto sofrem. A taxa de desconto mede a velocidade com que o valor dos bens diminui com o tempo. Para Norhaus a taxa é de 6%, enquanto para Stern é apenas de 1,4 pontos percentuais. Parecem valores pequenos mas estamos a olhar no tempo. Um desvio torna-se maior quanto mais tempo permanece. O resultado disto é que, para US$ 1 Bilião em bens, daqui a 100 anos, Norhaus avalia-os em US$ 2,5 mil milhões.

Futuro Mais Rico

E porquê o desconto nos bens futuros? Por dois motivos:

1- Um dos chavões a Economia é que ela cresce sempre, a longo prazo. Isto irá fazer com que, no futuro, as pessoas tenham, em média, mais bens do que nós. E quanto mais bens menor o valor dos bens adicionais. Os bens têm um valor marginal decrescente, desvalorizam.

2- Puramente ético e divide-se em dois ramos:

A- No Prioritarismo – aumento no bem-estar do indivíduo – um benefício que chega a uma pessoa rica tem um valor social menor que teria se chegasse a uma pessoa pobre.

B- No utilitarismo um benefício tem o mesmo valor social independentemente de quem o receba.

Qual a taxa de desconto a aplicar? O que determina a velocidade de diminuição no valor dos bem disponíveis no futuro? A riqueza das pessoas no futuro é que determina essa taxa e a velocidade. Pessoas mais ricas adquirem mais bens. Ora se os bens têm um valor marginal decrescente faz com que uma alta taxa de crescimento vai provocar uma alta taxa de desconto.

Em Economia afere-se o valor da taxa fixando a taxa mais alta no mercado monetário, onde se compram e vendem produtos futuros.

Outro factor que afecta a taxa de desconto é o seguinte: “Em quanto devem ser avaliados os benefícios às pessoas ricas futuras, em relação às nossas?”

1- Para o prioritarismo o valor atribuído aos benefícios às pessoas do futuro deveria ser menor que os nossos porque as pessoas vão ser mais ricas no futuro.

2- Para o utilirtarismo os benefícios para as pessoas do futuro deveriam ter o mesmo valor que os nossos.

Esta diferença de conceitos provoca a diferença nas taxas de desconto e faz com que a taxa do prioritarismo seja mais elevada relativamente à do utilitarismo.

A médio/longo prazo ambas as taxas chegam a valores baixos. O mundo deve, então, aoptar medidas urgentes para controlar as mudanças climáticas?

Fonte: Scientific American

Read more
0

Calotice em instituições por aqui...

Quando uma pessoa trabalha merece algo em troca, principalmente se estiver no seu contrato. Ao não receber num valor monetário como está descrito no seu contrato a pessoa vai contrair dívidas, vai deixar de pagar contas e começar a pagar juros de mora. A empresa, de acordo com o bom senso, teria de pagar o prometido e ainda os juros de mora do funcionário.

Eu não vou à EPD dizer que não posso pagar agora porque vou de férias e que pago depois, quando me apetecer. A resposta que terei vai ser obviamente crua. Se não pagar arrisco-me a ficar sem luz e a pagar, não só a religação mas também os juros e o valor da conta. Mas uma empresa pode dizer ao funcionário “espera mais uns 20 dias porque a funcionária responsável pelo processo foi de férias”. A que hei-de chamar a isto senão incompetência, falta de bom senso, falta de responsabilidade e calotice?

De facto, são casos como este que de vez em quando reparo à minha volta…
Read more
0

Testamento vital permite Eutanásia

Num artigo recente (21 de Maio) o Público refere que

"Qualquer pessoa pode deixar escrito quais os cuidados de saúde que deseja ou não receber caso fique incapaz de decidir quando a questão se colocar – a chamada declaração antecipada de vontade -, mas não pode pedir que um terceiro pratique uma acção contrária aos princípios da medicina."

Isto é, uma pessoa pode deixar escrito que não quer cuidados de manutenção de vida. O médico desliga as máquinas. Isto chama-se Eutanásia. Quer seja o médico, quer seja um familiar a fazê-lo. Há que entender o que é a Eutanásia: "Eu" e "Thanatos", o que significa uma boa morte.

Contudo há várias formas de proporcionar uma "boa morte":


1-Eutanásia Voluntária - A obtém os medicamentos que irão permitir a B que se suicide

2-Eutanásia Involuntária - Quando é realizada numa pessoa que poderia ter consentido ou recusado a sua própria morte, mas não o fez.

Na primeira é administrado o medicamento para que a pessoa morra. Na segunda é suspenso o tratamento. Ainda há um tipo de eutanásia muito comum, infelizmente: A Distanásia, que é a continuação do tratamento enquanto a pessoa sofre. É o prolongar do sofrimento.

O testamento vital irá, sem dúvida permitir uma eutanásia involuntária, e ainda bem, já que há muita gente a sofrer calada.

Read more
3

EEE - Economia, Ética e Ecologia

A economia pode-nos dar elementos de análise sobre as possíveis alternativas para a prevenção dos efeitos adversos da subida das temperaturas. O que devemos fazer? – é a pergunta. Quando interesses entram em conflito esta questão é sempre de natureza ética.

Como devemos avaliar o bem-estar das futuras gerações, considerando que terão mais bens materiais que nós?

Quase toda a gente reconhece o princípio moral básico de que não se deve fazer algo em seu benefício se prejudicar alguém. E quando causamos algum mal deveremos recompensar a vítima.

As alterações climáticas irão provocar danos. As doenças tropicais vão aumentar o seu alcance. A mudança nos padrões das chuvas levará à falta de alimentos e de água potável. Estas alterações vão afectar um número elevado de pessoas. A OMS estima que, desde 2000 o número anual de mortos devido às mudanças climáticas já superou os 150 mil.

Neste momento, quase tudo o que fazemos e compramos prejudica os outros. Não o podemos evitar. Contudo, recorrendo ao princípio moral básico, devemos tentar parar o mais depressa possível.

Um projecto industrial que traga benefícios num futuro próximo, mas que emita gases de efeito estufa, e cujos benefícios ultrapassem os custos. Este projecto deve seguir em frente?

Ética dos Custos e Benefícios

Os custos da atenuação são os sacrifícios que a actual geração terá de fazer para reduzir os gases de efeito estufa. Os benefícios são um melhor nível de vida para as gerações futuras. Trata-se de uma discussão ética porque se avalia os benefícios para algumas pessoas em função dos custos para outras. A economia apresenta métodos para avaliar os benefícios em relação aos custos.

O relatório Stern Review on the Economics of Climate Change, de Nicholas Stern. O relatório compara custos e benefícios e conclui que os benefícios obtidos com a redução das emissões de gases de efeito estufa seriam maiores que os gastos para os reduzir. Um outro estudo, de William Nordhaus, conclui que a necessidade de intervenção não é urgente.

Qual a diferença nos diagnósticos de Stern e de Nordhaus? Stern usa uma “taxa de desconto” menor, ou seja, dá menor valor aos bens futuros relativamente aos actuais. Quanto mais no futuro estiverem esses bens mais desconto sofrem. A taxa de desconto mede a velocidade com que o valor dos bens diminui com o tempo. Para Norhaus a taxa é de 6%, enquanto para Stern é apenas de 1,4 pontos percentuais. Parecem valores pequenos mas estamos a olhar no tempo. Um desvio torna-se maior quanto mais tempo permanece. O resultado disto é que, para US$ 1 Bilião em bens, daqui a 100 anos, Norhaus avalia-os em US$ 2,5 mil milhões.

Futuro Mais Rico

E porquê o desconto nos bens futuros? Por dois motivos:

1- Um dos chavões a Economia é que ela cresce sempre, a longo prazo. Isto irá fazer com que, no futuro, as pessoas tenham, em média, mais bens do que nós. E quanto mais bens menor o valor dos bens adicionais. Os bens têm um valor marginal decrescente, desvalorizam.

2- Puramente ético e divide-se em dois ramos:

A- No Prioritarismo – aumento no bem-estar do indivíduo – um benefício que chega a uma pessoa rica tem um valor social menor que teria se chegasse a uma pessoa pobre.

B- No utilitarismo um benefício tem o mesmo valor social independentemente de quem o receba.

Qual a taxa de desconto a aplicar? O que determina a velocidade de diminuição no valor dos bem disponíveis no futuro? A riqueza das pessoas no futuro é que determina essa taxa e a velocidade. Pessoas mais ricas adquirem mais bens. Ora se os bens têm um valor marginal decrescente faz com que uma alta taxa de crescimento vai provocar uma alta taxa de desconto.

Em Economia afere-se o valor da taxa fixando a taxa mais alta no mercado monetário, onde se compram e vendem produtos futuros.

Outro factor que afecta a taxa de desconto é o seguinte: “Em quanto devem ser avaliados os benefícios às pessoas ricas futuras, em relação às nossas?”

1- Para o prioritarismo o valor atribuído aos benefícios às pessoas do futuro deveria ser menor que os nossos porque as pessoas vão ser mais ricas no futuro.

2- Para o utilirtarismo os benefícios para as pessoas do futuro deveriam ter o mesmo valor que os nossos.

Esta diferença de conceitos provoca a diferença nas taxas de desconto e faz com que a taxa do prioritarismo seja mais elevada relativamente à do utilitarismo.

A médio/longo prazo ambas as taxas chegam a valores baixos. O mundo deve, então, aoptar medidas urgentes para controlar as mudanças climáticas?


Adaptado de Scientific American Junho 2008

www.ipcc.ch

necpri.blogspot.com

Read more
Mostrar mensagens com a etiqueta Ética. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ética. Mostrar todas as mensagens

24/09/2009

O Perigo (Crime) da Desinformação na Internet


A Internet é uma grande fonte de informação, tanto da credível como da despresível, perigosa e da criminosa. Já li sobre várias teorias da conspiração mas as relacionadas com a Gripe são as piores. Não por serem as mais infundadas, ou fundadas em fontes que não são as melhores, mas por incentivarem à não vacinação, por exemplo.

No blog do professor João Vasconcelos Costa pode ler-se algo a desmentir, ou melhor a desmistificar o perigo da vacina da Gripe A H1N1:
"em 1976, houve uma epidemia nos EUA, conhecida como New Jersey, de um vírus também H1N1, cuja vacina causou acidentalmente um número considerável de casos de uma doença relacionada com infecções virais, o sindroma de Guillain-Barré (SGB), um quadro clínico essencialmente caracterizado por paralisias diversas.

1. Ainda não há vacina para a gripe pandémica de 2009. A comparação com casos anteriores é especulativa. Cada epidemia é diferente (H1N1 é coisa muito larga, até há vírus sazonais deste tipo), cada vacina é diferente. Acidentes na Medicina sempre houve e são a excepção, nada que justifique suspeitar de que se repitam sistematicamente. Pelo contrário, servem para se aprender e estar atento a evitá-los no futuro.

2. Se a H1N1 de 1976 (New Jersey) tivesse relação com esta até era bom, estávamos imunizados. Repito, não se pode fazer comparações, muito menos em relação a uma vacina que ainda nem existe.

3. O SGB não é uma situação clínica ligeira ou agradável, mas está muito longe de ser classificado como “doença nervosa fatal”, como diz o artigo. Na grande maioria dos casos cura-se em meses e a mortalidade é inferior a 4%, tendendo a diminuir com os tratamentos actuais.

4. O SGB ocorre depois de variadas infecções virais, principalmente a gripe e também depois de vacinação contra a gripe sazonal, sarampo, hepatite B, etc.

5. Em 1976 houve cerca de 500 casos devido à vacinação, nos EUA. Todos os anos há nos EUA 5000 a 10000 casos de SGB devidos a doenças virais e vacinação.

6. Se estimarmos que um quinto dos americanos foi vacinado em 1976, a incidência de SGB foi de 10/100.000, comparada com a incidência habitual de 2-4/100.000/ano. Foi mais alta mas não enormemente mais.

7. O número de mortes foi de 25, donde uma taxa de mortalidade de 5%, semelhante à habitual.

8. É verdade que estas consequências da vacinação foram superiores às da própria gripe de 1976, mas isto não terá sido devido à vacinação, mesmo com as lamentáveis consequências que teve?

9. A gripe pandémica de 2009 vai com mais de 250.000 casos e mais de 3000 mortos com gripe confirmada laboratorialmente (de facto, provavelmente muitos mais). Vai haver certamente no outono/inverno uma segunda vaga muito maior.

10. Estudos rigorosos mostram que a vacinação de 70% da população causaria o fim rápido da pandemia.

11. Assim, apelos à recusa de vacinação são uma irresponsabilidade criminosa."


A Hemaglutanina (o "H" do H1N1, por exemplo), liga-se a receptores contendo ácido siálico. Terá de construir ligações alfa2-3 e a alfa 2-6. O porco possui os dois tipos de ligação e, desta forma, será elemento que pode misturar as estirpes que possuem estas ligações.

A H5N1 só tem transmissibilidade para humanos a partir de aves em condições muito precárias de higiene. Ao infectar um humano vai formar ligações alfa2-6, numa zona mais profunda dos pulmões. Assim, os poucos infectados correm grande risco de vida.

A H1N1 é transmissível entre humanos. Ao infectar um humano vai formar ligações alfa 2-3, da zona superior respiratória. É mais fácil tratar.

Read more...

05/09/2009

Ética, Economia e Futuro


A economia pode-nos dar elementos de análise sobre as possíveis alternativas para a prevenção dos efeitos adversos da subida das temperaturas. O que devemos fazer? – é a pergunta. Quando interesses entram em conflito esta questão é sempre de natureza ética.

Como devemos avaliar o bem-estar das futuras gerações, considerando que terão mais bens materiais que nós?

Quase toda a gente reconhece o princípio moral básico de que não se deve fazer algo em seu benefício se prejudicar alguém. E quando causamos algum mal deveremos recompensar a vítima.

As alterações climáticas irão provocar danos. As doenças tropicais vão aumentar o seu alcance. A mudança nos padrões das chuvas levará à falta de alimentos e de água potável. Estas alterações vão afectar um número elevado de pessoas. A OMS estima que, desde 2000 o número anual de mortos devido às mudanças climáticas já superou os 150 mil.

Neste momento, quase tudo o que fazemos e compramos prejudica os outros. Não o podemos evitar. Contudo, recorrendo ao princípio moral básico, devemos tentar parar o mais depressa possível.

O que fazer?

Um projecto industrial que traga benefícios num futuro próximo, mas que emita gases de efeito estufa, e cujos benefícios ultrapassem os custos. Este projecto deve seguir em frente?

Ética dos Custos e Benefícios

Os custos da atenuação são os sacrifícios que a actual geração terá de fazer para reduzir os gases de efeito estufa. Os benefícios são um melhor nível de vida para as gerações futuras. Trata-se de uma discussão ética porque se avalia os benefícios para algumas pessoas em função dos custos para outras. A economia apresenta métodos para avaliar os benefícios em relação aos custos.

O relatório Stern Review on the Economics of Climate Change, de Nicholas Stern. O relatório compara custos e benefícios e conclui que os benefícios obtidos com a redução das emissões de gases de efeito estufa seriam maiores que os gastos para os reduzir. Um outro estudo, de William Nordhaus, conclui que a necessidade de intervenção não é urgente.

Qual a diferença nos diagnósticos de Stern e de Nordhaus? Stern usa uma “taxa de desconto” menor, ou seja, dá menor valor aos bens futuros relativamente aos actuais. Quanto mais no futuro estiverem esses bens mais desconto sofrem. A taxa de desconto mede a velocidade com que o valor dos bens diminui com o tempo. Para Norhaus a taxa é de 6%, enquanto para Stern é apenas de 1,4 pontos percentuais. Parecem valores pequenos mas estamos a olhar no tempo. Um desvio torna-se maior quanto mais tempo permanece. O resultado disto é que, para US$ 1 Bilião em bens, daqui a 100 anos, Norhaus avalia-os em US$ 2,5 mil milhões.

Futuro Mais Rico

E porquê o desconto nos bens futuros? Por dois motivos:

1- Um dos chavões a Economia é que ela cresce sempre, a longo prazo. Isto irá fazer com que, no futuro, as pessoas tenham, em média, mais bens do que nós. E quanto mais bens menor o valor dos bens adicionais. Os bens têm um valor marginal decrescente, desvalorizam.

2- Puramente ético e divide-se em dois ramos:

A- No Prioritarismo – aumento no bem-estar do indivíduo – um benefício que chega a uma pessoa rica tem um valor social menor que teria se chegasse a uma pessoa pobre.

B- No utilitarismo um benefício tem o mesmo valor social independentemente de quem o receba.

Qual a taxa de desconto a aplicar? O que determina a velocidade de diminuição no valor dos bem disponíveis no futuro? A riqueza das pessoas no futuro é que determina essa taxa e a velocidade. Pessoas mais ricas adquirem mais bens. Ora se os bens têm um valor marginal decrescente faz com que uma alta taxa de crescimento vai provocar uma alta taxa de desconto.

Em Economia afere-se o valor da taxa fixando a taxa mais alta no mercado monetário, onde se compram e vendem produtos futuros.

Outro factor que afecta a taxa de desconto é o seguinte: “Em quanto devem ser avaliados os benefícios às pessoas ricas futuras, em relação às nossas?”

1- Para o prioritarismo o valor atribuído aos benefícios às pessoas do futuro deveria ser menor que os nossos porque as pessoas vão ser mais ricas no futuro.

2- Para o utilirtarismo os benefícios para as pessoas do futuro deveriam ter o mesmo valor que os nossos.

Esta diferença de conceitos provoca a diferença nas taxas de desconto e faz com que a taxa do prioritarismo seja mais elevada relativamente à do utilitarismo.

A médio/longo prazo ambas as taxas chegam a valores baixos. O mundo deve, então, aoptar medidas urgentes para controlar as mudanças climáticas?

Fonte: Scientific American

Read more...

12/08/2009

Calotice em instituições por aqui...

Quando uma pessoa trabalha merece algo em troca, principalmente se estiver no seu contrato. Ao não receber num valor monetário como está descrito no seu contrato a pessoa vai contrair dívidas, vai deixar de pagar contas e começar a pagar juros de mora. A empresa, de acordo com o bom senso, teria de pagar o prometido e ainda os juros de mora do funcionário.

Eu não vou à EPD dizer que não posso pagar agora porque vou de férias e que pago depois, quando me apetecer. A resposta que terei vai ser obviamente crua. Se não pagar arrisco-me a ficar sem luz e a pagar, não só a religação mas também os juros e o valor da conta. Mas uma empresa pode dizer ao funcionário “espera mais uns 20 dias porque a funcionária responsável pelo processo foi de férias”. A que hei-de chamar a isto senão incompetência, falta de bom senso, falta de responsabilidade e calotice?

De facto, são casos como este que de vez em quando reparo à minha volta…

Read more...

25/05/2009

Testamento vital permite Eutanásia

Num artigo recente (21 de Maio) o Público refere que

"Qualquer pessoa pode deixar escrito quais os cuidados de saúde que deseja ou não receber caso fique incapaz de decidir quando a questão se colocar – a chamada declaração antecipada de vontade -, mas não pode pedir que um terceiro pratique uma acção contrária aos princípios da medicina."

Isto é, uma pessoa pode deixar escrito que não quer cuidados de manutenção de vida. O médico desliga as máquinas. Isto chama-se Eutanásia. Quer seja o médico, quer seja um familiar a fazê-lo. Há que entender o que é a Eutanásia: "Eu" e "Thanatos", o que significa uma boa morte.

Contudo há várias formas de proporcionar uma "boa morte":


1-Eutanásia Voluntária - A obtém os medicamentos que irão permitir a B que se suicide

2-Eutanásia Involuntária - Quando é realizada numa pessoa que poderia ter consentido ou recusado a sua própria morte, mas não o fez.

Na primeira é administrado o medicamento para que a pessoa morra. Na segunda é suspenso o tratamento. Ainda há um tipo de eutanásia muito comum, infelizmente: A Distanásia, que é a continuação do tratamento enquanto a pessoa sofre. É o prolongar do sofrimento.

O testamento vital irá, sem dúvida permitir uma eutanásia involuntária, e ainda bem, já que há muita gente a sofrer calada.

Read more...

13/03/2009

EEE - Economia, Ética e Ecologia

A economia pode-nos dar elementos de análise sobre as possíveis alternativas para a prevenção dos efeitos adversos da subida das temperaturas. O que devemos fazer? – é a pergunta. Quando interesses entram em conflito esta questão é sempre de natureza ética.

Como devemos avaliar o bem-estar das futuras gerações, considerando que terão mais bens materiais que nós?

Quase toda a gente reconhece o princípio moral básico de que não se deve fazer algo em seu benefício se prejudicar alguém. E quando causamos algum mal deveremos recompensar a vítima.

As alterações climáticas irão provocar danos. As doenças tropicais vão aumentar o seu alcance. A mudança nos padrões das chuvas levará à falta de alimentos e de água potável. Estas alterações vão afectar um número elevado de pessoas. A OMS estima que, desde 2000 o número anual de mortos devido às mudanças climáticas já superou os 150 mil.

Neste momento, quase tudo o que fazemos e compramos prejudica os outros. Não o podemos evitar. Contudo, recorrendo ao princípio moral básico, devemos tentar parar o mais depressa possível.

Um projecto industrial que traga benefícios num futuro próximo, mas que emita gases de efeito estufa, e cujos benefícios ultrapassem os custos. Este projecto deve seguir em frente?

Ética dos Custos e Benefícios

Os custos da atenuação são os sacrifícios que a actual geração terá de fazer para reduzir os gases de efeito estufa. Os benefícios são um melhor nível de vida para as gerações futuras. Trata-se de uma discussão ética porque se avalia os benefícios para algumas pessoas em função dos custos para outras. A economia apresenta métodos para avaliar os benefícios em relação aos custos.

O relatório Stern Review on the Economics of Climate Change, de Nicholas Stern. O relatório compara custos e benefícios e conclui que os benefícios obtidos com a redução das emissões de gases de efeito estufa seriam maiores que os gastos para os reduzir. Um outro estudo, de William Nordhaus, conclui que a necessidade de intervenção não é urgente.

Qual a diferença nos diagnósticos de Stern e de Nordhaus? Stern usa uma “taxa de desconto” menor, ou seja, dá menor valor aos bens futuros relativamente aos actuais. Quanto mais no futuro estiverem esses bens mais desconto sofrem. A taxa de desconto mede a velocidade com que o valor dos bens diminui com o tempo. Para Norhaus a taxa é de 6%, enquanto para Stern é apenas de 1,4 pontos percentuais. Parecem valores pequenos mas estamos a olhar no tempo. Um desvio torna-se maior quanto mais tempo permanece. O resultado disto é que, para US$ 1 Bilião em bens, daqui a 100 anos, Norhaus avalia-os em US$ 2,5 mil milhões.

Futuro Mais Rico

E porquê o desconto nos bens futuros? Por dois motivos:

1- Um dos chavões a Economia é que ela cresce sempre, a longo prazo. Isto irá fazer com que, no futuro, as pessoas tenham, em média, mais bens do que nós. E quanto mais bens menor o valor dos bens adicionais. Os bens têm um valor marginal decrescente, desvalorizam.

2- Puramente ético e divide-se em dois ramos:

A- No Prioritarismo – aumento no bem-estar do indivíduo – um benefício que chega a uma pessoa rica tem um valor social menor que teria se chegasse a uma pessoa pobre.

B- No utilitarismo um benefício tem o mesmo valor social independentemente de quem o receba.

Qual a taxa de desconto a aplicar? O que determina a velocidade de diminuição no valor dos bem disponíveis no futuro? A riqueza das pessoas no futuro é que determina essa taxa e a velocidade. Pessoas mais ricas adquirem mais bens. Ora se os bens têm um valor marginal decrescente faz com que uma alta taxa de crescimento vai provocar uma alta taxa de desconto.

Em Economia afere-se o valor da taxa fixando a taxa mais alta no mercado monetário, onde se compram e vendem produtos futuros.

Outro factor que afecta a taxa de desconto é o seguinte: “Em quanto devem ser avaliados os benefícios às pessoas ricas futuras, em relação às nossas?”

1- Para o prioritarismo o valor atribuído aos benefícios às pessoas do futuro deveria ser menor que os nossos porque as pessoas vão ser mais ricas no futuro.

2- Para o utilirtarismo os benefícios para as pessoas do futuro deveriam ter o mesmo valor que os nossos.

Esta diferença de conceitos provoca a diferença nas taxas de desconto e faz com que a taxa do prioritarismo seja mais elevada relativamente à do utilitarismo.

A médio/longo prazo ambas as taxas chegam a valores baixos. O mundo deve, então, aoptar medidas urgentes para controlar as mudanças climáticas?


Adaptado de Scientific American Junho 2008

www.ipcc.ch

necpri.blogspot.com

Read more...
Related Posts Widget for Blogs by LinkWithin