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EEE - Economia, Ética e Ecologia

A economia pode-nos dar elementos de análise sobre as possíveis alternativas para a prevenção dos efeitos adversos da subida das temperaturas. O que devemos fazer? – é a pergunta. Quando interesses entram em conflito esta questão é sempre de natureza ética.

Como devemos avaliar o bem-estar das futuras gerações, considerando que terão mais bens materiais que nós?

Quase toda a gente reconhece o princípio moral básico de que não se deve fazer algo em seu benefício se prejudicar alguém. E quando causamos algum mal deveremos recompensar a vítima.

As alterações climáticas irão provocar danos. As doenças tropicais vão aumentar o seu alcance. A mudança nos padrões das chuvas levará à falta de alimentos e de água potável. Estas alterações vão afectar um número elevado de pessoas. A OMS estima que, desde 2000 o número anual de mortos devido às mudanças climáticas já superou os 150 mil.

Neste momento, quase tudo o que fazemos e compramos prejudica os outros. Não o podemos evitar. Contudo, recorrendo ao princípio moral básico, devemos tentar parar o mais depressa possível.

Um projecto industrial que traga benefícios num futuro próximo, mas que emita gases de efeito estufa, e cujos benefícios ultrapassem os custos. Este projecto deve seguir em frente?

Ética dos Custos e Benefícios

Os custos da atenuação são os sacrifícios que a actual geração terá de fazer para reduzir os gases de efeito estufa. Os benefícios são um melhor nível de vida para as gerações futuras. Trata-se de uma discussão ética porque se avalia os benefícios para algumas pessoas em função dos custos para outras. A economia apresenta métodos para avaliar os benefícios em relação aos custos.

O relatório Stern Review on the Economics of Climate Change, de Nicholas Stern. O relatório compara custos e benefícios e conclui que os benefícios obtidos com a redução das emissões de gases de efeito estufa seriam maiores que os gastos para os reduzir. Um outro estudo, de William Nordhaus, conclui que a necessidade de intervenção não é urgente.

Qual a diferença nos diagnósticos de Stern e de Nordhaus? Stern usa uma “taxa de desconto” menor, ou seja, dá menor valor aos bens futuros relativamente aos actuais. Quanto mais no futuro estiverem esses bens mais desconto sofrem. A taxa de desconto mede a velocidade com que o valor dos bens diminui com o tempo. Para Norhaus a taxa é de 6%, enquanto para Stern é apenas de 1,4 pontos percentuais. Parecem valores pequenos mas estamos a olhar no tempo. Um desvio torna-se maior quanto mais tempo permanece. O resultado disto é que, para US$ 1 Bilião em bens, daqui a 100 anos, Norhaus avalia-os em US$ 2,5 mil milhões.

Futuro Mais Rico

E porquê o desconto nos bens futuros? Por dois motivos:

1- Um dos chavões a Economia é que ela cresce sempre, a longo prazo. Isto irá fazer com que, no futuro, as pessoas tenham, em média, mais bens do que nós. E quanto mais bens menor o valor dos bens adicionais. Os bens têm um valor marginal decrescente, desvalorizam.

2- Puramente ético e divide-se em dois ramos:

A- No Prioritarismo – aumento no bem-estar do indivíduo – um benefício que chega a uma pessoa rica tem um valor social menor que teria se chegasse a uma pessoa pobre.

B- No utilitarismo um benefício tem o mesmo valor social independentemente de quem o receba.

Qual a taxa de desconto a aplicar? O que determina a velocidade de diminuição no valor dos bem disponíveis no futuro? A riqueza das pessoas no futuro é que determina essa taxa e a velocidade. Pessoas mais ricas adquirem mais bens. Ora se os bens têm um valor marginal decrescente faz com que uma alta taxa de crescimento vai provocar uma alta taxa de desconto.

Em Economia afere-se o valor da taxa fixando a taxa mais alta no mercado monetário, onde se compram e vendem produtos futuros.

Outro factor que afecta a taxa de desconto é o seguinte: “Em quanto devem ser avaliados os benefícios às pessoas ricas futuras, em relação às nossas?”

1- Para o prioritarismo o valor atribuído aos benefícios às pessoas do futuro deveria ser menor que os nossos porque as pessoas vão ser mais ricas no futuro.

2- Para o utilirtarismo os benefícios para as pessoas do futuro deveriam ter o mesmo valor que os nossos.

Esta diferença de conceitos provoca a diferença nas taxas de desconto e faz com que a taxa do prioritarismo seja mais elevada relativamente à do utilitarismo.

A médio/longo prazo ambas as taxas chegam a valores baixos. O mundo deve, então, aoptar medidas urgentes para controlar as mudanças climáticas?


Adaptado de Scientific American Junho 2008

www.ipcc.ch

necpri.blogspot.com


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3 comentários:

natenine disse...

procura isto no codigo do blog:


#sidebarbottom-wrap1 {


esta com cor #FFFFFF que é branco, se quiseres preto substitui por #000000

Marcos Sabino disse...

Viraste-te para a economia agora? eheh

Dário Cardina Codinha disse...

Temos de ser... como é que hei de explicar... Versáteis.

Como podes ver é bastante interessante e oferece-nos diferentes análises científicas. Oferece-nos, por vezes, respostas onde não haveria num pensamento monodisciplinar.

13/03/2009

EEE - Economia, Ética e Ecologia

A economia pode-nos dar elementos de análise sobre as possíveis alternativas para a prevenção dos efeitos adversos da subida das temperaturas. O que devemos fazer? – é a pergunta. Quando interesses entram em conflito esta questão é sempre de natureza ética.

Como devemos avaliar o bem-estar das futuras gerações, considerando que terão mais bens materiais que nós?

Quase toda a gente reconhece o princípio moral básico de que não se deve fazer algo em seu benefício se prejudicar alguém. E quando causamos algum mal deveremos recompensar a vítima.

As alterações climáticas irão provocar danos. As doenças tropicais vão aumentar o seu alcance. A mudança nos padrões das chuvas levará à falta de alimentos e de água potável. Estas alterações vão afectar um número elevado de pessoas. A OMS estima que, desde 2000 o número anual de mortos devido às mudanças climáticas já superou os 150 mil.

Neste momento, quase tudo o que fazemos e compramos prejudica os outros. Não o podemos evitar. Contudo, recorrendo ao princípio moral básico, devemos tentar parar o mais depressa possível.

Um projecto industrial que traga benefícios num futuro próximo, mas que emita gases de efeito estufa, e cujos benefícios ultrapassem os custos. Este projecto deve seguir em frente?

Ética dos Custos e Benefícios

Os custos da atenuação são os sacrifícios que a actual geração terá de fazer para reduzir os gases de efeito estufa. Os benefícios são um melhor nível de vida para as gerações futuras. Trata-se de uma discussão ética porque se avalia os benefícios para algumas pessoas em função dos custos para outras. A economia apresenta métodos para avaliar os benefícios em relação aos custos.

O relatório Stern Review on the Economics of Climate Change, de Nicholas Stern. O relatório compara custos e benefícios e conclui que os benefícios obtidos com a redução das emissões de gases de efeito estufa seriam maiores que os gastos para os reduzir. Um outro estudo, de William Nordhaus, conclui que a necessidade de intervenção não é urgente.

Qual a diferença nos diagnósticos de Stern e de Nordhaus? Stern usa uma “taxa de desconto” menor, ou seja, dá menor valor aos bens futuros relativamente aos actuais. Quanto mais no futuro estiverem esses bens mais desconto sofrem. A taxa de desconto mede a velocidade com que o valor dos bens diminui com o tempo. Para Norhaus a taxa é de 6%, enquanto para Stern é apenas de 1,4 pontos percentuais. Parecem valores pequenos mas estamos a olhar no tempo. Um desvio torna-se maior quanto mais tempo permanece. O resultado disto é que, para US$ 1 Bilião em bens, daqui a 100 anos, Norhaus avalia-os em US$ 2,5 mil milhões.

Futuro Mais Rico

E porquê o desconto nos bens futuros? Por dois motivos:

1- Um dos chavões a Economia é que ela cresce sempre, a longo prazo. Isto irá fazer com que, no futuro, as pessoas tenham, em média, mais bens do que nós. E quanto mais bens menor o valor dos bens adicionais. Os bens têm um valor marginal decrescente, desvalorizam.

2- Puramente ético e divide-se em dois ramos:

A- No Prioritarismo – aumento no bem-estar do indivíduo – um benefício que chega a uma pessoa rica tem um valor social menor que teria se chegasse a uma pessoa pobre.

B- No utilitarismo um benefício tem o mesmo valor social independentemente de quem o receba.

Qual a taxa de desconto a aplicar? O que determina a velocidade de diminuição no valor dos bem disponíveis no futuro? A riqueza das pessoas no futuro é que determina essa taxa e a velocidade. Pessoas mais ricas adquirem mais bens. Ora se os bens têm um valor marginal decrescente faz com que uma alta taxa de crescimento vai provocar uma alta taxa de desconto.

Em Economia afere-se o valor da taxa fixando a taxa mais alta no mercado monetário, onde se compram e vendem produtos futuros.

Outro factor que afecta a taxa de desconto é o seguinte: “Em quanto devem ser avaliados os benefícios às pessoas ricas futuras, em relação às nossas?”

1- Para o prioritarismo o valor atribuído aos benefícios às pessoas do futuro deveria ser menor que os nossos porque as pessoas vão ser mais ricas no futuro.

2- Para o utilirtarismo os benefícios para as pessoas do futuro deveriam ter o mesmo valor que os nossos.

Esta diferença de conceitos provoca a diferença nas taxas de desconto e faz com que a taxa do prioritarismo seja mais elevada relativamente à do utilitarismo.

A médio/longo prazo ambas as taxas chegam a valores baixos. O mundo deve, então, aoptar medidas urgentes para controlar as mudanças climáticas?


Adaptado de Scientific American Junho 2008

www.ipcc.ch

necpri.blogspot.com

3 comentários:

natenine disse...

procura isto no codigo do blog:


#sidebarbottom-wrap1 {


esta com cor #FFFFFF que é branco, se quiseres preto substitui por #000000

Marcos Sabino disse...

Viraste-te para a economia agora? eheh

Dário Cardina Codinha disse...

Temos de ser... como é que hei de explicar... Versáteis.

Como podes ver é bastante interessante e oferece-nos diferentes análises científicas. Oferece-nos, por vezes, respostas onde não haveria num pensamento monodisciplinar.

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