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Canal C - Vírus na Universidade



Um trabalho de virologia, um bom trabalho. Uma boa apresentação desse trabalho e, pum! Críticas duríssimas sem argumentos. Aqui vou enumerar algumas das críticas e a lógica das mesmas.





O trabalho tem sido explorado nos posts mais recentes.





1- Na parte  do trabalho que diz “primeiro registo de pandemia”, que durou entre 1580 e 1647. 




A crítica: " Uma pandemia não dura tanto tempo. E foi a primeira???"


A origem deste excerto do trabalho é a Scientific American: “A primeira pandemia influenza descrita data de 1580, desde então já 31 foram observadas.”; Daqui " O primeiro registo de pandemia data de 1580, ocorrendo em África e na Europa. Foi responsável pela morte de milhares de pessoas em 1647 à medida que alastrava das Caraíbas até Nova Inglaterra.”; Daqui, daqui e daqui: "La primera epidemia descrita que afecto a Europa, Asia y el Norte de África ocurrió en 1580, y la primera que afecto al Continente Americano ocurrió en 1647.".


A crítica faz sentido não faz? LOL






2- O excerto do capítulo Morfologia, que refere isto: " Hemaglutinina – HA – adesão às células. HA1 e HA2– clivagem por uma   tripsina-like (protease da família das serinas)”


A crítica: " HA adere porque a clivagem promove a disponibilidade do péptido de sinal."


No entanto, na bibliografia aparece isto: " HA1 e o HA2. Com a clivagem, a HA sofre uma mudança conformacional induzindo a actividade de fusão de membrana do polipéptido HA2". O importante estava referido: a clivagem que promove a aproximação do vírus à célula. O outro grupo mencionou apenas a aproximação (sem mencionar o HA1 e o HA2) e não houve qualquer crítica. O grande problema é este: Incoerência nas avaliações.






3- No mesmo ponto


 A crítica: " A clivagem não é pela tripsina mas por uma serínea"


Na bibliografia, aqui: “HA2 torna-se exposta em pH ácido e forma a glicoproteína da fusão. As mudanças conformacionais na HA em pH baixo resultam na exposição de alguns sítios e no seqüestramento de outros. Por exemplo, os sítios de clivagem por tripsina do peptídeo da fusão”  Hmm??? Li bem? Tripsina?? Afinal quem é que não estudou?






4- No mesmo ponto


Crítica: " Tripsina-like não se escreve"


Bem, nos slides vi inúmeros estrangeirismos: DNA, RNA, ORF, Drift, Shift, Feedback. Não convém ter "like" porque apetece implicar. É incrível a falta de ética...





5- No ponto referente ao ciclo replicativo: "Montagem e Extrusão dos viriões"


Crítica: " Extrusão não existe"


Bem, não sou pró em português mas inventar uma palavra é estranho, não? Encontrei quem a inventou. Aqui  alguém inventou a palavra... aqui, no dicionário também! Incrível! Mais incrível ainda, o próprio director desses professores tem um capítulo no seu livro chamado " Montagem e Extrusão. Fantástico.





6- No ponto das variações: Drift Antigénico e Shift Antigénico.


Crítica: " Tem de ser em português, deriva e salto"


Já expliquei este tema nos posts anteriores.  Voltamos ao mesmo, estrangeirismos? Quem emprega dezenas de estrangeirismos por aula e que não sabe o significado de uma palavra intuitiva não tem competência nem moral para  fazer uma crítica destas.


Mesmo assim, cá vai a bibliografia aqui e aqui, sim é a Roche. A Roche está errada, será?? Claro que não!


 
Aqui nesta imagem podemos ver que o "não faças o que digo nem o que faço" passa a fazer sentido. Bela coerência… Este é um slide das aulas. Parece-me ler “Drift” e “Shift”. Ups!



7- No excerto referente à prevenção e ao tratamento: Interferem função do domínio transmembranar da proteína viral M2.(fluxo proteico). Assim não há descapsidação“  
Crítica: "Está errado, inibe a actividade enzimática da NA"


Na bibliografia pode-se ler aqui:   " actua por inibição dos vírus,  através do bloqueio da actividade do canal iónico M2” “inibidor da neuraminidase"


E isto não é mais do que a inibição da actividade enzimática. Talvez seja melhor referir que isto está errado porque a explicação tem de ser a nível atómico, ou melhor, a nível sub-atómico?  A ordem dos farmacêuticos vai chumbar a virologia! Assim como muuuuitas outras instituições…






Em cima está o Excerto do trabalho original e em baixo O mesmo excerto no trabalho corrigido. Ora PORRA! Eu estava certo, não foi corrigido porque estava certo! Isto é muito estranho…





8- No capítulo da actualidade tem referência a “Gripe A”.


Crítica: “Não se pode escrever Gripe A”


Em cima está o excerto original e em baixo o corrigido. Cum Carago! Estava certo!  Em cima "Gripe A"; em baixo "Gripe A". Perceberam? "Gripe A" está errado, então vamos corrigir e... txaram!!! -> "Gripe A" é o corrigido. Uma pergunta: Porquê dizer mal quando está certo? Esta gente é normal? Só mesmo no IHMT. Querem os nomes dos responsáveis?


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Canal C - C de... tudo

C, C de calotice, de conspiração, de "canal dum catano", de Cardina, compreensão. Enfim... dos "C" que se lembrarem enquanto lêem. São histórias (reais) e emocionantes.
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Gripe: As Variações Antigénicas



O vírus da gripe, antes de sair da célula hospedeira tem de juntar os seus 7 ou 8 segmentos para completar o virião. Contudo, como são milhares de viriões a sair acontece que muitos terão menos de 7 segmentos ou terão segmentos repetidos o que inviabiliza os vírus, que deixarão de infectar pois não têm os segmentos necessários a todo o processo de infecção.
Estes vírus não têm nenhum mecanismo de correcção de erros de transcrição. Desta forma haverá muitos erros de transcrição ou que resulta em proteínas erradas e num virião inviável. As mutações são bastante frequentes, e são o motivo pelo qual precisamos de nos vacinar todos os anos.
As mutações pontuais de H1N1, por exemplo, fazem com que o vírus tenha sucesso contra o nosso sistema imunitário, sistema esse que já protegia contra o H1N1 de uns meses antes. A causa disso é a deriva antigénica, que promove a aquisição de variabilidade genética. É um processo lento e provoca surtos epidémicos.
E se dois vírus da gripe diferentes infectarem a mesma célula, o que vai sair? A resposta é que irá haver, a altura da montagem e saída, uma mistura dos segmentos das duas estirpes. Haverá, então, recombinação antigénica. Neste mecanismo as alterações são enormes.
Podemos reparar que, quando surgiu uma estirpe nova houve um surto pandémico. Em 1918, H1N1; em 1957, H2N2; em 1968, H3N2. Isto deve-se ao facto de haver mistura e troca de segmentos de mais de uma estirpe de gripe. Este mecanismo é altamente pandémico.
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Gripe: Que Bicho é Este?



O BI de um vírus tem como dados importantes o tipo de genoma, a simetria, o diâmetro, e se tem invólucro, que tipo de proteínas apresenta na sua superfície.

- O genoma do vírus da Gripe é de 7 ou 8 segmentos de RNA de cadeia simples (ssRNA), de polaridade negativa.
- A simetria a nucleocápside é helicoidal. A nucleocápside é constituída por 8 segmentos, nos tipos A e B, e por 7 segmentos no tipo C.
- O diâmetro do vírus é de 100 a 120 nm.
- O invólucro é lipídico e apresenta algumas proteínas específicas deste vírus na sua superfície: A Neuraminidase (NA) e a Hemaglutinina (HA). Apresenta ainda uma proteína bastante importante – a M2.

Esta é a estrutura viral do Influenzaviridae, da família dos Orthomyxoviridae, que pertence à ordem dos Mononegavirales. O NA e o HA representam os serótipos dos virus, há 9 tipos de N e 16 tipos de H. 

O vírus entra na célula através da acção conjunta da Hemaglutinina, dos receptores celulares e de uma protease. A Hemaglutinina liga-se aos receptores celulares, o ácido siálico, a protease serínica cliva a Hemaglutinina em HA1 e HA2, desta forma o vírus o péptido sinal fica disponível e o vírus pode entrar. Acontece a endocitose.
A proteína M2 é um canal iónico que permite a descapsidação do vírus. Ao bombear protões para o interior do vírus torna o ambiente intraviral mais ácido, o suficiente para o invólucro se dissociar. Assim os segmentos genómicos ficam disponíveis para transcrever.
Os segmentos migram até ao núcleo celular, entram pelos poros nucleares. Como é no núcleo que está a maquinaria de transcrição celular, os segmentos virais aproveitam para transcrever também através da RdRp que sintetiza os mRNA virais. Estes mRNA apresentam zonas de ligação ao ribossoma (para poderem traduzir para proteínas) – 5’CAP -  e de estabilidade – poli(A). A extremidade 5’CAP é cortada dos mRNA celulares e inserida nos mRNA virais pelo mecanismo de cap snatching. Desta forma os mRNA celulares ficam sem a extremidade onde o ribossoma acopla e não podem traduzir proteínas.
Ainda no núcleo ocorre o splicing de dois transcritos. Assim, a partir de 8 segmentos formam-se 10 proteínas.
Os mRNA virais saem do núcleo com as extremidades 5’CAP para o ribossoma poder traduzir e com a extremidade poli(A) que confere estabilidade. No citoplasma são traduzidas as proteínas. As proteínas da nucleocápside voltam ao núcleo para serem montadas lá.
Após a sua montagem retornam ao citoplasma através da acção da proteína M1 e da NEP/NS2. As nucleocápsides vão-se associar à M1 e vão adquirir o invólucros. Os mRNA trasncritos vão-se juntar e acontece a montagem completa do virião.
A Neuraminidase contribui para a libertação dos vírus da superfície da célula ao remover o ácido siálico da superfície da célula. Assim os vírus ficam livres para infectar outras células.

Fontes:
ANDRADE, H. Rebelo; DINIZ, António; FROES, Filipe – Gripe – Sociedade Portuguesa de Pneumologia – Lisboa – 2003 – ISSN: 972-8152-21-3

FERREIRA, Wanda F. Canas;SOUSA, João Carlos F. - Microbiologia Vol., Lidel .Lisboa, 2002. ISBN 972-757-136-0
 
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Gripe: A História do Vírus



As epidemias têm influenciado a história do ser humano, a política e a economia. Com o aparecimento da agricultura, há 12 mil anos, e a domesticação de animais permitiu um maior agrupamento populacional, o que facilitou a disseminação de doenças infecciosas.
A relação ambiente/saúde está presente na obra de Hipócrates: Ares, Águas e Lugares. Em 2400 a.C. empregou pela primeira vez as palavras epidemeion e endemeion.
Marco Terêncio Varro (116-27 a.C.) já alertava contra a construção de fazendas em sítios “encharcados”.
As superpovoadas casas de cómodos em que viviam os pobres romanos facilitavam a difusão de doenças transmissíveis.
Em 430 a.C. aparece, em Atenas, a primeira epidemia registada de Gripe. Foi também responsável pela destruição do exército de Carlos Magno, em 876.
Em 1580 surge a primeira pandemia de Gripe mas só em 1372 é que surge o primeiro termo para designar a doença. Um médico inglês, John Huxham, introduziu o termo Influenza relacionando os sintomas provocados pelo vírus com a influência astrológica.
Mais recentemente aparecem a Gripe “Espanhola”, A/H1N1, com uma mortalidade entre 2,5% e 5%, em 1918. Esta foi a pandemia de Gripe mais mortífera, entre humanos, de que há registo. Matou cerca de 21 milhões de pessoas num ano. Em 1957 surge a nova estirpe A/H2N2, conhecida como Gripe “Asiática”. Onze anos mais tarde, em 1968, a A/H3N2 entra em cena. Esta foi a terceira pandemia em cinquenta anos; chamar-se-ía Gripe de “Hong Kong”.
Um surto epidémico surgiu na Rússia em 1977, da estirpe H1N1, mais ma vez. Não chegamos ao fim do milénio sem assistir a mais um surto epidémico, agora da estirpe H5N1, a Gripe “das Aves”, com uma mortalidade de cerca de 50%, em 1997. Actualmente assistimos ao reaparecimento da estirpe H1N1, em 2009.

Fontes:
França, Francisco O. S., Bertolozzi, Maria Rita, “Pandemias: O custo preverso da exclusão social”, Scientific American Brasil, n.º 14, pg. 39, Julho 2003
Webster, Robert G., Walker, Elizabeth Jane, “Influenza”, Scientific American Brasil, n.º 14, pg. 46-49, Julho 2003
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A Ciência, o Método Científico e as Outras Coisas




Este post é uma resposta a alguns comentários:

Acredito num modelo que avalia, um modelo dinâmico que incrementa conhecimento – o método científico.
Com o método científico deixa de ser necessário provar tudo o que já foi provado. Deixo de ter de provar que a água ferve a 100ºC em condições PTN cada vez que quero fazer um chá, ou de provar que comer um bolo quente faz mal à barriga cada vez que o vir a fumegar e eu o quiser comer.
Um evento pode ser repetido mas, se não puder sê-lo experimentalmente podemos “visualizá-lo” matematicamente, por incapacidade técnica, por exemplo. Antes de os cientistas provares que o átomo era formado por quarks, tinham modelos matemáticos e físicos que o mostravam. Quando, no CERN se provou experimentalmente que haviam 6 quarks (3 famílias de 2 quarks) ficou verificado o modelo anterior. Isto é o método científico.
Imagina que eu te pergunto: qual é a velocidade de um martelo e de uma pena a cair das tuas mãos até ao chão, na Lua e na Terra? Na Terra sabes qual é pois podes medi-la. Não precisas de efectuar a experiência à frente de cada pessoa nem em cada local da Terra à espera que seja diferente. A física e a matemática não mudam. Basta efectuares a experiência uma vez e verificares que bate certo com a fórmula de Newton. Na Lua também podes saber as velocidades usando a mesma fórmula, embora não tenhas capacidade técnica para o fazer experimentalmente.
Vais acreditar na fórmula de Newton ou vais perder tempo em verificar todas as fórmulas? Vais inventar a roda cada vez que queres fazer uma? Por essa razão existem leis, corolários, etc.
A partir da fórmula chegas à velocidade da pena e do martelo. Ao chegares à lua chegas à mesma conclusão: a fórmula está correcta, mesmo na lua. Ou então não chegas à mesma conclusão: a fórmula não está correcta para a lua, então reformulas e tentas inserir alguma constante para que se possa usar a fórmula tanto na terra como na lua. O método científico faz dessas coisas, verifica, falsifica. As hipóteses falseadas terão de ser reconsideradas, reformuladas ou eliminadas. Isso existe constantemente em ciência.
Antes de se confirmarem os quarks, havia grupos que tinham modelos sem quarks. Obviamente que ambos os modelos poderiam estar correctos mas, quando se descobriram os quarks, o modelo sem eles teve de ser excluído. Mais recentemente procuramos o Bosão de Higgs, mas há modelos que excluem o bosão. Até se encontrar a dúvida persiste. Há hipóteses mais realistas que outras, ou mais bem explicadas. O método científico, que é o conjunto de mentes a funcionar sobre diversos modelos, muitos contraditórios, é um processo dinâmico em que os quarks são mentira hoje mas amanhã serão verdade porque foram descobertos. Além disso há uma componente muito mas mesmo muito importante no método científico é a capacidade de crítica.
A crença em deuses é estática e não permite novas formulações. Não permite um método dinâmico.

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Mutações e Recombinação Genética



O Mats, num comentário do Génesis Contra Darwin escreve isto:

"Resistência às bactérias nãoo é um fenómeno evolutivo uma vez que nada de novo é criado, mas sim ocorre uma recombinação de genes que já existem.

Mutação não é sinónimo de evolução."

Ele não é da área da ciência, como tal terei de usar letras como A, B e C como exemplos de bases azotadas e fazer metáforas com o alfabeto. Sim porque no nosso genoma, ao microscópio, não vemos G, T, C ou A, vemos estruturas e,a elas damos nomes.


Para o Mats uma alteração genética nunca pode formar informação nova porque vê que um A não pode gerar um B por magia, tal como um certo deus criou o ser humano (aí já pode haver magia). De facto não há magia nenhuma, há compreensão científica de como as coisas funcionam.


Imaginemos 2 sequências genómicas:


1-ABCDEFGHI
2-RAYGUCBDI


Têm mais ou menos 50% das mesmas letras mas são muito diferentes, vejamos:


A proteína resultante em 1: ABC DEF GHI
A proteina resultante em 2: RAY GUC BDI


Nenhum dos aminoácidos é igual, a proteína seria diferente, não efectuaria o seu trabalho. Talvez fosse uma proteina que efectuasse o mesmo trabalho com mais eficácia. As bactérias usam proteinas ligeiramente diferentes para sobreviver num meio com menos oxigénio, por exemplo. É um fenómeno destes que está por detrás duma resistência.



Uma mutação pode ser pontual ou numa zona vasta, pode até incluir cromossomas inteiros. Podem ser delecções, inserções, transposões ou inversões. Após a alteração a mutação pode ter efeitos ou pode ser silenciosa.


Delecções:
ABCDEFGHI     ->    ACDEFGHI      o B foi eliminado
proteina final - ACD EFG HI


Inserções:

ABCDEFGHI     ->    AMCDEFGHI      o M foi inserido
proteina final - ABM CDE FGH I


Como podemos ver apenas por estes dois exemplos, a proteina final pode ser totalmente diferente, uma sequência genética pode codificar para uma proteina totalmente diferente, ou não, dependendo da zona alvo da mutação.
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TED: Palestras sobre Matéria Escura e Energia Escura

Mais uns magníficos vídeos da TED ideas worth spreading. Patricia Burchat dá uma palestra sobre energia escura e matéria escura.

A grande novidade é que agora várias palestras já apresentam legendas em português!

Podem ver aqui a palesta:



E aqui poderão encontrar muitas mais palestras de grande interesse científico, por grnades cientistas.

"A física Patricia Burchat elucida dois ingredientes básicos de nosso universo: a matéria escura e a energia escura. Formando 96% do universo, elas não podem ser medidas diretamente, mas sua influência é imensa."


Fonte:


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Rápidas: O Martelo e a Pedra



O blog Eternos Aprendizes mostra-nos a verificação de uma equação física:

(1/2)mv2=mgh, ou seja,
(1/2)v2=gh
Como a massa (m) aparece em ambos os ramos da equação, podem ser cortados. Ficamos então com uma fórmula independente da massa.

Como na Lua não há atrito, a forma do objecto não interfere com a sua velocinada, ao contrário do que acontece na Terra. Desta forma a pena e o martelo irão chagar ao solo ao mesmo temp.
Este filmagem feita em 1971, durante a missão Apollo 15:


A ciência é feita disto mesmo: Testes. Uma fórmula parece estar certa mas só testando-a é que saberemos que é verdadeira.

Para os mais cépticos, parece-me impossível fazer esta experiência em Terra. De facto, o Homem esteve mesmo na Lua.

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CONTRA-CAPA: 2012 - O Ciclo Solar e a Tempestade Assassina



No blog Reflexões de um Ateu aparece este parágrafo:


“Esta profecia têm alguma base científica e a violenta atividade solar prevista pelos Maias é confirmada por astrofísicos, não obstante, negam que tal acontecimento possa significar algum tipo de fim do mundo. Segundo os cientistas, as tempestades solares intensas que, de fato, são periódicas, estão previstas para acontecer entre 2011 e 2012. Estas explosões libertam energia de até 100 bilhões de vezes a bomba atômica lançada sobre Hiroshima na II Guerra Mundial.”


O Sol aproximar-se do seu máximo solar de 11 anos. As previsões apontam para o máximo do Ciclo Solar 24 como o mais energético desde os últimos, ocorridos em 2002 e 2003.
Este cenário tem alguma base científica. Pode existir “alguma correlação entre o ciclo solar de 11 anos e os ciclos temporais vistos no calendário Maia.”.
“A possibilidade de haver uma grande tempestade solar que afecte a Terra “tem sido bastante atraente para os profetas do apocalipse.” A verdade é que a Terra está muito bem protegida contra os ventos solares, embora alguns satélites sofram com isso.
O gráfico acima mostra que o máximo solar está previsto apenas em 2013. O gráfico mostra ainda as previsões até 2020.
Fontes: 
Reflexões de um Ateu - Fim do mundo: 21 de Dezembro 2012

Eternos Aprendizes - 2012: Não haverá tempestade solar assassina

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CAPA: 2012 - O Ciclo Solar e a Tempestade Assassina





O Sol tem um ciclo natural de aproximadamente 11 anos. Neste ciclo, as linhas de campo magnético solar são arrastadas ao redor do Sol numa rotação diferenciada no equador solar. “Isto significa que o equador solar gira mais rapidamente que os pólos magnéticos. (…) o plasma solar arrasta as linhas de campo magnético ao redor do Sol, provocando tensão e acumulando energia (ilustrado na figura acima). Conforme aumenta a energia magnética, formam-se ondas no fluxo magnético, forçando-as mover-se até a superfície. Estas ondas são conhecidas como bolhas coronais as quais se fazem mais numerosas durante os períodos de pico solar.”
Enquanto bolhas coronais surgem na superfície, as manchas solares aparecem na base destas bolhas. A energia magnética acumula-se e há um maior fluxo magnético forçado a unir-se. “Aqui é onde tem lugar o fenômeno de re-conexão magnética, é o gatilho do acionamento de explosões solares”. Estas explosões, que acontecem na corona baixa (1 UA)* variam de “nano tempestades” a “explosões da classe-X”, os  mais energéticos.
 “Quando as linhas de campo magnético solar liberam uma enorme quantidade de energia, o plasma solar se acelera e fica confinado dentro do ambiente magnético (o plasma solar é formado de partículas superaquecidas iônicas como prótons, elétrons e alguns elementos leves como os núcleos de Hélio). Quando as partículas do plasma interagem, raios-X podem ser gerados se as condições necessárias estão adequadas, tornando-se possível o evento denominado bremsstrahlung. (O bremsstrahlung tem lugar quando as partículas carregadas interagem, dando como resultado uma emissão de raios-X). Isto pode criar uma tempestade de raios-X (ou rajadas de Raios-X).”


Tempestade assassina?
Uma tempestade solar dirigida diretamente para nós pode provocar alguns “danos nos satélites, lesões em astronautas sem proteção e apagões”. Mesmo assim a tempestade não é suficientemente potente para destruir a Terra, nem agora nem em 2012.
Daqui a 5 mil milhões de anos, quando o Sol começar  a esgotar o hidrogénio do seu núcleo e se converter numa gigante vermelha, teremos, aí sim, “um verdadeiro inferno no planeta Terra”
“Em 2006, o observatório Swift da NASA viu a maior tempestade solar jamais observada há 135 anos luz de distância. Com uma liberação de energia estimada em 50 quadrilhões (milhões de trilhões) de bombas atómicas”. Uma tempestade como a de II Pegasi acabaria com a vida na Terra.
A tempestade em II Pegasi foi violentíssima porque é uma gigante vermelha violenta com uma companheira binária numa uma órbita bastante próxima. “Acredita-se que a interação gravitacional com sua companheira binária além do fato de que II Pegasi é uma gigante vermelha são as causas desta tempestade energética descomunal.”
Contudo, o Sol é uma estrela muito estável, não possui uma binária companheira e conhecemos os seu ciclo. Além disso “não há provas de que nosso Sol tenha contribuído em nenhuma das extinções massivas no passado com uma enorme tempestade dirigida contra a Terra.”
“os físicos solares (em 2008 e 2009) estão surpreendidos pela carência inesperada da atividade solar no início do ciclo solar #24, o que tem levado alguns cientistas a especular que poderíamos estar próximos de um novo mínimo de Maunder e uma “Pequena Idade do Gelo“. Isto está em total oposição com a previsão anterior dos físicos solares da NASA feita em 2006 que estimaram que este ciclo fosse tornar-se extraordinário.”

Inversão do campo magnético
“os profetas do apocalipse também têm afirmado que incrivelmente uma grande tempestade solar nos impactará justamente quando o campo magnético da Terra se enfraquece e se inverte, deixando-nos sem proteção ante os estragos de uma CME… As razões pelas quais isto também não vai ocorrer em 2012 já mereceram seu próprio artigo: “2012: Não haverá inversão dos pólos magnéticos da Terra“.”
*1UA – Unidade Astrnonómica – 150 milhões de quilómetros




Ler mais:
2012: No Killer Solar Flare - 2012: Não Haverá Tempestade Solar Assassina

Tradução do artigo escrito por Ian O’Neill na Universe Today em 21 de junho de 2008

Fontes:
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Incoerência Pública - A Gripe A/H1N1/2009



Em Abril, quando a gripe A/H1N1/2009 começava a sua volta ao globo muitos cépticos diziam ser apenas uma gripe e que nada os atacava. Entretanto a gripe começou a matar e os portugueses, e não só, acharam que matava menos do que outras doenças ou do que um tsunami, típico de mentes inteligentes que apresentam analogias sem qualquer analogia.

Começaram a chover  ideias de que o vírus fora criado para dizimar 1/3 da população mundial. Ora, se fosse para isso não era um vírus da gripe que se usava. Ou seria uma ideia sem sentido ou os cientistas tinham tudo menos inteligência. De facto, não passou de mais uma teoria da conspiração.


Há uns dois meses, antes de as vacinas chegarem, a população portuguesa refilava por não serem encomendadas 10 milhões de doses e que estava a demorar demasiado tempo. O atraso das vacinas, diziam os espertos, era para morrerem mais pessoas para o país ficar com menos gente.

Pouco tempo depois a ideia deixou de ser o vírus letal para passar a ser a vacina letal. Quando as vacinas chegaram diziam os entusiastas das teorias sem fundamentos que a vacina nos ía matar. De facto houve algumas mortes que, cientificamente, não foram atribuídas à vacina. Não querendo olhas para as evidências científicas os experts continuaram a usar como troféus os óbitos de grávidas que teriam tomado a vacina 2 ou 3 dias antes... e até 20 dias antes! Ora, até podia ser do queque que tinham comido 2 meses antes ou de terem pintado as unhas a uma terça-feira. Enfim, poderia ter havido centenas de crenças deste tipo. Imagino se a vacina tivesse sido administrada a uma sexta-feira 13!

Primeiro as vacinas eram poucas porque eram só para as figuras mais importantes da nossa sociedade. As vacinas vieram e ninguém as quis. Isto remete-nos para pessoas de que idade?

O Vírus chegou, a vacina chegou e as crenças superticiosas foram embora. Estamos cá quase todos. Não morreram quase 400 mil pessoas que tomaram a vacina, pois não?
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11/02/2010

Canal C - Vírus na Universidade



Um trabalho de virologia, um bom trabalho. Uma boa apresentação desse trabalho e, pum! Críticas duríssimas sem argumentos. Aqui vou enumerar algumas das críticas e a lógica das mesmas.





O trabalho tem sido explorado nos posts mais recentes.





1- Na parte  do trabalho que diz “primeiro registo de pandemia”, que durou entre 1580 e 1647. 




A crítica: " Uma pandemia não dura tanto tempo. E foi a primeira???"


A origem deste excerto do trabalho é a Scientific American: “A primeira pandemia influenza descrita data de 1580, desde então já 31 foram observadas.”; Daqui " O primeiro registo de pandemia data de 1580, ocorrendo em África e na Europa. Foi responsável pela morte de milhares de pessoas em 1647 à medida que alastrava das Caraíbas até Nova Inglaterra.”; Daqui, daqui e daqui: "La primera epidemia descrita que afecto a Europa, Asia y el Norte de África ocurrió en 1580, y la primera que afecto al Continente Americano ocurrió en 1647.".


A crítica faz sentido não faz? LOL






2- O excerto do capítulo Morfologia, que refere isto: " Hemaglutinina – HA – adesão às células. HA1 e HA2– clivagem por uma   tripsina-like (protease da família das serinas)”


A crítica: " HA adere porque a clivagem promove a disponibilidade do péptido de sinal."


No entanto, na bibliografia aparece isto: " HA1 e o HA2. Com a clivagem, a HA sofre uma mudança conformacional induzindo a actividade de fusão de membrana do polipéptido HA2". O importante estava referido: a clivagem que promove a aproximação do vírus à célula. O outro grupo mencionou apenas a aproximação (sem mencionar o HA1 e o HA2) e não houve qualquer crítica. O grande problema é este: Incoerência nas avaliações.






3- No mesmo ponto


 A crítica: " A clivagem não é pela tripsina mas por uma serínea"


Na bibliografia, aqui: “HA2 torna-se exposta em pH ácido e forma a glicoproteína da fusão. As mudanças conformacionais na HA em pH baixo resultam na exposição de alguns sítios e no seqüestramento de outros. Por exemplo, os sítios de clivagem por tripsina do peptídeo da fusão”  Hmm??? Li bem? Tripsina?? Afinal quem é que não estudou?






4- No mesmo ponto


Crítica: " Tripsina-like não se escreve"


Bem, nos slides vi inúmeros estrangeirismos: DNA, RNA, ORF, Drift, Shift, Feedback. Não convém ter "like" porque apetece implicar. É incrível a falta de ética...





5- No ponto referente ao ciclo replicativo: "Montagem e Extrusão dos viriões"


Crítica: " Extrusão não existe"


Bem, não sou pró em português mas inventar uma palavra é estranho, não? Encontrei quem a inventou. Aqui  alguém inventou a palavra... aqui, no dicionário também! Incrível! Mais incrível ainda, o próprio director desses professores tem um capítulo no seu livro chamado " Montagem e Extrusão. Fantástico.





6- No ponto das variações: Drift Antigénico e Shift Antigénico.


Crítica: " Tem de ser em português, deriva e salto"


Já expliquei este tema nos posts anteriores.  Voltamos ao mesmo, estrangeirismos? Quem emprega dezenas de estrangeirismos por aula e que não sabe o significado de uma palavra intuitiva não tem competência nem moral para  fazer uma crítica destas.


Mesmo assim, cá vai a bibliografia aqui e aqui, sim é a Roche. A Roche está errada, será?? Claro que não!


 
Aqui nesta imagem podemos ver que o "não faças o que digo nem o que faço" passa a fazer sentido. Bela coerência… Este é um slide das aulas. Parece-me ler “Drift” e “Shift”. Ups!



7- No excerto referente à prevenção e ao tratamento: Interferem função do domínio transmembranar da proteína viral M2.(fluxo proteico). Assim não há descapsidação“  
Crítica: "Está errado, inibe a actividade enzimática da NA"


Na bibliografia pode-se ler aqui:   " actua por inibição dos vírus,  através do bloqueio da actividade do canal iónico M2” “inibidor da neuraminidase"


E isto não é mais do que a inibição da actividade enzimática. Talvez seja melhor referir que isto está errado porque a explicação tem de ser a nível atómico, ou melhor, a nível sub-atómico?  A ordem dos farmacêuticos vai chumbar a virologia! Assim como muuuuitas outras instituições…






Em cima está o Excerto do trabalho original e em baixo O mesmo excerto no trabalho corrigido. Ora PORRA! Eu estava certo, não foi corrigido porque estava certo! Isto é muito estranho…





8- No capítulo da actualidade tem referência a “Gripe A”.


Crítica: “Não se pode escrever Gripe A”


Em cima está o excerto original e em baixo o corrigido. Cum Carago! Estava certo!  Em cima "Gripe A"; em baixo "Gripe A". Perceberam? "Gripe A" está errado, então vamos corrigir e... txaram!!! -> "Gripe A" é o corrigido. Uma pergunta: Porquê dizer mal quando está certo? Esta gente é normal? Só mesmo no IHMT. Querem os nomes dos responsáveis?


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Canal C - C de... tudo

C, C de calotice, de conspiração, de "canal dum catano", de Cardina, compreensão. Enfim... dos "C" que se lembrarem enquanto lêem. São histórias (reais) e emocionantes.

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02/02/2010

Gripe: As Variações Antigénicas



O vírus da gripe, antes de sair da célula hospedeira tem de juntar os seus 7 ou 8 segmentos para completar o virião. Contudo, como são milhares de viriões a sair acontece que muitos terão menos de 7 segmentos ou terão segmentos repetidos o que inviabiliza os vírus, que deixarão de infectar pois não têm os segmentos necessários a todo o processo de infecção.
Estes vírus não têm nenhum mecanismo de correcção de erros de transcrição. Desta forma haverá muitos erros de transcrição ou que resulta em proteínas erradas e num virião inviável. As mutações são bastante frequentes, e são o motivo pelo qual precisamos de nos vacinar todos os anos.
As mutações pontuais de H1N1, por exemplo, fazem com que o vírus tenha sucesso contra o nosso sistema imunitário, sistema esse que já protegia contra o H1N1 de uns meses antes. A causa disso é a deriva antigénica, que promove a aquisição de variabilidade genética. É um processo lento e provoca surtos epidémicos.
E se dois vírus da gripe diferentes infectarem a mesma célula, o que vai sair? A resposta é que irá haver, a altura da montagem e saída, uma mistura dos segmentos das duas estirpes. Haverá, então, recombinação antigénica. Neste mecanismo as alterações são enormes.
Podemos reparar que, quando surgiu uma estirpe nova houve um surto pandémico. Em 1918, H1N1; em 1957, H2N2; em 1968, H3N2. Isto deve-se ao facto de haver mistura e troca de segmentos de mais de uma estirpe de gripe. Este mecanismo é altamente pandémico.

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Gripe: Que Bicho é Este?



O BI de um vírus tem como dados importantes o tipo de genoma, a simetria, o diâmetro, e se tem invólucro, que tipo de proteínas apresenta na sua superfície.

- O genoma do vírus da Gripe é de 7 ou 8 segmentos de RNA de cadeia simples (ssRNA), de polaridade negativa.
- A simetria a nucleocápside é helicoidal. A nucleocápside é constituída por 8 segmentos, nos tipos A e B, e por 7 segmentos no tipo C.
- O diâmetro do vírus é de 100 a 120 nm.
- O invólucro é lipídico e apresenta algumas proteínas específicas deste vírus na sua superfície: A Neuraminidase (NA) e a Hemaglutinina (HA). Apresenta ainda uma proteína bastante importante – a M2.

Esta é a estrutura viral do Influenzaviridae, da família dos Orthomyxoviridae, que pertence à ordem dos Mononegavirales. O NA e o HA representam os serótipos dos virus, há 9 tipos de N e 16 tipos de H. 

O vírus entra na célula através da acção conjunta da Hemaglutinina, dos receptores celulares e de uma protease. A Hemaglutinina liga-se aos receptores celulares, o ácido siálico, a protease serínica cliva a Hemaglutinina em HA1 e HA2, desta forma o vírus o péptido sinal fica disponível e o vírus pode entrar. Acontece a endocitose.
A proteína M2 é um canal iónico que permite a descapsidação do vírus. Ao bombear protões para o interior do vírus torna o ambiente intraviral mais ácido, o suficiente para o invólucro se dissociar. Assim os segmentos genómicos ficam disponíveis para transcrever.
Os segmentos migram até ao núcleo celular, entram pelos poros nucleares. Como é no núcleo que está a maquinaria de transcrição celular, os segmentos virais aproveitam para transcrever também através da RdRp que sintetiza os mRNA virais. Estes mRNA apresentam zonas de ligação ao ribossoma (para poderem traduzir para proteínas) – 5’CAP -  e de estabilidade – poli(A). A extremidade 5’CAP é cortada dos mRNA celulares e inserida nos mRNA virais pelo mecanismo de cap snatching. Desta forma os mRNA celulares ficam sem a extremidade onde o ribossoma acopla e não podem traduzir proteínas.
Ainda no núcleo ocorre o splicing de dois transcritos. Assim, a partir de 8 segmentos formam-se 10 proteínas.
Os mRNA virais saem do núcleo com as extremidades 5’CAP para o ribossoma poder traduzir e com a extremidade poli(A) que confere estabilidade. No citoplasma são traduzidas as proteínas. As proteínas da nucleocápside voltam ao núcleo para serem montadas lá.
Após a sua montagem retornam ao citoplasma através da acção da proteína M1 e da NEP/NS2. As nucleocápsides vão-se associar à M1 e vão adquirir o invólucros. Os mRNA trasncritos vão-se juntar e acontece a montagem completa do virião.
A Neuraminidase contribui para a libertação dos vírus da superfície da célula ao remover o ácido siálico da superfície da célula. Assim os vírus ficam livres para infectar outras células.

Fontes:
ANDRADE, H. Rebelo; DINIZ, António; FROES, Filipe – Gripe – Sociedade Portuguesa de Pneumologia – Lisboa – 2003 – ISSN: 972-8152-21-3

FERREIRA, Wanda F. Canas;SOUSA, João Carlos F. - Microbiologia Vol., Lidel .Lisboa, 2002. ISBN 972-757-136-0
 

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Gripe: A História do Vírus



As epidemias têm influenciado a história do ser humano, a política e a economia. Com o aparecimento da agricultura, há 12 mil anos, e a domesticação de animais permitiu um maior agrupamento populacional, o que facilitou a disseminação de doenças infecciosas.
A relação ambiente/saúde está presente na obra de Hipócrates: Ares, Águas e Lugares. Em 2400 a.C. empregou pela primeira vez as palavras epidemeion e endemeion.
Marco Terêncio Varro (116-27 a.C.) já alertava contra a construção de fazendas em sítios “encharcados”.
As superpovoadas casas de cómodos em que viviam os pobres romanos facilitavam a difusão de doenças transmissíveis.
Em 430 a.C. aparece, em Atenas, a primeira epidemia registada de Gripe. Foi também responsável pela destruição do exército de Carlos Magno, em 876.
Em 1580 surge a primeira pandemia de Gripe mas só em 1372 é que surge o primeiro termo para designar a doença. Um médico inglês, John Huxham, introduziu o termo Influenza relacionando os sintomas provocados pelo vírus com a influência astrológica.
Mais recentemente aparecem a Gripe “Espanhola”, A/H1N1, com uma mortalidade entre 2,5% e 5%, em 1918. Esta foi a pandemia de Gripe mais mortífera, entre humanos, de que há registo. Matou cerca de 21 milhões de pessoas num ano. Em 1957 surge a nova estirpe A/H2N2, conhecida como Gripe “Asiática”. Onze anos mais tarde, em 1968, a A/H3N2 entra em cena. Esta foi a terceira pandemia em cinquenta anos; chamar-se-ía Gripe de “Hong Kong”.
Um surto epidémico surgiu na Rússia em 1977, da estirpe H1N1, mais ma vez. Não chegamos ao fim do milénio sem assistir a mais um surto epidémico, agora da estirpe H5N1, a Gripe “das Aves”, com uma mortalidade de cerca de 50%, em 1997. Actualmente assistimos ao reaparecimento da estirpe H1N1, em 2009.

Fontes:
França, Francisco O. S., Bertolozzi, Maria Rita, “Pandemias: O custo preverso da exclusão social”, Scientific American Brasil, n.º 14, pg. 39, Julho 2003
Webster, Robert G., Walker, Elizabeth Jane, “Influenza”, Scientific American Brasil, n.º 14, pg. 46-49, Julho 2003

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28/01/2010

A Ciência, o Método Científico e as Outras Coisas




Este post é uma resposta a alguns comentários:

Acredito num modelo que avalia, um modelo dinâmico que incrementa conhecimento – o método científico.
Com o método científico deixa de ser necessário provar tudo o que já foi provado. Deixo de ter de provar que a água ferve a 100ºC em condições PTN cada vez que quero fazer um chá, ou de provar que comer um bolo quente faz mal à barriga cada vez que o vir a fumegar e eu o quiser comer.
Um evento pode ser repetido mas, se não puder sê-lo experimentalmente podemos “visualizá-lo” matematicamente, por incapacidade técnica, por exemplo. Antes de os cientistas provares que o átomo era formado por quarks, tinham modelos matemáticos e físicos que o mostravam. Quando, no CERN se provou experimentalmente que haviam 6 quarks (3 famílias de 2 quarks) ficou verificado o modelo anterior. Isto é o método científico.
Imagina que eu te pergunto: qual é a velocidade de um martelo e de uma pena a cair das tuas mãos até ao chão, na Lua e na Terra? Na Terra sabes qual é pois podes medi-la. Não precisas de efectuar a experiência à frente de cada pessoa nem em cada local da Terra à espera que seja diferente. A física e a matemática não mudam. Basta efectuares a experiência uma vez e verificares que bate certo com a fórmula de Newton. Na Lua também podes saber as velocidades usando a mesma fórmula, embora não tenhas capacidade técnica para o fazer experimentalmente.
Vais acreditar na fórmula de Newton ou vais perder tempo em verificar todas as fórmulas? Vais inventar a roda cada vez que queres fazer uma? Por essa razão existem leis, corolários, etc.
A partir da fórmula chegas à velocidade da pena e do martelo. Ao chegares à lua chegas à mesma conclusão: a fórmula está correcta, mesmo na lua. Ou então não chegas à mesma conclusão: a fórmula não está correcta para a lua, então reformulas e tentas inserir alguma constante para que se possa usar a fórmula tanto na terra como na lua. O método científico faz dessas coisas, verifica, falsifica. As hipóteses falseadas terão de ser reconsideradas, reformuladas ou eliminadas. Isso existe constantemente em ciência.
Antes de se confirmarem os quarks, havia grupos que tinham modelos sem quarks. Obviamente que ambos os modelos poderiam estar correctos mas, quando se descobriram os quarks, o modelo sem eles teve de ser excluído. Mais recentemente procuramos o Bosão de Higgs, mas há modelos que excluem o bosão. Até se encontrar a dúvida persiste. Há hipóteses mais realistas que outras, ou mais bem explicadas. O método científico, que é o conjunto de mentes a funcionar sobre diversos modelos, muitos contraditórios, é um processo dinâmico em que os quarks são mentira hoje mas amanhã serão verdade porque foram descobertos. Além disso há uma componente muito mas mesmo muito importante no método científico é a capacidade de crítica.
A crença em deuses é estática e não permite novas formulações. Não permite um método dinâmico.

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27/01/2010

Mutações e Recombinação Genética



O Mats, num comentário do Génesis Contra Darwin escreve isto:

"Resistência às bactérias nãoo é um fenómeno evolutivo uma vez que nada de novo é criado, mas sim ocorre uma recombinação de genes que já existem.

Mutação não é sinónimo de evolução."

Ele não é da área da ciência, como tal terei de usar letras como A, B e C como exemplos de bases azotadas e fazer metáforas com o alfabeto. Sim porque no nosso genoma, ao microscópio, não vemos G, T, C ou A, vemos estruturas e,a elas damos nomes.


Para o Mats uma alteração genética nunca pode formar informação nova porque vê que um A não pode gerar um B por magia, tal como um certo deus criou o ser humano (aí já pode haver magia). De facto não há magia nenhuma, há compreensão científica de como as coisas funcionam.


Imaginemos 2 sequências genómicas:


1-ABCDEFGHI
2-RAYGUCBDI


Têm mais ou menos 50% das mesmas letras mas são muito diferentes, vejamos:


A proteína resultante em 1: ABC DEF GHI
A proteina resultante em 2: RAY GUC BDI


Nenhum dos aminoácidos é igual, a proteína seria diferente, não efectuaria o seu trabalho. Talvez fosse uma proteina que efectuasse o mesmo trabalho com mais eficácia. As bactérias usam proteinas ligeiramente diferentes para sobreviver num meio com menos oxigénio, por exemplo. É um fenómeno destes que está por detrás duma resistência.



Uma mutação pode ser pontual ou numa zona vasta, pode até incluir cromossomas inteiros. Podem ser delecções, inserções, transposões ou inversões. Após a alteração a mutação pode ter efeitos ou pode ser silenciosa.


Delecções:
ABCDEFGHI     ->    ACDEFGHI      o B foi eliminado
proteina final - ACD EFG HI


Inserções:

ABCDEFGHI     ->    AMCDEFGHI      o M foi inserido
proteina final - ABM CDE FGH I


Como podemos ver apenas por estes dois exemplos, a proteina final pode ser totalmente diferente, uma sequência genética pode codificar para uma proteina totalmente diferente, ou não, dependendo da zona alvo da mutação.

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24/01/2010

TED: Palestras sobre Matéria Escura e Energia Escura

Mais uns magníficos vídeos da TED ideas worth spreading. Patricia Burchat dá uma palestra sobre energia escura e matéria escura.

A grande novidade é que agora várias palestras já apresentam legendas em português!

Podem ver aqui a palesta:



E aqui poderão encontrar muitas mais palestras de grande interesse científico, por grnades cientistas.

"A física Patricia Burchat elucida dois ingredientes básicos de nosso universo: a matéria escura e a energia escura. Formando 96% do universo, elas não podem ser medidas diretamente, mas sua influência é imensa."


Fonte:


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Rápidas: O Martelo e a Pedra



O blog Eternos Aprendizes mostra-nos a verificação de uma equação física:

(1/2)mv2=mgh, ou seja,
(1/2)v2=gh
Como a massa (m) aparece em ambos os ramos da equação, podem ser cortados. Ficamos então com uma fórmula independente da massa.

Como na Lua não há atrito, a forma do objecto não interfere com a sua velocinada, ao contrário do que acontece na Terra. Desta forma a pena e o martelo irão chagar ao solo ao mesmo temp.
Este filmagem feita em 1971, durante a missão Apollo 15:


A ciência é feita disto mesmo: Testes. Uma fórmula parece estar certa mas só testando-a é que saberemos que é verdadeira.

Para os mais cépticos, parece-me impossível fazer esta experiência em Terra. De facto, o Homem esteve mesmo na Lua.

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13/01/2010

CONTRA-CAPA: 2012 - O Ciclo Solar e a Tempestade Assassina



No blog Reflexões de um Ateu aparece este parágrafo:


“Esta profecia têm alguma base científica e a violenta atividade solar prevista pelos Maias é confirmada por astrofísicos, não obstante, negam que tal acontecimento possa significar algum tipo de fim do mundo. Segundo os cientistas, as tempestades solares intensas que, de fato, são periódicas, estão previstas para acontecer entre 2011 e 2012. Estas explosões libertam energia de até 100 bilhões de vezes a bomba atômica lançada sobre Hiroshima na II Guerra Mundial.”


O Sol aproximar-se do seu máximo solar de 11 anos. As previsões apontam para o máximo do Ciclo Solar 24 como o mais energético desde os últimos, ocorridos em 2002 e 2003.
Este cenário tem alguma base científica. Pode existir “alguma correlação entre o ciclo solar de 11 anos e os ciclos temporais vistos no calendário Maia.”.
“A possibilidade de haver uma grande tempestade solar que afecte a Terra “tem sido bastante atraente para os profetas do apocalipse.” A verdade é que a Terra está muito bem protegida contra os ventos solares, embora alguns satélites sofram com isso.
O gráfico acima mostra que o máximo solar está previsto apenas em 2013. O gráfico mostra ainda as previsões até 2020.
Fontes: 
Reflexões de um Ateu - Fim do mundo: 21 de Dezembro 2012

Eternos Aprendizes - 2012: Não haverá tempestade solar assassina

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CAPA: 2012 - O Ciclo Solar e a Tempestade Assassina





O Sol tem um ciclo natural de aproximadamente 11 anos. Neste ciclo, as linhas de campo magnético solar são arrastadas ao redor do Sol numa rotação diferenciada no equador solar. “Isto significa que o equador solar gira mais rapidamente que os pólos magnéticos. (…) o plasma solar arrasta as linhas de campo magnético ao redor do Sol, provocando tensão e acumulando energia (ilustrado na figura acima). Conforme aumenta a energia magnética, formam-se ondas no fluxo magnético, forçando-as mover-se até a superfície. Estas ondas são conhecidas como bolhas coronais as quais se fazem mais numerosas durante os períodos de pico solar.”
Enquanto bolhas coronais surgem na superfície, as manchas solares aparecem na base destas bolhas. A energia magnética acumula-se e há um maior fluxo magnético forçado a unir-se. “Aqui é onde tem lugar o fenômeno de re-conexão magnética, é o gatilho do acionamento de explosões solares”. Estas explosões, que acontecem na corona baixa (1 UA)* variam de “nano tempestades” a “explosões da classe-X”, os  mais energéticos.
 “Quando as linhas de campo magnético solar liberam uma enorme quantidade de energia, o plasma solar se acelera e fica confinado dentro do ambiente magnético (o plasma solar é formado de partículas superaquecidas iônicas como prótons, elétrons e alguns elementos leves como os núcleos de Hélio). Quando as partículas do plasma interagem, raios-X podem ser gerados se as condições necessárias estão adequadas, tornando-se possível o evento denominado bremsstrahlung. (O bremsstrahlung tem lugar quando as partículas carregadas interagem, dando como resultado uma emissão de raios-X). Isto pode criar uma tempestade de raios-X (ou rajadas de Raios-X).”


Tempestade assassina?
Uma tempestade solar dirigida diretamente para nós pode provocar alguns “danos nos satélites, lesões em astronautas sem proteção e apagões”. Mesmo assim a tempestade não é suficientemente potente para destruir a Terra, nem agora nem em 2012.
Daqui a 5 mil milhões de anos, quando o Sol começar  a esgotar o hidrogénio do seu núcleo e se converter numa gigante vermelha, teremos, aí sim, “um verdadeiro inferno no planeta Terra”
“Em 2006, o observatório Swift da NASA viu a maior tempestade solar jamais observada há 135 anos luz de distância. Com uma liberação de energia estimada em 50 quadrilhões (milhões de trilhões) de bombas atómicas”. Uma tempestade como a de II Pegasi acabaria com a vida na Terra.
A tempestade em II Pegasi foi violentíssima porque é uma gigante vermelha violenta com uma companheira binária numa uma órbita bastante próxima. “Acredita-se que a interação gravitacional com sua companheira binária além do fato de que II Pegasi é uma gigante vermelha são as causas desta tempestade energética descomunal.”
Contudo, o Sol é uma estrela muito estável, não possui uma binária companheira e conhecemos os seu ciclo. Além disso “não há provas de que nosso Sol tenha contribuído em nenhuma das extinções massivas no passado com uma enorme tempestade dirigida contra a Terra.”
“os físicos solares (em 2008 e 2009) estão surpreendidos pela carência inesperada da atividade solar no início do ciclo solar #24, o que tem levado alguns cientistas a especular que poderíamos estar próximos de um novo mínimo de Maunder e uma “Pequena Idade do Gelo“. Isto está em total oposição com a previsão anterior dos físicos solares da NASA feita em 2006 que estimaram que este ciclo fosse tornar-se extraordinário.”

Inversão do campo magnético
“os profetas do apocalipse também têm afirmado que incrivelmente uma grande tempestade solar nos impactará justamente quando o campo magnético da Terra se enfraquece e se inverte, deixando-nos sem proteção ante os estragos de uma CME… As razões pelas quais isto também não vai ocorrer em 2012 já mereceram seu próprio artigo: “2012: Não haverá inversão dos pólos magnéticos da Terra“.”
*1UA – Unidade Astrnonómica – 150 milhões de quilómetros




Ler mais:
2012: No Killer Solar Flare - 2012: Não Haverá Tempestade Solar Assassina

Tradução do artigo escrito por Ian O’Neill na Universe Today em 21 de junho de 2008

Fontes:

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07/01/2010

Incoerência Pública - A Gripe A/H1N1/2009



Em Abril, quando a gripe A/H1N1/2009 começava a sua volta ao globo muitos cépticos diziam ser apenas uma gripe e que nada os atacava. Entretanto a gripe começou a matar e os portugueses, e não só, acharam que matava menos do que outras doenças ou do que um tsunami, típico de mentes inteligentes que apresentam analogias sem qualquer analogia.

Começaram a chover  ideias de que o vírus fora criado para dizimar 1/3 da população mundial. Ora, se fosse para isso não era um vírus da gripe que se usava. Ou seria uma ideia sem sentido ou os cientistas tinham tudo menos inteligência. De facto, não passou de mais uma teoria da conspiração.


Há uns dois meses, antes de as vacinas chegarem, a população portuguesa refilava por não serem encomendadas 10 milhões de doses e que estava a demorar demasiado tempo. O atraso das vacinas, diziam os espertos, era para morrerem mais pessoas para o país ficar com menos gente.

Pouco tempo depois a ideia deixou de ser o vírus letal para passar a ser a vacina letal. Quando as vacinas chegaram diziam os entusiastas das teorias sem fundamentos que a vacina nos ía matar. De facto houve algumas mortes que, cientificamente, não foram atribuídas à vacina. Não querendo olhas para as evidências científicas os experts continuaram a usar como troféus os óbitos de grávidas que teriam tomado a vacina 2 ou 3 dias antes... e até 20 dias antes! Ora, até podia ser do queque que tinham comido 2 meses antes ou de terem pintado as unhas a uma terça-feira. Enfim, poderia ter havido centenas de crenças deste tipo. Imagino se a vacina tivesse sido administrada a uma sexta-feira 13!

Primeiro as vacinas eram poucas porque eram só para as figuras mais importantes da nossa sociedade. As vacinas vieram e ninguém as quis. Isto remete-nos para pessoas de que idade?

O Vírus chegou, a vacina chegou e as crenças superticiosas foram embora. Estamos cá quase todos. Não morreram quase 400 mil pessoas que tomaram a vacina, pois não?

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