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O Novo Poder das Vacinas I - O Ressurgir



Há mais de 200 anos que as vacinas mostram serem o método mais económico e mais bem-sucedido de prevenção de doenças infeccionas. Foram elas que, em 1979, erradicaram a varíola e prometem a eliminação da poliomielite, sarampo e malária.
Desde o século X, na China e na índia, até ao século XVIII, na Turquia e Médio Oriente existia a variolização, que consistia na inoculação, braço a braço, a partir do fluido vesicular das lesões. Esta foi a primeira vacina, com muito pouca higiene e com muito perigo e, claro, elevada mortalidade. Em 1774 começou a ser utilizado o vírus da varíola bovina na profilaxia da varíola humana e em 1796 aconteceu a sistematização do método de vacinação, com “vacina viva”(atenuada) deste vírus. Dois anos depois foram publicados os primeiros resultados, por Edward Jenner.
Hoje parece haver uma grande oposição à prática da vacinação, mas isto não é actual. Já no século XIX, em 1802 James Gillray escreveu “The Cow Pack or the Wonderful Effects of the New Inoculation” no “The Publications of the Anti-Vaccine Society”.
Contudo, a ciência avançou e criou a vacina anti-rábica, em 1882, por Louis Pasteur. Em 1956 a OMS lança o “Programa de Erradicação da Varíola”, que se verificou vinte e três anos mais tarde.
Uma vacina não é mais do que uma infecção controlada. É introduzida uma amostra do agente infeccioso para que o sistema imunitário o reconheça e obtenha “dados” para o poder atacar aquando da próxima infecção natural. Os mais idosos têm o seu sistema imunológico fraco e pode não responder de forma eficiente ao tratamento.
São necessários estimuladores do sistema imunológico, chamados adjuvantes. Alguns adjuvantes são usados, há mais de um século, para melhorar as vacinas.
Uma contaminação natural confere imunidade para uma futura investida do agente infeccioso. Uma vacina ideal consistiria numa única dose e, se possível, conferir protecção para outros agentes. Ideal é também promover a acção dos mais variados agentes celulares do sistema imunológico.
O patógeno entra no organismo e encontra as células do sistema imunitário inato, macrófagos e células dendríticas. Estas duas células destroem agentes patogénicos e as células infectadas). Ao digerir as células infectadas e os agentes patogénicos exibem as amostras do invasor – os antigénio. Assim as células do sistema imunitário adaptativo, os linfócitos T e B. As células apresentadoras de antigénios libertam citocinas (substâncias sinalizadoras) que induzem a inflamação e alertam os linfócitos B e T.
Os linfócitos B libertam anticorpos e os infócitos T cititóxicas capturam e destroem as células já infectadas. As vacinas introduzem patógenos por forma a replicar o efeito imunológico.
As “vacinas vivas”atenuadas reproduzem-se lentamente mas apresentam antinénios e, assim, podem estimular uma resposta imunológica robusta. Contudo não devem ser administradas a indivíduos com problemas imunológicos. Um perigo destas vacinas é o facto de os vírus destas vacinas serem atenuados por mutações pontuais na zona de acoplamento do ribossoma. Com estas mutações o ribossoma não reconhece a cadeia, não acopla e não sintetiza as proteínas de reprodução viral. Mas, como a mutação é efectuada numa pequena extensão do DNA/RNA, pode ocorrer uma reversão da mutação e tornar o vírus novamente virulento.
As vacinas mais eficazes são as de subunidades, que contêm pedaços de vírus para que sejam reconhecidos sem a capacidade de haver uma replicação.
As células dendríticas, com antigénios migram para os gânglios linfáticos, onde sinalizam e provocam a resposta dos linfócitos B e T. Sem os indicadores de perigo estas células não conseguem amadurecer nem migrar. Então, as vacinas de subunidades necessitam de adjuvantes para ampliar o fluxo de citocinas, moléculas sinalizadoras, para que haja uma resposta mais eficiente.
O adjuvante alume (sais de alumínio) é dos mais antigos. Desde os anos 30 que é utilizado com eficácia. Mas é insuficiente em vacinas contra infecções que requerem mais do que protecção por anticorpos. Então, uma vacina necessita, também, de estimular não só as células dendítricas mas também os linfócitos T. Por este motivo há uma grande investigação na produção de adjuvantes mais eficientes.

Fontes:
Nathalie Garçon e Michel Goldman, "O Novo Poder das Vacinas" Scientific American, Novembro 2009
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Gripe: A História do Vírus



As epidemias têm influenciado a história do ser humano, a política e a economia. Com o aparecimento da agricultura, há 12 mil anos, e a domesticação de animais permitiu um maior agrupamento populacional, o que facilitou a disseminação de doenças infecciosas.
A relação ambiente/saúde está presente na obra de Hipócrates: Ares, Águas e Lugares. Em 2400 a.C. empregou pela primeira vez as palavras epidemeion e endemeion.
Marco Terêncio Varro (116-27 a.C.) já alertava contra a construção de fazendas em sítios “encharcados”.
As superpovoadas casas de cómodos em que viviam os pobres romanos facilitavam a difusão de doenças transmissíveis.
Em 430 a.C. aparece, em Atenas, a primeira epidemia registada de Gripe. Foi também responsável pela destruição do exército de Carlos Magno, em 876.
Em 1580 surge a primeira pandemia de Gripe mas só em 1372 é que surge o primeiro termo para designar a doença. Um médico inglês, John Huxham, introduziu o termo Influenza relacionando os sintomas provocados pelo vírus com a influência astrológica.
Mais recentemente aparecem a Gripe “Espanhola”, A/H1N1, com uma mortalidade entre 2,5% e 5%, em 1918. Esta foi a pandemia de Gripe mais mortífera, entre humanos, de que há registo. Matou cerca de 21 milhões de pessoas num ano. Em 1957 surge a nova estirpe A/H2N2, conhecida como Gripe “Asiática”. Onze anos mais tarde, em 1968, a A/H3N2 entra em cena. Esta foi a terceira pandemia em cinquenta anos; chamar-se-ía Gripe de “Hong Kong”.
Um surto epidémico surgiu na Rússia em 1977, da estirpe H1N1, mais ma vez. Não chegamos ao fim do milénio sem assistir a mais um surto epidémico, agora da estirpe H5N1, a Gripe “das Aves”, com uma mortalidade de cerca de 50%, em 1997. Actualmente assistimos ao reaparecimento da estirpe H1N1, em 2009.

Fontes:
França, Francisco O. S., Bertolozzi, Maria Rita, “Pandemias: O custo preverso da exclusão social”, Scientific American Brasil, n.º 14, pg. 39, Julho 2003
Webster, Robert G., Walker, Elizabeth Jane, “Influenza”, Scientific American Brasil, n.º 14, pg. 46-49, Julho 2003
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Revolução Científica do Séc. XVII - PARTE I

A revolução científica dos séc. XVII e XVIII é o resultado de um longo e complexo processo que culminou com os trabalhos de Galileu e Newton. Esta revolução originou uma profunda mudança de mentalidade e de “revoluções industriais” que transformaram o mundo, os hábitos e as relações humanas.

De igual forma levou ao surgimento de uma nova arte (Renascimento literário e artístico), centralização do poder e aumento do poder na burguesia (Estado Moderno), alargamento dos horizontes geográficos, desenvolvimento do comércio a longa distância, início do capitalismo mercantil, etc.

A nova mentalidade originada por esta tremenda transformação caracteriza-se por uma crescente confiança das capacidades humanas.

Segundo Galileu, a autoridade reside «nas experiências sensíveis e nas demonstrações necessárias» e não na argumentação «vã e falaciosa» da retórica filosófica. No entanto, Descartes afirma que «poderia encontrar muito mais verdade nos raciocínios que cada um faz sobre os assuntos que lhe interessam, e cujas consequências logo se sentem no caso de ter mal julgado, do que aqueles que no seu gabinete formula o homem de letras sobre especulações que não produzem efeito algum.»

Uma nova concepção do mundo é dada por uma maior valorização da ciência. «O saber é agora um poder: daqui a sua eficácia, mas também a sua modéstia.»

A ciência moderna obriga a uma reconversão total da imagem do mundo através do fenómeno e da repetição, a medida e o cálculo, liquidou os preconceitos e as categorias mentais que tinham sustentado durante quinze séculos a ciência peripatética.

Segundo muitos pensadores e investigadores a maior transformação na história da humanidade foi a revolução científica de séc. XVII, visto que o homem ambicionava encontrar um domínio da natureza, enquanto que o homem mediecal buscava apenas a contemplação.

Como consequência de todas estas profundas modificações a escolas começam a pôr em questão com uma atitude duvidosa os saberes herdados da ciência antiga.

A ciência moderna pode ser caracterizada como um saber: não dogmático, crítico, aberto, reformulável, aproximado, susceptível a correcções ou refutações, universal e necessários “instrumentos de verificação (provas) para que se possam testar os seus resultados, tem um método organizado, é limitado aos fenómenos, possibilidade de previsão, quantitativo, funcional e operacional, com capacidade técnica e instrumental, autónomo relativamente aos outros saberes (filosofia, religião, etc.) com aos poderes estabelecidos (Estado, Igreja, etc.).

Segundo Descartes, «toda a ciência é um conhecimento certo e evidente» e que « rejeitamos todos os conhecimentos que não passam de prováveis e declaramos que é preciso confiarmos unicamente no que é perfeitamente conhecido e de que não se pode duvidar.

O objecto da ciência é o mundo, a natureza, e o seu nome é física.

Descartes expõe uma teoria do experimentalismo que o leva na elaboração científica a não separar a razão da experiência: «Esta física (…) é inseparavelmente racional e empírica, dedutiva e indutiva. Em vez de ser contraditória, esta dualidade radical exprime a necessidade de justificar a experiência pela concordância crescente da experiência e da razão, isto é, fazer penetrar a racionalidade da alma na realidade do corpo. Daqui resulta uma espécie de tensão, no estatuto da ciência, entre a sua pretensão de uma parte e a sujeição da outra.»

É pela análise das causas e efeitos e das suas múltiplas relações que podemos explicar os fenómenos no movimento que vai do efeito à causa, assim como dar a sua prova no percurso inverso, isto é, indo da causa ao efeito.

Daqui surge uma grande questão: qual é o lugar da experiência científica? Como tal, várias soluções possíveis são formuladas, de um lado Descartes defendendo a minimização do trabalho experimental, desconfiança relativamente aos sentidos, pedir tudo ao entendimento e sobretudo, a explicação do Universo por ter uma causa exterior, Deus, ao qual impõe a sua lei, o seu mecanismo, a sua organização. Outras interpretações tentam contrariar esta anti-carterianismo radical, em que se defende a posição contrária a Descartes, considerando que a sua produção é interpretada como um cientista prático que escreveu uns breves ensinos com alguma importância filosófica.

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Revolução Científica do Séc. XVII - PARTE II

Na Idade Média a posição dominante da filosofia é fortemente contestada pela fé e crença e posteriormente pela teologia. Esta contestação começa inicialmente pelos danos que tal atitude poderia causar à alma, confrontando constantemente a religião, como tal, a ciência não passava para muitos de um jogo supérfluo ou diabólico. Importante era o conhecimento das coisas divinas, onde a razão se mostrava importante e só a graça de Deus poderia ajudar.

A filosofia medieval perde o sentido da pesquisa e da reverência tão característico dos gregos: sobrevivendo em circunstâncias extremamente duras e precárias, mantida sob tutela pelos agentes culturais da época, agarrou-se desesperadamente aos textos antigos que eregiu em dogmas venerandos e quase sagrados.

A filosofia ou melhor a especulação filosófica ganhou um novo lugar na interpretação e comentário do texto, na recuperação do saber antigo agora ao serviço da fé cristã.

Como consequência dos confrontos e discussão entre fé, espírito e filosofia surge o renascimento e o humanismo.

Nos séc. XV e XVI é a chamada crise de mudança: do nada não se consegue libertar da visão mística da natureza, a alquimia, a magia e ou ciências ocultas crescem por todo o lado; do outro, novos e vigorosos progressos são feitos no campo do saber, especialmente no campo da física e da matemática.

Deste modo alguns filósofos dedicam-se simultaneamente às questões da ciência e da filosofia como Descartes, Locke, Espinoza, Leibniz.

«A partir do momento em que se estabelece um tipo de explicação dos fenómenos que assenta num tipo de prova diferente da mera coerência interna, e do resto por vezes aparente, do raciocínio, um tipo de prova apta a decidir realmente a verdade ou a falsidade de uma proposição que esta seja susceptível de ser infinitamente posta em questão – então o pensamento simplesmente verosímil, convincente, hábil, por mais genial que seja, muda de posição dentro da topografia do saber. Ou antes, perante o saber ela assume a categoria de interpretação».

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26/05/2010

O Novo Poder das Vacinas I - O Ressurgir



Há mais de 200 anos que as vacinas mostram serem o método mais económico e mais bem-sucedido de prevenção de doenças infeccionas. Foram elas que, em 1979, erradicaram a varíola e prometem a eliminação da poliomielite, sarampo e malária.
Desde o século X, na China e na índia, até ao século XVIII, na Turquia e Médio Oriente existia a variolização, que consistia na inoculação, braço a braço, a partir do fluido vesicular das lesões. Esta foi a primeira vacina, com muito pouca higiene e com muito perigo e, claro, elevada mortalidade. Em 1774 começou a ser utilizado o vírus da varíola bovina na profilaxia da varíola humana e em 1796 aconteceu a sistematização do método de vacinação, com “vacina viva”(atenuada) deste vírus. Dois anos depois foram publicados os primeiros resultados, por Edward Jenner.
Hoje parece haver uma grande oposição à prática da vacinação, mas isto não é actual. Já no século XIX, em 1802 James Gillray escreveu “The Cow Pack or the Wonderful Effects of the New Inoculation” no “The Publications of the Anti-Vaccine Society”.
Contudo, a ciência avançou e criou a vacina anti-rábica, em 1882, por Louis Pasteur. Em 1956 a OMS lança o “Programa de Erradicação da Varíola”, que se verificou vinte e três anos mais tarde.
Uma vacina não é mais do que uma infecção controlada. É introduzida uma amostra do agente infeccioso para que o sistema imunitário o reconheça e obtenha “dados” para o poder atacar aquando da próxima infecção natural. Os mais idosos têm o seu sistema imunológico fraco e pode não responder de forma eficiente ao tratamento.
São necessários estimuladores do sistema imunológico, chamados adjuvantes. Alguns adjuvantes são usados, há mais de um século, para melhorar as vacinas.
Uma contaminação natural confere imunidade para uma futura investida do agente infeccioso. Uma vacina ideal consistiria numa única dose e, se possível, conferir protecção para outros agentes. Ideal é também promover a acção dos mais variados agentes celulares do sistema imunológico.
O patógeno entra no organismo e encontra as células do sistema imunitário inato, macrófagos e células dendríticas. Estas duas células destroem agentes patogénicos e as células infectadas). Ao digerir as células infectadas e os agentes patogénicos exibem as amostras do invasor – os antigénio. Assim as células do sistema imunitário adaptativo, os linfócitos T e B. As células apresentadoras de antigénios libertam citocinas (substâncias sinalizadoras) que induzem a inflamação e alertam os linfócitos B e T.
Os linfócitos B libertam anticorpos e os infócitos T cititóxicas capturam e destroem as células já infectadas. As vacinas introduzem patógenos por forma a replicar o efeito imunológico.
As “vacinas vivas”atenuadas reproduzem-se lentamente mas apresentam antinénios e, assim, podem estimular uma resposta imunológica robusta. Contudo não devem ser administradas a indivíduos com problemas imunológicos. Um perigo destas vacinas é o facto de os vírus destas vacinas serem atenuados por mutações pontuais na zona de acoplamento do ribossoma. Com estas mutações o ribossoma não reconhece a cadeia, não acopla e não sintetiza as proteínas de reprodução viral. Mas, como a mutação é efectuada numa pequena extensão do DNA/RNA, pode ocorrer uma reversão da mutação e tornar o vírus novamente virulento.
As vacinas mais eficazes são as de subunidades, que contêm pedaços de vírus para que sejam reconhecidos sem a capacidade de haver uma replicação.
As células dendríticas, com antigénios migram para os gânglios linfáticos, onde sinalizam e provocam a resposta dos linfócitos B e T. Sem os indicadores de perigo estas células não conseguem amadurecer nem migrar. Então, as vacinas de subunidades necessitam de adjuvantes para ampliar o fluxo de citocinas, moléculas sinalizadoras, para que haja uma resposta mais eficiente.
O adjuvante alume (sais de alumínio) é dos mais antigos. Desde os anos 30 que é utilizado com eficácia. Mas é insuficiente em vacinas contra infecções que requerem mais do que protecção por anticorpos. Então, uma vacina necessita, também, de estimular não só as células dendítricas mas também os linfócitos T. Por este motivo há uma grande investigação na produção de adjuvantes mais eficientes.

Fontes:
Nathalie Garçon e Michel Goldman, "O Novo Poder das Vacinas" Scientific American, Novembro 2009

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02/02/2010

Gripe: A História do Vírus



As epidemias têm influenciado a história do ser humano, a política e a economia. Com o aparecimento da agricultura, há 12 mil anos, e a domesticação de animais permitiu um maior agrupamento populacional, o que facilitou a disseminação de doenças infecciosas.
A relação ambiente/saúde está presente na obra de Hipócrates: Ares, Águas e Lugares. Em 2400 a.C. empregou pela primeira vez as palavras epidemeion e endemeion.
Marco Terêncio Varro (116-27 a.C.) já alertava contra a construção de fazendas em sítios “encharcados”.
As superpovoadas casas de cómodos em que viviam os pobres romanos facilitavam a difusão de doenças transmissíveis.
Em 430 a.C. aparece, em Atenas, a primeira epidemia registada de Gripe. Foi também responsável pela destruição do exército de Carlos Magno, em 876.
Em 1580 surge a primeira pandemia de Gripe mas só em 1372 é que surge o primeiro termo para designar a doença. Um médico inglês, John Huxham, introduziu o termo Influenza relacionando os sintomas provocados pelo vírus com a influência astrológica.
Mais recentemente aparecem a Gripe “Espanhola”, A/H1N1, com uma mortalidade entre 2,5% e 5%, em 1918. Esta foi a pandemia de Gripe mais mortífera, entre humanos, de que há registo. Matou cerca de 21 milhões de pessoas num ano. Em 1957 surge a nova estirpe A/H2N2, conhecida como Gripe “Asiática”. Onze anos mais tarde, em 1968, a A/H3N2 entra em cena. Esta foi a terceira pandemia em cinquenta anos; chamar-se-ía Gripe de “Hong Kong”.
Um surto epidémico surgiu na Rússia em 1977, da estirpe H1N1, mais ma vez. Não chegamos ao fim do milénio sem assistir a mais um surto epidémico, agora da estirpe H5N1, a Gripe “das Aves”, com uma mortalidade de cerca de 50%, em 1997. Actualmente assistimos ao reaparecimento da estirpe H1N1, em 2009.

Fontes:
França, Francisco O. S., Bertolozzi, Maria Rita, “Pandemias: O custo preverso da exclusão social”, Scientific American Brasil, n.º 14, pg. 39, Julho 2003
Webster, Robert G., Walker, Elizabeth Jane, “Influenza”, Scientific American Brasil, n.º 14, pg. 46-49, Julho 2003

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22/09/2006

Revolução Científica do Séc. XVII - PARTE I

A revolução científica dos séc. XVII e XVIII é o resultado de um longo e complexo processo que culminou com os trabalhos de Galileu e Newton. Esta revolução originou uma profunda mudança de mentalidade e de “revoluções industriais” que transformaram o mundo, os hábitos e as relações humanas.

De igual forma levou ao surgimento de uma nova arte (Renascimento literário e artístico), centralização do poder e aumento do poder na burguesia (Estado Moderno), alargamento dos horizontes geográficos, desenvolvimento do comércio a longa distância, início do capitalismo mercantil, etc.

A nova mentalidade originada por esta tremenda transformação caracteriza-se por uma crescente confiança das capacidades humanas.

Segundo Galileu, a autoridade reside «nas experiências sensíveis e nas demonstrações necessárias» e não na argumentação «vã e falaciosa» da retórica filosófica. No entanto, Descartes afirma que «poderia encontrar muito mais verdade nos raciocínios que cada um faz sobre os assuntos que lhe interessam, e cujas consequências logo se sentem no caso de ter mal julgado, do que aqueles que no seu gabinete formula o homem de letras sobre especulações que não produzem efeito algum.»

Uma nova concepção do mundo é dada por uma maior valorização da ciência. «O saber é agora um poder: daqui a sua eficácia, mas também a sua modéstia.»

A ciência moderna obriga a uma reconversão total da imagem do mundo através do fenómeno e da repetição, a medida e o cálculo, liquidou os preconceitos e as categorias mentais que tinham sustentado durante quinze séculos a ciência peripatética.

Segundo muitos pensadores e investigadores a maior transformação na história da humanidade foi a revolução científica de séc. XVII, visto que o homem ambicionava encontrar um domínio da natureza, enquanto que o homem mediecal buscava apenas a contemplação.

Como consequência de todas estas profundas modificações a escolas começam a pôr em questão com uma atitude duvidosa os saberes herdados da ciência antiga.

A ciência moderna pode ser caracterizada como um saber: não dogmático, crítico, aberto, reformulável, aproximado, susceptível a correcções ou refutações, universal e necessários “instrumentos de verificação (provas) para que se possam testar os seus resultados, tem um método organizado, é limitado aos fenómenos, possibilidade de previsão, quantitativo, funcional e operacional, com capacidade técnica e instrumental, autónomo relativamente aos outros saberes (filosofia, religião, etc.) com aos poderes estabelecidos (Estado, Igreja, etc.).

Segundo Descartes, «toda a ciência é um conhecimento certo e evidente» e que « rejeitamos todos os conhecimentos que não passam de prováveis e declaramos que é preciso confiarmos unicamente no que é perfeitamente conhecido e de que não se pode duvidar.

O objecto da ciência é o mundo, a natureza, e o seu nome é física.

Descartes expõe uma teoria do experimentalismo que o leva na elaboração científica a não separar a razão da experiência: «Esta física (…) é inseparavelmente racional e empírica, dedutiva e indutiva. Em vez de ser contraditória, esta dualidade radical exprime a necessidade de justificar a experiência pela concordância crescente da experiência e da razão, isto é, fazer penetrar a racionalidade da alma na realidade do corpo. Daqui resulta uma espécie de tensão, no estatuto da ciência, entre a sua pretensão de uma parte e a sujeição da outra.»

É pela análise das causas e efeitos e das suas múltiplas relações que podemos explicar os fenómenos no movimento que vai do efeito à causa, assim como dar a sua prova no percurso inverso, isto é, indo da causa ao efeito.

Daqui surge uma grande questão: qual é o lugar da experiência científica? Como tal, várias soluções possíveis são formuladas, de um lado Descartes defendendo a minimização do trabalho experimental, desconfiança relativamente aos sentidos, pedir tudo ao entendimento e sobretudo, a explicação do Universo por ter uma causa exterior, Deus, ao qual impõe a sua lei, o seu mecanismo, a sua organização. Outras interpretações tentam contrariar esta anti-carterianismo radical, em que se defende a posição contrária a Descartes, considerando que a sua produção é interpretada como um cientista prático que escreveu uns breves ensinos com alguma importância filosófica.

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Revolução Científica do Séc. XVII - PARTE II

Na Idade Média a posição dominante da filosofia é fortemente contestada pela fé e crença e posteriormente pela teologia. Esta contestação começa inicialmente pelos danos que tal atitude poderia causar à alma, confrontando constantemente a religião, como tal, a ciência não passava para muitos de um jogo supérfluo ou diabólico. Importante era o conhecimento das coisas divinas, onde a razão se mostrava importante e só a graça de Deus poderia ajudar.

A filosofia medieval perde o sentido da pesquisa e da reverência tão característico dos gregos: sobrevivendo em circunstâncias extremamente duras e precárias, mantida sob tutela pelos agentes culturais da época, agarrou-se desesperadamente aos textos antigos que eregiu em dogmas venerandos e quase sagrados.

A filosofia ou melhor a especulação filosófica ganhou um novo lugar na interpretação e comentário do texto, na recuperação do saber antigo agora ao serviço da fé cristã.

Como consequência dos confrontos e discussão entre fé, espírito e filosofia surge o renascimento e o humanismo.

Nos séc. XV e XVI é a chamada crise de mudança: do nada não se consegue libertar da visão mística da natureza, a alquimia, a magia e ou ciências ocultas crescem por todo o lado; do outro, novos e vigorosos progressos são feitos no campo do saber, especialmente no campo da física e da matemática.

Deste modo alguns filósofos dedicam-se simultaneamente às questões da ciência e da filosofia como Descartes, Locke, Espinoza, Leibniz.

«A partir do momento em que se estabelece um tipo de explicação dos fenómenos que assenta num tipo de prova diferente da mera coerência interna, e do resto por vezes aparente, do raciocínio, um tipo de prova apta a decidir realmente a verdade ou a falsidade de uma proposição que esta seja susceptível de ser infinitamente posta em questão – então o pensamento simplesmente verosímil, convincente, hábil, por mais genial que seja, muda de posição dentro da topografia do saber. Ou antes, perante o saber ela assume a categoria de interpretação».

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