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Os Motivos do Aquecimento: O Cultivo de Irrigação



O factor mais provável do aumento das concentrações de gases de efeito estufa neste periodo interglaciar é a agricultura, que teve início no Crescente Fértil há cerca de 11 mil anos. As plantações de arroz produzem grandes quantidades de arroz, com a vegetação a decompor-se nas águas paradas. Outro evento que liberta carbono para a atmosfera são as queimadas para chamar caça e promover o crescimento de arbustos. Um outro factor são as fezes de humanos e animais que lançam metano na atmosfera. Daí que ocorreu um aumento gradual da concentração desse gás acompanhando o crescimento da população. Mas qual foi o processo que determinou a reversão da tendência dos gases? A subida drástica ocorreu no momento em que se iniciou a agricultura de irrigação no sul da Ásia, há 5 mil anos. Foi uma época em que se inundaram grandes extensões para cultivo de arroz.

Uma outra prática que potenciou a subida das concentrações foi o desmatamento, que teve início há 8 mil anos. Em Inglaterra, até 1086 90% da floresta tinha sido cortada. Ainda investigações concluem que regiões nos vales dos rios da Índia e China foram desflorestadas há 2-3 mil anos.


Era Glacial Evitada

Anomalias de 250 ppb de CH4 e de 40 ppm de CO2 até ao séc. XVIII levaríam a um aumento das temperaturas médias globais de 0,8ºC. No entanto o aumento foi de 0,6ªC.

O motivo desta discrepância é que o aumento de temperatura foi travado por uma baixa de temperatura natural. O total líquido foi um arrefcimento gradual de verão até ao séc XIX.
William F. Ruddiman, Stephen J. Vavrus e John E. Kutzbach criaram um modelo climatic para prever quais as temperaturas actuais na ausência dos gases de efeito estufa gerados por actividades humanas. A simulação conclui que o planeta sería 2ºC mais frio. Assim, as temperaturas estariam no caminho para a nova era glacial, se não fosse a agricultura e a industrialização.


SCIAM, William F. Rudiman, “A Mão do Homem”

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Os Motivos do Aquecimento: A Precessão e a Agricultura Ancestral


Com o aparecimento de fábricas e o consumo exacerbado do carvão, as sociedades industriais passaram a libertar dióxido de carbono (CO2) em grandes quantidades na atmosfera. No entanto, parece que os nossos acestrais começaram a lançar gases de efeito estufa vários milhares de anos antes da era industrial.

Evidências actuais mostram que as concentrações de gases de efeito estufa começaram a subir. Há cerca de 8 mil anos foi o CO2 e há 5 mil o metano (CH4). Sem estes aumentos a temperatura actual seria de 3-4ºC mais baixas.

Há 8 mil anos a tendência dos gases de efeito estufa deixaram de acompanhar o padrão previsível de longo prazo. Comportamentos como o desmatamento e irrigação de lavouras incrementaram mais CO2 e CH4 na atmosfera. O aumento foi mais acentuado com a industrialização.

Além de efeitos humanos também existem efeitos naturais relacionados com a alteração do clima a longo prazo. Os ciclos orbitais terrestres, de 100 mil, 41 mil e 22 mil anos, têm a capacidade variar a radiação solar em mais de 10%. Estas alterações são responsáveis pelas eras gleciares e pelos períodos interglaciaias.

No fim do último período glacial, as calotas de gelo desapareceram do norte europeu a americano. O gelo que prosperou 100 mil anos, desapareceu há 6 mil.

A partir duma amostra de 2km extraída do lavo Vostok, em 1990, foi posível determinar que as concentrações de CO2 e CH4 apresentaram um padrão regular de subidas e descidas ao longo dos últimos 400 mil anos. O CH4 flutua no período de 22 mil anos, correspondente ao ciclo obrital terreste chamado precessão. Os continentes setentrionais aproximam-se do Sol no Verão, devido à alteração do eixo de rotação da Terra. Essas zonas ficam alagadas pelo derretimento do gelo e a matéria orgânica começa a decompor-se. Este evento emite grandes quantidades de metano.
Um aumento de temperatuda promove um aumento de metano libertado de duas formas:
 
1-      1- Ar húmido viaja para o continente através do oceano Índico, que promove monções que inunda grandes regiões que eram secas.

2- No norte da Ásia e Europa, os verões quentes derretem áreas por períodos mais longos.


Estes dois processos permitem mais crescimento de vegetação e, por conseguinte, mais decomposição.

William F. Ruddiman verificou, em amostras do lago Vostok, que as concentrações de metano em períodos interglaciais tinham alcançado os 700 ppb (partes por bilhão). 11 mil anos mais tarde, quando a luz de verão foi diminuindo até ao limite inferior, as concentrações chegaram aos 100 ppb. Hoje, se a tendência se mantivesse, as concentrações de metano seríam de 450 ppb. No entanto, há cerca de 5 mil anos a tendência alterou-se e as concentrções voltaram a subir para os 700 ppb, um pouco antes da era industrial.

O CO2 também teve um comportamento estranho, com um pico de 275-300 ppm no início dos períodos interglaciais. Caíam ao longo de 15 mil anos para cerca de 245 ppm. No período actual este gás alcançou o pico de há cerca de 10 mil anos e começou a caír. Contudo, em vez de decaír até hoje a tendência inverteu-se há 8 mil anos. No início da era industrial as concentrações de CO2 já estavam nos 285 ppm (40 ppm a mais do esperado).

Como se explicam as reversões tendenciais das concentrações de metano e dióxido de carbono? O metano aumentou devido ao aumento das áreas alagadas no Ártico. A alteração das concentrações de CO2 é atribuída às perdas de vegetação e à alteração química do oceano. A grande questão é, se os gases, nos quatro períodos interglaciais anteriores caíam e neste aumentam?

SCIAM, William F. Rudiman, “A Mão do Homem”

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A Meta Indesejada



Supõe-se que no século passado, os gases de efeito estufa tenham aquecido o planeta cerca de 0,75ºC. Neste século o cenário não está melhor.

Chegar aos 560ppm desses gases traduz-se num aumento da Temperatura Média Global (TMG) de cerca de 3ºC. O acordo político é que até 2100 a TMG não exceda os 2ºC, equivalente a uma concentração de 450ppm.

Bem, de 450ppm para os 560ppm vão 110ppm e em quanto tempo injectamos essa concentração na atmosfera? Fácil, injectamos cerca de 2ppm/ano o que faz com que em 55 anos atingiríamos os 560ppm. O problema é que a meta são os 450ppm e nós estamos nos 387ppm. Assim sendo, dentro de 31 anos estamos na meta exigida. Em um terço do tempo atingiremos o limite imposto. “Neste momento estamos nos 387 ppm e a aumentar 2 ppm/ano” (Wallace Broecker).

De acordo com Myles Allen, a humanidade pode ainda injectar 1 milhão de toneladas de CO2 na atmosfera até 2050 e manter o aquecimento abaixo dos 2ºC. Mas… até este momento já emitimos metade dessa quantidade. Apenas um quarto das reservas de carvão, petróleo e gás natural podem ser queimadas. Isto é, “as emissões têm de cair 2%-2,5%/ano” (Myles Allen). Temos de conseguir uma “redução de 80% de emissões de CO2 até 2050.” (Jon Foley).

Fonte: Scientific American, Fevereiro 2010, "Numerologia Climática", David Biello
-------------------------

Não podemos chegar à meta de 450ppm. Haverá um ponto de não-retorno. Cabe a todos nós preservar o ambiente e todo o ecossistema. O objectivo deverá ser abrandar o passo e incentivar uma economia baseada nas energias renováveis.
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Maré Negra na Nossa Direcção?


A maré negra, originária do acidente de 20 de Abril na plataforma da BP Deepwater Horizon, começou a espalhar-se no Golfo do México e já terá entrado na Loop Current, em direcção à Flórida.

Bernard Chapron, investigador do Ifremer, diz que "as águas turbulentas da corrente vão acelerar a mistura da água e petróleo" e que "a poluição deverá afectar o ecossistema da barreira de coral" das Florida Keys, a terceira barreira de coral do planeta.







Aqui podemos ver a loop current, que se liga com a corente do Golfo.

A Corrente do Golfo é a corrente que banha a costa portuguesa. É uma corrente quente, por esse motivo a costa de Portugal, principalmente o litoral sul, é quente. Como podemos ver na imagem seguinte:
Podemos ver, então, por onde se poderá espalhar o petróleo...

Fontes:
Wikipédia
WikipédiaII
Público
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Ética, Economia e Futuro


A economia pode-nos dar elementos de análise sobre as possíveis alternativas para a prevenção dos efeitos adversos da subida das temperaturas. O que devemos fazer? – é a pergunta. Quando interesses entram em conflito esta questão é sempre de natureza ética.

Como devemos avaliar o bem-estar das futuras gerações, considerando que terão mais bens materiais que nós?

Quase toda a gente reconhece o princípio moral básico de que não se deve fazer algo em seu benefício se prejudicar alguém. E quando causamos algum mal deveremos recompensar a vítima.

As alterações climáticas irão provocar danos. As doenças tropicais vão aumentar o seu alcance. A mudança nos padrões das chuvas levará à falta de alimentos e de água potável. Estas alterações vão afectar um número elevado de pessoas. A OMS estima que, desde 2000 o número anual de mortos devido às mudanças climáticas já superou os 150 mil.

Neste momento, quase tudo o que fazemos e compramos prejudica os outros. Não o podemos evitar. Contudo, recorrendo ao princípio moral básico, devemos tentar parar o mais depressa possível.

O que fazer?

Um projecto industrial que traga benefícios num futuro próximo, mas que emita gases de efeito estufa, e cujos benefícios ultrapassem os custos. Este projecto deve seguir em frente?

Ética dos Custos e Benefícios

Os custos da atenuação são os sacrifícios que a actual geração terá de fazer para reduzir os gases de efeito estufa. Os benefícios são um melhor nível de vida para as gerações futuras. Trata-se de uma discussão ética porque se avalia os benefícios para algumas pessoas em função dos custos para outras. A economia apresenta métodos para avaliar os benefícios em relação aos custos.

O relatório Stern Review on the Economics of Climate Change, de Nicholas Stern. O relatório compara custos e benefícios e conclui que os benefícios obtidos com a redução das emissões de gases de efeito estufa seriam maiores que os gastos para os reduzir. Um outro estudo, de William Nordhaus, conclui que a necessidade de intervenção não é urgente.

Qual a diferença nos diagnósticos de Stern e de Nordhaus? Stern usa uma “taxa de desconto” menor, ou seja, dá menor valor aos bens futuros relativamente aos actuais. Quanto mais no futuro estiverem esses bens mais desconto sofrem. A taxa de desconto mede a velocidade com que o valor dos bens diminui com o tempo. Para Norhaus a taxa é de 6%, enquanto para Stern é apenas de 1,4 pontos percentuais. Parecem valores pequenos mas estamos a olhar no tempo. Um desvio torna-se maior quanto mais tempo permanece. O resultado disto é que, para US$ 1 Bilião em bens, daqui a 100 anos, Norhaus avalia-os em US$ 2,5 mil milhões.

Futuro Mais Rico

E porquê o desconto nos bens futuros? Por dois motivos:

1- Um dos chavões a Economia é que ela cresce sempre, a longo prazo. Isto irá fazer com que, no futuro, as pessoas tenham, em média, mais bens do que nós. E quanto mais bens menor o valor dos bens adicionais. Os bens têm um valor marginal decrescente, desvalorizam.

2- Puramente ético e divide-se em dois ramos:

A- No Prioritarismo – aumento no bem-estar do indivíduo – um benefício que chega a uma pessoa rica tem um valor social menor que teria se chegasse a uma pessoa pobre.

B- No utilitarismo um benefício tem o mesmo valor social independentemente de quem o receba.

Qual a taxa de desconto a aplicar? O que determina a velocidade de diminuição no valor dos bem disponíveis no futuro? A riqueza das pessoas no futuro é que determina essa taxa e a velocidade. Pessoas mais ricas adquirem mais bens. Ora se os bens têm um valor marginal decrescente faz com que uma alta taxa de crescimento vai provocar uma alta taxa de desconto.

Em Economia afere-se o valor da taxa fixando a taxa mais alta no mercado monetário, onde se compram e vendem produtos futuros.

Outro factor que afecta a taxa de desconto é o seguinte: “Em quanto devem ser avaliados os benefícios às pessoas ricas futuras, em relação às nossas?”

1- Para o prioritarismo o valor atribuído aos benefícios às pessoas do futuro deveria ser menor que os nossos porque as pessoas vão ser mais ricas no futuro.

2- Para o utilirtarismo os benefícios para as pessoas do futuro deveriam ter o mesmo valor que os nossos.

Esta diferença de conceitos provoca a diferença nas taxas de desconto e faz com que a taxa do prioritarismo seja mais elevada relativamente à do utilitarismo.

A médio/longo prazo ambas as taxas chegam a valores baixos. O mundo deve, então, aoptar medidas urgentes para controlar as mudanças climáticas?

Fonte: Scientific American

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EEE - Economia, Ética e Ecologia

A economia pode-nos dar elementos de análise sobre as possíveis alternativas para a prevenção dos efeitos adversos da subida das temperaturas. O que devemos fazer? – é a pergunta. Quando interesses entram em conflito esta questão é sempre de natureza ética.

Como devemos avaliar o bem-estar das futuras gerações, considerando que terão mais bens materiais que nós?

Quase toda a gente reconhece o princípio moral básico de que não se deve fazer algo em seu benefício se prejudicar alguém. E quando causamos algum mal deveremos recompensar a vítima.

As alterações climáticas irão provocar danos. As doenças tropicais vão aumentar o seu alcance. A mudança nos padrões das chuvas levará à falta de alimentos e de água potável. Estas alterações vão afectar um número elevado de pessoas. A OMS estima que, desde 2000 o número anual de mortos devido às mudanças climáticas já superou os 150 mil.

Neste momento, quase tudo o que fazemos e compramos prejudica os outros. Não o podemos evitar. Contudo, recorrendo ao princípio moral básico, devemos tentar parar o mais depressa possível.

Um projecto industrial que traga benefícios num futuro próximo, mas que emita gases de efeito estufa, e cujos benefícios ultrapassem os custos. Este projecto deve seguir em frente?

Ética dos Custos e Benefícios

Os custos da atenuação são os sacrifícios que a actual geração terá de fazer para reduzir os gases de efeito estufa. Os benefícios são um melhor nível de vida para as gerações futuras. Trata-se de uma discussão ética porque se avalia os benefícios para algumas pessoas em função dos custos para outras. A economia apresenta métodos para avaliar os benefícios em relação aos custos.

O relatório Stern Review on the Economics of Climate Change, de Nicholas Stern. O relatório compara custos e benefícios e conclui que os benefícios obtidos com a redução das emissões de gases de efeito estufa seriam maiores que os gastos para os reduzir. Um outro estudo, de William Nordhaus, conclui que a necessidade de intervenção não é urgente.

Qual a diferença nos diagnósticos de Stern e de Nordhaus? Stern usa uma “taxa de desconto” menor, ou seja, dá menor valor aos bens futuros relativamente aos actuais. Quanto mais no futuro estiverem esses bens mais desconto sofrem. A taxa de desconto mede a velocidade com que o valor dos bens diminui com o tempo. Para Norhaus a taxa é de 6%, enquanto para Stern é apenas de 1,4 pontos percentuais. Parecem valores pequenos mas estamos a olhar no tempo. Um desvio torna-se maior quanto mais tempo permanece. O resultado disto é que, para US$ 1 Bilião em bens, daqui a 100 anos, Norhaus avalia-os em US$ 2,5 mil milhões.

Futuro Mais Rico

E porquê o desconto nos bens futuros? Por dois motivos:

1- Um dos chavões a Economia é que ela cresce sempre, a longo prazo. Isto irá fazer com que, no futuro, as pessoas tenham, em média, mais bens do que nós. E quanto mais bens menor o valor dos bens adicionais. Os bens têm um valor marginal decrescente, desvalorizam.

2- Puramente ético e divide-se em dois ramos:

A- No Prioritarismo – aumento no bem-estar do indivíduo – um benefício que chega a uma pessoa rica tem um valor social menor que teria se chegasse a uma pessoa pobre.

B- No utilitarismo um benefício tem o mesmo valor social independentemente de quem o receba.

Qual a taxa de desconto a aplicar? O que determina a velocidade de diminuição no valor dos bem disponíveis no futuro? A riqueza das pessoas no futuro é que determina essa taxa e a velocidade. Pessoas mais ricas adquirem mais bens. Ora se os bens têm um valor marginal decrescente faz com que uma alta taxa de crescimento vai provocar uma alta taxa de desconto.

Em Economia afere-se o valor da taxa fixando a taxa mais alta no mercado monetário, onde se compram e vendem produtos futuros.

Outro factor que afecta a taxa de desconto é o seguinte: “Em quanto devem ser avaliados os benefícios às pessoas ricas futuras, em relação às nossas?”

1- Para o prioritarismo o valor atribuído aos benefícios às pessoas do futuro deveria ser menor que os nossos porque as pessoas vão ser mais ricas no futuro.

2- Para o utilirtarismo os benefícios para as pessoas do futuro deveriam ter o mesmo valor que os nossos.

Esta diferença de conceitos provoca a diferença nas taxas de desconto e faz com que a taxa do prioritarismo seja mais elevada relativamente à do utilitarismo.

A médio/longo prazo ambas as taxas chegam a valores baixos. O mundo deve, então, aoptar medidas urgentes para controlar as mudanças climáticas?


Adaptado de Scientific American Junho 2008

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06/02/2011

Os Motivos do Aquecimento: O Cultivo de Irrigação



O factor mais provável do aumento das concentrações de gases de efeito estufa neste periodo interglaciar é a agricultura, que teve início no Crescente Fértil há cerca de 11 mil anos. As plantações de arroz produzem grandes quantidades de arroz, com a vegetação a decompor-se nas águas paradas. Outro evento que liberta carbono para a atmosfera são as queimadas para chamar caça e promover o crescimento de arbustos. Um outro factor são as fezes de humanos e animais que lançam metano na atmosfera. Daí que ocorreu um aumento gradual da concentração desse gás acompanhando o crescimento da população. Mas qual foi o processo que determinou a reversão da tendência dos gases? A subida drástica ocorreu no momento em que se iniciou a agricultura de irrigação no sul da Ásia, há 5 mil anos. Foi uma época em que se inundaram grandes extensões para cultivo de arroz.

Uma outra prática que potenciou a subida das concentrações foi o desmatamento, que teve início há 8 mil anos. Em Inglaterra, até 1086 90% da floresta tinha sido cortada. Ainda investigações concluem que regiões nos vales dos rios da Índia e China foram desflorestadas há 2-3 mil anos.


Era Glacial Evitada

Anomalias de 250 ppb de CH4 e de 40 ppm de CO2 até ao séc. XVIII levaríam a um aumento das temperaturas médias globais de 0,8ºC. No entanto o aumento foi de 0,6ªC.

O motivo desta discrepância é que o aumento de temperatura foi travado por uma baixa de temperatura natural. O total líquido foi um arrefcimento gradual de verão até ao séc XIX.
William F. Ruddiman, Stephen J. Vavrus e John E. Kutzbach criaram um modelo climatic para prever quais as temperaturas actuais na ausência dos gases de efeito estufa gerados por actividades humanas. A simulação conclui que o planeta sería 2ºC mais frio. Assim, as temperaturas estariam no caminho para a nova era glacial, se não fosse a agricultura e a industrialização.


SCIAM, William F. Rudiman, “A Mão do Homem”

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Os Motivos do Aquecimento: A Precessão e a Agricultura Ancestral


Com o aparecimento de fábricas e o consumo exacerbado do carvão, as sociedades industriais passaram a libertar dióxido de carbono (CO2) em grandes quantidades na atmosfera. No entanto, parece que os nossos acestrais começaram a lançar gases de efeito estufa vários milhares de anos antes da era industrial.

Evidências actuais mostram que as concentrações de gases de efeito estufa começaram a subir. Há cerca de 8 mil anos foi o CO2 e há 5 mil o metano (CH4). Sem estes aumentos a temperatura actual seria de 3-4ºC mais baixas.

Há 8 mil anos a tendência dos gases de efeito estufa deixaram de acompanhar o padrão previsível de longo prazo. Comportamentos como o desmatamento e irrigação de lavouras incrementaram mais CO2 e CH4 na atmosfera. O aumento foi mais acentuado com a industrialização.

Além de efeitos humanos também existem efeitos naturais relacionados com a alteração do clima a longo prazo. Os ciclos orbitais terrestres, de 100 mil, 41 mil e 22 mil anos, têm a capacidade variar a radiação solar em mais de 10%. Estas alterações são responsáveis pelas eras gleciares e pelos períodos interglaciaias.

No fim do último período glacial, as calotas de gelo desapareceram do norte europeu a americano. O gelo que prosperou 100 mil anos, desapareceu há 6 mil.

A partir duma amostra de 2km extraída do lavo Vostok, em 1990, foi posível determinar que as concentrações de CO2 e CH4 apresentaram um padrão regular de subidas e descidas ao longo dos últimos 400 mil anos. O CH4 flutua no período de 22 mil anos, correspondente ao ciclo obrital terreste chamado precessão. Os continentes setentrionais aproximam-se do Sol no Verão, devido à alteração do eixo de rotação da Terra. Essas zonas ficam alagadas pelo derretimento do gelo e a matéria orgânica começa a decompor-se. Este evento emite grandes quantidades de metano.
Um aumento de temperatuda promove um aumento de metano libertado de duas formas:
 
1-      1- Ar húmido viaja para o continente através do oceano Índico, que promove monções que inunda grandes regiões que eram secas.

2- No norte da Ásia e Europa, os verões quentes derretem áreas por períodos mais longos.


Estes dois processos permitem mais crescimento de vegetação e, por conseguinte, mais decomposição.

William F. Ruddiman verificou, em amostras do lago Vostok, que as concentrações de metano em períodos interglaciais tinham alcançado os 700 ppb (partes por bilhão). 11 mil anos mais tarde, quando a luz de verão foi diminuindo até ao limite inferior, as concentrações chegaram aos 100 ppb. Hoje, se a tendência se mantivesse, as concentrações de metano seríam de 450 ppb. No entanto, há cerca de 5 mil anos a tendência alterou-se e as concentrções voltaram a subir para os 700 ppb, um pouco antes da era industrial.

O CO2 também teve um comportamento estranho, com um pico de 275-300 ppm no início dos períodos interglaciais. Caíam ao longo de 15 mil anos para cerca de 245 ppm. No período actual este gás alcançou o pico de há cerca de 10 mil anos e começou a caír. Contudo, em vez de decaír até hoje a tendência inverteu-se há 8 mil anos. No início da era industrial as concentrações de CO2 já estavam nos 285 ppm (40 ppm a mais do esperado).

Como se explicam as reversões tendenciais das concentrações de metano e dióxido de carbono? O metano aumentou devido ao aumento das áreas alagadas no Ártico. A alteração das concentrações de CO2 é atribuída às perdas de vegetação e à alteração química do oceano. A grande questão é, se os gases, nos quatro períodos interglaciais anteriores caíam e neste aumentam?

SCIAM, William F. Rudiman, “A Mão do Homem”

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12/10/2010

A Meta Indesejada



Supõe-se que no século passado, os gases de efeito estufa tenham aquecido o planeta cerca de 0,75ºC. Neste século o cenário não está melhor.

Chegar aos 560ppm desses gases traduz-se num aumento da Temperatura Média Global (TMG) de cerca de 3ºC. O acordo político é que até 2100 a TMG não exceda os 2ºC, equivalente a uma concentração de 450ppm.

Bem, de 450ppm para os 560ppm vão 110ppm e em quanto tempo injectamos essa concentração na atmosfera? Fácil, injectamos cerca de 2ppm/ano o que faz com que em 55 anos atingiríamos os 560ppm. O problema é que a meta são os 450ppm e nós estamos nos 387ppm. Assim sendo, dentro de 31 anos estamos na meta exigida. Em um terço do tempo atingiremos o limite imposto. “Neste momento estamos nos 387 ppm e a aumentar 2 ppm/ano” (Wallace Broecker).

De acordo com Myles Allen, a humanidade pode ainda injectar 1 milhão de toneladas de CO2 na atmosfera até 2050 e manter o aquecimento abaixo dos 2ºC. Mas… até este momento já emitimos metade dessa quantidade. Apenas um quarto das reservas de carvão, petróleo e gás natural podem ser queimadas. Isto é, “as emissões têm de cair 2%-2,5%/ano” (Myles Allen). Temos de conseguir uma “redução de 80% de emissões de CO2 até 2050.” (Jon Foley).

Fonte: Scientific American, Fevereiro 2010, "Numerologia Climática", David Biello
-------------------------

Não podemos chegar à meta de 450ppm. Haverá um ponto de não-retorno. Cabe a todos nós preservar o ambiente e todo o ecossistema. O objectivo deverá ser abrandar o passo e incentivar uma economia baseada nas energias renováveis.

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19/05/2010

Maré Negra na Nossa Direcção?


A maré negra, originária do acidente de 20 de Abril na plataforma da BP Deepwater Horizon, começou a espalhar-se no Golfo do México e já terá entrado na Loop Current, em direcção à Flórida.

Bernard Chapron, investigador do Ifremer, diz que "as águas turbulentas da corrente vão acelerar a mistura da água e petróleo" e que "a poluição deverá afectar o ecossistema da barreira de coral" das Florida Keys, a terceira barreira de coral do planeta.







Aqui podemos ver a loop current, que se liga com a corente do Golfo.

A Corrente do Golfo é a corrente que banha a costa portuguesa. É uma corrente quente, por esse motivo a costa de Portugal, principalmente o litoral sul, é quente. Como podemos ver na imagem seguinte:
Podemos ver, então, por onde se poderá espalhar o petróleo...

Fontes:
Wikipédia
WikipédiaII
Público

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05/09/2009

Ética, Economia e Futuro


A economia pode-nos dar elementos de análise sobre as possíveis alternativas para a prevenção dos efeitos adversos da subida das temperaturas. O que devemos fazer? – é a pergunta. Quando interesses entram em conflito esta questão é sempre de natureza ética.

Como devemos avaliar o bem-estar das futuras gerações, considerando que terão mais bens materiais que nós?

Quase toda a gente reconhece o princípio moral básico de que não se deve fazer algo em seu benefício se prejudicar alguém. E quando causamos algum mal deveremos recompensar a vítima.

As alterações climáticas irão provocar danos. As doenças tropicais vão aumentar o seu alcance. A mudança nos padrões das chuvas levará à falta de alimentos e de água potável. Estas alterações vão afectar um número elevado de pessoas. A OMS estima que, desde 2000 o número anual de mortos devido às mudanças climáticas já superou os 150 mil.

Neste momento, quase tudo o que fazemos e compramos prejudica os outros. Não o podemos evitar. Contudo, recorrendo ao princípio moral básico, devemos tentar parar o mais depressa possível.

O que fazer?

Um projecto industrial que traga benefícios num futuro próximo, mas que emita gases de efeito estufa, e cujos benefícios ultrapassem os custos. Este projecto deve seguir em frente?

Ética dos Custos e Benefícios

Os custos da atenuação são os sacrifícios que a actual geração terá de fazer para reduzir os gases de efeito estufa. Os benefícios são um melhor nível de vida para as gerações futuras. Trata-se de uma discussão ética porque se avalia os benefícios para algumas pessoas em função dos custos para outras. A economia apresenta métodos para avaliar os benefícios em relação aos custos.

O relatório Stern Review on the Economics of Climate Change, de Nicholas Stern. O relatório compara custos e benefícios e conclui que os benefícios obtidos com a redução das emissões de gases de efeito estufa seriam maiores que os gastos para os reduzir. Um outro estudo, de William Nordhaus, conclui que a necessidade de intervenção não é urgente.

Qual a diferença nos diagnósticos de Stern e de Nordhaus? Stern usa uma “taxa de desconto” menor, ou seja, dá menor valor aos bens futuros relativamente aos actuais. Quanto mais no futuro estiverem esses bens mais desconto sofrem. A taxa de desconto mede a velocidade com que o valor dos bens diminui com o tempo. Para Norhaus a taxa é de 6%, enquanto para Stern é apenas de 1,4 pontos percentuais. Parecem valores pequenos mas estamos a olhar no tempo. Um desvio torna-se maior quanto mais tempo permanece. O resultado disto é que, para US$ 1 Bilião em bens, daqui a 100 anos, Norhaus avalia-os em US$ 2,5 mil milhões.

Futuro Mais Rico

E porquê o desconto nos bens futuros? Por dois motivos:

1- Um dos chavões a Economia é que ela cresce sempre, a longo prazo. Isto irá fazer com que, no futuro, as pessoas tenham, em média, mais bens do que nós. E quanto mais bens menor o valor dos bens adicionais. Os bens têm um valor marginal decrescente, desvalorizam.

2- Puramente ético e divide-se em dois ramos:

A- No Prioritarismo – aumento no bem-estar do indivíduo – um benefício que chega a uma pessoa rica tem um valor social menor que teria se chegasse a uma pessoa pobre.

B- No utilitarismo um benefício tem o mesmo valor social independentemente de quem o receba.

Qual a taxa de desconto a aplicar? O que determina a velocidade de diminuição no valor dos bem disponíveis no futuro? A riqueza das pessoas no futuro é que determina essa taxa e a velocidade. Pessoas mais ricas adquirem mais bens. Ora se os bens têm um valor marginal decrescente faz com que uma alta taxa de crescimento vai provocar uma alta taxa de desconto.

Em Economia afere-se o valor da taxa fixando a taxa mais alta no mercado monetário, onde se compram e vendem produtos futuros.

Outro factor que afecta a taxa de desconto é o seguinte: “Em quanto devem ser avaliados os benefícios às pessoas ricas futuras, em relação às nossas?”

1- Para o prioritarismo o valor atribuído aos benefícios às pessoas do futuro deveria ser menor que os nossos porque as pessoas vão ser mais ricas no futuro.

2- Para o utilirtarismo os benefícios para as pessoas do futuro deveriam ter o mesmo valor que os nossos.

Esta diferença de conceitos provoca a diferença nas taxas de desconto e faz com que a taxa do prioritarismo seja mais elevada relativamente à do utilitarismo.

A médio/longo prazo ambas as taxas chegam a valores baixos. O mundo deve, então, aoptar medidas urgentes para controlar as mudanças climáticas?

Fonte: Scientific American

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13/03/2009

EEE - Economia, Ética e Ecologia

A economia pode-nos dar elementos de análise sobre as possíveis alternativas para a prevenção dos efeitos adversos da subida das temperaturas. O que devemos fazer? – é a pergunta. Quando interesses entram em conflito esta questão é sempre de natureza ética.

Como devemos avaliar o bem-estar das futuras gerações, considerando que terão mais bens materiais que nós?

Quase toda a gente reconhece o princípio moral básico de que não se deve fazer algo em seu benefício se prejudicar alguém. E quando causamos algum mal deveremos recompensar a vítima.

As alterações climáticas irão provocar danos. As doenças tropicais vão aumentar o seu alcance. A mudança nos padrões das chuvas levará à falta de alimentos e de água potável. Estas alterações vão afectar um número elevado de pessoas. A OMS estima que, desde 2000 o número anual de mortos devido às mudanças climáticas já superou os 150 mil.

Neste momento, quase tudo o que fazemos e compramos prejudica os outros. Não o podemos evitar. Contudo, recorrendo ao princípio moral básico, devemos tentar parar o mais depressa possível.

Um projecto industrial que traga benefícios num futuro próximo, mas que emita gases de efeito estufa, e cujos benefícios ultrapassem os custos. Este projecto deve seguir em frente?

Ética dos Custos e Benefícios

Os custos da atenuação são os sacrifícios que a actual geração terá de fazer para reduzir os gases de efeito estufa. Os benefícios são um melhor nível de vida para as gerações futuras. Trata-se de uma discussão ética porque se avalia os benefícios para algumas pessoas em função dos custos para outras. A economia apresenta métodos para avaliar os benefícios em relação aos custos.

O relatório Stern Review on the Economics of Climate Change, de Nicholas Stern. O relatório compara custos e benefícios e conclui que os benefícios obtidos com a redução das emissões de gases de efeito estufa seriam maiores que os gastos para os reduzir. Um outro estudo, de William Nordhaus, conclui que a necessidade de intervenção não é urgente.

Qual a diferença nos diagnósticos de Stern e de Nordhaus? Stern usa uma “taxa de desconto” menor, ou seja, dá menor valor aos bens futuros relativamente aos actuais. Quanto mais no futuro estiverem esses bens mais desconto sofrem. A taxa de desconto mede a velocidade com que o valor dos bens diminui com o tempo. Para Norhaus a taxa é de 6%, enquanto para Stern é apenas de 1,4 pontos percentuais. Parecem valores pequenos mas estamos a olhar no tempo. Um desvio torna-se maior quanto mais tempo permanece. O resultado disto é que, para US$ 1 Bilião em bens, daqui a 100 anos, Norhaus avalia-os em US$ 2,5 mil milhões.

Futuro Mais Rico

E porquê o desconto nos bens futuros? Por dois motivos:

1- Um dos chavões a Economia é que ela cresce sempre, a longo prazo. Isto irá fazer com que, no futuro, as pessoas tenham, em média, mais bens do que nós. E quanto mais bens menor o valor dos bens adicionais. Os bens têm um valor marginal decrescente, desvalorizam.

2- Puramente ético e divide-se em dois ramos:

A- No Prioritarismo – aumento no bem-estar do indivíduo – um benefício que chega a uma pessoa rica tem um valor social menor que teria se chegasse a uma pessoa pobre.

B- No utilitarismo um benefício tem o mesmo valor social independentemente de quem o receba.

Qual a taxa de desconto a aplicar? O que determina a velocidade de diminuição no valor dos bem disponíveis no futuro? A riqueza das pessoas no futuro é que determina essa taxa e a velocidade. Pessoas mais ricas adquirem mais bens. Ora se os bens têm um valor marginal decrescente faz com que uma alta taxa de crescimento vai provocar uma alta taxa de desconto.

Em Economia afere-se o valor da taxa fixando a taxa mais alta no mercado monetário, onde se compram e vendem produtos futuros.

Outro factor que afecta a taxa de desconto é o seguinte: “Em quanto devem ser avaliados os benefícios às pessoas ricas futuras, em relação às nossas?”

1- Para o prioritarismo o valor atribuído aos benefícios às pessoas do futuro deveria ser menor que os nossos porque as pessoas vão ser mais ricas no futuro.

2- Para o utilirtarismo os benefícios para as pessoas do futuro deveriam ter o mesmo valor que os nossos.

Esta diferença de conceitos provoca a diferença nas taxas de desconto e faz com que a taxa do prioritarismo seja mais elevada relativamente à do utilitarismo.

A médio/longo prazo ambas as taxas chegam a valores baixos. O mundo deve, então, aoptar medidas urgentes para controlar as mudanças climáticas?


Adaptado de Scientific American Junho 2008

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