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A Meta Indesejada



Supõe-se que no século passado, os gases de efeito estufa tenham aquecido o planeta cerca de 0,75ºC. Neste século o cenário não está melhor.

Chegar aos 560ppm desses gases traduz-se num aumento da Temperatura Média Global (TMG) de cerca de 3ºC. O acordo político é que até 2100 a TMG não exceda os 2ºC, equivalente a uma concentração de 450ppm.

Bem, de 450ppm para os 560ppm vão 110ppm e em quanto tempo injectamos essa concentração na atmosfera? Fácil, injectamos cerca de 2ppm/ano o que faz com que em 55 anos atingiríamos os 560ppm. O problema é que a meta são os 450ppm e nós estamos nos 387ppm. Assim sendo, dentro de 31 anos estamos na meta exigida. Em um terço do tempo atingiremos o limite imposto. “Neste momento estamos nos 387 ppm e a aumentar 2 ppm/ano” (Wallace Broecker).

De acordo com Myles Allen, a humanidade pode ainda injectar 1 milhão de toneladas de CO2 na atmosfera até 2050 e manter o aquecimento abaixo dos 2ºC. Mas… até este momento já emitimos metade dessa quantidade. Apenas um quarto das reservas de carvão, petróleo e gás natural podem ser queimadas. Isto é, “as emissões têm de cair 2%-2,5%/ano” (Myles Allen). Temos de conseguir uma “redução de 80% de emissões de CO2 até 2050.” (Jon Foley).

Fonte: Scientific American, Fevereiro 2010, "Numerologia Climática", David Biello
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Não podemos chegar à meta de 450ppm. Haverá um ponto de não-retorno. Cabe a todos nós preservar o ambiente e todo o ecossistema. O objectivo deverá ser abrandar o passo e incentivar uma economia baseada nas energias renováveis.
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Desequilíbrio Fundamental


As pulseiras do equilíbrio, e umas quantas “medicinas” alternativas, que fomentam uma cura pelo equilíbrio e usam jargões científicos para pasmar os utentes/clientes são, na verdade, uma incoerência científica.

Hoje fala-se muito em equilíbrio, queremos estar em equilíbrio físico, mental, psicológico, energético, enfim, em equilíbrio de tudo e com tudo. O problema é que, cientificamente, o equilíbrio é sinónimo de morte.

A ideia do equilíbrio é muito bonita e atraente a uma sociedade stressada e cansada. Esta ideia sugere relaxamento, tudo o que precisamos depois de meio dia de trabalho e meio dia de trânsito. No entanto aquilo que sugere não é o que sustenta o sentido científico. Em primeiro lugar estes negócios só buscam o desequilíbrio das contas dos clientes (mas isso é problema dos clientes porque pagam). Em segundo lugar não buscam o equilíbrio pois isso seria drástico (ou seja é publicidade enganosa).

Em Química, o equilíbrio atinge-se quando “a proporção entre as quantidades de reagentes e produtos em uma reacção química se mantém constante ao longo do tempo”. Em Física, o equilíbrio atinge-se quando as forças se compensam. Assim deixa de haver movimento. No ponto de equilíbrio de um pêndulo todas as forças se anulam e não há qualquer movimento.

O nosso corpo está repleto de reacções físico-químicas. Um pensamento depende de reacções químicas entre neurónios. Todo o nosso corpo é um frasco de inúmeras reacções constantes. O motor dessas reacções, e consequentemente da vida, são os diferentes gradientes tanto de pressão como de concentrações. A respiração depende, também, do transporte de protões de fora para dentro de organelos celulares e isso acontece por dois motores:
1-       
      1 - há mais protões fora e, por transporte passivo, passa para dentro – isto é devido ao gradiente de concentrações.
2-       
       2 - Por um motor celular – transportador protónico. Só por esta reacção vital vemos que o desequilíbrio é fundamental à vida.

Assim, o desequilíbrio é o motor da vida. Só andamos para a frente se estivermos desequilibrados para a frente e se aprendermos a cair, por forma a colocar bem o pé para dar o próximo passo. Se não aprendermos a cair e a olhar para o chão pisamos o que não queremos: pulseirinhas e amuletinhos do equilíbrio que fazem bem ao mau olhado; pedrinhas que equilibram o espírito e curam enxaquecas; águasinhas milagrosas que fazem bem às finanças; enfim uma panóplia de obstáculos que eu não quero pisar.
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E Numa Questão de Probabilidades Nasceu o Universo



A mecânica quântica apresenta a previsão de que a matéria se produz constantemente a partir do nada. A Lei de Lavoisier aplica-se também aqui. Pares de partícula e anti-partícula aparecem espontaneamente para, depois, colidirem e anularem-se. No fim, nada se perde, nada se cria e fica tudo na mesma.

Em 1974, Stephen Hawking fez a previsão teórica de que se isto acontecesse em cima do horizonte de eventos de um buraco negro, uma das partículas seguiria viagem para fora, em nossa direcção e outra cairía no buraco negro. A observação dessa partícula foi chamada de radiação de Hawking.

“Até agora não havia maneira de medir esta radiação (…) mas um grupo de cientistas conseguiu criar uma maneira de aprisionar e puxar uma das partículas para  simular a queda para dentro do buraco negro. (…) Isso criou fotões dentro das frequências previstas pela teoria. (…) Apenas da indeterminação nasce matéria.”. (cróica de ciência)

Uma das características do mundo quântico é que as suas oscilações energéticas surgem por aleatoriedade e não requerem qualquer causa externa, pelo que Hawking explica que “a criação espontânea é a razão porque há algo em vez do nada”.

Ao olhar para longe no espaço, e para trás no tempo, reparamos que os corpos e algomerados celestes parecem se agrupar num ponto. Nos 10-43 segundos, que é o tempo de Plank – período de tempo mais curto possível de calcular -, é o momento mais jovem possível de alcançar. Isto porque mais cedo do que isso a curvatura, a pressão e a temperatura do Universo primordial atingem valores na ordem do infinito. Além disso a distância entre partículas desce até zero. A isto se chama de singularidade e ocorre, também, em buracos negros.

Para ultrapassar a singularidade é necessário unir a teoria da gravitação, de Einstein e a teoria quântica numa teoria de gravitação quântica. Ou mais bonito: a Teoria de Tudo.

Alexander Vilenkin, professor de física, criou um modelo do Big Bang em que o “Espaço foi criado por um processo quântico (…) ao qual chama de túneis no tecido do espaço-tempo”. “A condição inicial (…) é a de um Universo com um raio em colapso” – nenhum Universo. Depois do Big Bang iniciou-se a inflação movida pelo campo chamado inflatão.

Vilenkin descobriu que “a expansão pode terminar em determinados locais da bolha primordial”. “Segundo este modelo existe uma rede de universos interligados que se expande até ao infinito e do qual surgem sempre novos universos” mas que nunca poderão ser comprovados.

Outra ideia, defendida por John Richard Gott e por Li-Xin Li, é de que “o Espaço-tempo é (…) um ramo do qual sai uma haste que se torna na raiz do próprio ramo. O loop temporal [por ser um sistema de gravidade em loop] teria apenas um “comprimento de Plank, de 10-35 metros.

Em 1988 Richard Feynman elaborou um diagrama – diagrama de Feynman – no qual previu o comportamento das partículas subatómicas. Hawking e James Hartle desenvolveram as teorias de Feynman e analisaram a soma dos caminhos percorridos pelos fotões desde o início até ao fim da sua trajectória – ao que se chama de Estado de Hartle-Hawking.

Neste momento vemos mais uma curiosidade da teoria quântica: “partículas elementares podem existir simultaneamente em vários estados, que se sobrepõem” que, ao serem observadas, “decidem-se” pelo seu estado. Isto leva-nos a responder que as histórias com menor probabilidade corresponderão a outros universos.

Hawking aposta na teoria de cordas como a candidata para a unificação da física e, por conseguinte, para a Teoria de Tudo. A teoria de cordas contempla partículas com 10-33 centímetros e que podem vibrar num espaço de 10 dimensões. Nesta teoria tem lugar um elemento crucial para a unificação: o gravitão, responsável pela transmissão da força da gravidade.


Via New Scientist:
http://www.newscientist.com/article/dn19508-hawking-radiation-glimpsed-in-artificial-black-hole.html

Sobre a mecânica quântica:
http://cronicadaciencia.blogspot.com/2010/09/sobre-mecanica-quantica.html

Focus Magazin, Michael Odenwald

Crónica de Ciência, "Criação a Partir do Nada e Radiação de Hawking"
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Rápidas: Nova Descoberta no LHC



Dia 21 de Setembro foi anunciada uma descoberta feita numa das experiências no Grande Colisor de Hádrons (LHC), na potência de 7 TeV. 

Foi detectado que algumas partícular estão, de alguma forma, ligadas. Guido Tonelli, físico do Cern, diz que “o novo fenômeno apareceu em nossas análises em meados de julho” e ainda que "precisamos de mais dados para analisar completamente o que acontece e dar os primeiros passos para uma nova física, um novo mundo que o LHC, esperamos, vai nos permitir descobrir". Parece que "certas partículas são intimamente ligadas, de uma maneira que nunca foi observada nas colisões de protões".
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Rápidas: Mistério do Triângulo das Bermudas Desvendado


O mistério dos desaparecimentos no Triângulo das Bermudas foi explicado pela equipa de Michael Denardo, no American Journal of Physics. 

A explicação é que a alta actividade vulcânica da zona liberta bolhas de metano que crescem exponencialmente ao chegar à linha de água. Desta forma o ar torna-se menos denso (já que o metano é menos denso que o ar), isto torna os instrumentos imprecisos e levam à destruição de embarcações e aviões.

Para ler mais: aqui e aqui
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Uma Profecia Científica: O Início da Era da Biologia Sintética



Nos últimos dez anos assistimos a um progresso exponencial do entendimento da genética. Há dez anos foi o anúncio da sequenciação do genoma humano. Em 2003, os investigadores do Instituto J. Craig Venter criaram a versão sintética do bacteriófago phiX174. Quatro anos mais tarde obtiveram a transformação de uma espécie de bactéria por transplante de genoma.

Actualmente as instruções podem ser implantadas em células de outra espécie para que estas expressem essas proteínas. Esta engenharia, de projectar sistemas vivos que desempenham funções não encontradas na Natureza provoca um grande impacto. Basta imaginar que podemos construir bactérias que produzem gasolina ou que destroem dióxido de carbono, ou até organismos geneticamente modificados que operam em células cancerígenas.

A informação contida no texto acima está num artigo de Lawrence M. Krauss, da Scientific American de Março de 2010. Isto é, Krauss previu, e bem, que o início da Era da Biologia Sintética estava a chegar. De facto, assim foi:

Em Maio de 2010 O Instituto Craig Venter criou a primeira célula sintética no que foi intitulado o início da “Era da Biologia Sintética”.

Podemos dizer que foi uma espécie de Profecia Científica.

Hoje temos a oportunidade de modificar o genoma de alimentos para que durem mais ou para que não sejam afectados por pragas e doenças. Outra grande vantagem dos organismos geneticamente modificados (OGM) é que não necessitam de pesticidas, aliviando o alimento e, também, o ambiente.

Actualmente já temos cartilagem criada em laboratório para substituir em caso de acidente. Daqui a poucos anos teremos packs de células especializadas para substituir em caso de necessidade.

O texto original está aqui.
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O Mundo vai Acabar Várias Vezes ao Mesmo Tempo


Actualmente estamos a ser bombardeados pelos medos mais aterradores da História do nosso planeta… e do Universo. Ao navegar pela Web podemos ver que tudo vai acontecer daqui até 2012, desde acidentes de carro, torradas queimadas, cadeiras partidas, vulcões, extinções em massa, explosões de tudo e mais alguma coisa, etc…

Ao viajar no tempo para o passado, há cerca de 100 anos podíamos reparar que estávamos mais ou menos na mesma enxurrada de idiotices. Uma coisa é o que realmente acontece e outra são as especulações sobre o que poderia, eventualmente, acontecer. E outra, ainda, são as divagações pelo éter sobre o que acontece.

Em 1918 tivemos uma das maiores pandemias da História, mais de 20 milhões de pessoas morreram (a gripe de 1918 matou mais pessoas do que a própria guerra na altura!).

A gripe de 2009 não matou tanta gente mas, mesmo assim, houve muito mais medo. Já há pessoas que não percebem nada a especular que a vacina da gripe “não mata na hora”. Ou seja, aloja-se em nós e mata-nos só em 2012. Para quem tomou a vacina: aproveitem bem até 2012! Ou haverá outra gripe, a ser construída pelos cientistas para nos matar. *

                                              (*Mais acerca deste excerto no final)

Outro desastre que ocorreu em 1918 foi a erupção do vulcão Katla. O mesmo que os catastrofistas dizem que irá entrar em actividade já em 2012. Porquê? Porque dá jeito. Aconteceu em 1918, estamos cá, nós Humanos e muitos animais. Mas em 2012 é a sério, dizem eles.

Ainda em 1918 foi o ano em que acabou a 1ª Guerra Mundial. Nesta análise podemos reparar que 1918 podia ter sido o desastroso e impiedoso fim do mundo e até do universo! Mas não foi, a Guerra Mundial acabou e quem quer que fosse que nos quisesse matar não o conseguiu fazer… mas irá fazê-lo em 2012 porque também irá haver uma guerra – a 3ª Guerra Mundial, dizem os entendidos das conspirações.

Haverá, ainda, em 2012 um espectacular alinhamento planetário com todos os planetas do Sistema Solar e mais (!) entre a Terra e o centro da Galáxia (seja lá o que isso queira dizer) e ainda o alinhamento de outros planetas (não dizem quais) com o mesmo centro galáctico. Mesmo assim, não sei o que isso nos irá afectar. Talvez me nasça um calo no dedo do pé.

A somar a isto iremos presenciar a rapidíssima inversão dos pólos. Tal evento aconteceu, de facto, nos últimos milhares de anos. No entanto o acontecimento é complexo e demora muito, muito tempo. Não sei como mas os peritos nestas coisas de adivinhação (e que se sabe que acertaram em todas as catástrofes) dizem que vai acontecer de repente em 2012.

A lista continua. O próximo convidado será o big one, o sismo iminente na Califórnia. Este sismo irá devastar outravez a Terra, e com ele um grande tsunami.

Ao mesmo tempo haverá uma grande erupção, mais uma. Mas desta vez será o super vulcão de Yellowstone.

Recentemente descobriu-se que uma bolha de metano poderá, também, surgir e rebentar com tudo. Aqui, um artigo mais sério.

Tudo isto irá acontecer porque vem aí o Nibiru, um grande planeta. “É impossível”, “não se vê nada a partir dos telescópios” mas isso não interessa nada. Os cientistas são incompetentes e andam a esconder-nos essa informação. Ele existe. Não se vê, não se sente, não se ouve mas existe.

Em suma, uma grande lista de desastres. Somos uns grandes azarados, de facto.

É lamentável, sim é lamentável haver pessoas que acreditam que isto vai acontecer. É preciso 100% de imaginação, 0% cultura e 0% de espírito crítico. Pessoas destas existem, e não são poucas.
Acredito mais que uma pessoa ganhe o Euromilhões 10 vezes seguidas do que ocorra 1/3 destes desastres em 2012.


Afinal o que vai acontecer em 2012?
Vai acontecer muita coisa: gente a calçar sapatos, pessoas na casa-de-banho, aniversários, mortes, nascimentos, pessoas a ver televisão, a ouvir rádio, a ir às compras, a jantar fora, a jantar em casa, a tomar banho, a limpar o nariz, a coçar a cabeça, a dormir, a fazer negócios, enfim… a lista não acaba.. Ah! E pessoas a dizer “afinal o fim do mundo e todos os desastres são… em 2014!” Já vivemos dezenas de “fins-do-mundo”, temos aqui uma espantosa panóplia de mais de 20 datas! Faz-me lembrar aqueles péssimos vendedores que nunca mais entregam o produto ao cliente: “amanhá é que é mesmo”… “Agora é a sério, amanhã é que vai ser mesmo mesmo!”.










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Por fim, transcrevo um comentário que fiz num site em que o autor NÃO argumentava que a vacina para a gripe é letal e que “não mata na hora”, quando o confrontei com o baixo nº de mortes pós-vacinação.

De facto compreendo. Não és capaz de responder às questões mais técnicas.
É como dizer que as pessoas que fabricam chapéus de chuva encomendaram a chuva a um super aparelho mas não sei explicar tecnicamente como funciona. Acredito e pronto. Acredito porque até quero acreditar e porque tenho inveja dos milhões que esses malandros ganham à custa das pessoas que se molham.
Até posso inventar que esses malévolos senhores do mal colocam químicos nas águas para que penetre no nosso DNA e nos obrigue a não gostar de estar molhados e a comprar mais chapéus de chuva. Contudo não sei explicar (porque é mentira)como isso acontece. Também não me interessam os comentário que perguntam “então mas esses senhores malévolos e as suas famílias não ficam doentes quando apanham chuva? É um risco para eles também”. Claro que isto não interessa. E qual é a melhor resposta? É esta: “eles têm uma protecção especial baseada nos raios UV-A e UV-B que transformam os químicos maus em químicos bons.
Estes argumentos são tão maus… é como alguém dizer que o pão com manteiga faz mal porque o 9 é azul quando o leite se bebe com verde e porque o queijo é feliz. Não se percebeu nada. A mesma coisa acontece em ciência. Quem percebe repara que o texto tem palavras bonitas e caras mas não tem essência. Quem não percebe de ciência vê palavras bonitas e frases difíceis e logo acredita sem ter espírito crítico.
O espírito crítico é crucial para uma hipótese ser válida e deve ser seguido em tudo!
Se, ao questionarmos a hipótese e esta não souber responder deve ser deixada de lado e seguir a hipótese que responde melhor à pergunta. O teu comentário foi do género: “não percebo, não sei responder mas mesmo assim quero acreditar no pão com manteiga com queijo feliz e 9 azul”.
Recentemente tive um desgosto ao ver uma suposta cientista (acabada de formar) a dizer que não acreditava numa teoria só porque o namorado não acreditava. Ela não tinha argumentos para refutar, apenas dizia que não acreditava porque o namorado não acreditava. E quem era ele? Cientista? Não!
Pensa nisto,
Lê artigos pró e artigos contra, vê quem explica com mais detalhe e quem tem mais discernimento da realidade. Lê, afasta-te e pensa. Sê crítico, não acredites só porque dá jeito.

A resposta foi a que estava à espera: sem argumentos e com frases do tipo “estás sob o efeito das vacinas”, isto para alguém que não a tomou. É espectacular ver esta gente a tentar argumentar por meio de… gemidos.
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Sobre as Pedras da Calçada


Muitos textos são produzidos por gente medrosa e com pouca cultura científica. O problema não é a falta de conhecimento. O problema é quando falam do conhecimento que não têm! Centenas, ou mesmo milhares, de post foram dissertados durante um ano sobre a gripe H1N1/2009, sobre o vulcão da Islândia, e sobre muitos outros acontecimentos.

-Vacina
Li, em muitos textos, que o governo norte-americano tinha produzido o vírus para matar 1/3 da população o povo tinha de ter uma vacina. Entretanto esta chegou. E o que li? Li que a vacina é que os ía matar! E agora? Mais uma vez não houve um desastre, uma dizimação. Talvez escrevam que morreram mas os governos escondem essa informação. Também posso dizer que o sol é azul mas toda a gente tem uma lente interna implantada pelos poderes do governo para vermos o sol amarelo. Então e a ciência que demonstra que o sol é amarelo? Isso não interessa, a ciência é manipulada. Reparem como é este tipo de pensamento… enfim.

-Pulseiras
Já aqui foi dissertado, e muito bem, sobre mais uma praga social. Custa-me a que charlatães andem a saquear as pessoas que não sabem diferenciar entre frases com sentido e frases sem sentido. Falta algum espírito crítico na nossa sociedade. Basta alguém dizer quatro palavras difíceis e técnicas para que as pessoas acenem com a cabeça e acreditem (e gastem €). Porque hei-de acreditar numa pessoa que diz algo que não compreendo em vez de acreditar num físico que me explica que não faz sentido e porquê? Por outro lado não tenho pena das pessoas que caem nestas estorinhas de extorquir dinheiro porque elas assim o querem. Ouvi um excerto de uma entrevista de um dos “péssimos” vendedores da pulseira. Ele dizia que havia dois hologramas com um fluxo de iões e com uma fórmula secreta (sim, secreta) que só os construtores sabiam. Isto faz-me lembrar as teorias da conspiração e as hoaxes.

-Outras formas (iridologia)
Há métodos de diagnóstico que podem ser usados com alguma credibilidade científica, como é o caso da iridologia, mas apenas como diagnóstico e com algumas falhas. Contudo há quem aproveite e passe do simples diagnóstico a tratamentos com medicamentos naturais (coisa que não compreendo são os medicamentos naturais…). A conversa é muito bonita para quem não compreende nada de fisiologia ou de química (é como aquelas pessoas que compram o creme que ajuda o DNA) mas de conteúdo não tem nada. Denotei que algumas pessoas sentiam o efeito placebo. Cheguei a ouvir que “isto faz tão bem que sinto logo os efeitos mesmo antes de tomar a medicação do dia”. Obvio que ao ouvir isto a charlatã diz que é esse mesmo o efeito do medicamento, por ser natural (mais uma vez não consigo compreender o que é um medicamento natural… ou não natural).

Outra coisa que não compreendo é porque é que se quer o equilíbrio? Aprendi que o equilíbrio é a morte. Em bioquímica, em termodinâmica, etc. tudo o que está em equilíbrio está morto.

-CME
Recentemente chegaram CMEs à Terra. Estou curioso para ler alguns post que irão incidir sobre os governos e que vão referir que as CME são armas superpoderosas e que nos querem matar de alguma forma. Neste momento espanta-me que ainda não tenha aparecido (que eu saiba) nenhum post relativo às CMEs.

-A pedra da calçada
Agora algo mais sério. Há pedras da calçada que têm uma estrutura simétrica perfeita para que o fluxo iónico das moléculas de calcário permaneça na pedra. Assim, ao ser colocada ao pescoço influencia o nosso corpo através dos fluxos quânticos. Esta pedra é purificada com instrumentos da tecnologia ultra-secreta da NASA e só custa €30 cada. Aposto que seria um bom negócio de verão, pedras da calçada por 30 euros cada! Aproveitem porque Portugal tem uma população propícia a estas coisas. Obviamente que, para fazer efeito terá de vir a uma consulta que só custa €40 para a pedra de dizer de que males sofre e levará algumas gotinhas pelo valor de €50. São gotinhas milagrosas que terá de esfregar na zona onde dói para que a pedra faça efeito.


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Temos de construir o nosso crivo para todas estas situações. Esta construção advém de treino e leitura. É para quem quer e para quem pode.

Agora ainda mais a sério. Eu tenho a solução para os seus problemas. E sim, gasta-se algum dinheiro. Guarde alguns euros e compre livros simples de ciência, vá a blogues como este para ver a charlatanice que há por aí. Como poupar dinheiro: Simples, não caiam nestas aldrabices e ainda poupam nos medicamentos naturais e zen propostos por esses ladrões. Acredite que, mesmo comprando bens livros irá poupar centenas de euros.
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Dimensões Extra e a Nossa Visão das Coisas (também literalmente)



Imaginemos um universo de 2 dimensões: a Planilândia, onde só existem as dimensões de comprimento e de largura. Os seus habitantes são figuras planas e só conhecem os sentidos trás, frente, esquerda e direita (Obviamente aqui falta a dimensão temporal). Apenas os físicos e matemáticos desse mundo plano têm noção de que existem outra dimensão – altura. Os habitantes planos não compreendem essa visão matemática porque não a conseguem imaginar. Está fora do seu alcance experimental. Os matemáticos sabem-no pelas equações complicadas.
Uma figura plana veria apenas o segmento mais perto de outro habitante, uma das arestas por exemplo.
Agora entra em cena um personagem da 3ª dimensão, uma maçã. Esta pode ver coisas que nunca um plano viu. Consegue ver o interior das casas e dos habitantes, uma espécie de raios X. O habitante plano ao ver a maçã a aproximar-se assusta-se pois esta rebola e os pontos de contacto com o solo vão alterando à medida que esta se vai deslocando pela Planilândia.
A certa altura permite ao quadrado uma experiência única. Atira-o ao ar e o habitante plano descobre a altura, vê o interior das casas e dos companheiros. Desfruta de uma visão privilegiada do seu mundo.
Por fim, ao cair os seus companheiros acham estranha a sua espontânea materialização à sua frente, depois de ter desaparecido misteriosamente da sua casa. Mas ele simplesmente esteve por cima deles, num local nunca antes experimentado e não compreendido por aqueles habitantes.
Esta é uma estória que espelha um pouco da investigação e do que podemos esperar das dimensões extra.
A incompreensão dos pessoas leigas sobre a matéria que os cientistas estudam e a sua tentativa de explicar. Como os habitantes da planilândia nunca tinham experienciado tal dimensão e como não a podiam ver desacreditavam os cientistas. Hoje é igual, muita gente quer ver claramente, como um desenho o que está nas fórmulas matemáticas e quer uma explicação simples do que é complexo. Quando há uma boa analogia simples esta torna-se simples demais e denotam-se falhas na explicação. Por este motivo, uma analogia é apenas isso, uma explicação redutora ou uma introdução simples à explicação complexa.
Outro facto a retirar deste conto é que devemos ter a mente aberta a novas explicações e aventurar-nos nas ideias. Muitas vezes a ficção tornou-se realidade e não devemos desprezar uma hipótese antes de a testar (se for possível). Por um motivo, não conhecemos o nosso mundo de 4 dimensões (3 espaciais e uma temporal) tão bem como um suposto ser de 11 dimensões (as descritas pela teoria de cordas).

Estória retirada do livro “Cosmos” de Carl Sagan, 5ª Edição, pgs 304/305
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O Novo Poder das Vacinas II - Imitar Para Proteger



Na década de 1880 William Colley descobriu uma técnica para estimular a resposta imunológica. Descobriu os adjuvantes.
Já no século XX Gaston Ramon e Alexander Glenny experimentaram tapioca e hidróxido de alumínio para potenciar o efeito das vacinas contra o tétano. Durante os anos 30 foi descoberto que os antigénios suspensos em emulsões de óleo e água podem aumentar o mesmo efeito. Contudo, muitos destes aditivos aprestentavam efeitos indesejados.
Após ter havido uma diminuição no interesse pelos adjuvantes, o HIV, nos anos 80, motivou uma pesquisa de novas combinações de adjuvantes para tentar combater o vírus.
Em 1997 ocoreu uma descoberta bastante importante nesta área: há receptores celulares especializados em reconhecer padrões de parte de microrganismos. Detectam patógenos e fornecem o sinal de perigo que estimula as células dendríticas. Os receptores Toll-like (TLR) são os mais importantes para accionar as células dendríticas.

Novas Vacinas
Nos anos 80 e 90 houve uma tentativa de identificar adjuvantes naturais, e também sintéticos para modular a resposta imunitária. Os adjuvantes tradicionais, o alume e as emulsões de óleo em água (MF59 e AS03) estão aprovadas na Europa para uso nas vacinas da gripe.
Os avanços científicos permitiram a eliminação de elementos tóxicos nos adjuvantes e misturar substâncias para que a resposta imunitária fosse optimizada. Surgiu, assim, um novo adjuvante, o monofosforil lipídio A (MLP), produzido pela desintoxicação e purificação de um lípido da molécula LPS.
Uma nova vacina foi desenvolvida por um grupo de investigadores. É baseada no antigénio RTS,S, formado por uma proteína recombinante presente na superfície do parasita da malária. Conecta-se à superfície do antigénio da hepatite B para estimular o reconhecimento. Esta molécula é administrada com uma mistura de adjuvantes (emulsão de óleo em água, MPL e QS21 e extrato vegetal). A vacina foi testada e 71% dos receptores foram protegidos da contaminação. Outros testes demonstraram protecção em 30% das crianças e a incidência de sintomas graves foi reduzida 60%. Este é o sucesso das vacinas que combinam antigénios e adjuvantes para produzir a resposta imunitária requerida.
A vacina experimental contra a gripe, com emulsão de óleo em água AS03 gerou níveis de anticorpos de 90,5% dos receptores com 65 anos. Os adjuvantes são importantes para casos de epidemias e pandemias. Quando é necessário vacinar uma grande quantidade de indivíduos é necessário, também, menos quantidade de antigénios. Assim, uma vacina com adjuvante pode ter apenas um terço da quantidade de antigénio, como demosntrou a vacina experimental para a H5N1.

Novos Adjuvantes
Os lipossomas transportadores já são utilizados para encapsular medicamentos. Vesículas poliméricas de antigénios feitas de polissacáridos naturais têm a vantagem de incorporar substâncias imunoestimulantes naturais.
Os investigadores perceberam que a sinalização inicial das células dendríticas determina a resposta de acordo com o tipo de ameaça. Desta forma, ao realizar combinações de adjuvantes pode-se estimular o sistema imunitário da melhor forma.

Fonte: 
Nathalie Garçon e Michel Goldman, "O Novo Poder das Vacinas" Scientific American, Novembro 2009


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O Novo Poder das Vacinas I - O Ressurgir



Há mais de 200 anos que as vacinas mostram serem o método mais económico e mais bem-sucedido de prevenção de doenças infeccionas. Foram elas que, em 1979, erradicaram a varíola e prometem a eliminação da poliomielite, sarampo e malária.
Desde o século X, na China e na índia, até ao século XVIII, na Turquia e Médio Oriente existia a variolização, que consistia na inoculação, braço a braço, a partir do fluido vesicular das lesões. Esta foi a primeira vacina, com muito pouca higiene e com muito perigo e, claro, elevada mortalidade. Em 1774 começou a ser utilizado o vírus da varíola bovina na profilaxia da varíola humana e em 1796 aconteceu a sistematização do método de vacinação, com “vacina viva”(atenuada) deste vírus. Dois anos depois foram publicados os primeiros resultados, por Edward Jenner.
Hoje parece haver uma grande oposição à prática da vacinação, mas isto não é actual. Já no século XIX, em 1802 James Gillray escreveu “The Cow Pack or the Wonderful Effects of the New Inoculation” no “The Publications of the Anti-Vaccine Society”.
Contudo, a ciência avançou e criou a vacina anti-rábica, em 1882, por Louis Pasteur. Em 1956 a OMS lança o “Programa de Erradicação da Varíola”, que se verificou vinte e três anos mais tarde.
Uma vacina não é mais do que uma infecção controlada. É introduzida uma amostra do agente infeccioso para que o sistema imunitário o reconheça e obtenha “dados” para o poder atacar aquando da próxima infecção natural. Os mais idosos têm o seu sistema imunológico fraco e pode não responder de forma eficiente ao tratamento.
São necessários estimuladores do sistema imunológico, chamados adjuvantes. Alguns adjuvantes são usados, há mais de um século, para melhorar as vacinas.
Uma contaminação natural confere imunidade para uma futura investida do agente infeccioso. Uma vacina ideal consistiria numa única dose e, se possível, conferir protecção para outros agentes. Ideal é também promover a acção dos mais variados agentes celulares do sistema imunológico.
O patógeno entra no organismo e encontra as células do sistema imunitário inato, macrófagos e células dendríticas. Estas duas células destroem agentes patogénicos e as células infectadas). Ao digerir as células infectadas e os agentes patogénicos exibem as amostras do invasor – os antigénio. Assim as células do sistema imunitário adaptativo, os linfócitos T e B. As células apresentadoras de antigénios libertam citocinas (substâncias sinalizadoras) que induzem a inflamação e alertam os linfócitos B e T.
Os linfócitos B libertam anticorpos e os infócitos T cititóxicas capturam e destroem as células já infectadas. As vacinas introduzem patógenos por forma a replicar o efeito imunológico.
As “vacinas vivas”atenuadas reproduzem-se lentamente mas apresentam antinénios e, assim, podem estimular uma resposta imunológica robusta. Contudo não devem ser administradas a indivíduos com problemas imunológicos. Um perigo destas vacinas é o facto de os vírus destas vacinas serem atenuados por mutações pontuais na zona de acoplamento do ribossoma. Com estas mutações o ribossoma não reconhece a cadeia, não acopla e não sintetiza as proteínas de reprodução viral. Mas, como a mutação é efectuada numa pequena extensão do DNA/RNA, pode ocorrer uma reversão da mutação e tornar o vírus novamente virulento.
As vacinas mais eficazes são as de subunidades, que contêm pedaços de vírus para que sejam reconhecidos sem a capacidade de haver uma replicação.
As células dendríticas, com antigénios migram para os gânglios linfáticos, onde sinalizam e provocam a resposta dos linfócitos B e T. Sem os indicadores de perigo estas células não conseguem amadurecer nem migrar. Então, as vacinas de subunidades necessitam de adjuvantes para ampliar o fluxo de citocinas, moléculas sinalizadoras, para que haja uma resposta mais eficiente.
O adjuvante alume (sais de alumínio) é dos mais antigos. Desde os anos 30 que é utilizado com eficácia. Mas é insuficiente em vacinas contra infecções que requerem mais do que protecção por anticorpos. Então, uma vacina necessita, também, de estimular não só as células dendítricas mas também os linfócitos T. Por este motivo há uma grande investigação na produção de adjuvantes mais eficientes.

Fontes:
Nathalie Garçon e Michel Goldman, "O Novo Poder das Vacinas" Scientific American, Novembro 2009
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E, no Sexto Dia, Criou Craig Venter a Vida


Nos últimos 15 anos foram criados organelos celeluares sintéticos; o cromossoma humano, em 1997 e, no mesmo ano, ribossomas pelo tecnólogo molecular George Church e a sua equipa. O ano passado (2009) foi a vez de Robert Linhardt e a sua equipa criarem mais um organelo – o complexo de Golgi. (Universo Paralelo)

Agora, depois de 57 anos da experiência de Urey-Miller, por geração expontânea, magia, deus ou homem, o que é certo é que Craig Venter e a sua equipa criaram, pela primeira vez, uma bactéria totalmente feita a partir de componentes sintéticos.

O Genoma da bactéria é constituído por letras de DNA (A, G, C, T) de forma a codificar informação proteica. Estes quatro nucleótidos são compostos químicos de bases azotadas, pentoses e açúcares e podem ser unidos uns aos outros em laboratório. Assim, pode-se criar um código igual ao da bactéria natural e… voilá, aconteceu! (obviamente não é assim tão fácil).

A saga de Craig começou há mais de 15 anos e custou 40 milhões de dólares. Afinal não foi ao 6º dia... foi, antes, ao 5475º dia.

“O nascimento desta primeira forma de vida artificial ficará registado para a posteridade nas páginas da edição de sexta-feira da revista Science (e na Web, desde hoje). “Esta é a primeira célula sintética jamais fabricada”, afirma Venter, “e dizemos que é sintética porque a célula é totalmente derivada de um cromossoma sintético.”” (Público)


As bactérias sintéticas aparecem nesta imagem, são azuis e iguais às naturais de que são cópia.

Começou a Era da Biologia Sintética.

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12/10/2010

A Meta Indesejada



Supõe-se que no século passado, os gases de efeito estufa tenham aquecido o planeta cerca de 0,75ºC. Neste século o cenário não está melhor.

Chegar aos 560ppm desses gases traduz-se num aumento da Temperatura Média Global (TMG) de cerca de 3ºC. O acordo político é que até 2100 a TMG não exceda os 2ºC, equivalente a uma concentração de 450ppm.

Bem, de 450ppm para os 560ppm vão 110ppm e em quanto tempo injectamos essa concentração na atmosfera? Fácil, injectamos cerca de 2ppm/ano o que faz com que em 55 anos atingiríamos os 560ppm. O problema é que a meta são os 450ppm e nós estamos nos 387ppm. Assim sendo, dentro de 31 anos estamos na meta exigida. Em um terço do tempo atingiremos o limite imposto. “Neste momento estamos nos 387 ppm e a aumentar 2 ppm/ano” (Wallace Broecker).

De acordo com Myles Allen, a humanidade pode ainda injectar 1 milhão de toneladas de CO2 na atmosfera até 2050 e manter o aquecimento abaixo dos 2ºC. Mas… até este momento já emitimos metade dessa quantidade. Apenas um quarto das reservas de carvão, petróleo e gás natural podem ser queimadas. Isto é, “as emissões têm de cair 2%-2,5%/ano” (Myles Allen). Temos de conseguir uma “redução de 80% de emissões de CO2 até 2050.” (Jon Foley).

Fonte: Scientific American, Fevereiro 2010, "Numerologia Climática", David Biello
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Não podemos chegar à meta de 450ppm. Haverá um ponto de não-retorno. Cabe a todos nós preservar o ambiente e todo o ecossistema. O objectivo deverá ser abrandar o passo e incentivar uma economia baseada nas energias renováveis.

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11/10/2010

Desequilíbrio Fundamental


As pulseiras do equilíbrio, e umas quantas “medicinas” alternativas, que fomentam uma cura pelo equilíbrio e usam jargões científicos para pasmar os utentes/clientes são, na verdade, uma incoerência científica.

Hoje fala-se muito em equilíbrio, queremos estar em equilíbrio físico, mental, psicológico, energético, enfim, em equilíbrio de tudo e com tudo. O problema é que, cientificamente, o equilíbrio é sinónimo de morte.

A ideia do equilíbrio é muito bonita e atraente a uma sociedade stressada e cansada. Esta ideia sugere relaxamento, tudo o que precisamos depois de meio dia de trabalho e meio dia de trânsito. No entanto aquilo que sugere não é o que sustenta o sentido científico. Em primeiro lugar estes negócios só buscam o desequilíbrio das contas dos clientes (mas isso é problema dos clientes porque pagam). Em segundo lugar não buscam o equilíbrio pois isso seria drástico (ou seja é publicidade enganosa).

Em Química, o equilíbrio atinge-se quando “a proporção entre as quantidades de reagentes e produtos em uma reacção química se mantém constante ao longo do tempo”. Em Física, o equilíbrio atinge-se quando as forças se compensam. Assim deixa de haver movimento. No ponto de equilíbrio de um pêndulo todas as forças se anulam e não há qualquer movimento.

O nosso corpo está repleto de reacções físico-químicas. Um pensamento depende de reacções químicas entre neurónios. Todo o nosso corpo é um frasco de inúmeras reacções constantes. O motor dessas reacções, e consequentemente da vida, são os diferentes gradientes tanto de pressão como de concentrações. A respiração depende, também, do transporte de protões de fora para dentro de organelos celulares e isso acontece por dois motores:
1-       
      1 - há mais protões fora e, por transporte passivo, passa para dentro – isto é devido ao gradiente de concentrações.
2-       
       2 - Por um motor celular – transportador protónico. Só por esta reacção vital vemos que o desequilíbrio é fundamental à vida.

Assim, o desequilíbrio é o motor da vida. Só andamos para a frente se estivermos desequilibrados para a frente e se aprendermos a cair, por forma a colocar bem o pé para dar o próximo passo. Se não aprendermos a cair e a olhar para o chão pisamos o que não queremos: pulseirinhas e amuletinhos do equilíbrio que fazem bem ao mau olhado; pedrinhas que equilibram o espírito e curam enxaquecas; águasinhas milagrosas que fazem bem às finanças; enfim uma panóplia de obstáculos que eu não quero pisar.

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30/09/2010

E Numa Questão de Probabilidades Nasceu o Universo



A mecânica quântica apresenta a previsão de que a matéria se produz constantemente a partir do nada. A Lei de Lavoisier aplica-se também aqui. Pares de partícula e anti-partícula aparecem espontaneamente para, depois, colidirem e anularem-se. No fim, nada se perde, nada se cria e fica tudo na mesma.

Em 1974, Stephen Hawking fez a previsão teórica de que se isto acontecesse em cima do horizonte de eventos de um buraco negro, uma das partículas seguiria viagem para fora, em nossa direcção e outra cairía no buraco negro. A observação dessa partícula foi chamada de radiação de Hawking.

“Até agora não havia maneira de medir esta radiação (…) mas um grupo de cientistas conseguiu criar uma maneira de aprisionar e puxar uma das partículas para  simular a queda para dentro do buraco negro. (…) Isso criou fotões dentro das frequências previstas pela teoria. (…) Apenas da indeterminação nasce matéria.”. (cróica de ciência)

Uma das características do mundo quântico é que as suas oscilações energéticas surgem por aleatoriedade e não requerem qualquer causa externa, pelo que Hawking explica que “a criação espontânea é a razão porque há algo em vez do nada”.

Ao olhar para longe no espaço, e para trás no tempo, reparamos que os corpos e algomerados celestes parecem se agrupar num ponto. Nos 10-43 segundos, que é o tempo de Plank – período de tempo mais curto possível de calcular -, é o momento mais jovem possível de alcançar. Isto porque mais cedo do que isso a curvatura, a pressão e a temperatura do Universo primordial atingem valores na ordem do infinito. Além disso a distância entre partículas desce até zero. A isto se chama de singularidade e ocorre, também, em buracos negros.

Para ultrapassar a singularidade é necessário unir a teoria da gravitação, de Einstein e a teoria quântica numa teoria de gravitação quântica. Ou mais bonito: a Teoria de Tudo.

Alexander Vilenkin, professor de física, criou um modelo do Big Bang em que o “Espaço foi criado por um processo quântico (…) ao qual chama de túneis no tecido do espaço-tempo”. “A condição inicial (…) é a de um Universo com um raio em colapso” – nenhum Universo. Depois do Big Bang iniciou-se a inflação movida pelo campo chamado inflatão.

Vilenkin descobriu que “a expansão pode terminar em determinados locais da bolha primordial”. “Segundo este modelo existe uma rede de universos interligados que se expande até ao infinito e do qual surgem sempre novos universos” mas que nunca poderão ser comprovados.

Outra ideia, defendida por John Richard Gott e por Li-Xin Li, é de que “o Espaço-tempo é (…) um ramo do qual sai uma haste que se torna na raiz do próprio ramo. O loop temporal [por ser um sistema de gravidade em loop] teria apenas um “comprimento de Plank, de 10-35 metros.

Em 1988 Richard Feynman elaborou um diagrama – diagrama de Feynman – no qual previu o comportamento das partículas subatómicas. Hawking e James Hartle desenvolveram as teorias de Feynman e analisaram a soma dos caminhos percorridos pelos fotões desde o início até ao fim da sua trajectória – ao que se chama de Estado de Hartle-Hawking.

Neste momento vemos mais uma curiosidade da teoria quântica: “partículas elementares podem existir simultaneamente em vários estados, que se sobrepõem” que, ao serem observadas, “decidem-se” pelo seu estado. Isto leva-nos a responder que as histórias com menor probabilidade corresponderão a outros universos.

Hawking aposta na teoria de cordas como a candidata para a unificação da física e, por conseguinte, para a Teoria de Tudo. A teoria de cordas contempla partículas com 10-33 centímetros e que podem vibrar num espaço de 10 dimensões. Nesta teoria tem lugar um elemento crucial para a unificação: o gravitão, responsável pela transmissão da força da gravidade.


Via New Scientist:
http://www.newscientist.com/article/dn19508-hawking-radiation-glimpsed-in-artificial-black-hole.html

Sobre a mecânica quântica:
http://cronicadaciencia.blogspot.com/2010/09/sobre-mecanica-quantica.html

Focus Magazin, Michael Odenwald

Crónica de Ciência, "Criação a Partir do Nada e Radiação de Hawking"

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29/09/2010

Rápidas: Nova Descoberta no LHC



Dia 21 de Setembro foi anunciada uma descoberta feita numa das experiências no Grande Colisor de Hádrons (LHC), na potência de 7 TeV. 

Foi detectado que algumas partícular estão, de alguma forma, ligadas. Guido Tonelli, físico do Cern, diz que “o novo fenômeno apareceu em nossas análises em meados de julho” e ainda que "precisamos de mais dados para analisar completamente o que acontece e dar os primeiros passos para uma nova física, um novo mundo que o LHC, esperamos, vai nos permitir descobrir". Parece que "certas partículas são intimamente ligadas, de uma maneira que nunca foi observada nas colisões de protões".

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Rápidas: Mistério do Triângulo das Bermudas Desvendado


O mistério dos desaparecimentos no Triângulo das Bermudas foi explicado pela equipa de Michael Denardo, no American Journal of Physics. 

A explicação é que a alta actividade vulcânica da zona liberta bolhas de metano que crescem exponencialmente ao chegar à linha de água. Desta forma o ar torna-se menos denso (já que o metano é menos denso que o ar), isto torna os instrumentos imprecisos e levam à destruição de embarcações e aviões.

Para ler mais: aqui e aqui

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28/09/2010

Uma Profecia Científica: O Início da Era da Biologia Sintética



Nos últimos dez anos assistimos a um progresso exponencial do entendimento da genética. Há dez anos foi o anúncio da sequenciação do genoma humano. Em 2003, os investigadores do Instituto J. Craig Venter criaram a versão sintética do bacteriófago phiX174. Quatro anos mais tarde obtiveram a transformação de uma espécie de bactéria por transplante de genoma.

Actualmente as instruções podem ser implantadas em células de outra espécie para que estas expressem essas proteínas. Esta engenharia, de projectar sistemas vivos que desempenham funções não encontradas na Natureza provoca um grande impacto. Basta imaginar que podemos construir bactérias que produzem gasolina ou que destroem dióxido de carbono, ou até organismos geneticamente modificados que operam em células cancerígenas.

A informação contida no texto acima está num artigo de Lawrence M. Krauss, da Scientific American de Março de 2010. Isto é, Krauss previu, e bem, que o início da Era da Biologia Sintética estava a chegar. De facto, assim foi:

Em Maio de 2010 O Instituto Craig Venter criou a primeira célula sintética no que foi intitulado o início da “Era da Biologia Sintética”.

Podemos dizer que foi uma espécie de Profecia Científica.

Hoje temos a oportunidade de modificar o genoma de alimentos para que durem mais ou para que não sejam afectados por pragas e doenças. Outra grande vantagem dos organismos geneticamente modificados (OGM) é que não necessitam de pesticidas, aliviando o alimento e, também, o ambiente.

Actualmente já temos cartilagem criada em laboratório para substituir em caso de acidente. Daqui a poucos anos teremos packs de células especializadas para substituir em caso de necessidade.

O texto original está aqui.

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25/08/2010

O Mundo vai Acabar Várias Vezes ao Mesmo Tempo


Actualmente estamos a ser bombardeados pelos medos mais aterradores da História do nosso planeta… e do Universo. Ao navegar pela Web podemos ver que tudo vai acontecer daqui até 2012, desde acidentes de carro, torradas queimadas, cadeiras partidas, vulcões, extinções em massa, explosões de tudo e mais alguma coisa, etc…

Ao viajar no tempo para o passado, há cerca de 100 anos podíamos reparar que estávamos mais ou menos na mesma enxurrada de idiotices. Uma coisa é o que realmente acontece e outra são as especulações sobre o que poderia, eventualmente, acontecer. E outra, ainda, são as divagações pelo éter sobre o que acontece.

Em 1918 tivemos uma das maiores pandemias da História, mais de 20 milhões de pessoas morreram (a gripe de 1918 matou mais pessoas do que a própria guerra na altura!).

A gripe de 2009 não matou tanta gente mas, mesmo assim, houve muito mais medo. Já há pessoas que não percebem nada a especular que a vacina da gripe “não mata na hora”. Ou seja, aloja-se em nós e mata-nos só em 2012. Para quem tomou a vacina: aproveitem bem até 2012! Ou haverá outra gripe, a ser construída pelos cientistas para nos matar. *

                                              (*Mais acerca deste excerto no final)

Outro desastre que ocorreu em 1918 foi a erupção do vulcão Katla. O mesmo que os catastrofistas dizem que irá entrar em actividade já em 2012. Porquê? Porque dá jeito. Aconteceu em 1918, estamos cá, nós Humanos e muitos animais. Mas em 2012 é a sério, dizem eles.

Ainda em 1918 foi o ano em que acabou a 1ª Guerra Mundial. Nesta análise podemos reparar que 1918 podia ter sido o desastroso e impiedoso fim do mundo e até do universo! Mas não foi, a Guerra Mundial acabou e quem quer que fosse que nos quisesse matar não o conseguiu fazer… mas irá fazê-lo em 2012 porque também irá haver uma guerra – a 3ª Guerra Mundial, dizem os entendidos das conspirações.

Haverá, ainda, em 2012 um espectacular alinhamento planetário com todos os planetas do Sistema Solar e mais (!) entre a Terra e o centro da Galáxia (seja lá o que isso queira dizer) e ainda o alinhamento de outros planetas (não dizem quais) com o mesmo centro galáctico. Mesmo assim, não sei o que isso nos irá afectar. Talvez me nasça um calo no dedo do pé.

A somar a isto iremos presenciar a rapidíssima inversão dos pólos. Tal evento aconteceu, de facto, nos últimos milhares de anos. No entanto o acontecimento é complexo e demora muito, muito tempo. Não sei como mas os peritos nestas coisas de adivinhação (e que se sabe que acertaram em todas as catástrofes) dizem que vai acontecer de repente em 2012.

A lista continua. O próximo convidado será o big one, o sismo iminente na Califórnia. Este sismo irá devastar outravez a Terra, e com ele um grande tsunami.

Ao mesmo tempo haverá uma grande erupção, mais uma. Mas desta vez será o super vulcão de Yellowstone.

Recentemente descobriu-se que uma bolha de metano poderá, também, surgir e rebentar com tudo. Aqui, um artigo mais sério.

Tudo isto irá acontecer porque vem aí o Nibiru, um grande planeta. “É impossível”, “não se vê nada a partir dos telescópios” mas isso não interessa nada. Os cientistas são incompetentes e andam a esconder-nos essa informação. Ele existe. Não se vê, não se sente, não se ouve mas existe.

Em suma, uma grande lista de desastres. Somos uns grandes azarados, de facto.

É lamentável, sim é lamentável haver pessoas que acreditam que isto vai acontecer. É preciso 100% de imaginação, 0% cultura e 0% de espírito crítico. Pessoas destas existem, e não são poucas.
Acredito mais que uma pessoa ganhe o Euromilhões 10 vezes seguidas do que ocorra 1/3 destes desastres em 2012.


Afinal o que vai acontecer em 2012?
Vai acontecer muita coisa: gente a calçar sapatos, pessoas na casa-de-banho, aniversários, mortes, nascimentos, pessoas a ver televisão, a ouvir rádio, a ir às compras, a jantar fora, a jantar em casa, a tomar banho, a limpar o nariz, a coçar a cabeça, a dormir, a fazer negócios, enfim… a lista não acaba.. Ah! E pessoas a dizer “afinal o fim do mundo e todos os desastres são… em 2014!” Já vivemos dezenas de “fins-do-mundo”, temos aqui uma espantosa panóplia de mais de 20 datas! Faz-me lembrar aqueles péssimos vendedores que nunca mais entregam o produto ao cliente: “amanhá é que é mesmo”… “Agora é a sério, amanhã é que vai ser mesmo mesmo!”.










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Por fim, transcrevo um comentário que fiz num site em que o autor NÃO argumentava que a vacina para a gripe é letal e que “não mata na hora”, quando o confrontei com o baixo nº de mortes pós-vacinação.

De facto compreendo. Não és capaz de responder às questões mais técnicas.
É como dizer que as pessoas que fabricam chapéus de chuva encomendaram a chuva a um super aparelho mas não sei explicar tecnicamente como funciona. Acredito e pronto. Acredito porque até quero acreditar e porque tenho inveja dos milhões que esses malandros ganham à custa das pessoas que se molham.
Até posso inventar que esses malévolos senhores do mal colocam químicos nas águas para que penetre no nosso DNA e nos obrigue a não gostar de estar molhados e a comprar mais chapéus de chuva. Contudo não sei explicar (porque é mentira)como isso acontece. Também não me interessam os comentário que perguntam “então mas esses senhores malévolos e as suas famílias não ficam doentes quando apanham chuva? É um risco para eles também”. Claro que isto não interessa. E qual é a melhor resposta? É esta: “eles têm uma protecção especial baseada nos raios UV-A e UV-B que transformam os químicos maus em químicos bons.
Estes argumentos são tão maus… é como alguém dizer que o pão com manteiga faz mal porque o 9 é azul quando o leite se bebe com verde e porque o queijo é feliz. Não se percebeu nada. A mesma coisa acontece em ciência. Quem percebe repara que o texto tem palavras bonitas e caras mas não tem essência. Quem não percebe de ciência vê palavras bonitas e frases difíceis e logo acredita sem ter espírito crítico.
O espírito crítico é crucial para uma hipótese ser válida e deve ser seguido em tudo!
Se, ao questionarmos a hipótese e esta não souber responder deve ser deixada de lado e seguir a hipótese que responde melhor à pergunta. O teu comentário foi do género: “não percebo, não sei responder mas mesmo assim quero acreditar no pão com manteiga com queijo feliz e 9 azul”.
Recentemente tive um desgosto ao ver uma suposta cientista (acabada de formar) a dizer que não acreditava numa teoria só porque o namorado não acreditava. Ela não tinha argumentos para refutar, apenas dizia que não acreditava porque o namorado não acreditava. E quem era ele? Cientista? Não!
Pensa nisto,
Lê artigos pró e artigos contra, vê quem explica com mais detalhe e quem tem mais discernimento da realidade. Lê, afasta-te e pensa. Sê crítico, não acredites só porque dá jeito.

A resposta foi a que estava à espera: sem argumentos e com frases do tipo “estás sob o efeito das vacinas”, isto para alguém que não a tomou. É espectacular ver esta gente a tentar argumentar por meio de… gemidos.

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10/08/2010

Sobre as Pedras da Calçada


Muitos textos são produzidos por gente medrosa e com pouca cultura científica. O problema não é a falta de conhecimento. O problema é quando falam do conhecimento que não têm! Centenas, ou mesmo milhares, de post foram dissertados durante um ano sobre a gripe H1N1/2009, sobre o vulcão da Islândia, e sobre muitos outros acontecimentos.

-Vacina
Li, em muitos textos, que o governo norte-americano tinha produzido o vírus para matar 1/3 da população o povo tinha de ter uma vacina. Entretanto esta chegou. E o que li? Li que a vacina é que os ía matar! E agora? Mais uma vez não houve um desastre, uma dizimação. Talvez escrevam que morreram mas os governos escondem essa informação. Também posso dizer que o sol é azul mas toda a gente tem uma lente interna implantada pelos poderes do governo para vermos o sol amarelo. Então e a ciência que demonstra que o sol é amarelo? Isso não interessa, a ciência é manipulada. Reparem como é este tipo de pensamento… enfim.

-Pulseiras
Já aqui foi dissertado, e muito bem, sobre mais uma praga social. Custa-me a que charlatães andem a saquear as pessoas que não sabem diferenciar entre frases com sentido e frases sem sentido. Falta algum espírito crítico na nossa sociedade. Basta alguém dizer quatro palavras difíceis e técnicas para que as pessoas acenem com a cabeça e acreditem (e gastem €). Porque hei-de acreditar numa pessoa que diz algo que não compreendo em vez de acreditar num físico que me explica que não faz sentido e porquê? Por outro lado não tenho pena das pessoas que caem nestas estorinhas de extorquir dinheiro porque elas assim o querem. Ouvi um excerto de uma entrevista de um dos “péssimos” vendedores da pulseira. Ele dizia que havia dois hologramas com um fluxo de iões e com uma fórmula secreta (sim, secreta) que só os construtores sabiam. Isto faz-me lembrar as teorias da conspiração e as hoaxes.

-Outras formas (iridologia)
Há métodos de diagnóstico que podem ser usados com alguma credibilidade científica, como é o caso da iridologia, mas apenas como diagnóstico e com algumas falhas. Contudo há quem aproveite e passe do simples diagnóstico a tratamentos com medicamentos naturais (coisa que não compreendo são os medicamentos naturais…). A conversa é muito bonita para quem não compreende nada de fisiologia ou de química (é como aquelas pessoas que compram o creme que ajuda o DNA) mas de conteúdo não tem nada. Denotei que algumas pessoas sentiam o efeito placebo. Cheguei a ouvir que “isto faz tão bem que sinto logo os efeitos mesmo antes de tomar a medicação do dia”. Obvio que ao ouvir isto a charlatã diz que é esse mesmo o efeito do medicamento, por ser natural (mais uma vez não consigo compreender o que é um medicamento natural… ou não natural).

Outra coisa que não compreendo é porque é que se quer o equilíbrio? Aprendi que o equilíbrio é a morte. Em bioquímica, em termodinâmica, etc. tudo o que está em equilíbrio está morto.

-CME
Recentemente chegaram CMEs à Terra. Estou curioso para ler alguns post que irão incidir sobre os governos e que vão referir que as CME são armas superpoderosas e que nos querem matar de alguma forma. Neste momento espanta-me que ainda não tenha aparecido (que eu saiba) nenhum post relativo às CMEs.

-A pedra da calçada
Agora algo mais sério. Há pedras da calçada que têm uma estrutura simétrica perfeita para que o fluxo iónico das moléculas de calcário permaneça na pedra. Assim, ao ser colocada ao pescoço influencia o nosso corpo através dos fluxos quânticos. Esta pedra é purificada com instrumentos da tecnologia ultra-secreta da NASA e só custa €30 cada. Aposto que seria um bom negócio de verão, pedras da calçada por 30 euros cada! Aproveitem porque Portugal tem uma população propícia a estas coisas. Obviamente que, para fazer efeito terá de vir a uma consulta que só custa €40 para a pedra de dizer de que males sofre e levará algumas gotinhas pelo valor de €50. São gotinhas milagrosas que terá de esfregar na zona onde dói para que a pedra faça efeito.


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Temos de construir o nosso crivo para todas estas situações. Esta construção advém de treino e leitura. É para quem quer e para quem pode.

Agora ainda mais a sério. Eu tenho a solução para os seus problemas. E sim, gasta-se algum dinheiro. Guarde alguns euros e compre livros simples de ciência, vá a blogues como este para ver a charlatanice que há por aí. Como poupar dinheiro: Simples, não caiam nestas aldrabices e ainda poupam nos medicamentos naturais e zen propostos por esses ladrões. Acredite que, mesmo comprando bens livros irá poupar centenas de euros.

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09/07/2010

Dimensões Extra e a Nossa Visão das Coisas (também literalmente)



Imaginemos um universo de 2 dimensões: a Planilândia, onde só existem as dimensões de comprimento e de largura. Os seus habitantes são figuras planas e só conhecem os sentidos trás, frente, esquerda e direita (Obviamente aqui falta a dimensão temporal). Apenas os físicos e matemáticos desse mundo plano têm noção de que existem outra dimensão – altura. Os habitantes planos não compreendem essa visão matemática porque não a conseguem imaginar. Está fora do seu alcance experimental. Os matemáticos sabem-no pelas equações complicadas.
Uma figura plana veria apenas o segmento mais perto de outro habitante, uma das arestas por exemplo.
Agora entra em cena um personagem da 3ª dimensão, uma maçã. Esta pode ver coisas que nunca um plano viu. Consegue ver o interior das casas e dos habitantes, uma espécie de raios X. O habitante plano ao ver a maçã a aproximar-se assusta-se pois esta rebola e os pontos de contacto com o solo vão alterando à medida que esta se vai deslocando pela Planilândia.
A certa altura permite ao quadrado uma experiência única. Atira-o ao ar e o habitante plano descobre a altura, vê o interior das casas e dos companheiros. Desfruta de uma visão privilegiada do seu mundo.
Por fim, ao cair os seus companheiros acham estranha a sua espontânea materialização à sua frente, depois de ter desaparecido misteriosamente da sua casa. Mas ele simplesmente esteve por cima deles, num local nunca antes experimentado e não compreendido por aqueles habitantes.
Esta é uma estória que espelha um pouco da investigação e do que podemos esperar das dimensões extra.
A incompreensão dos pessoas leigas sobre a matéria que os cientistas estudam e a sua tentativa de explicar. Como os habitantes da planilândia nunca tinham experienciado tal dimensão e como não a podiam ver desacreditavam os cientistas. Hoje é igual, muita gente quer ver claramente, como um desenho o que está nas fórmulas matemáticas e quer uma explicação simples do que é complexo. Quando há uma boa analogia simples esta torna-se simples demais e denotam-se falhas na explicação. Por este motivo, uma analogia é apenas isso, uma explicação redutora ou uma introdução simples à explicação complexa.
Outro facto a retirar deste conto é que devemos ter a mente aberta a novas explicações e aventurar-nos nas ideias. Muitas vezes a ficção tornou-se realidade e não devemos desprezar uma hipótese antes de a testar (se for possível). Por um motivo, não conhecemos o nosso mundo de 4 dimensões (3 espaciais e uma temporal) tão bem como um suposto ser de 11 dimensões (as descritas pela teoria de cordas).

Estória retirada do livro “Cosmos” de Carl Sagan, 5ª Edição, pgs 304/305

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22/06/2010

O Novo Poder das Vacinas II - Imitar Para Proteger



Na década de 1880 William Colley descobriu uma técnica para estimular a resposta imunológica. Descobriu os adjuvantes.
Já no século XX Gaston Ramon e Alexander Glenny experimentaram tapioca e hidróxido de alumínio para potenciar o efeito das vacinas contra o tétano. Durante os anos 30 foi descoberto que os antigénios suspensos em emulsões de óleo e água podem aumentar o mesmo efeito. Contudo, muitos destes aditivos aprestentavam efeitos indesejados.
Após ter havido uma diminuição no interesse pelos adjuvantes, o HIV, nos anos 80, motivou uma pesquisa de novas combinações de adjuvantes para tentar combater o vírus.
Em 1997 ocoreu uma descoberta bastante importante nesta área: há receptores celulares especializados em reconhecer padrões de parte de microrganismos. Detectam patógenos e fornecem o sinal de perigo que estimula as células dendríticas. Os receptores Toll-like (TLR) são os mais importantes para accionar as células dendríticas.

Novas Vacinas
Nos anos 80 e 90 houve uma tentativa de identificar adjuvantes naturais, e também sintéticos para modular a resposta imunitária. Os adjuvantes tradicionais, o alume e as emulsões de óleo em água (MF59 e AS03) estão aprovadas na Europa para uso nas vacinas da gripe.
Os avanços científicos permitiram a eliminação de elementos tóxicos nos adjuvantes e misturar substâncias para que a resposta imunitária fosse optimizada. Surgiu, assim, um novo adjuvante, o monofosforil lipídio A (MLP), produzido pela desintoxicação e purificação de um lípido da molécula LPS.
Uma nova vacina foi desenvolvida por um grupo de investigadores. É baseada no antigénio RTS,S, formado por uma proteína recombinante presente na superfície do parasita da malária. Conecta-se à superfície do antigénio da hepatite B para estimular o reconhecimento. Esta molécula é administrada com uma mistura de adjuvantes (emulsão de óleo em água, MPL e QS21 e extrato vegetal). A vacina foi testada e 71% dos receptores foram protegidos da contaminação. Outros testes demonstraram protecção em 30% das crianças e a incidência de sintomas graves foi reduzida 60%. Este é o sucesso das vacinas que combinam antigénios e adjuvantes para produzir a resposta imunitária requerida.
A vacina experimental contra a gripe, com emulsão de óleo em água AS03 gerou níveis de anticorpos de 90,5% dos receptores com 65 anos. Os adjuvantes são importantes para casos de epidemias e pandemias. Quando é necessário vacinar uma grande quantidade de indivíduos é necessário, também, menos quantidade de antigénios. Assim, uma vacina com adjuvante pode ter apenas um terço da quantidade de antigénio, como demosntrou a vacina experimental para a H5N1.

Novos Adjuvantes
Os lipossomas transportadores já são utilizados para encapsular medicamentos. Vesículas poliméricas de antigénios feitas de polissacáridos naturais têm a vantagem de incorporar substâncias imunoestimulantes naturais.
Os investigadores perceberam que a sinalização inicial das células dendríticas determina a resposta de acordo com o tipo de ameaça. Desta forma, ao realizar combinações de adjuvantes pode-se estimular o sistema imunitário da melhor forma.

Fonte: 
Nathalie Garçon e Michel Goldman, "O Novo Poder das Vacinas" Scientific American, Novembro 2009


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26/05/2010

O Novo Poder das Vacinas I - O Ressurgir



Há mais de 200 anos que as vacinas mostram serem o método mais económico e mais bem-sucedido de prevenção de doenças infeccionas. Foram elas que, em 1979, erradicaram a varíola e prometem a eliminação da poliomielite, sarampo e malária.
Desde o século X, na China e na índia, até ao século XVIII, na Turquia e Médio Oriente existia a variolização, que consistia na inoculação, braço a braço, a partir do fluido vesicular das lesões. Esta foi a primeira vacina, com muito pouca higiene e com muito perigo e, claro, elevada mortalidade. Em 1774 começou a ser utilizado o vírus da varíola bovina na profilaxia da varíola humana e em 1796 aconteceu a sistematização do método de vacinação, com “vacina viva”(atenuada) deste vírus. Dois anos depois foram publicados os primeiros resultados, por Edward Jenner.
Hoje parece haver uma grande oposição à prática da vacinação, mas isto não é actual. Já no século XIX, em 1802 James Gillray escreveu “The Cow Pack or the Wonderful Effects of the New Inoculation” no “The Publications of the Anti-Vaccine Society”.
Contudo, a ciência avançou e criou a vacina anti-rábica, em 1882, por Louis Pasteur. Em 1956 a OMS lança o “Programa de Erradicação da Varíola”, que se verificou vinte e três anos mais tarde.
Uma vacina não é mais do que uma infecção controlada. É introduzida uma amostra do agente infeccioso para que o sistema imunitário o reconheça e obtenha “dados” para o poder atacar aquando da próxima infecção natural. Os mais idosos têm o seu sistema imunológico fraco e pode não responder de forma eficiente ao tratamento.
São necessários estimuladores do sistema imunológico, chamados adjuvantes. Alguns adjuvantes são usados, há mais de um século, para melhorar as vacinas.
Uma contaminação natural confere imunidade para uma futura investida do agente infeccioso. Uma vacina ideal consistiria numa única dose e, se possível, conferir protecção para outros agentes. Ideal é também promover a acção dos mais variados agentes celulares do sistema imunológico.
O patógeno entra no organismo e encontra as células do sistema imunitário inato, macrófagos e células dendríticas. Estas duas células destroem agentes patogénicos e as células infectadas). Ao digerir as células infectadas e os agentes patogénicos exibem as amostras do invasor – os antigénio. Assim as células do sistema imunitário adaptativo, os linfócitos T e B. As células apresentadoras de antigénios libertam citocinas (substâncias sinalizadoras) que induzem a inflamação e alertam os linfócitos B e T.
Os linfócitos B libertam anticorpos e os infócitos T cititóxicas capturam e destroem as células já infectadas. As vacinas introduzem patógenos por forma a replicar o efeito imunológico.
As “vacinas vivas”atenuadas reproduzem-se lentamente mas apresentam antinénios e, assim, podem estimular uma resposta imunológica robusta. Contudo não devem ser administradas a indivíduos com problemas imunológicos. Um perigo destas vacinas é o facto de os vírus destas vacinas serem atenuados por mutações pontuais na zona de acoplamento do ribossoma. Com estas mutações o ribossoma não reconhece a cadeia, não acopla e não sintetiza as proteínas de reprodução viral. Mas, como a mutação é efectuada numa pequena extensão do DNA/RNA, pode ocorrer uma reversão da mutação e tornar o vírus novamente virulento.
As vacinas mais eficazes são as de subunidades, que contêm pedaços de vírus para que sejam reconhecidos sem a capacidade de haver uma replicação.
As células dendríticas, com antigénios migram para os gânglios linfáticos, onde sinalizam e provocam a resposta dos linfócitos B e T. Sem os indicadores de perigo estas células não conseguem amadurecer nem migrar. Então, as vacinas de subunidades necessitam de adjuvantes para ampliar o fluxo de citocinas, moléculas sinalizadoras, para que haja uma resposta mais eficiente.
O adjuvante alume (sais de alumínio) é dos mais antigos. Desde os anos 30 que é utilizado com eficácia. Mas é insuficiente em vacinas contra infecções que requerem mais do que protecção por anticorpos. Então, uma vacina necessita, também, de estimular não só as células dendítricas mas também os linfócitos T. Por este motivo há uma grande investigação na produção de adjuvantes mais eficientes.

Fontes:
Nathalie Garçon e Michel Goldman, "O Novo Poder das Vacinas" Scientific American, Novembro 2009

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21/05/2010

E, no Sexto Dia, Criou Craig Venter a Vida


Nos últimos 15 anos foram criados organelos celeluares sintéticos; o cromossoma humano, em 1997 e, no mesmo ano, ribossomas pelo tecnólogo molecular George Church e a sua equipa. O ano passado (2009) foi a vez de Robert Linhardt e a sua equipa criarem mais um organelo – o complexo de Golgi. (Universo Paralelo)

Agora, depois de 57 anos da experiência de Urey-Miller, por geração expontânea, magia, deus ou homem, o que é certo é que Craig Venter e a sua equipa criaram, pela primeira vez, uma bactéria totalmente feita a partir de componentes sintéticos.

O Genoma da bactéria é constituído por letras de DNA (A, G, C, T) de forma a codificar informação proteica. Estes quatro nucleótidos são compostos químicos de bases azotadas, pentoses e açúcares e podem ser unidos uns aos outros em laboratório. Assim, pode-se criar um código igual ao da bactéria natural e… voilá, aconteceu! (obviamente não é assim tão fácil).

A saga de Craig começou há mais de 15 anos e custou 40 milhões de dólares. Afinal não foi ao 6º dia... foi, antes, ao 5475º dia.

“O nascimento desta primeira forma de vida artificial ficará registado para a posteridade nas páginas da edição de sexta-feira da revista Science (e na Web, desde hoje). “Esta é a primeira célula sintética jamais fabricada”, afirma Venter, “e dizemos que é sintética porque a célula é totalmente derivada de um cromossoma sintético.”” (Público)


As bactérias sintéticas aparecem nesta imagem, são azuis e iguais às naturais de que são cópia.

Começou a Era da Biologia Sintética.

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