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O Mundo vai Acabar Várias Vezes ao Mesmo Tempo


Actualmente estamos a ser bombardeados pelos medos mais aterradores da História do nosso planeta… e do Universo. Ao navegar pela Web podemos ver que tudo vai acontecer daqui até 2012, desde acidentes de carro, torradas queimadas, cadeiras partidas, vulcões, extinções em massa, explosões de tudo e mais alguma coisa, etc…

Ao viajar no tempo para o passado, há cerca de 100 anos podíamos reparar que estávamos mais ou menos na mesma enxurrada de idiotices. Uma coisa é o que realmente acontece e outra são as especulações sobre o que poderia, eventualmente, acontecer. E outra, ainda, são as divagações pelo éter sobre o que acontece.

Em 1918 tivemos uma das maiores pandemias da História, mais de 20 milhões de pessoas morreram (a gripe de 1918 matou mais pessoas do que a própria guerra na altura!).

A gripe de 2009 não matou tanta gente mas, mesmo assim, houve muito mais medo. Já há pessoas que não percebem nada a especular que a vacina da gripe “não mata na hora”. Ou seja, aloja-se em nós e mata-nos só em 2012. Para quem tomou a vacina: aproveitem bem até 2012! Ou haverá outra gripe, a ser construída pelos cientistas para nos matar. *

                                              (*Mais acerca deste excerto no final)

Outro desastre que ocorreu em 1918 foi a erupção do vulcão Katla. O mesmo que os catastrofistas dizem que irá entrar em actividade já em 2012. Porquê? Porque dá jeito. Aconteceu em 1918, estamos cá, nós Humanos e muitos animais. Mas em 2012 é a sério, dizem eles.

Ainda em 1918 foi o ano em que acabou a 1ª Guerra Mundial. Nesta análise podemos reparar que 1918 podia ter sido o desastroso e impiedoso fim do mundo e até do universo! Mas não foi, a Guerra Mundial acabou e quem quer que fosse que nos quisesse matar não o conseguiu fazer… mas irá fazê-lo em 2012 porque também irá haver uma guerra – a 3ª Guerra Mundial, dizem os entendidos das conspirações.

Haverá, ainda, em 2012 um espectacular alinhamento planetário com todos os planetas do Sistema Solar e mais (!) entre a Terra e o centro da Galáxia (seja lá o que isso queira dizer) e ainda o alinhamento de outros planetas (não dizem quais) com o mesmo centro galáctico. Mesmo assim, não sei o que isso nos irá afectar. Talvez me nasça um calo no dedo do pé.

A somar a isto iremos presenciar a rapidíssima inversão dos pólos. Tal evento aconteceu, de facto, nos últimos milhares de anos. No entanto o acontecimento é complexo e demora muito, muito tempo. Não sei como mas os peritos nestas coisas de adivinhação (e que se sabe que acertaram em todas as catástrofes) dizem que vai acontecer de repente em 2012.

A lista continua. O próximo convidado será o big one, o sismo iminente na Califórnia. Este sismo irá devastar outravez a Terra, e com ele um grande tsunami.

Ao mesmo tempo haverá uma grande erupção, mais uma. Mas desta vez será o super vulcão de Yellowstone.

Recentemente descobriu-se que uma bolha de metano poderá, também, surgir e rebentar com tudo. Aqui, um artigo mais sério.

Tudo isto irá acontecer porque vem aí o Nibiru, um grande planeta. “É impossível”, “não se vê nada a partir dos telescópios” mas isso não interessa nada. Os cientistas são incompetentes e andam a esconder-nos essa informação. Ele existe. Não se vê, não se sente, não se ouve mas existe.

Em suma, uma grande lista de desastres. Somos uns grandes azarados, de facto.

É lamentável, sim é lamentável haver pessoas que acreditam que isto vai acontecer. É preciso 100% de imaginação, 0% cultura e 0% de espírito crítico. Pessoas destas existem, e não são poucas.
Acredito mais que uma pessoa ganhe o Euromilhões 10 vezes seguidas do que ocorra 1/3 destes desastres em 2012.


Afinal o que vai acontecer em 2012?
Vai acontecer muita coisa: gente a calçar sapatos, pessoas na casa-de-banho, aniversários, mortes, nascimentos, pessoas a ver televisão, a ouvir rádio, a ir às compras, a jantar fora, a jantar em casa, a tomar banho, a limpar o nariz, a coçar a cabeça, a dormir, a fazer negócios, enfim… a lista não acaba.. Ah! E pessoas a dizer “afinal o fim do mundo e todos os desastres são… em 2014!” Já vivemos dezenas de “fins-do-mundo”, temos aqui uma espantosa panóplia de mais de 20 datas! Faz-me lembrar aqueles péssimos vendedores que nunca mais entregam o produto ao cliente: “amanhá é que é mesmo”… “Agora é a sério, amanhã é que vai ser mesmo mesmo!”.










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Por fim, transcrevo um comentário que fiz num site em que o autor NÃO argumentava que a vacina para a gripe é letal e que “não mata na hora”, quando o confrontei com o baixo nº de mortes pós-vacinação.

De facto compreendo. Não és capaz de responder às questões mais técnicas.
É como dizer que as pessoas que fabricam chapéus de chuva encomendaram a chuva a um super aparelho mas não sei explicar tecnicamente como funciona. Acredito e pronto. Acredito porque até quero acreditar e porque tenho inveja dos milhões que esses malandros ganham à custa das pessoas que se molham.
Até posso inventar que esses malévolos senhores do mal colocam químicos nas águas para que penetre no nosso DNA e nos obrigue a não gostar de estar molhados e a comprar mais chapéus de chuva. Contudo não sei explicar (porque é mentira)como isso acontece. Também não me interessam os comentário que perguntam “então mas esses senhores malévolos e as suas famílias não ficam doentes quando apanham chuva? É um risco para eles também”. Claro que isto não interessa. E qual é a melhor resposta? É esta: “eles têm uma protecção especial baseada nos raios UV-A e UV-B que transformam os químicos maus em químicos bons.
Estes argumentos são tão maus… é como alguém dizer que o pão com manteiga faz mal porque o 9 é azul quando o leite se bebe com verde e porque o queijo é feliz. Não se percebeu nada. A mesma coisa acontece em ciência. Quem percebe repara que o texto tem palavras bonitas e caras mas não tem essência. Quem não percebe de ciência vê palavras bonitas e frases difíceis e logo acredita sem ter espírito crítico.
O espírito crítico é crucial para uma hipótese ser válida e deve ser seguido em tudo!
Se, ao questionarmos a hipótese e esta não souber responder deve ser deixada de lado e seguir a hipótese que responde melhor à pergunta. O teu comentário foi do género: “não percebo, não sei responder mas mesmo assim quero acreditar no pão com manteiga com queijo feliz e 9 azul”.
Recentemente tive um desgosto ao ver uma suposta cientista (acabada de formar) a dizer que não acreditava numa teoria só porque o namorado não acreditava. Ela não tinha argumentos para refutar, apenas dizia que não acreditava porque o namorado não acreditava. E quem era ele? Cientista? Não!
Pensa nisto,
Lê artigos pró e artigos contra, vê quem explica com mais detalhe e quem tem mais discernimento da realidade. Lê, afasta-te e pensa. Sê crítico, não acredites só porque dá jeito.

A resposta foi a que estava à espera: sem argumentos e com frases do tipo “estás sob o efeito das vacinas”, isto para alguém que não a tomou. É espectacular ver esta gente a tentar argumentar por meio de… gemidos.
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Sobre as Pedras da Calçada


Muitos textos são produzidos por gente medrosa e com pouca cultura científica. O problema não é a falta de conhecimento. O problema é quando falam do conhecimento que não têm! Centenas, ou mesmo milhares, de post foram dissertados durante um ano sobre a gripe H1N1/2009, sobre o vulcão da Islândia, e sobre muitos outros acontecimentos.

-Vacina
Li, em muitos textos, que o governo norte-americano tinha produzido o vírus para matar 1/3 da população o povo tinha de ter uma vacina. Entretanto esta chegou. E o que li? Li que a vacina é que os ía matar! E agora? Mais uma vez não houve um desastre, uma dizimação. Talvez escrevam que morreram mas os governos escondem essa informação. Também posso dizer que o sol é azul mas toda a gente tem uma lente interna implantada pelos poderes do governo para vermos o sol amarelo. Então e a ciência que demonstra que o sol é amarelo? Isso não interessa, a ciência é manipulada. Reparem como é este tipo de pensamento… enfim.

-Pulseiras
Já aqui foi dissertado, e muito bem, sobre mais uma praga social. Custa-me a que charlatães andem a saquear as pessoas que não sabem diferenciar entre frases com sentido e frases sem sentido. Falta algum espírito crítico na nossa sociedade. Basta alguém dizer quatro palavras difíceis e técnicas para que as pessoas acenem com a cabeça e acreditem (e gastem €). Porque hei-de acreditar numa pessoa que diz algo que não compreendo em vez de acreditar num físico que me explica que não faz sentido e porquê? Por outro lado não tenho pena das pessoas que caem nestas estorinhas de extorquir dinheiro porque elas assim o querem. Ouvi um excerto de uma entrevista de um dos “péssimos” vendedores da pulseira. Ele dizia que havia dois hologramas com um fluxo de iões e com uma fórmula secreta (sim, secreta) que só os construtores sabiam. Isto faz-me lembrar as teorias da conspiração e as hoaxes.

-Outras formas (iridologia)
Há métodos de diagnóstico que podem ser usados com alguma credibilidade científica, como é o caso da iridologia, mas apenas como diagnóstico e com algumas falhas. Contudo há quem aproveite e passe do simples diagnóstico a tratamentos com medicamentos naturais (coisa que não compreendo são os medicamentos naturais…). A conversa é muito bonita para quem não compreende nada de fisiologia ou de química (é como aquelas pessoas que compram o creme que ajuda o DNA) mas de conteúdo não tem nada. Denotei que algumas pessoas sentiam o efeito placebo. Cheguei a ouvir que “isto faz tão bem que sinto logo os efeitos mesmo antes de tomar a medicação do dia”. Obvio que ao ouvir isto a charlatã diz que é esse mesmo o efeito do medicamento, por ser natural (mais uma vez não consigo compreender o que é um medicamento natural… ou não natural).

Outra coisa que não compreendo é porque é que se quer o equilíbrio? Aprendi que o equilíbrio é a morte. Em bioquímica, em termodinâmica, etc. tudo o que está em equilíbrio está morto.

-CME
Recentemente chegaram CMEs à Terra. Estou curioso para ler alguns post que irão incidir sobre os governos e que vão referir que as CME são armas superpoderosas e que nos querem matar de alguma forma. Neste momento espanta-me que ainda não tenha aparecido (que eu saiba) nenhum post relativo às CMEs.

-A pedra da calçada
Agora algo mais sério. Há pedras da calçada que têm uma estrutura simétrica perfeita para que o fluxo iónico das moléculas de calcário permaneça na pedra. Assim, ao ser colocada ao pescoço influencia o nosso corpo através dos fluxos quânticos. Esta pedra é purificada com instrumentos da tecnologia ultra-secreta da NASA e só custa €30 cada. Aposto que seria um bom negócio de verão, pedras da calçada por 30 euros cada! Aproveitem porque Portugal tem uma população propícia a estas coisas. Obviamente que, para fazer efeito terá de vir a uma consulta que só custa €40 para a pedra de dizer de que males sofre e levará algumas gotinhas pelo valor de €50. São gotinhas milagrosas que terá de esfregar na zona onde dói para que a pedra faça efeito.


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Temos de construir o nosso crivo para todas estas situações. Esta construção advém de treino e leitura. É para quem quer e para quem pode.

Agora ainda mais a sério. Eu tenho a solução para os seus problemas. E sim, gasta-se algum dinheiro. Guarde alguns euros e compre livros simples de ciência, vá a blogues como este para ver a charlatanice que há por aí. Como poupar dinheiro: Simples, não caiam nestas aldrabices e ainda poupam nos medicamentos naturais e zen propostos por esses ladrões. Acredite que, mesmo comprando bens livros irá poupar centenas de euros.
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Dimensões Extra e a Nossa Visão das Coisas (também literalmente)



Imaginemos um universo de 2 dimensões: a Planilândia, onde só existem as dimensões de comprimento e de largura. Os seus habitantes são figuras planas e só conhecem os sentidos trás, frente, esquerda e direita (Obviamente aqui falta a dimensão temporal). Apenas os físicos e matemáticos desse mundo plano têm noção de que existem outra dimensão – altura. Os habitantes planos não compreendem essa visão matemática porque não a conseguem imaginar. Está fora do seu alcance experimental. Os matemáticos sabem-no pelas equações complicadas.
Uma figura plana veria apenas o segmento mais perto de outro habitante, uma das arestas por exemplo.
Agora entra em cena um personagem da 3ª dimensão, uma maçã. Esta pode ver coisas que nunca um plano viu. Consegue ver o interior das casas e dos habitantes, uma espécie de raios X. O habitante plano ao ver a maçã a aproximar-se assusta-se pois esta rebola e os pontos de contacto com o solo vão alterando à medida que esta se vai deslocando pela Planilândia.
A certa altura permite ao quadrado uma experiência única. Atira-o ao ar e o habitante plano descobre a altura, vê o interior das casas e dos companheiros. Desfruta de uma visão privilegiada do seu mundo.
Por fim, ao cair os seus companheiros acham estranha a sua espontânea materialização à sua frente, depois de ter desaparecido misteriosamente da sua casa. Mas ele simplesmente esteve por cima deles, num local nunca antes experimentado e não compreendido por aqueles habitantes.
Esta é uma estória que espelha um pouco da investigação e do que podemos esperar das dimensões extra.
A incompreensão dos pessoas leigas sobre a matéria que os cientistas estudam e a sua tentativa de explicar. Como os habitantes da planilândia nunca tinham experienciado tal dimensão e como não a podiam ver desacreditavam os cientistas. Hoje é igual, muita gente quer ver claramente, como um desenho o que está nas fórmulas matemáticas e quer uma explicação simples do que é complexo. Quando há uma boa analogia simples esta torna-se simples demais e denotam-se falhas na explicação. Por este motivo, uma analogia é apenas isso, uma explicação redutora ou uma introdução simples à explicação complexa.
Outro facto a retirar deste conto é que devemos ter a mente aberta a novas explicações e aventurar-nos nas ideias. Muitas vezes a ficção tornou-se realidade e não devemos desprezar uma hipótese antes de a testar (se for possível). Por um motivo, não conhecemos o nosso mundo de 4 dimensões (3 espaciais e uma temporal) tão bem como um suposto ser de 11 dimensões (as descritas pela teoria de cordas).

Estória retirada do livro “Cosmos” de Carl Sagan, 5ª Edição, pgs 304/305
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O Novo Poder das Vacinas II - Imitar Para Proteger



Na década de 1880 William Colley descobriu uma técnica para estimular a resposta imunológica. Descobriu os adjuvantes.
Já no século XX Gaston Ramon e Alexander Glenny experimentaram tapioca e hidróxido de alumínio para potenciar o efeito das vacinas contra o tétano. Durante os anos 30 foi descoberto que os antigénios suspensos em emulsões de óleo e água podem aumentar o mesmo efeito. Contudo, muitos destes aditivos aprestentavam efeitos indesejados.
Após ter havido uma diminuição no interesse pelos adjuvantes, o HIV, nos anos 80, motivou uma pesquisa de novas combinações de adjuvantes para tentar combater o vírus.
Em 1997 ocoreu uma descoberta bastante importante nesta área: há receptores celulares especializados em reconhecer padrões de parte de microrganismos. Detectam patógenos e fornecem o sinal de perigo que estimula as células dendríticas. Os receptores Toll-like (TLR) são os mais importantes para accionar as células dendríticas.

Novas Vacinas
Nos anos 80 e 90 houve uma tentativa de identificar adjuvantes naturais, e também sintéticos para modular a resposta imunitária. Os adjuvantes tradicionais, o alume e as emulsões de óleo em água (MF59 e AS03) estão aprovadas na Europa para uso nas vacinas da gripe.
Os avanços científicos permitiram a eliminação de elementos tóxicos nos adjuvantes e misturar substâncias para que a resposta imunitária fosse optimizada. Surgiu, assim, um novo adjuvante, o monofosforil lipídio A (MLP), produzido pela desintoxicação e purificação de um lípido da molécula LPS.
Uma nova vacina foi desenvolvida por um grupo de investigadores. É baseada no antigénio RTS,S, formado por uma proteína recombinante presente na superfície do parasita da malária. Conecta-se à superfície do antigénio da hepatite B para estimular o reconhecimento. Esta molécula é administrada com uma mistura de adjuvantes (emulsão de óleo em água, MPL e QS21 e extrato vegetal). A vacina foi testada e 71% dos receptores foram protegidos da contaminação. Outros testes demonstraram protecção em 30% das crianças e a incidência de sintomas graves foi reduzida 60%. Este é o sucesso das vacinas que combinam antigénios e adjuvantes para produzir a resposta imunitária requerida.
A vacina experimental contra a gripe, com emulsão de óleo em água AS03 gerou níveis de anticorpos de 90,5% dos receptores com 65 anos. Os adjuvantes são importantes para casos de epidemias e pandemias. Quando é necessário vacinar uma grande quantidade de indivíduos é necessário, também, menos quantidade de antigénios. Assim, uma vacina com adjuvante pode ter apenas um terço da quantidade de antigénio, como demosntrou a vacina experimental para a H5N1.

Novos Adjuvantes
Os lipossomas transportadores já são utilizados para encapsular medicamentos. Vesículas poliméricas de antigénios feitas de polissacáridos naturais têm a vantagem de incorporar substâncias imunoestimulantes naturais.
Os investigadores perceberam que a sinalização inicial das células dendríticas determina a resposta de acordo com o tipo de ameaça. Desta forma, ao realizar combinações de adjuvantes pode-se estimular o sistema imunitário da melhor forma.

Fonte: 
Nathalie Garçon e Michel Goldman, "O Novo Poder das Vacinas" Scientific American, Novembro 2009


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O Novo Poder das Vacinas I - O Ressurgir



Há mais de 200 anos que as vacinas mostram serem o método mais económico e mais bem-sucedido de prevenção de doenças infeccionas. Foram elas que, em 1979, erradicaram a varíola e prometem a eliminação da poliomielite, sarampo e malária.
Desde o século X, na China e na índia, até ao século XVIII, na Turquia e Médio Oriente existia a variolização, que consistia na inoculação, braço a braço, a partir do fluido vesicular das lesões. Esta foi a primeira vacina, com muito pouca higiene e com muito perigo e, claro, elevada mortalidade. Em 1774 começou a ser utilizado o vírus da varíola bovina na profilaxia da varíola humana e em 1796 aconteceu a sistematização do método de vacinação, com “vacina viva”(atenuada) deste vírus. Dois anos depois foram publicados os primeiros resultados, por Edward Jenner.
Hoje parece haver uma grande oposição à prática da vacinação, mas isto não é actual. Já no século XIX, em 1802 James Gillray escreveu “The Cow Pack or the Wonderful Effects of the New Inoculation” no “The Publications of the Anti-Vaccine Society”.
Contudo, a ciência avançou e criou a vacina anti-rábica, em 1882, por Louis Pasteur. Em 1956 a OMS lança o “Programa de Erradicação da Varíola”, que se verificou vinte e três anos mais tarde.
Uma vacina não é mais do que uma infecção controlada. É introduzida uma amostra do agente infeccioso para que o sistema imunitário o reconheça e obtenha “dados” para o poder atacar aquando da próxima infecção natural. Os mais idosos têm o seu sistema imunológico fraco e pode não responder de forma eficiente ao tratamento.
São necessários estimuladores do sistema imunológico, chamados adjuvantes. Alguns adjuvantes são usados, há mais de um século, para melhorar as vacinas.
Uma contaminação natural confere imunidade para uma futura investida do agente infeccioso. Uma vacina ideal consistiria numa única dose e, se possível, conferir protecção para outros agentes. Ideal é também promover a acção dos mais variados agentes celulares do sistema imunológico.
O patógeno entra no organismo e encontra as células do sistema imunitário inato, macrófagos e células dendríticas. Estas duas células destroem agentes patogénicos e as células infectadas). Ao digerir as células infectadas e os agentes patogénicos exibem as amostras do invasor – os antigénio. Assim as células do sistema imunitário adaptativo, os linfócitos T e B. As células apresentadoras de antigénios libertam citocinas (substâncias sinalizadoras) que induzem a inflamação e alertam os linfócitos B e T.
Os linfócitos B libertam anticorpos e os infócitos T cititóxicas capturam e destroem as células já infectadas. As vacinas introduzem patógenos por forma a replicar o efeito imunológico.
As “vacinas vivas”atenuadas reproduzem-se lentamente mas apresentam antinénios e, assim, podem estimular uma resposta imunológica robusta. Contudo não devem ser administradas a indivíduos com problemas imunológicos. Um perigo destas vacinas é o facto de os vírus destas vacinas serem atenuados por mutações pontuais na zona de acoplamento do ribossoma. Com estas mutações o ribossoma não reconhece a cadeia, não acopla e não sintetiza as proteínas de reprodução viral. Mas, como a mutação é efectuada numa pequena extensão do DNA/RNA, pode ocorrer uma reversão da mutação e tornar o vírus novamente virulento.
As vacinas mais eficazes são as de subunidades, que contêm pedaços de vírus para que sejam reconhecidos sem a capacidade de haver uma replicação.
As células dendríticas, com antigénios migram para os gânglios linfáticos, onde sinalizam e provocam a resposta dos linfócitos B e T. Sem os indicadores de perigo estas células não conseguem amadurecer nem migrar. Então, as vacinas de subunidades necessitam de adjuvantes para ampliar o fluxo de citocinas, moléculas sinalizadoras, para que haja uma resposta mais eficiente.
O adjuvante alume (sais de alumínio) é dos mais antigos. Desde os anos 30 que é utilizado com eficácia. Mas é insuficiente em vacinas contra infecções que requerem mais do que protecção por anticorpos. Então, uma vacina necessita, também, de estimular não só as células dendítricas mas também os linfócitos T. Por este motivo há uma grande investigação na produção de adjuvantes mais eficientes.

Fontes:
Nathalie Garçon e Michel Goldman, "O Novo Poder das Vacinas" Scientific American, Novembro 2009
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E, no Sexto Dia, Criou Craig Venter a Vida


Nos últimos 15 anos foram criados organelos celeluares sintéticos; o cromossoma humano, em 1997 e, no mesmo ano, ribossomas pelo tecnólogo molecular George Church e a sua equipa. O ano passado (2009) foi a vez de Robert Linhardt e a sua equipa criarem mais um organelo – o complexo de Golgi. (Universo Paralelo)

Agora, depois de 57 anos da experiência de Urey-Miller, por geração expontânea, magia, deus ou homem, o que é certo é que Craig Venter e a sua equipa criaram, pela primeira vez, uma bactéria totalmente feita a partir de componentes sintéticos.

O Genoma da bactéria é constituído por letras de DNA (A, G, C, T) de forma a codificar informação proteica. Estes quatro nucleótidos são compostos químicos de bases azotadas, pentoses e açúcares e podem ser unidos uns aos outros em laboratório. Assim, pode-se criar um código igual ao da bactéria natural e… voilá, aconteceu! (obviamente não é assim tão fácil).

A saga de Craig começou há mais de 15 anos e custou 40 milhões de dólares. Afinal não foi ao 6º dia... foi, antes, ao 5475º dia.

“O nascimento desta primeira forma de vida artificial ficará registado para a posteridade nas páginas da edição de sexta-feira da revista Science (e na Web, desde hoje). “Esta é a primeira célula sintética jamais fabricada”, afirma Venter, “e dizemos que é sintética porque a célula é totalmente derivada de um cromossoma sintético.”” (Público)


As bactérias sintéticas aparecem nesta imagem, são azuis e iguais às naturais de que são cópia.

Começou a Era da Biologia Sintética.

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Chove Água... e Animais!



Estamos habituados e ver, ouvir e sentir pingos de água de várias formas cair do céu. Por vezes a chuva vem em forma de gelo de tamanhos pequenos ou até do tamanho de bolas de golfe! Mas a chuva de sapos ou peixes e, por vezes, pássaros não é recorrente. Estes bichos vindos do céu podem vir congelados pelas temperaturas gélidas a grandes altitudes e alguns conseguem chegar vivos ao solo. Raramente ocorre a queda de pedaços de animais. Sim, pedaços de animais.
Exitem relatos bastante antigos. A Bíblia relata que o exército de Josué foi auxiliado por uma chuva de pedras sobre o exército amorita. Ainda na Era a.C., no século IV, Ateneu menciona uma chuva de peixes que durou três dias!
Já no século I há a descrição, por um naturalista – Plínio, o Velho -, de uma chuva de pedaços de carne, de sangue e lã.
Mais recentemente, em 1578, ratos caíram em Bergen, Noruega. Em Inglaterra, a aldeia de Acle viu cair uma chuva de sapos. E na cidade de Essex choveram salmões, arenques e pescadas! Obviamente que os comerciantes locais aproveitaram esta dádiva.
Em 1794, os soldados franceses que estavam em Lalein, França, narraram uma chuva de sapos durante uma chuvada. Em 1857, em Kentucky, uma mulher avisou pedaços de carne de veado a cair do céu. Quatro anos depois, após um terramoto, choveram mais peixes em Singapura.
No ano de 1873 a Scientific American noticia uma tempestade de sapos sobre a cidade de Kansas, Missouri. A mesma revista, em 1977 regista um aguaceiro de serpentes em Memphis.
Ainda no século passado ocorreu a chuva mais curiosa: uma chuva de moedas… do século XVI, na Rússia, trazidas por um tornado. Em 1953 rãs caíram sobre Leicester, Massachusetts, Estados Unidos. No ano seguinte foi a vez de Birmingham assistir a uma queda livre de sapos. Em 1968 outra chuva macabra, desta vez no Brasil, de carne e sangue.
No ano da primeira alunagem, 1969, caíram em Punta Gorda, Florida, bolas de golfe e, no mesmo ano, foram canários a chover em Maryland. Mais uma chuva de pássaros aconteceu em 1976, em San Luis Obispo, Californi, com uma chuva de melros e pombos. Durou dois dias.
Dois anos passaram para outro animal ser “escolhido” para cair sobre a terra. Na Austrália choveram carangueijos.
Já neste século, em 2002, voltou a chover peixe, nas montanhas gregas. Em 2007 choveram rãs em El Rebolledo, Espanha e, já este ano a Austália foi novamente prendada com este “milagre”: Na pequena localidade australiana de Lajamanu, os seus 650 habitantes foram ontem surpreendidos por uma chuva de peixes.”. O jornal Daily Mail refere que os peixes estavam vivos quando chegaram ao solo e os habitantes não perderam a oportunidade de os apanhar.”.

Nesta imagem podemos ver onde fica Lajamanu. O mar situa-se a mais de 200 km mas há lagos, como mostra a imagem, a uma distância menor, no Purnululu National Park.

Explicações: Paranormais

Uma das formas de explicar este fenómeno é a intervenção de extraterrestres ou deuses. Estas chuvas são interpretadas como castigos ou dádivas, dependendo do que caía. É um pouco como estas mesmas explicações hoje em dia, é à medida do humor de quem interpreta. É como convém. De facto, para ser verdade deveria ser provável tal explicação com uma evidência. Nunca ninguém viu um OVNI ou um Deus a lançar sapos para assustar, peixes para alimentar ou calhaus para castigar (convenhamos que não será de um qualquer deus um castigo destes…).
Outra explicação, bem mais rebuscada é a de dimensões extra pelas quais os objectos ou animais seriam teleportados de um local para outro.
Todas as hipóteses carecem de uma explicação plausível e, se possível com evidências. A que demonstrar mais evidências é a mais aceite. Bem, em teoria, pois há muita gente que prefere não ver as evidências e acreditar no que nunca foi visto…

Explicações: Normais

Então vamos lá à explicação mais plausível e séria:
Uma tromba de água, um tornado em água suga água e os animais que estejam nas proximidades. Os ventos fortes transportam todo o material sugado pelo tornado até alturas elevadas. Depois é esperar por pressões baixas e… chover.
Um tornado pode sugar toda a água de um pequeno lago e toda a sua fauna. Posteriormente deixa cair tudo o que sugou a quilómetros de distância.
Uma característica é que quando chovem animais, tal evento ocorre com uma tempestade e os animais são pequenos e leves. No entanto há curiosidades sem resposta, como o porquê de não choverem animais diferentes, a chuva de animais é homogénea e, também, o porquê de não choverem plantas ou algas com os animais, já que os ventos fortes que elevam os animais podem também arrancar plantas.
Podemos ver uma imagem Doppler que revela uma tempestade a colidir com um bando de morcegos (a cor vermelha indica o movimento dos morcegos em direcção à nuvem).
 

Ver mais:

Ciência Hoje
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Maré Negra na Nossa Direcção?


A maré negra, originária do acidente de 20 de Abril na plataforma da BP Deepwater Horizon, começou a espalhar-se no Golfo do México e já terá entrado na Loop Current, em direcção à Flórida.

Bernard Chapron, investigador do Ifremer, diz que "as águas turbulentas da corrente vão acelerar a mistura da água e petróleo" e que "a poluição deverá afectar o ecossistema da barreira de coral" das Florida Keys, a terceira barreira de coral do planeta.







Aqui podemos ver a loop current, que se liga com a corente do Golfo.

A Corrente do Golfo é a corrente que banha a costa portuguesa. É uma corrente quente, por esse motivo a costa de Portugal, principalmente o litoral sul, é quente. Como podemos ver na imagem seguinte:
Podemos ver, então, por onde se poderá espalhar o petróleo...

Fontes:
Wikipédia
WikipédiaII
Público
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Rápidas: Descoberto o 1% da Matéria que Faltava!


O Universo é composto por Matéria e Energia. Cerca de 73% é Energia Escura e 27% é Matéria. Agora centre-mo-nos nos 27% de Matéria:
- 22% é Matéria Negra, não bariónica composta por partículas exóticas e desconhecidas.
- 5% é Matéria bariónica, os protões, neutrões, electrões, enfim, toda a matéria que conhecemos
- 4% é matéria bariónica negra, a famosa matéria negra. Composta essencialmente por gás intergaláctico e que já foi detectada.
- menos de 1% é Matéria visível. Toda a que vemos. Ou seja, todo o Universo visível é, na verdade menos de 1% do que é na realidade.

A 400 milhões de anos-luz, num "muro de galáxias" chamado Sculptor Wall, foi detectada matéria normal (parte daqueles "menos de 1%") que, até agora, ainda não tinham sido detectados e que estavam em falta.

Podem ler aqui mais.
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O Clima no Mundial


Já que estamos perto do Mundial de Futebol 2010, na África do Sul vamos ver algo de curioso.

Portugal situa-se numa zona do Globo bastante rara, tem um clima Mediterrânico. Este clima existe em pequenas extensões: na bacia mediterrânica (Sul de Portugal, Espanha, Grécia, Norte de Marrocos, Argélia e Egipto), costa Oeste dos Estados Unidos (Califórnia); Sudeste da Austrália; Sul do Chile e ponta Sul da África do Sul. O mapa seguinte mostra as raras zonas onde ocorre este tipo de clima:
Este clima o único em que o Verão é a estação seca. O seguinte gráfico mostra a linha da temperatura e as barras de pluviosidade ao longo do ano:
Podemos reparar que a temperatura nos meses entre Maio e Setembro fica acima das barras de pluviosidade, o que quer dizer que esses meses são secos.

Portugal vai jogar os três jogos da fase de grupos em três cidades da África do Sul: Port Elizabeth, Durban e Cape Town:

Só na zona de Cape Town é que ocorre o clima Mediterrânico. Os jogadores habituados a jogar em Portugal, sul de Espanha... enfim na Bacia Mediterrânica não vão ter problemas em se adaptar a este clima, já que é o mesmo.
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Canal C - Método Inovador Permite Chumar quem Queremos!


Nas Universidades aparecem, por vezes, métodos inovadores. Agora venho com um método inovador de passar os alunos que quero e chumbar os que não me servem para nada (ou cujos progenitores não me servirão de nada, nem me pagam nada). O método tem cerca de 5 passos e tem de ser feito com cuidado e com um workshop em teatro.



1- Apresentação de Resultados
Temos à nossa disposição vários indivíduos de 2 ou 3 cursos diferentes. Pretendemos passar à “sucapa” o maior número possível daqueles que nos pagam de alguma forma. Este método inovador permite escolher de forma que parece aleatória. Ora é assim, fazemos um teste para todos os alunos - o 1º teste. Posteriormente aterrorizamos alguns, escolhidos ao nosso gosto, com a frase “tu, tu e tu têm uma nota muuuito baixa” (mas cuidado para não mostrar notas, isto se existirem notas). As notas não poderão ser afixadas, se nem sequer existirem será melhor.

2- Dar um Doce Envenenado
Para dar um ar de preocupação e de muito boa vontade (para não haver represálias e minimizar as investigações) teremos de dar um docinho. Cá vai, “aos que tiveram má nota dou a oportunidade especial de repetir o teste”. Infelizmente terá de ser logo a seguir ao 2º teste. O que quer dizer que todos fazem o 2º teste e, logo de seguida, cansados, os que chumbaram ao primeiro terão de o fazer de seguida.

3- Separação dos Escolhidos
Para não dar nas vistas, e para chumbar os que quero sem me apontarem o dedo e sair com imagem “limpa”, o melhor a fazer é juntar os que vão chumbar numa sala diferente, mesmo para fazer o 2º teste. 
Aqui estão os dois grandes segredos: os pontos 4 e 5 são cruciais.

4- Teste Diferente
 O 2º teste dos que vão passar é diferente do 2º teste dos que quero chumbar.

5- Roubar Tempo
Mais ainda, os que vão passar têm mais 20 minutos para o fazer.

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Obviamente que os que passam também têm de fazer algum teatro... mas muito mau... Reparei que quem saiu do 2º teste (que vão passar) não se lembravam das perguntas do teste. Disseram apenas que tinha quadrados e perguntas para responder. Ora, ou esta gente é bêbeda ou drogada, ou então não sei o que se passa.
Continuo sem perceber porque é que quem fez o "2º teste que vai chumbar" entrou às 14:15 e teve de sair à força às 15:48 e quem fez o "2º teste que vai passar" entrou à mesma hora e saiu às 16:09 (e sem pressas)! O teatro dos alunos não resultou, vão chumbar no teatro e na ética. O mesmo resultado para a docente. As provas estão aí e só não vê quem não quer.
Tanto o método como os alunos favorecidos são do... Ca...tano. E os outros são ca...stigados sem merecer.
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A Grande Fertilidade… enfim


Há um tempo coloquei aqui um post em que tentava antever, com algum humor, uma conspiração face à erupção de um vulcão na Islândia. Descobri dois blogues dedicados a uma grande fertilidade de ideias imaginativas (este e este). Um dos autores refere que o espaço aéreo foi fechado sob falsos pretextos. Baseado em imagens de satélite, afirma que não houve nuvem de cinzas vulcânicas e que o céu estava claro. Mais à frente refere que era tão fina que a sua densidade, acima do Reino Unido, era de um vigésimo do limite de perigo.

Refere ainda que o MetOffice gerou um retrato de uma nuvem a dirigir-se para sul.

Um dos pretextos seria o de destruir a economia europeia e a moeda única.

Outro dos pretextos, e este é bastante mirabolante, é o seguinte:

“A erupção foi causada por tecnologia humana”, foi intencional e serviu para os illuminati criarem o medo e distracções na população “para evitar o reconhecimento oficial da presença de civilizações extraterrestres”. Estes senhores cientistas denominados illuminati querem “evitar a divulgação televisiva que introduza a nossa família espacial.”(!!!)

Eu, numa tentativa de antever uma suposta conspiração pensei ter levado a minha imaginação um pouco longe ao conseguir relacionar empresas tão distantes quanto empresas de aviação, uma ferroviária e estas todas com um mecanismo de investigação do outro lado do mundo. E ainda, isto tudo com um vulcão que entrou em erupção a meio caminho. Leiam o meu post.

Agora reparo, ou não tenho uma imaginação muito fértil ou então há gente que me ultrapassa em muito nessa condição. De facto, alguns autores de blogues conseguem relacionar empresas de aviação, governos (como é óbvio, e eu esqueci-me disso na minha estória) um organismo chamado MetOffice, a economia de um continente, uma moeda e um grupo de pessoas de estórias de ficção (falo dos illuminati e dos ETs).

Enquanto escrevo estas ligações muito pouco perceptíveis lembro-me de uma das praxes que dava aos meus caloirinhos. Pedia-lhes textos a relacionar as coisas mais estapafúrdias tais como “qual a relação entre as folhas laranja do eucalipto do deserto quente da Sibéria com o espaço Kalabi-Yau, e o que isso contribui para as pizzas quadradas azuis”. Se os autores de alguns blogues fossem meus caloiros penso que eu é que seria apanhado nas estórias deles.
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Rápidas: Novo Modelos para a Formaçao de Cometas



Os cometas que estão na nuvem de Oort, por vezes dirigem-se para o Sistema Solar. Algumas interacções desses corpos com a Via Láctea lançam-nos da nuvem de Oort para órbitas próximas da Terra.
A dinâmica dos cometas depende dos campos gravíticos de Júpiter e de Saturno. Na teoria actual, os cometas que passam perto desses gigantes gasosos são originários das bordas externas da nuvem de Oort. Apenas quando há perturbações gravíticas grandes deslocam os cometas da parte interna da nuvem.
Simulações feitas por Nathan Kaib e Thomas Quinn rejeita essa teoria, até agora aceite. Parece que, de acordo com as simulações, muitos dos cometas que passam a barreira Júpiter-Saturno são originários da região interna da nuvem de Oort. Ainda constataram que corpos da parte interna da nuvem poder ser lançados para a parte externa. Estes cometas sujeitos a variações bruscas tornando a suas órbitas mais longas, no momento em que atravessam a barreira formadas pelos gigantes gasosos, podem saltar sobre essa barreira.
Mais de metade dos cometas vindos da nuvem de Oort chega até nós dessa forma.

Fonte: Scientific American, "Não Está Gravado em Pedra (Nem no Gelo)", John Matson, Novembro 2009
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Criado Complexo de Golgi Sintético



Nos últimos 15 anos foram criados organelos celeluares sintéticos; o cromossoma humano, em 1997 e, no mesmo ano, ribossomas pelo tecnólogo molecular George Church e a sua equipa. O ano passado (2009) foi a vez de Robert Linhardt e a sua equipa criarem mais um organelo – o complexo de Golgi.
Este organelo modifica as proteínas, que entram num topo do complexo, são modificadas ao passarem pelas sucessivas bolsas e, por fim saem do lado oposto modificadas e activas.
Linhardt criou a versão sintética num chip com “1mm2 para simular a linha de montagem de enzimas que modificam uma biomolécula dentro do complexo de Golgi. As amostras de moléculas são presas a partículas magnéticas suspensas em uma gotícula aquosa de 300 bilionésimos de litro colocada num chip.”. É, ainda necessário aplicar uma carga eléctrica para que a molécula se diriga para onde deve.
Numa experiência com um precursor inactivo de heparina (anticoagulante) o organelo modificou de forma rápida, eficiente e tornou a heparina funcional. Esta técnica mostrou-se mais rápida e segura do que as técnicas actuais, que usam animais.
O investigador pretende agora criar um Retículo Endoplasmático, um organelo onde se acopla o ribossoma, o DNA e um tipo de RNA para que ocorra síntese de proteínas. “Estamos reproduzindo pedaços de uma célula em chips electrónicos com a esperança de conseguir sistemas cada vez mais complexos” (Linhardt).

Fonte: Scientific American, Bloco de Notas: “Golgi Sintético”, Charles Choi, Novembro 2009
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O Início do Universo: III - A Sopa de Quarks



Vamos viajar até antes do primeiro segundo ABB. Todo o Universo é uma sopa de quarks, leptões, fotões, bosões W e Z e os gluões. Sabemos que existiram pois os aceleradores de partículas recriaram as condições iniciais e provou-se a ocorrência destes componentes.
Neste momento começam a surgir respostas para as três grandes questões científicas nesta área - a natureza da matéria; a assimetria entre a matéria e a antimatéria; origem da granulosa sopa de quarks.
As grandes estruturas cósmicas estão unidas pela matéria escura. Neste momento há uma busca para “encontrar a estrutura unificadora para as forças e partículas da Natureza”. Esta procura levou à predição “de partículas estáveis (…) que poderiam construir a matéria escura”.
Um dos candidatos à matéria escura é o neutralino, com uma massa entre cem e mil vezes a o protão. Outro candidato é o axião. Esta é bastante leve, com apenas um trilionésimo da massa do electrão. Ambos os candidatos são “frios”, ou seja, movem-se lentamente. Assim, aglomeravam-se nas galáxias, e este poderá ser o segredo de porque existe mais matéria do que antimatéria.
No início havia um pequeno excesso de quarks em comparação com os antiquarks. Este pequeno excesso (1 quark para mil milhões de antiquarks) permitiu que à medida que o tempo ocorria cada vez mais matéria havia comparativamente à antimatéria.
Com a inflação as pequenas flutuações quânticas foram as sementes que se tornaram nas estruturas de hoje.
O grande problema da Física é a união, até agora incompatível, entre a Teoria da Relatividade Geral e a Teoria Quântica. A união destas duas teorias permite entender os momentos iniciais do Universo, os primeiros 10-43 segundos.
A teoria das cordas prevê onze dimensões, sete extra mais as quatro familiares. Duas descobertas teóricas baseadas nesta teoria prevêem um multiverso. Primeiro, as equações da inflação sugerem que esta deve ocorrer várias vezes. Em segundo, as regiões inflacionárias formadas têm parâmetros físicos diferentes.
Assim, podem ser dadas respostas às questões “o que aconteceu antes do Big Bang?” ou “porque é que as leis físicas são como são?”. A resposta será “dentro de uma infinidade de universos, todas as possibilidades para as leis da física foram tentadas. Tais universos diferentes não podem ser testados. Não podemos saber como será um universo diferente nem se existem pois há uma barreira incontornável entre os universos… isto é, se há outros universos. Não nos podemos esquecer que estão em jogo várias ideias.
Fonte: Scientific American, Turner, Michael, “Origem do Universo” 
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25/08/2010

O Mundo vai Acabar Várias Vezes ao Mesmo Tempo


Actualmente estamos a ser bombardeados pelos medos mais aterradores da História do nosso planeta… e do Universo. Ao navegar pela Web podemos ver que tudo vai acontecer daqui até 2012, desde acidentes de carro, torradas queimadas, cadeiras partidas, vulcões, extinções em massa, explosões de tudo e mais alguma coisa, etc…

Ao viajar no tempo para o passado, há cerca de 100 anos podíamos reparar que estávamos mais ou menos na mesma enxurrada de idiotices. Uma coisa é o que realmente acontece e outra são as especulações sobre o que poderia, eventualmente, acontecer. E outra, ainda, são as divagações pelo éter sobre o que acontece.

Em 1918 tivemos uma das maiores pandemias da História, mais de 20 milhões de pessoas morreram (a gripe de 1918 matou mais pessoas do que a própria guerra na altura!).

A gripe de 2009 não matou tanta gente mas, mesmo assim, houve muito mais medo. Já há pessoas que não percebem nada a especular que a vacina da gripe “não mata na hora”. Ou seja, aloja-se em nós e mata-nos só em 2012. Para quem tomou a vacina: aproveitem bem até 2012! Ou haverá outra gripe, a ser construída pelos cientistas para nos matar. *

                                              (*Mais acerca deste excerto no final)

Outro desastre que ocorreu em 1918 foi a erupção do vulcão Katla. O mesmo que os catastrofistas dizem que irá entrar em actividade já em 2012. Porquê? Porque dá jeito. Aconteceu em 1918, estamos cá, nós Humanos e muitos animais. Mas em 2012 é a sério, dizem eles.

Ainda em 1918 foi o ano em que acabou a 1ª Guerra Mundial. Nesta análise podemos reparar que 1918 podia ter sido o desastroso e impiedoso fim do mundo e até do universo! Mas não foi, a Guerra Mundial acabou e quem quer que fosse que nos quisesse matar não o conseguiu fazer… mas irá fazê-lo em 2012 porque também irá haver uma guerra – a 3ª Guerra Mundial, dizem os entendidos das conspirações.

Haverá, ainda, em 2012 um espectacular alinhamento planetário com todos os planetas do Sistema Solar e mais (!) entre a Terra e o centro da Galáxia (seja lá o que isso queira dizer) e ainda o alinhamento de outros planetas (não dizem quais) com o mesmo centro galáctico. Mesmo assim, não sei o que isso nos irá afectar. Talvez me nasça um calo no dedo do pé.

A somar a isto iremos presenciar a rapidíssima inversão dos pólos. Tal evento aconteceu, de facto, nos últimos milhares de anos. No entanto o acontecimento é complexo e demora muito, muito tempo. Não sei como mas os peritos nestas coisas de adivinhação (e que se sabe que acertaram em todas as catástrofes) dizem que vai acontecer de repente em 2012.

A lista continua. O próximo convidado será o big one, o sismo iminente na Califórnia. Este sismo irá devastar outravez a Terra, e com ele um grande tsunami.

Ao mesmo tempo haverá uma grande erupção, mais uma. Mas desta vez será o super vulcão de Yellowstone.

Recentemente descobriu-se que uma bolha de metano poderá, também, surgir e rebentar com tudo. Aqui, um artigo mais sério.

Tudo isto irá acontecer porque vem aí o Nibiru, um grande planeta. “É impossível”, “não se vê nada a partir dos telescópios” mas isso não interessa nada. Os cientistas são incompetentes e andam a esconder-nos essa informação. Ele existe. Não se vê, não se sente, não se ouve mas existe.

Em suma, uma grande lista de desastres. Somos uns grandes azarados, de facto.

É lamentável, sim é lamentável haver pessoas que acreditam que isto vai acontecer. É preciso 100% de imaginação, 0% cultura e 0% de espírito crítico. Pessoas destas existem, e não são poucas.
Acredito mais que uma pessoa ganhe o Euromilhões 10 vezes seguidas do que ocorra 1/3 destes desastres em 2012.


Afinal o que vai acontecer em 2012?
Vai acontecer muita coisa: gente a calçar sapatos, pessoas na casa-de-banho, aniversários, mortes, nascimentos, pessoas a ver televisão, a ouvir rádio, a ir às compras, a jantar fora, a jantar em casa, a tomar banho, a limpar o nariz, a coçar a cabeça, a dormir, a fazer negócios, enfim… a lista não acaba.. Ah! E pessoas a dizer “afinal o fim do mundo e todos os desastres são… em 2014!” Já vivemos dezenas de “fins-do-mundo”, temos aqui uma espantosa panóplia de mais de 20 datas! Faz-me lembrar aqueles péssimos vendedores que nunca mais entregam o produto ao cliente: “amanhá é que é mesmo”… “Agora é a sério, amanhã é que vai ser mesmo mesmo!”.










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Por fim, transcrevo um comentário que fiz num site em que o autor NÃO argumentava que a vacina para a gripe é letal e que “não mata na hora”, quando o confrontei com o baixo nº de mortes pós-vacinação.

De facto compreendo. Não és capaz de responder às questões mais técnicas.
É como dizer que as pessoas que fabricam chapéus de chuva encomendaram a chuva a um super aparelho mas não sei explicar tecnicamente como funciona. Acredito e pronto. Acredito porque até quero acreditar e porque tenho inveja dos milhões que esses malandros ganham à custa das pessoas que se molham.
Até posso inventar que esses malévolos senhores do mal colocam químicos nas águas para que penetre no nosso DNA e nos obrigue a não gostar de estar molhados e a comprar mais chapéus de chuva. Contudo não sei explicar (porque é mentira)como isso acontece. Também não me interessam os comentário que perguntam “então mas esses senhores malévolos e as suas famílias não ficam doentes quando apanham chuva? É um risco para eles também”. Claro que isto não interessa. E qual é a melhor resposta? É esta: “eles têm uma protecção especial baseada nos raios UV-A e UV-B que transformam os químicos maus em químicos bons.
Estes argumentos são tão maus… é como alguém dizer que o pão com manteiga faz mal porque o 9 é azul quando o leite se bebe com verde e porque o queijo é feliz. Não se percebeu nada. A mesma coisa acontece em ciência. Quem percebe repara que o texto tem palavras bonitas e caras mas não tem essência. Quem não percebe de ciência vê palavras bonitas e frases difíceis e logo acredita sem ter espírito crítico.
O espírito crítico é crucial para uma hipótese ser válida e deve ser seguido em tudo!
Se, ao questionarmos a hipótese e esta não souber responder deve ser deixada de lado e seguir a hipótese que responde melhor à pergunta. O teu comentário foi do género: “não percebo, não sei responder mas mesmo assim quero acreditar no pão com manteiga com queijo feliz e 9 azul”.
Recentemente tive um desgosto ao ver uma suposta cientista (acabada de formar) a dizer que não acreditava numa teoria só porque o namorado não acreditava. Ela não tinha argumentos para refutar, apenas dizia que não acreditava porque o namorado não acreditava. E quem era ele? Cientista? Não!
Pensa nisto,
Lê artigos pró e artigos contra, vê quem explica com mais detalhe e quem tem mais discernimento da realidade. Lê, afasta-te e pensa. Sê crítico, não acredites só porque dá jeito.

A resposta foi a que estava à espera: sem argumentos e com frases do tipo “estás sob o efeito das vacinas”, isto para alguém que não a tomou. É espectacular ver esta gente a tentar argumentar por meio de… gemidos.

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10/08/2010

Sobre as Pedras da Calçada


Muitos textos são produzidos por gente medrosa e com pouca cultura científica. O problema não é a falta de conhecimento. O problema é quando falam do conhecimento que não têm! Centenas, ou mesmo milhares, de post foram dissertados durante um ano sobre a gripe H1N1/2009, sobre o vulcão da Islândia, e sobre muitos outros acontecimentos.

-Vacina
Li, em muitos textos, que o governo norte-americano tinha produzido o vírus para matar 1/3 da população o povo tinha de ter uma vacina. Entretanto esta chegou. E o que li? Li que a vacina é que os ía matar! E agora? Mais uma vez não houve um desastre, uma dizimação. Talvez escrevam que morreram mas os governos escondem essa informação. Também posso dizer que o sol é azul mas toda a gente tem uma lente interna implantada pelos poderes do governo para vermos o sol amarelo. Então e a ciência que demonstra que o sol é amarelo? Isso não interessa, a ciência é manipulada. Reparem como é este tipo de pensamento… enfim.

-Pulseiras
Já aqui foi dissertado, e muito bem, sobre mais uma praga social. Custa-me a que charlatães andem a saquear as pessoas que não sabem diferenciar entre frases com sentido e frases sem sentido. Falta algum espírito crítico na nossa sociedade. Basta alguém dizer quatro palavras difíceis e técnicas para que as pessoas acenem com a cabeça e acreditem (e gastem €). Porque hei-de acreditar numa pessoa que diz algo que não compreendo em vez de acreditar num físico que me explica que não faz sentido e porquê? Por outro lado não tenho pena das pessoas que caem nestas estorinhas de extorquir dinheiro porque elas assim o querem. Ouvi um excerto de uma entrevista de um dos “péssimos” vendedores da pulseira. Ele dizia que havia dois hologramas com um fluxo de iões e com uma fórmula secreta (sim, secreta) que só os construtores sabiam. Isto faz-me lembrar as teorias da conspiração e as hoaxes.

-Outras formas (iridologia)
Há métodos de diagnóstico que podem ser usados com alguma credibilidade científica, como é o caso da iridologia, mas apenas como diagnóstico e com algumas falhas. Contudo há quem aproveite e passe do simples diagnóstico a tratamentos com medicamentos naturais (coisa que não compreendo são os medicamentos naturais…). A conversa é muito bonita para quem não compreende nada de fisiologia ou de química (é como aquelas pessoas que compram o creme que ajuda o DNA) mas de conteúdo não tem nada. Denotei que algumas pessoas sentiam o efeito placebo. Cheguei a ouvir que “isto faz tão bem que sinto logo os efeitos mesmo antes de tomar a medicação do dia”. Obvio que ao ouvir isto a charlatã diz que é esse mesmo o efeito do medicamento, por ser natural (mais uma vez não consigo compreender o que é um medicamento natural… ou não natural).

Outra coisa que não compreendo é porque é que se quer o equilíbrio? Aprendi que o equilíbrio é a morte. Em bioquímica, em termodinâmica, etc. tudo o que está em equilíbrio está morto.

-CME
Recentemente chegaram CMEs à Terra. Estou curioso para ler alguns post que irão incidir sobre os governos e que vão referir que as CME são armas superpoderosas e que nos querem matar de alguma forma. Neste momento espanta-me que ainda não tenha aparecido (que eu saiba) nenhum post relativo às CMEs.

-A pedra da calçada
Agora algo mais sério. Há pedras da calçada que têm uma estrutura simétrica perfeita para que o fluxo iónico das moléculas de calcário permaneça na pedra. Assim, ao ser colocada ao pescoço influencia o nosso corpo através dos fluxos quânticos. Esta pedra é purificada com instrumentos da tecnologia ultra-secreta da NASA e só custa €30 cada. Aposto que seria um bom negócio de verão, pedras da calçada por 30 euros cada! Aproveitem porque Portugal tem uma população propícia a estas coisas. Obviamente que, para fazer efeito terá de vir a uma consulta que só custa €40 para a pedra de dizer de que males sofre e levará algumas gotinhas pelo valor de €50. São gotinhas milagrosas que terá de esfregar na zona onde dói para que a pedra faça efeito.


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Temos de construir o nosso crivo para todas estas situações. Esta construção advém de treino e leitura. É para quem quer e para quem pode.

Agora ainda mais a sério. Eu tenho a solução para os seus problemas. E sim, gasta-se algum dinheiro. Guarde alguns euros e compre livros simples de ciência, vá a blogues como este para ver a charlatanice que há por aí. Como poupar dinheiro: Simples, não caiam nestas aldrabices e ainda poupam nos medicamentos naturais e zen propostos por esses ladrões. Acredite que, mesmo comprando bens livros irá poupar centenas de euros.

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09/07/2010

Dimensões Extra e a Nossa Visão das Coisas (também literalmente)



Imaginemos um universo de 2 dimensões: a Planilândia, onde só existem as dimensões de comprimento e de largura. Os seus habitantes são figuras planas e só conhecem os sentidos trás, frente, esquerda e direita (Obviamente aqui falta a dimensão temporal). Apenas os físicos e matemáticos desse mundo plano têm noção de que existem outra dimensão – altura. Os habitantes planos não compreendem essa visão matemática porque não a conseguem imaginar. Está fora do seu alcance experimental. Os matemáticos sabem-no pelas equações complicadas.
Uma figura plana veria apenas o segmento mais perto de outro habitante, uma das arestas por exemplo.
Agora entra em cena um personagem da 3ª dimensão, uma maçã. Esta pode ver coisas que nunca um plano viu. Consegue ver o interior das casas e dos habitantes, uma espécie de raios X. O habitante plano ao ver a maçã a aproximar-se assusta-se pois esta rebola e os pontos de contacto com o solo vão alterando à medida que esta se vai deslocando pela Planilândia.
A certa altura permite ao quadrado uma experiência única. Atira-o ao ar e o habitante plano descobre a altura, vê o interior das casas e dos companheiros. Desfruta de uma visão privilegiada do seu mundo.
Por fim, ao cair os seus companheiros acham estranha a sua espontânea materialização à sua frente, depois de ter desaparecido misteriosamente da sua casa. Mas ele simplesmente esteve por cima deles, num local nunca antes experimentado e não compreendido por aqueles habitantes.
Esta é uma estória que espelha um pouco da investigação e do que podemos esperar das dimensões extra.
A incompreensão dos pessoas leigas sobre a matéria que os cientistas estudam e a sua tentativa de explicar. Como os habitantes da planilândia nunca tinham experienciado tal dimensão e como não a podiam ver desacreditavam os cientistas. Hoje é igual, muita gente quer ver claramente, como um desenho o que está nas fórmulas matemáticas e quer uma explicação simples do que é complexo. Quando há uma boa analogia simples esta torna-se simples demais e denotam-se falhas na explicação. Por este motivo, uma analogia é apenas isso, uma explicação redutora ou uma introdução simples à explicação complexa.
Outro facto a retirar deste conto é que devemos ter a mente aberta a novas explicações e aventurar-nos nas ideias. Muitas vezes a ficção tornou-se realidade e não devemos desprezar uma hipótese antes de a testar (se for possível). Por um motivo, não conhecemos o nosso mundo de 4 dimensões (3 espaciais e uma temporal) tão bem como um suposto ser de 11 dimensões (as descritas pela teoria de cordas).

Estória retirada do livro “Cosmos” de Carl Sagan, 5ª Edição, pgs 304/305

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22/06/2010

O Novo Poder das Vacinas II - Imitar Para Proteger



Na década de 1880 William Colley descobriu uma técnica para estimular a resposta imunológica. Descobriu os adjuvantes.
Já no século XX Gaston Ramon e Alexander Glenny experimentaram tapioca e hidróxido de alumínio para potenciar o efeito das vacinas contra o tétano. Durante os anos 30 foi descoberto que os antigénios suspensos em emulsões de óleo e água podem aumentar o mesmo efeito. Contudo, muitos destes aditivos aprestentavam efeitos indesejados.
Após ter havido uma diminuição no interesse pelos adjuvantes, o HIV, nos anos 80, motivou uma pesquisa de novas combinações de adjuvantes para tentar combater o vírus.
Em 1997 ocoreu uma descoberta bastante importante nesta área: há receptores celulares especializados em reconhecer padrões de parte de microrganismos. Detectam patógenos e fornecem o sinal de perigo que estimula as células dendríticas. Os receptores Toll-like (TLR) são os mais importantes para accionar as células dendríticas.

Novas Vacinas
Nos anos 80 e 90 houve uma tentativa de identificar adjuvantes naturais, e também sintéticos para modular a resposta imunitária. Os adjuvantes tradicionais, o alume e as emulsões de óleo em água (MF59 e AS03) estão aprovadas na Europa para uso nas vacinas da gripe.
Os avanços científicos permitiram a eliminação de elementos tóxicos nos adjuvantes e misturar substâncias para que a resposta imunitária fosse optimizada. Surgiu, assim, um novo adjuvante, o monofosforil lipídio A (MLP), produzido pela desintoxicação e purificação de um lípido da molécula LPS.
Uma nova vacina foi desenvolvida por um grupo de investigadores. É baseada no antigénio RTS,S, formado por uma proteína recombinante presente na superfície do parasita da malária. Conecta-se à superfície do antigénio da hepatite B para estimular o reconhecimento. Esta molécula é administrada com uma mistura de adjuvantes (emulsão de óleo em água, MPL e QS21 e extrato vegetal). A vacina foi testada e 71% dos receptores foram protegidos da contaminação. Outros testes demonstraram protecção em 30% das crianças e a incidência de sintomas graves foi reduzida 60%. Este é o sucesso das vacinas que combinam antigénios e adjuvantes para produzir a resposta imunitária requerida.
A vacina experimental contra a gripe, com emulsão de óleo em água AS03 gerou níveis de anticorpos de 90,5% dos receptores com 65 anos. Os adjuvantes são importantes para casos de epidemias e pandemias. Quando é necessário vacinar uma grande quantidade de indivíduos é necessário, também, menos quantidade de antigénios. Assim, uma vacina com adjuvante pode ter apenas um terço da quantidade de antigénio, como demosntrou a vacina experimental para a H5N1.

Novos Adjuvantes
Os lipossomas transportadores já são utilizados para encapsular medicamentos. Vesículas poliméricas de antigénios feitas de polissacáridos naturais têm a vantagem de incorporar substâncias imunoestimulantes naturais.
Os investigadores perceberam que a sinalização inicial das células dendríticas determina a resposta de acordo com o tipo de ameaça. Desta forma, ao realizar combinações de adjuvantes pode-se estimular o sistema imunitário da melhor forma.

Fonte: 
Nathalie Garçon e Michel Goldman, "O Novo Poder das Vacinas" Scientific American, Novembro 2009


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26/05/2010

O Novo Poder das Vacinas I - O Ressurgir



Há mais de 200 anos que as vacinas mostram serem o método mais económico e mais bem-sucedido de prevenção de doenças infeccionas. Foram elas que, em 1979, erradicaram a varíola e prometem a eliminação da poliomielite, sarampo e malária.
Desde o século X, na China e na índia, até ao século XVIII, na Turquia e Médio Oriente existia a variolização, que consistia na inoculação, braço a braço, a partir do fluido vesicular das lesões. Esta foi a primeira vacina, com muito pouca higiene e com muito perigo e, claro, elevada mortalidade. Em 1774 começou a ser utilizado o vírus da varíola bovina na profilaxia da varíola humana e em 1796 aconteceu a sistematização do método de vacinação, com “vacina viva”(atenuada) deste vírus. Dois anos depois foram publicados os primeiros resultados, por Edward Jenner.
Hoje parece haver uma grande oposição à prática da vacinação, mas isto não é actual. Já no século XIX, em 1802 James Gillray escreveu “The Cow Pack or the Wonderful Effects of the New Inoculation” no “The Publications of the Anti-Vaccine Society”.
Contudo, a ciência avançou e criou a vacina anti-rábica, em 1882, por Louis Pasteur. Em 1956 a OMS lança o “Programa de Erradicação da Varíola”, que se verificou vinte e três anos mais tarde.
Uma vacina não é mais do que uma infecção controlada. É introduzida uma amostra do agente infeccioso para que o sistema imunitário o reconheça e obtenha “dados” para o poder atacar aquando da próxima infecção natural. Os mais idosos têm o seu sistema imunológico fraco e pode não responder de forma eficiente ao tratamento.
São necessários estimuladores do sistema imunológico, chamados adjuvantes. Alguns adjuvantes são usados, há mais de um século, para melhorar as vacinas.
Uma contaminação natural confere imunidade para uma futura investida do agente infeccioso. Uma vacina ideal consistiria numa única dose e, se possível, conferir protecção para outros agentes. Ideal é também promover a acção dos mais variados agentes celulares do sistema imunológico.
O patógeno entra no organismo e encontra as células do sistema imunitário inato, macrófagos e células dendríticas. Estas duas células destroem agentes patogénicos e as células infectadas). Ao digerir as células infectadas e os agentes patogénicos exibem as amostras do invasor – os antigénio. Assim as células do sistema imunitário adaptativo, os linfócitos T e B. As células apresentadoras de antigénios libertam citocinas (substâncias sinalizadoras) que induzem a inflamação e alertam os linfócitos B e T.
Os linfócitos B libertam anticorpos e os infócitos T cititóxicas capturam e destroem as células já infectadas. As vacinas introduzem patógenos por forma a replicar o efeito imunológico.
As “vacinas vivas”atenuadas reproduzem-se lentamente mas apresentam antinénios e, assim, podem estimular uma resposta imunológica robusta. Contudo não devem ser administradas a indivíduos com problemas imunológicos. Um perigo destas vacinas é o facto de os vírus destas vacinas serem atenuados por mutações pontuais na zona de acoplamento do ribossoma. Com estas mutações o ribossoma não reconhece a cadeia, não acopla e não sintetiza as proteínas de reprodução viral. Mas, como a mutação é efectuada numa pequena extensão do DNA/RNA, pode ocorrer uma reversão da mutação e tornar o vírus novamente virulento.
As vacinas mais eficazes são as de subunidades, que contêm pedaços de vírus para que sejam reconhecidos sem a capacidade de haver uma replicação.
As células dendríticas, com antigénios migram para os gânglios linfáticos, onde sinalizam e provocam a resposta dos linfócitos B e T. Sem os indicadores de perigo estas células não conseguem amadurecer nem migrar. Então, as vacinas de subunidades necessitam de adjuvantes para ampliar o fluxo de citocinas, moléculas sinalizadoras, para que haja uma resposta mais eficiente.
O adjuvante alume (sais de alumínio) é dos mais antigos. Desde os anos 30 que é utilizado com eficácia. Mas é insuficiente em vacinas contra infecções que requerem mais do que protecção por anticorpos. Então, uma vacina necessita, também, de estimular não só as células dendítricas mas também os linfócitos T. Por este motivo há uma grande investigação na produção de adjuvantes mais eficientes.

Fontes:
Nathalie Garçon e Michel Goldman, "O Novo Poder das Vacinas" Scientific American, Novembro 2009

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21/05/2010

E, no Sexto Dia, Criou Craig Venter a Vida


Nos últimos 15 anos foram criados organelos celeluares sintéticos; o cromossoma humano, em 1997 e, no mesmo ano, ribossomas pelo tecnólogo molecular George Church e a sua equipa. O ano passado (2009) foi a vez de Robert Linhardt e a sua equipa criarem mais um organelo – o complexo de Golgi. (Universo Paralelo)

Agora, depois de 57 anos da experiência de Urey-Miller, por geração expontânea, magia, deus ou homem, o que é certo é que Craig Venter e a sua equipa criaram, pela primeira vez, uma bactéria totalmente feita a partir de componentes sintéticos.

O Genoma da bactéria é constituído por letras de DNA (A, G, C, T) de forma a codificar informação proteica. Estes quatro nucleótidos são compostos químicos de bases azotadas, pentoses e açúcares e podem ser unidos uns aos outros em laboratório. Assim, pode-se criar um código igual ao da bactéria natural e… voilá, aconteceu! (obviamente não é assim tão fácil).

A saga de Craig começou há mais de 15 anos e custou 40 milhões de dólares. Afinal não foi ao 6º dia... foi, antes, ao 5475º dia.

“O nascimento desta primeira forma de vida artificial ficará registado para a posteridade nas páginas da edição de sexta-feira da revista Science (e na Web, desde hoje). “Esta é a primeira célula sintética jamais fabricada”, afirma Venter, “e dizemos que é sintética porque a célula é totalmente derivada de um cromossoma sintético.”” (Público)


As bactérias sintéticas aparecem nesta imagem, são azuis e iguais às naturais de que são cópia.

Começou a Era da Biologia Sintética.

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20/05/2010

Chove Água... e Animais!



Estamos habituados e ver, ouvir e sentir pingos de água de várias formas cair do céu. Por vezes a chuva vem em forma de gelo de tamanhos pequenos ou até do tamanho de bolas de golfe! Mas a chuva de sapos ou peixes e, por vezes, pássaros não é recorrente. Estes bichos vindos do céu podem vir congelados pelas temperaturas gélidas a grandes altitudes e alguns conseguem chegar vivos ao solo. Raramente ocorre a queda de pedaços de animais. Sim, pedaços de animais.
Exitem relatos bastante antigos. A Bíblia relata que o exército de Josué foi auxiliado por uma chuva de pedras sobre o exército amorita. Ainda na Era a.C., no século IV, Ateneu menciona uma chuva de peixes que durou três dias!
Já no século I há a descrição, por um naturalista – Plínio, o Velho -, de uma chuva de pedaços de carne, de sangue e lã.
Mais recentemente, em 1578, ratos caíram em Bergen, Noruega. Em Inglaterra, a aldeia de Acle viu cair uma chuva de sapos. E na cidade de Essex choveram salmões, arenques e pescadas! Obviamente que os comerciantes locais aproveitaram esta dádiva.
Em 1794, os soldados franceses que estavam em Lalein, França, narraram uma chuva de sapos durante uma chuvada. Em 1857, em Kentucky, uma mulher avisou pedaços de carne de veado a cair do céu. Quatro anos depois, após um terramoto, choveram mais peixes em Singapura.
No ano de 1873 a Scientific American noticia uma tempestade de sapos sobre a cidade de Kansas, Missouri. A mesma revista, em 1977 regista um aguaceiro de serpentes em Memphis.
Ainda no século passado ocorreu a chuva mais curiosa: uma chuva de moedas… do século XVI, na Rússia, trazidas por um tornado. Em 1953 rãs caíram sobre Leicester, Massachusetts, Estados Unidos. No ano seguinte foi a vez de Birmingham assistir a uma queda livre de sapos. Em 1968 outra chuva macabra, desta vez no Brasil, de carne e sangue.
No ano da primeira alunagem, 1969, caíram em Punta Gorda, Florida, bolas de golfe e, no mesmo ano, foram canários a chover em Maryland. Mais uma chuva de pássaros aconteceu em 1976, em San Luis Obispo, Californi, com uma chuva de melros e pombos. Durou dois dias.
Dois anos passaram para outro animal ser “escolhido” para cair sobre a terra. Na Austrália choveram carangueijos.
Já neste século, em 2002, voltou a chover peixe, nas montanhas gregas. Em 2007 choveram rãs em El Rebolledo, Espanha e, já este ano a Austália foi novamente prendada com este “milagre”: Na pequena localidade australiana de Lajamanu, os seus 650 habitantes foram ontem surpreendidos por uma chuva de peixes.”. O jornal Daily Mail refere que os peixes estavam vivos quando chegaram ao solo e os habitantes não perderam a oportunidade de os apanhar.”.

Nesta imagem podemos ver onde fica Lajamanu. O mar situa-se a mais de 200 km mas há lagos, como mostra a imagem, a uma distância menor, no Purnululu National Park.

Explicações: Paranormais

Uma das formas de explicar este fenómeno é a intervenção de extraterrestres ou deuses. Estas chuvas são interpretadas como castigos ou dádivas, dependendo do que caía. É um pouco como estas mesmas explicações hoje em dia, é à medida do humor de quem interpreta. É como convém. De facto, para ser verdade deveria ser provável tal explicação com uma evidência. Nunca ninguém viu um OVNI ou um Deus a lançar sapos para assustar, peixes para alimentar ou calhaus para castigar (convenhamos que não será de um qualquer deus um castigo destes…).
Outra explicação, bem mais rebuscada é a de dimensões extra pelas quais os objectos ou animais seriam teleportados de um local para outro.
Todas as hipóteses carecem de uma explicação plausível e, se possível com evidências. A que demonstrar mais evidências é a mais aceite. Bem, em teoria, pois há muita gente que prefere não ver as evidências e acreditar no que nunca foi visto…

Explicações: Normais

Então vamos lá à explicação mais plausível e séria:
Uma tromba de água, um tornado em água suga água e os animais que estejam nas proximidades. Os ventos fortes transportam todo o material sugado pelo tornado até alturas elevadas. Depois é esperar por pressões baixas e… chover.
Um tornado pode sugar toda a água de um pequeno lago e toda a sua fauna. Posteriormente deixa cair tudo o que sugou a quilómetros de distância.
Uma característica é que quando chovem animais, tal evento ocorre com uma tempestade e os animais são pequenos e leves. No entanto há curiosidades sem resposta, como o porquê de não choverem animais diferentes, a chuva de animais é homogénea e, também, o porquê de não choverem plantas ou algas com os animais, já que os ventos fortes que elevam os animais podem também arrancar plantas.
Podemos ver uma imagem Doppler que revela uma tempestade a colidir com um bando de morcegos (a cor vermelha indica o movimento dos morcegos em direcção à nuvem).
 

Ver mais:

Ciência Hoje

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19/05/2010

Maré Negra na Nossa Direcção?


A maré negra, originária do acidente de 20 de Abril na plataforma da BP Deepwater Horizon, começou a espalhar-se no Golfo do México e já terá entrado na Loop Current, em direcção à Flórida.

Bernard Chapron, investigador do Ifremer, diz que "as águas turbulentas da corrente vão acelerar a mistura da água e petróleo" e que "a poluição deverá afectar o ecossistema da barreira de coral" das Florida Keys, a terceira barreira de coral do planeta.







Aqui podemos ver a loop current, que se liga com a corente do Golfo.

A Corrente do Golfo é a corrente que banha a costa portuguesa. É uma corrente quente, por esse motivo a costa de Portugal, principalmente o litoral sul, é quente. Como podemos ver na imagem seguinte:
Podemos ver, então, por onde se poderá espalhar o petróleo...

Fontes:
Wikipédia
WikipédiaII
Público

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Rápidas: Descoberto o 1% da Matéria que Faltava!


O Universo é composto por Matéria e Energia. Cerca de 73% é Energia Escura e 27% é Matéria. Agora centre-mo-nos nos 27% de Matéria:
- 22% é Matéria Negra, não bariónica composta por partículas exóticas e desconhecidas.
- 5% é Matéria bariónica, os protões, neutrões, electrões, enfim, toda a matéria que conhecemos
- 4% é matéria bariónica negra, a famosa matéria negra. Composta essencialmente por gás intergaláctico e que já foi detectada.
- menos de 1% é Matéria visível. Toda a que vemos. Ou seja, todo o Universo visível é, na verdade menos de 1% do que é na realidade.

A 400 milhões de anos-luz, num "muro de galáxias" chamado Sculptor Wall, foi detectada matéria normal (parte daqueles "menos de 1%") que, até agora, ainda não tinham sido detectados e que estavam em falta.

Podem ler aqui mais.

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15/05/2010

O Clima no Mundial


Já que estamos perto do Mundial de Futebol 2010, na África do Sul vamos ver algo de curioso.

Portugal situa-se numa zona do Globo bastante rara, tem um clima Mediterrânico. Este clima existe em pequenas extensões: na bacia mediterrânica (Sul de Portugal, Espanha, Grécia, Norte de Marrocos, Argélia e Egipto), costa Oeste dos Estados Unidos (Califórnia); Sudeste da Austrália; Sul do Chile e ponta Sul da África do Sul. O mapa seguinte mostra as raras zonas onde ocorre este tipo de clima:
Este clima o único em que o Verão é a estação seca. O seguinte gráfico mostra a linha da temperatura e as barras de pluviosidade ao longo do ano:
Podemos reparar que a temperatura nos meses entre Maio e Setembro fica acima das barras de pluviosidade, o que quer dizer que esses meses são secos.

Portugal vai jogar os três jogos da fase de grupos em três cidades da África do Sul: Port Elizabeth, Durban e Cape Town:

Só na zona de Cape Town é que ocorre o clima Mediterrânico. Os jogadores habituados a jogar em Portugal, sul de Espanha... enfim na Bacia Mediterrânica não vão ter problemas em se adaptar a este clima, já que é o mesmo.

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12/05/2010

Canal C - Método Inovador Permite Chumar quem Queremos!


Nas Universidades aparecem, por vezes, métodos inovadores. Agora venho com um método inovador de passar os alunos que quero e chumbar os que não me servem para nada (ou cujos progenitores não me servirão de nada, nem me pagam nada). O método tem cerca de 5 passos e tem de ser feito com cuidado e com um workshop em teatro.



1- Apresentação de Resultados
Temos à nossa disposição vários indivíduos de 2 ou 3 cursos diferentes. Pretendemos passar à “sucapa” o maior número possível daqueles que nos pagam de alguma forma. Este método inovador permite escolher de forma que parece aleatória. Ora é assim, fazemos um teste para todos os alunos - o 1º teste. Posteriormente aterrorizamos alguns, escolhidos ao nosso gosto, com a frase “tu, tu e tu têm uma nota muuuito baixa” (mas cuidado para não mostrar notas, isto se existirem notas). As notas não poderão ser afixadas, se nem sequer existirem será melhor.

2- Dar um Doce Envenenado
Para dar um ar de preocupação e de muito boa vontade (para não haver represálias e minimizar as investigações) teremos de dar um docinho. Cá vai, “aos que tiveram má nota dou a oportunidade especial de repetir o teste”. Infelizmente terá de ser logo a seguir ao 2º teste. O que quer dizer que todos fazem o 2º teste e, logo de seguida, cansados, os que chumbaram ao primeiro terão de o fazer de seguida.

3- Separação dos Escolhidos
Para não dar nas vistas, e para chumbar os que quero sem me apontarem o dedo e sair com imagem “limpa”, o melhor a fazer é juntar os que vão chumbar numa sala diferente, mesmo para fazer o 2º teste. 
Aqui estão os dois grandes segredos: os pontos 4 e 5 são cruciais.

4- Teste Diferente
 O 2º teste dos que vão passar é diferente do 2º teste dos que quero chumbar.

5- Roubar Tempo
Mais ainda, os que vão passar têm mais 20 minutos para o fazer.

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Obviamente que os que passam também têm de fazer algum teatro... mas muito mau... Reparei que quem saiu do 2º teste (que vão passar) não se lembravam das perguntas do teste. Disseram apenas que tinha quadrados e perguntas para responder. Ora, ou esta gente é bêbeda ou drogada, ou então não sei o que se passa.
Continuo sem perceber porque é que quem fez o "2º teste que vai chumbar" entrou às 14:15 e teve de sair à força às 15:48 e quem fez o "2º teste que vai passar" entrou à mesma hora e saiu às 16:09 (e sem pressas)! O teatro dos alunos não resultou, vão chumbar no teatro e na ética. O mesmo resultado para a docente. As provas estão aí e só não vê quem não quer.
Tanto o método como os alunos favorecidos são do... Ca...tano. E os outros são ca...stigados sem merecer.

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08/05/2010

A Grande Fertilidade… enfim


Há um tempo coloquei aqui um post em que tentava antever, com algum humor, uma conspiração face à erupção de um vulcão na Islândia. Descobri dois blogues dedicados a uma grande fertilidade de ideias imaginativas (este e este). Um dos autores refere que o espaço aéreo foi fechado sob falsos pretextos. Baseado em imagens de satélite, afirma que não houve nuvem de cinzas vulcânicas e que o céu estava claro. Mais à frente refere que era tão fina que a sua densidade, acima do Reino Unido, era de um vigésimo do limite de perigo.

Refere ainda que o MetOffice gerou um retrato de uma nuvem a dirigir-se para sul.

Um dos pretextos seria o de destruir a economia europeia e a moeda única.

Outro dos pretextos, e este é bastante mirabolante, é o seguinte:

“A erupção foi causada por tecnologia humana”, foi intencional e serviu para os illuminati criarem o medo e distracções na população “para evitar o reconhecimento oficial da presença de civilizações extraterrestres”. Estes senhores cientistas denominados illuminati querem “evitar a divulgação televisiva que introduza a nossa família espacial.”(!!!)

Eu, numa tentativa de antever uma suposta conspiração pensei ter levado a minha imaginação um pouco longe ao conseguir relacionar empresas tão distantes quanto empresas de aviação, uma ferroviária e estas todas com um mecanismo de investigação do outro lado do mundo. E ainda, isto tudo com um vulcão que entrou em erupção a meio caminho. Leiam o meu post.

Agora reparo, ou não tenho uma imaginação muito fértil ou então há gente que me ultrapassa em muito nessa condição. De facto, alguns autores de blogues conseguem relacionar empresas de aviação, governos (como é óbvio, e eu esqueci-me disso na minha estória) um organismo chamado MetOffice, a economia de um continente, uma moeda e um grupo de pessoas de estórias de ficção (falo dos illuminati e dos ETs).

Enquanto escrevo estas ligações muito pouco perceptíveis lembro-me de uma das praxes que dava aos meus caloirinhos. Pedia-lhes textos a relacionar as coisas mais estapafúrdias tais como “qual a relação entre as folhas laranja do eucalipto do deserto quente da Sibéria com o espaço Kalabi-Yau, e o que isso contribui para as pizzas quadradas azuis”. Se os autores de alguns blogues fossem meus caloiros penso que eu é que seria apanhado nas estórias deles.

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06/05/2010

Rápidas: Novo Modelos para a Formaçao de Cometas



Os cometas que estão na nuvem de Oort, por vezes dirigem-se para o Sistema Solar. Algumas interacções desses corpos com a Via Láctea lançam-nos da nuvem de Oort para órbitas próximas da Terra.
A dinâmica dos cometas depende dos campos gravíticos de Júpiter e de Saturno. Na teoria actual, os cometas que passam perto desses gigantes gasosos são originários das bordas externas da nuvem de Oort. Apenas quando há perturbações gravíticas grandes deslocam os cometas da parte interna da nuvem.
Simulações feitas por Nathan Kaib e Thomas Quinn rejeita essa teoria, até agora aceite. Parece que, de acordo com as simulações, muitos dos cometas que passam a barreira Júpiter-Saturno são originários da região interna da nuvem de Oort. Ainda constataram que corpos da parte interna da nuvem poder ser lançados para a parte externa. Estes cometas sujeitos a variações bruscas tornando a suas órbitas mais longas, no momento em que atravessam a barreira formadas pelos gigantes gasosos, podem saltar sobre essa barreira.
Mais de metade dos cometas vindos da nuvem de Oort chega até nós dessa forma.

Fonte: Scientific American, "Não Está Gravado em Pedra (Nem no Gelo)", John Matson, Novembro 2009

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05/05/2010

Criado Complexo de Golgi Sintético



Nos últimos 15 anos foram criados organelos celeluares sintéticos; o cromossoma humano, em 1997 e, no mesmo ano, ribossomas pelo tecnólogo molecular George Church e a sua equipa. O ano passado (2009) foi a vez de Robert Linhardt e a sua equipa criarem mais um organelo – o complexo de Golgi.
Este organelo modifica as proteínas, que entram num topo do complexo, são modificadas ao passarem pelas sucessivas bolsas e, por fim saem do lado oposto modificadas e activas.
Linhardt criou a versão sintética num chip com “1mm2 para simular a linha de montagem de enzimas que modificam uma biomolécula dentro do complexo de Golgi. As amostras de moléculas são presas a partículas magnéticas suspensas em uma gotícula aquosa de 300 bilionésimos de litro colocada num chip.”. É, ainda necessário aplicar uma carga eléctrica para que a molécula se diriga para onde deve.
Numa experiência com um precursor inactivo de heparina (anticoagulante) o organelo modificou de forma rápida, eficiente e tornou a heparina funcional. Esta técnica mostrou-se mais rápida e segura do que as técnicas actuais, que usam animais.
O investigador pretende agora criar um Retículo Endoplasmático, um organelo onde se acopla o ribossoma, o DNA e um tipo de RNA para que ocorra síntese de proteínas. “Estamos reproduzindo pedaços de uma célula em chips electrónicos com a esperança de conseguir sistemas cada vez mais complexos” (Linhardt).

Fonte: Scientific American, Bloco de Notas: “Golgi Sintético”, Charles Choi, Novembro 2009

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03/05/2010

O Início do Universo: III - A Sopa de Quarks



Vamos viajar até antes do primeiro segundo ABB. Todo o Universo é uma sopa de quarks, leptões, fotões, bosões W e Z e os gluões. Sabemos que existiram pois os aceleradores de partículas recriaram as condições iniciais e provou-se a ocorrência destes componentes.
Neste momento começam a surgir respostas para as três grandes questões científicas nesta área - a natureza da matéria; a assimetria entre a matéria e a antimatéria; origem da granulosa sopa de quarks.
As grandes estruturas cósmicas estão unidas pela matéria escura. Neste momento há uma busca para “encontrar a estrutura unificadora para as forças e partículas da Natureza”. Esta procura levou à predição “de partículas estáveis (…) que poderiam construir a matéria escura”.
Um dos candidatos à matéria escura é o neutralino, com uma massa entre cem e mil vezes a o protão. Outro candidato é o axião. Esta é bastante leve, com apenas um trilionésimo da massa do electrão. Ambos os candidatos são “frios”, ou seja, movem-se lentamente. Assim, aglomeravam-se nas galáxias, e este poderá ser o segredo de porque existe mais matéria do que antimatéria.
No início havia um pequeno excesso de quarks em comparação com os antiquarks. Este pequeno excesso (1 quark para mil milhões de antiquarks) permitiu que à medida que o tempo ocorria cada vez mais matéria havia comparativamente à antimatéria.
Com a inflação as pequenas flutuações quânticas foram as sementes que se tornaram nas estruturas de hoje.
O grande problema da Física é a união, até agora incompatível, entre a Teoria da Relatividade Geral e a Teoria Quântica. A união destas duas teorias permite entender os momentos iniciais do Universo, os primeiros 10-43 segundos.
A teoria das cordas prevê onze dimensões, sete extra mais as quatro familiares. Duas descobertas teóricas baseadas nesta teoria prevêem um multiverso. Primeiro, as equações da inflação sugerem que esta deve ocorrer várias vezes. Em segundo, as regiões inflacionárias formadas têm parâmetros físicos diferentes.
Assim, podem ser dadas respostas às questões “o que aconteceu antes do Big Bang?” ou “porque é que as leis físicas são como são?”. A resposta será “dentro de uma infinidade de universos, todas as possibilidades para as leis da física foram tentadas. Tais universos diferentes não podem ser testados. Não podemos saber como será um universo diferente nem se existem pois há uma barreira incontornável entre os universos… isto é, se há outros universos. Não nos podemos esquecer que estão em jogo várias ideias.
Fonte: Scientific American, Turner, Michael, “Origem do Universo” 

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