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Liberdade: Vá para fora!

Para comemorar a liberdade que ganha à 33 anos, decidimos usufrui-la.
Fomos a caminho de Espanha (onde não se via a não ser portugueses... os espanhóis estavam a trabalhar). Fomos ao encontro das Tapas e dos preços baixos.
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Religião vs Ciência e Filosofia

«Da filosofia à ciência o processo é contínuo, e já foi repetido em muitos domínios. «De que é feita a matéria?» era uma pergunta filosófica até se compreender o suficiente para formular hipóteses testáveis e, eventualmente, um modelo científico bem fundamentado. Há séculos que andamos nisto, avançando mais nuns domínios que noutros. E cada avanço levanta mais perguntas que é preciso compreender, e, uma vez compreendidas, tentar responder. Perguntas filosóficas que se transformam em perguntas científicas que dão respostas científicas e levantam novas perguntas filosóficas.»

«Nem a filosofia pode vencer a ciência nem a ciência vencer a filosofia. São ambas parte do mesmo processo de compreensão. Mas o [leitor] tem razão em se preocupar com a religião, que sempre foi a roda quadrada desta carroça. A religião assume que já sabe as respostas e nem sequer gosta de perguntas. Enquanto as outras se ajudavam e avançavam a religião ficou na mesma, cada vez mais isolada da realidade.»(«Ciência, Filosofia e Religião.», no Que Treta!)

«Para além disso, a ciência assenta em verificação experimental e a religião assenta na fé, que por definição dispensa qualquer tipo de comprovação, pelo que as duas abordagens ao conhecimento são completamente irreconciliáveis. E considerando que ao longo de boa parte da História da humanidade se tentou arduamente aproximar ambas parece pouco provável que a conciliação alguma vez aconteça» («O perímetro da ignorância», no De Rerum Natura)

http://www.ateismo.net/diario/2007/04/atesmo-na-blogosfera_20.php
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A lei do mais apto

"Não é a mais forte das espécies que sobrevive, nem a mais inteligente, mas aquela que melhor reage à mudança."
Charles Darwin (1809-1882)



http://terraquegira.blogspot.com/
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Diagnóstico genético não deve ser usado para escolher características



O parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida pronunciou-se sobre o Diagnóstico Genético Pré-Implantação. Esta técnica tem a capacidade de identificar o sexo do bebé que o embrião estudado der origem e a existência de de anomalias genéticas que são causa de doenças hereditárias e de malformações congénitas graves (hemofilia, "doença dos pezinhos").


O conselho considera contudo que a utilização desta técnica para a selecção de embriões em função de características físicas que não estão associadas a qualquer patologia, designadamente, para escolha ou melhoramento de características consideradas normais é eticamente inaceitável.
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=21351&op=all

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O Método Científico

Ao aplicar este método sabemos se a “nossa” teoria estará certa, ou errada. Se podemos confiar nela, ou se temos de mudar de ideias.

Karl Poper concebeu o método científico como uma sequência de refutações. Primeiro inventam-se as hipóteses, de seguida faz-se o possível para as refutar. Se a hipótese resistir ao falseamento será aceite até aparecer qualquer facto que a contradiga.

As 4 etapas:
1 – Ocorrência do Problema
2 – Formulação da hipótese
3 – Dedução de consequências a partir da hipótese formulada
4 – Comprovação experimental

Se a hipótese resistir aos falseamentos é elevada a lei ou nova teoria.

Verificação – Os factos confirmam a hipótese (deduções coincidem com os factos)
Falseamento – Os factos refutam a hipótese (deduções são contrariadas pelos factos)
Demarcação – A hipótese não pode ser verificada nem falseada. Não é uma hipótese científica (critério de demarcação entre o que é ciência e o que não o é).
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A guerra prossegue e procura obter apoios na Igreja Católica.

Stephen Meyer chamou o filósofo Michael Tkacz, director do Instituto de Filosofia Cristã, para lhe perguntar por que motivo os seguidores de Tomás de Aquino não tinham estado presentes num congresso internacional sobre o DI. “Estamos do mesmo lado, ou não?”. Tkacz explica: “A Teoria do DI baseia-se na Falácia Cosmogónica. Essa insistência na ideia de que a Criação significa que Deus produziu, periodicamente, novas e distintas formas de vida é confundir o acto da Criação com o modo como os seres naturais se desenvolvem no Universo”.

O Discovery Institute procura recuperar a hegemonia perdida através de uma atitude diametralmente oposta à do Dalai Lama, que escreve: “Entender a natureza da realidade é possível através da investigação crítica: se a análise científica demonstra que determinadas afirmações do Budismo são falsas, devemos aceitar as descobertas da Ciência e abandonar esses conceitos.”.

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A verdadeira face do DI

A 18 de Outubro de 2004, o conselho escolar de Dover, Pensilvânia, decidiu incluir o DI através do livro “Of Pandas and People”. Onze padres recorreram aos tribunais para anular a decisão.

O caso parecia uma cópia do que aconteceram em Dayton, 80 anos antes. O juiz John Jones III, cristão praticante e nomeado por George W. Bush, ouviu alegações e testemunhos dos litigantes e da defesa, que ficou a cargo do Thomas More Law Center.

O argumento dos litigantes era de que o DI não passa de criacionismo disfarçado. Para a defesa trata-se de uma ciência nos seus primórdios, por detrás da qual não existe religião, o que não deixa de ser curioso pois o próprio “Documento Cunha”, base ideológica do Discovery Institute, declara que é necessário afirmar a existência de provas de um projecto inteligente na Natureza, deu como exemplo o sistema imunitário, “cuja origem os cientistas foram incapazes de explicar”. O advogado dos litigantes levantou-se e colocou diante de Behe 58 artigos publicados em revistas tão prestigiadas como a Science, Nature, Proceedings of the National Academy of Sciences, etc., sobre a evolução do sistema imunitário, perguntando: “Acha que estes artigos não são suficientemente bons?”. Behe defendeu-se: “Nenhum explica a questão de forma rigorosa (…) Se bem que eu não tenha lido a todos”.

Behe foi forçado a admitir que, se a sua definição de Ciência fosse aplicada de modo a englobar o DI, a astrologia também seria uma ciência. Steven Gey comentou: No final, a defesa perdeu nitidamente o processo: ao negar as definições habituais de Ciência, todos percebemos o que se estava a passar”.

A 20 de Dezembro o juiz determinava que ficara demonstrado que o DI não passa de criacionismo disfarçado; é religião a fazer-se passar por ciência.

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A primeira derrota do fundamentalismo religioso

A primeira derrota do fundamentalismo religioso surgiu quando se aprovou, no estado da Luisiana, uma lei que obrigava as escolas a explicar o criacionismo se também ensinassem biologia evolutiva. Em 1987, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos decidiu que a lei da Luisiana era inconstitucional, pois violava o princípio da separação entre Estado e religião consagrado na Primeira Emenda. Em resposta, surgiu o livro “Of Pandas and People”. O objectivo não era ensinar biologia, mas expulsar o evolucionismo, acusado de minar osvalores morais e as crenças religiosas dos jovens.

Para terem êxito, não deviam incluir qualquer referência a Deus nas páginas do livro. A começar pelo título, “Creation Biology (1983), eliminaram as palavras “criacionismo” e “criacionista”.

Em 1991, saiu “Darwin on Trial” de Philip Johnson, no qual se acusava a teoria da evolução de ser “pseudociência”, pois não fora confirmada e nem sequer constituída uma hipótese científica. Era uma postura filosófica produto de um evidente materialismo ateu. No livro torna-se claro o verdadeiro objectivo do DI, o qual não é eliminar a evolução mas sim atingir a base de sustentação da Ciência moderna.

A ciência é metodologicamente naturalista: procura explicações naturais para o mundo natural. Johnson reuniu-se com o filósofo Stephen Mayer, vice-presidente do Discovery Institute, para delinear uma estratégia de substituir a “ciência materialista” pela “ciência teísta” e transformar o DI na “perspectiva dominante na Ciência”.

Na reunião “Reivindicando a América para Cristo”, em 1999, Johnson proferiu que “O DI é um movimento ecuménico. Permite-nos ter um ponto de apoio nas revistas científicas e outro nas revistas de diferentes confissões religiosas. A teoria darwiniana da evolução contradiz não apenas o Génesis como toda a Bíblia”

Em 1993, o movimento DI, inicio a actividade graças a um donativo de 450 mil dólares. Johnson, fundador do Discovery Institute, planeia a “Wedge Stategy” (estratégia da cunha), na qual lança uma guerra cultural contra a concepção da Ciência moderna, espalhando a ideia de que a evolução é uma teoria em crise.

O braço jurídico do Discovery Institute, o Thomas More Law Center, proporciona assistência e apoio a todos os conselhos ou associações que pretendam introduzir o DI. O programa IDEA conseguiu “colocar” conferências em universidades com o prestígio de Yale.

As entrevistas aos membros são controladas por assessores de imprensa. Quando um jornalista da cadeia ABC perguntou a Stephen Meyer se os cristãos evangélicos figuravam entre os principais patrocinadores, o assessor interrompeu e avisou: “Não creio que queira ir por esse caminho”.

Ao politizar as teorias científicas, conseguem retirar-lhes força, pois para a sociedade, os cientistas são o grupo profissional que goza de maior credibilidade.

O Discovery Institute quer separar o DI do Criacionismo. Negando associação com o Deus dos cristãos, mas os seus membros são fundamentalistas cristãos. Interrogados sobre quem foi o “desenhador”, encolhem os ombros e respondem que não podem dizer nada em termos científicos.

O único argumento a favor da existência de um criador inteligente é o da improbabilidade. É um raciocínio antigo. A versão moderna contém a analogia do relojoeiro: se encontramos um relógio numa mata, pensaremos que alguém o perdeu, e não que surgiu ali pelo concurso de circunstâncias naturais.

Michael Behe limita-se a conferir que é a “Teoria do Dedo de Deus”: como não podem explicá-lo como resultado da evolução, torna-se necessário um criador. Misturando o que não foi explicado com o inexplicável.
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Teremos sido Desenhados?

Em 2004, a Comissão Teológica Internacional tornou público um documento (“Comunhão e Administração”). No parágrafo 69 é referido o facto evolutivo e diz que a acção causal de Deus se pode exprimir que como necessidade quer como contingência. No entanto, admite que “um grupo crescente de cientistas” defende a existência de uma criação deliberada da Natureza, que o conceito central da teoria evolutiva é incorrecto.

O criacionismo, expulso pelo Supremo Tribunal, surge agora disfarçado sob uma imagem mais asséptica e menos cristã, o Desenho Inteligente (DI).

No dia 10 de Julho de 1925, o treinador John Scopes foi acusado de violar o Decreto Butler do estado do Tennessee; a lei, em vigor até 1967, proibia que se ensinasse nas escolas “qualquer teoria que negue a história da Criação Divina do Homem”. O mais irónico é que Scopes nunca chegou a dar uma aula sobre a evolução; ninguém lhe perguntou, porque nunca foi chamado a prestar declarações.

Deus criou o mundo em seis dias e, segundo os cálculos que o arcebispo anglicano James Ussher, a Terra foi criada na véspera do dia 23 de Outubro do ano 4000 a.C.

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Duas Estórias, parte II

Segunda:

"A luz inicial veio do nada e depois Deus fez o Sol e pô-lo no sítio de onde vinha a luz para pensarmos que era o Sol a dar a luz."

Estas histórias estão tal qual eu as ouvi de mais do que uma pessoa que o dizia com uma cara séria, e eu o tentava ouvir também com uma cara séria…

Passo às críticas (construtivas):


Uma teoria para explicar o aparecimento da luz antes das estruturas que a produzem (estrelas) é um pouco estranha. A cosmologia tem uma resposta séria, plenamente de acordo com os cálculos e confirmadas em laboratório, mas há quem não aceite estas respostas e tente outros esquemas mais imaginativos para a explicação do aparecimento da luz antes de qualquer estrutura universal. A explicação cosmológia: A explosão de matéria foi muito violenta e projectou fotões resultantes da aniquilação da matéria com a antimatéria. Esta luz com o passar do tempo foi-se diluindo no Universo e tornou-se anémica, hoje é conhecida como radiação de fundo em microondas. A chuva que às vezes aparece nas nossas televisões confirma que essa radiação existe, e se existe veio da grande explosão. Era a luz inicial. Porém outra teoria afirma apenas, e sem nada para provar, que Deus fez a luz e depois pôs os corpos no sítio de onde vinha a luz. Isto é, Deus fez-nos a luz do Sol, e depois pôs o Sol no lugar de onde vinha essa luz. Alguma lógica?? Não! Eu e um amigo meu, matemático falava-mos desta teoria a rir porque há maneiras ridículas de não querer acreditar em outra teoria, que é séria.

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Duas Estórias, parte I

Primeira:

"Um astronauta foi ao espaço e ouviu vozes a cantar, disse que eram anjos."

Passo às críticas (construtivas):

Existem 2 tipos de ondas: as ondas electromagnéticas (luz) e as ondas mecânicas (som). As ondas electromagnéticas deslocam-se em qualquer meio enquanto que as ondas mecânicas se deslocam apenas onde o seu meio permite, ou seja, onde haja meio de propagação favorável. O som desloca-se onde haja partículas que transportem o som, o som, na Terra, é transportado pelo ar, não é mais que choque de partículas, logo se houver partículas suficientes para dar continuidade a esses choques o som chega até onde o número dessas partículas seja suficiente. Como no Universo é praticamente tudo vácuo (0 partículas) como pode o som propagam-se a não ser onde a concentração de partículas seja elevada?

A história de um astronauta que foi ao espaço e afirmou ter ouvido vozes pode ser muito duvidosa. Os sons poderiam ser do interior da sua nave, se ele estivesse no interior desta; podia ser algo na comunicação incorporada no seu fato, se ele estivesse fora da nave. Ele não poderia ter ouvido nada: 1 – o som não se propaga no espaço; 2 – o fato não o deixava ouvir nada do exterior.

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criacionismo vs cerveja












A perspectiva mais radical do «criacionismo» desfaz-se num minuto. Por exemplo: acreditar que o mundo foi criado há exactamente 6000 anos significa esquecer que a cerveja foi inventada cerca de 2500 anos antes dessa data. É uma injustiça.
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Design Inteligente??

O fundamentalismo cristão nasce nos ambientes protestantes e caracteriza-se pela decisão de interpretar literalmente as Escrituras. Mas para que possa haver uma interpretação literal das escrituras, é preciso que estas possam ser livremente interpretadas pelo crente, e isto é típico do protestantismo. Não pode haver fundamentalismo católico porque a interpretação das Escrituras é mediada pela Igreja.

Já com os padres se tinha desenvolvido uma hermenêutica mais flexível, como a de Santo Agostinho, que não hesitava em admitir que a Bíblia recorria com frequência a metáforas e alegorias, e que os sete dias da Criação podiam ter sido sete milénios.

Uma vez admitindo que os sete dias da Criação são um conto poético que pode ser interpretado para além da sua letra, o Génesis parece dar razão a Darwin: primeiro tem lugar uma espécie de Big Bang, com a explosão de Luz, depois os planetas ganham forma e a Terra sofre os grandes choques geológicos (as terras separam-se do mar), em seguida aparecem os vegetais, os frutos e as sementes, e por fim as águas começam a fervilhar com seres vivos (a vida surge a partir da água), os pássaros levantam voo, e só depois, aparecem os mamíferos (é imprecisa a posição genealógica dos répteis, mas não se pode exigir demasiado do Génesis).

No fim aparece o homem que é criado a partir do barro, ou seja, de matéria precedente. Mais evolucionista do que isto não pode ser.

O que é que a teologia católica pretexta para não se identificar com um evolucionismo materialista? Tudo é obra de Deus, como é óbvio, e também que na escala evolutiva se verifica um salto qualitativo, quando Deus introduziu num organismo vivo uma alma racional imortal. É apenas este o ponto em que se funda a batalha materialismo/espiritualismo.

Um aspecto interessante nos EUA para reintroduzir a doutrina criacionista nas escolas é que não se está a falar tanto de criação divina quanto de “Desenho Inteligente”.

A ideia é: não queremos impor-vos a presença de um barbudo antropomórfico, queremos apenas que aceitem que, a ter existido um desenvolvimento evolutivo, tal não aconteceu ao acaso mas de acordo com um plano que não pode deixar de depender de uma qualquer forma de Mente (é o mesmo que admitir que o “Desenho Inteligente” admite um Deus panteísta em vez de transcendente).

Curioso é que o Desenho Inteligente não exclua um processo casual que se processa através de tentativas e erros, como o darwinismo, de modo que só sobrevivem os indivíduos que melhor se adaptam ao meio ambiente no decurso da luta pela vida.

Como fazer uma estátua a partir de um bloco de pedra, a imagem da estátua vai aparecendo por tentativas deitando-se fora o excesso.

Um Desenho Inteligente pode manifestar-se através de uma série de aceitações e repulsas daquilo que o caso oferece. Temos de decidir se primeiro está o Desenho, que escolhe e rejeita, ou se é o Caso que, aceitando e rejeitando, se manifesta como a única forma de Inteligência – o que equivaleria a dizer que é o Caso que faz Deus.

Umberto Eco – A Passo de Carangueijo

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O Que explodiu?

O big bang é uma teoria que descreve a evolução cósmica no tempo que decorreu desde uma pequeníssima fracção de segundo após o que quer que tenha acontecido que deu origem ao universo, mas não diz nada sobre o tempo zero em si. Já que, de acordo com a teoria, no começo supostamente ocorreu uma explosão. Não nos diz nada sobre o que explodiu, porque explodiu, como exoplodiu.

Einstein e todos os cientistas da época “sabiam” que o universo à maior das escalas era fixo e imutável. Einstein procurou uma modificação das equanções da relatividade geral que permitisse um universo de acordo com o preconceito prevalecente. Foi introduzida nas equações da relatividade geral a constante cosmológica.. Esta era uma forma exótica de energia que preenchia todo o espaço.

Hoje os físicos invocam a “energia escura”, que se assemelha à velha noção de éter e à nova noção de campo de Higgs.

Pressões positivas contribuem para a gravidade atractiva; as pressões negativas contribuem para a gravidade repulsiva. Quando a pressão é negativa, existe uma competição entre a gravidade atractiva normal, que surge da massa e energia, e a gravidade repulsiva exótica, que surge da pressão negativa.

A matéria e a radiação exercem uma força gravitacional atractiva. O novo termo cosmológico exerce uma força gravitacional repulsiva. Einsteis conseguia equilibrar estas duas forças para produzir um universo estático.

Hubble mostrou que o universo não é estático. Se Einstein tivesse confiado nas equações originais da relatividade geral, teria previsto a expansão do universo. Einstein arrependeu-se e apagou a constante cosmológica.

E se o campo de Higgs congelasse a uma energia não nula e aí permanecesse enquanto o resto do universo continuava a arrefecer? O campo de Higgs ficara superarrefecido. Esta situação é análoga ao que acontece com a água altamente purificada, que pode ser superarrefecia a menos de 0ºC, porque a formação de gelo requer impurezas em torno dos cristais.

Um campo de Higgs que fique preso num planalto não só preenche o espaço com energia como também contribui com uma pressão negativa uniforme: tem as mesmas propriedades da constante cosmológica.

Processos quânticos irão causar saltos aleatórios no valor do campo de Higgs permitindo que a sua energia e pressão relaxem para zero. Este salto pode ter acontecido num tempo tão curto como 10-35 segundos.

A energia e a pressão negativa dos campos de Higgs é mais de 10100 vezes maior que o valor que Einstein escolhera.

Quando o universo era muito denso a energia era carregada por um campo de Higgs, num valor afastado do seu ponto mais baixo: é o inflatão. Devido à pressão negativa, o inflatão gerou repulsão gravitacional, levando o universo a inflacionar. A repulsão durou apenas 10-35 segundos.

O universo expandiu-se por um factor de 1030 ( como escalonar uma molécula de DNA ao tamanho da Via Láctea em menos de um bilionésimo de bilionésimo de segundo).

Nenhuma da luz emitida pela maior parte do universo poderia ter-nos alcançado, e muita não chegará senão muito depois de o Sol e a Terra terem morrido.

O espaço continuou a crescer e a arrefecer permitindo que as partículas de matéria se agregassem em estruturas como galáxias, estrelas e planetas.

- "O Tecido do Cosmos" - Brian Greene

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Entropia e datação do Universo

Se a relatividade nos ensina que a passagem do tempo depende da rapidez com que nos movemos e do campo gravitacional em que estamos, de que tratamos quando os astrónomos falam do universo inteiro como tendo uma idade bem definida de 14 mil milhões de anos?
O Universo está recheado de uma radiação de microndas, que se diluiu progressivamente e arrefeceu até aos 2,7 graus acima do zero absoluto.
Nos seus estados iniciais o Universo não estava povoado por aglomerados de matéria grandes, de grande entropia. A uniformidade da radiação da temperatura da radiação confirma que o jovem universo era homogéneo – o que implica baixa entropia.
À escala das moléculas a água é heterogénea. Mas, se fizermos a média sobre os granulados moleculares de pequena escala e examinarmos a água às escalas “grandes” do quotidiano, a água no copo parece-nos uniforme. Quando o universo é examinado a escalas suficientemente grandes parece-nos homogéneo. A uniformidade da radiação é assim um testamento fossilizado de uma grande uniformidade.
Se o universo não tivesse simetria no espaço, se a radiação de fundo fosse completamente desordenada, com temperaturas muitíssimo diferentes em regiões diferentes, o tempo, num sentido cosmológico, teria pouco significado. Relógios em locais diferentes mostrariam a passagem do tempo a ritmos diferentes.
Se passássemos por uma fábrica e víssemos uma série de coisas a voarem violentamente para fora em todas as direcções, provavelmente pensaríamos que houvera uma explosão. Se seguíssemos os percursos dos fragmentos de metal e pedaços cimento ao contrário, acabaríamos por encontrá-los a todos a convergir para um sítio que seria um candidato muito provável ao local onde a explosão ocorrera.

"O Tecido do Cosmos" - Brian Greene
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25/04/2007

Liberdade: Vá para fora!

Para comemorar a liberdade que ganha à 33 anos, decidimos usufrui-la.
Fomos a caminho de Espanha (onde não se via a não ser portugueses... os espanhóis estavam a trabalhar). Fomos ao encontro das Tapas e dos preços baixos.

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20/04/2007

Religião vs Ciência e Filosofia

«Da filosofia à ciência o processo é contínuo, e já foi repetido em muitos domínios. «De que é feita a matéria?» era uma pergunta filosófica até se compreender o suficiente para formular hipóteses testáveis e, eventualmente, um modelo científico bem fundamentado. Há séculos que andamos nisto, avançando mais nuns domínios que noutros. E cada avanço levanta mais perguntas que é preciso compreender, e, uma vez compreendidas, tentar responder. Perguntas filosóficas que se transformam em perguntas científicas que dão respostas científicas e levantam novas perguntas filosóficas.»

«Nem a filosofia pode vencer a ciência nem a ciência vencer a filosofia. São ambas parte do mesmo processo de compreensão. Mas o [leitor] tem razão em se preocupar com a religião, que sempre foi a roda quadrada desta carroça. A religião assume que já sabe as respostas e nem sequer gosta de perguntas. Enquanto as outras se ajudavam e avançavam a religião ficou na mesma, cada vez mais isolada da realidade.»(«Ciência, Filosofia e Religião.», no Que Treta!)

«Para além disso, a ciência assenta em verificação experimental e a religião assenta na fé, que por definição dispensa qualquer tipo de comprovação, pelo que as duas abordagens ao conhecimento são completamente irreconciliáveis. E considerando que ao longo de boa parte da História da humanidade se tentou arduamente aproximar ambas parece pouco provável que a conciliação alguma vez aconteça» («O perímetro da ignorância», no De Rerum Natura)

http://www.ateismo.net/diario/2007/04/atesmo-na-blogosfera_20.php

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19/04/2007

A lei do mais apto

"Não é a mais forte das espécies que sobrevive, nem a mais inteligente, mas aquela que melhor reage à mudança."
Charles Darwin (1809-1882)



http://terraquegira.blogspot.com/

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18/04/2007

Diagnóstico genético não deve ser usado para escolher características



O parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida pronunciou-se sobre o Diagnóstico Genético Pré-Implantação. Esta técnica tem a capacidade de identificar o sexo do bebé que o embrião estudado der origem e a existência de de anomalias genéticas que são causa de doenças hereditárias e de malformações congénitas graves (hemofilia, "doença dos pezinhos").


O conselho considera contudo que a utilização desta técnica para a selecção de embriões em função de características físicas que não estão associadas a qualquer patologia, designadamente, para escolha ou melhoramento de características consideradas normais é eticamente inaceitável.
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=21351&op=all

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17/04/2007

O Método Científico

Ao aplicar este método sabemos se a “nossa” teoria estará certa, ou errada. Se podemos confiar nela, ou se temos de mudar de ideias.

Karl Poper concebeu o método científico como uma sequência de refutações. Primeiro inventam-se as hipóteses, de seguida faz-se o possível para as refutar. Se a hipótese resistir ao falseamento será aceite até aparecer qualquer facto que a contradiga.

As 4 etapas:
1 – Ocorrência do Problema
2 – Formulação da hipótese
3 – Dedução de consequências a partir da hipótese formulada
4 – Comprovação experimental

Se a hipótese resistir aos falseamentos é elevada a lei ou nova teoria.

Verificação – Os factos confirmam a hipótese (deduções coincidem com os factos)
Falseamento – Os factos refutam a hipótese (deduções são contrariadas pelos factos)
Demarcação – A hipótese não pode ser verificada nem falseada. Não é uma hipótese científica (critério de demarcação entre o que é ciência e o que não o é).

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13/04/2007

A guerra prossegue e procura obter apoios na Igreja Católica.

Stephen Meyer chamou o filósofo Michael Tkacz, director do Instituto de Filosofia Cristã, para lhe perguntar por que motivo os seguidores de Tomás de Aquino não tinham estado presentes num congresso internacional sobre o DI. “Estamos do mesmo lado, ou não?”. Tkacz explica: “A Teoria do DI baseia-se na Falácia Cosmogónica. Essa insistência na ideia de que a Criação significa que Deus produziu, periodicamente, novas e distintas formas de vida é confundir o acto da Criação com o modo como os seres naturais se desenvolvem no Universo”.

O Discovery Institute procura recuperar a hegemonia perdida através de uma atitude diametralmente oposta à do Dalai Lama, que escreve: “Entender a natureza da realidade é possível através da investigação crítica: se a análise científica demonstra que determinadas afirmações do Budismo são falsas, devemos aceitar as descobertas da Ciência e abandonar esses conceitos.”.

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A verdadeira face do DI

A 18 de Outubro de 2004, o conselho escolar de Dover, Pensilvânia, decidiu incluir o DI através do livro “Of Pandas and People”. Onze padres recorreram aos tribunais para anular a decisão.

O caso parecia uma cópia do que aconteceram em Dayton, 80 anos antes. O juiz John Jones III, cristão praticante e nomeado por George W. Bush, ouviu alegações e testemunhos dos litigantes e da defesa, que ficou a cargo do Thomas More Law Center.

O argumento dos litigantes era de que o DI não passa de criacionismo disfarçado. Para a defesa trata-se de uma ciência nos seus primórdios, por detrás da qual não existe religião, o que não deixa de ser curioso pois o próprio “Documento Cunha”, base ideológica do Discovery Institute, declara que é necessário afirmar a existência de provas de um projecto inteligente na Natureza, deu como exemplo o sistema imunitário, “cuja origem os cientistas foram incapazes de explicar”. O advogado dos litigantes levantou-se e colocou diante de Behe 58 artigos publicados em revistas tão prestigiadas como a Science, Nature, Proceedings of the National Academy of Sciences, etc., sobre a evolução do sistema imunitário, perguntando: “Acha que estes artigos não são suficientemente bons?”. Behe defendeu-se: “Nenhum explica a questão de forma rigorosa (…) Se bem que eu não tenha lido a todos”.

Behe foi forçado a admitir que, se a sua definição de Ciência fosse aplicada de modo a englobar o DI, a astrologia também seria uma ciência. Steven Gey comentou: No final, a defesa perdeu nitidamente o processo: ao negar as definições habituais de Ciência, todos percebemos o que se estava a passar”.

A 20 de Dezembro o juiz determinava que ficara demonstrado que o DI não passa de criacionismo disfarçado; é religião a fazer-se passar por ciência.

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A primeira derrota do fundamentalismo religioso

A primeira derrota do fundamentalismo religioso surgiu quando se aprovou, no estado da Luisiana, uma lei que obrigava as escolas a explicar o criacionismo se também ensinassem biologia evolutiva. Em 1987, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos decidiu que a lei da Luisiana era inconstitucional, pois violava o princípio da separação entre Estado e religião consagrado na Primeira Emenda. Em resposta, surgiu o livro “Of Pandas and People”. O objectivo não era ensinar biologia, mas expulsar o evolucionismo, acusado de minar osvalores morais e as crenças religiosas dos jovens.

Para terem êxito, não deviam incluir qualquer referência a Deus nas páginas do livro. A começar pelo título, “Creation Biology (1983), eliminaram as palavras “criacionismo” e “criacionista”.

Em 1991, saiu “Darwin on Trial” de Philip Johnson, no qual se acusava a teoria da evolução de ser “pseudociência”, pois não fora confirmada e nem sequer constituída uma hipótese científica. Era uma postura filosófica produto de um evidente materialismo ateu. No livro torna-se claro o verdadeiro objectivo do DI, o qual não é eliminar a evolução mas sim atingir a base de sustentação da Ciência moderna.

A ciência é metodologicamente naturalista: procura explicações naturais para o mundo natural. Johnson reuniu-se com o filósofo Stephen Mayer, vice-presidente do Discovery Institute, para delinear uma estratégia de substituir a “ciência materialista” pela “ciência teísta” e transformar o DI na “perspectiva dominante na Ciência”.

Na reunião “Reivindicando a América para Cristo”, em 1999, Johnson proferiu que “O DI é um movimento ecuménico. Permite-nos ter um ponto de apoio nas revistas científicas e outro nas revistas de diferentes confissões religiosas. A teoria darwiniana da evolução contradiz não apenas o Génesis como toda a Bíblia”

Em 1993, o movimento DI, inicio a actividade graças a um donativo de 450 mil dólares. Johnson, fundador do Discovery Institute, planeia a “Wedge Stategy” (estratégia da cunha), na qual lança uma guerra cultural contra a concepção da Ciência moderna, espalhando a ideia de que a evolução é uma teoria em crise.

O braço jurídico do Discovery Institute, o Thomas More Law Center, proporciona assistência e apoio a todos os conselhos ou associações que pretendam introduzir o DI. O programa IDEA conseguiu “colocar” conferências em universidades com o prestígio de Yale.

As entrevistas aos membros são controladas por assessores de imprensa. Quando um jornalista da cadeia ABC perguntou a Stephen Meyer se os cristãos evangélicos figuravam entre os principais patrocinadores, o assessor interrompeu e avisou: “Não creio que queira ir por esse caminho”.

Ao politizar as teorias científicas, conseguem retirar-lhes força, pois para a sociedade, os cientistas são o grupo profissional que goza de maior credibilidade.

O Discovery Institute quer separar o DI do Criacionismo. Negando associação com o Deus dos cristãos, mas os seus membros são fundamentalistas cristãos. Interrogados sobre quem foi o “desenhador”, encolhem os ombros e respondem que não podem dizer nada em termos científicos.

O único argumento a favor da existência de um criador inteligente é o da improbabilidade. É um raciocínio antigo. A versão moderna contém a analogia do relojoeiro: se encontramos um relógio numa mata, pensaremos que alguém o perdeu, e não que surgiu ali pelo concurso de circunstâncias naturais.

Michael Behe limita-se a conferir que é a “Teoria do Dedo de Deus”: como não podem explicá-lo como resultado da evolução, torna-se necessário um criador. Misturando o que não foi explicado com o inexplicável.

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11/04/2007

Teremos sido Desenhados?

Em 2004, a Comissão Teológica Internacional tornou público um documento (“Comunhão e Administração”). No parágrafo 69 é referido o facto evolutivo e diz que a acção causal de Deus se pode exprimir que como necessidade quer como contingência. No entanto, admite que “um grupo crescente de cientistas” defende a existência de uma criação deliberada da Natureza, que o conceito central da teoria evolutiva é incorrecto.

O criacionismo, expulso pelo Supremo Tribunal, surge agora disfarçado sob uma imagem mais asséptica e menos cristã, o Desenho Inteligente (DI).

No dia 10 de Julho de 1925, o treinador John Scopes foi acusado de violar o Decreto Butler do estado do Tennessee; a lei, em vigor até 1967, proibia que se ensinasse nas escolas “qualquer teoria que negue a história da Criação Divina do Homem”. O mais irónico é que Scopes nunca chegou a dar uma aula sobre a evolução; ninguém lhe perguntou, porque nunca foi chamado a prestar declarações.

Deus criou o mundo em seis dias e, segundo os cálculos que o arcebispo anglicano James Ussher, a Terra foi criada na véspera do dia 23 de Outubro do ano 4000 a.C.

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29/03/2007

Duas Estórias, parte II

Segunda:

"A luz inicial veio do nada e depois Deus fez o Sol e pô-lo no sítio de onde vinha a luz para pensarmos que era o Sol a dar a luz."

Estas histórias estão tal qual eu as ouvi de mais do que uma pessoa que o dizia com uma cara séria, e eu o tentava ouvir também com uma cara séria…

Passo às críticas (construtivas):


Uma teoria para explicar o aparecimento da luz antes das estruturas que a produzem (estrelas) é um pouco estranha. A cosmologia tem uma resposta séria, plenamente de acordo com os cálculos e confirmadas em laboratório, mas há quem não aceite estas respostas e tente outros esquemas mais imaginativos para a explicação do aparecimento da luz antes de qualquer estrutura universal. A explicação cosmológia: A explosão de matéria foi muito violenta e projectou fotões resultantes da aniquilação da matéria com a antimatéria. Esta luz com o passar do tempo foi-se diluindo no Universo e tornou-se anémica, hoje é conhecida como radiação de fundo em microondas. A chuva que às vezes aparece nas nossas televisões confirma que essa radiação existe, e se existe veio da grande explosão. Era a luz inicial. Porém outra teoria afirma apenas, e sem nada para provar, que Deus fez a luz e depois pôs os corpos no sítio de onde vinha a luz. Isto é, Deus fez-nos a luz do Sol, e depois pôs o Sol no lugar de onde vinha essa luz. Alguma lógica?? Não! Eu e um amigo meu, matemático falava-mos desta teoria a rir porque há maneiras ridículas de não querer acreditar em outra teoria, que é séria.

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26/03/2007

Duas Estórias, parte I

Primeira:

"Um astronauta foi ao espaço e ouviu vozes a cantar, disse que eram anjos."

Passo às críticas (construtivas):

Existem 2 tipos de ondas: as ondas electromagnéticas (luz) e as ondas mecânicas (som). As ondas electromagnéticas deslocam-se em qualquer meio enquanto que as ondas mecânicas se deslocam apenas onde o seu meio permite, ou seja, onde haja meio de propagação favorável. O som desloca-se onde haja partículas que transportem o som, o som, na Terra, é transportado pelo ar, não é mais que choque de partículas, logo se houver partículas suficientes para dar continuidade a esses choques o som chega até onde o número dessas partículas seja suficiente. Como no Universo é praticamente tudo vácuo (0 partículas) como pode o som propagam-se a não ser onde a concentração de partículas seja elevada?

A história de um astronauta que foi ao espaço e afirmou ter ouvido vozes pode ser muito duvidosa. Os sons poderiam ser do interior da sua nave, se ele estivesse no interior desta; podia ser algo na comunicação incorporada no seu fato, se ele estivesse fora da nave. Ele não poderia ter ouvido nada: 1 – o som não se propaga no espaço; 2 – o fato não o deixava ouvir nada do exterior.

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criacionismo vs cerveja












A perspectiva mais radical do «criacionismo» desfaz-se num minuto. Por exemplo: acreditar que o mundo foi criado há exactamente 6000 anos significa esquecer que a cerveja foi inventada cerca de 2500 anos antes dessa data. É uma injustiça.

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08/03/2007

Design Inteligente??

O fundamentalismo cristão nasce nos ambientes protestantes e caracteriza-se pela decisão de interpretar literalmente as Escrituras. Mas para que possa haver uma interpretação literal das escrituras, é preciso que estas possam ser livremente interpretadas pelo crente, e isto é típico do protestantismo. Não pode haver fundamentalismo católico porque a interpretação das Escrituras é mediada pela Igreja.

Já com os padres se tinha desenvolvido uma hermenêutica mais flexível, como a de Santo Agostinho, que não hesitava em admitir que a Bíblia recorria com frequência a metáforas e alegorias, e que os sete dias da Criação podiam ter sido sete milénios.

Uma vez admitindo que os sete dias da Criação são um conto poético que pode ser interpretado para além da sua letra, o Génesis parece dar razão a Darwin: primeiro tem lugar uma espécie de Big Bang, com a explosão de Luz, depois os planetas ganham forma e a Terra sofre os grandes choques geológicos (as terras separam-se do mar), em seguida aparecem os vegetais, os frutos e as sementes, e por fim as águas começam a fervilhar com seres vivos (a vida surge a partir da água), os pássaros levantam voo, e só depois, aparecem os mamíferos (é imprecisa a posição genealógica dos répteis, mas não se pode exigir demasiado do Génesis).

No fim aparece o homem que é criado a partir do barro, ou seja, de matéria precedente. Mais evolucionista do que isto não pode ser.

O que é que a teologia católica pretexta para não se identificar com um evolucionismo materialista? Tudo é obra de Deus, como é óbvio, e também que na escala evolutiva se verifica um salto qualitativo, quando Deus introduziu num organismo vivo uma alma racional imortal. É apenas este o ponto em que se funda a batalha materialismo/espiritualismo.

Um aspecto interessante nos EUA para reintroduzir a doutrina criacionista nas escolas é que não se está a falar tanto de criação divina quanto de “Desenho Inteligente”.

A ideia é: não queremos impor-vos a presença de um barbudo antropomórfico, queremos apenas que aceitem que, a ter existido um desenvolvimento evolutivo, tal não aconteceu ao acaso mas de acordo com um plano que não pode deixar de depender de uma qualquer forma de Mente (é o mesmo que admitir que o “Desenho Inteligente” admite um Deus panteísta em vez de transcendente).

Curioso é que o Desenho Inteligente não exclua um processo casual que se processa através de tentativas e erros, como o darwinismo, de modo que só sobrevivem os indivíduos que melhor se adaptam ao meio ambiente no decurso da luta pela vida.

Como fazer uma estátua a partir de um bloco de pedra, a imagem da estátua vai aparecendo por tentativas deitando-se fora o excesso.

Um Desenho Inteligente pode manifestar-se através de uma série de aceitações e repulsas daquilo que o caso oferece. Temos de decidir se primeiro está o Desenho, que escolhe e rejeita, ou se é o Caso que, aceitando e rejeitando, se manifesta como a única forma de Inteligência – o que equivaleria a dizer que é o Caso que faz Deus.

Umberto Eco – A Passo de Carangueijo

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06/03/2007

O Que explodiu?

O big bang é uma teoria que descreve a evolução cósmica no tempo que decorreu desde uma pequeníssima fracção de segundo após o que quer que tenha acontecido que deu origem ao universo, mas não diz nada sobre o tempo zero em si. Já que, de acordo com a teoria, no começo supostamente ocorreu uma explosão. Não nos diz nada sobre o que explodiu, porque explodiu, como exoplodiu.

Einstein e todos os cientistas da época “sabiam” que o universo à maior das escalas era fixo e imutável. Einstein procurou uma modificação das equanções da relatividade geral que permitisse um universo de acordo com o preconceito prevalecente. Foi introduzida nas equações da relatividade geral a constante cosmológica.. Esta era uma forma exótica de energia que preenchia todo o espaço.

Hoje os físicos invocam a “energia escura”, que se assemelha à velha noção de éter e à nova noção de campo de Higgs.

Pressões positivas contribuem para a gravidade atractiva; as pressões negativas contribuem para a gravidade repulsiva. Quando a pressão é negativa, existe uma competição entre a gravidade atractiva normal, que surge da massa e energia, e a gravidade repulsiva exótica, que surge da pressão negativa.

A matéria e a radiação exercem uma força gravitacional atractiva. O novo termo cosmológico exerce uma força gravitacional repulsiva. Einsteis conseguia equilibrar estas duas forças para produzir um universo estático.

Hubble mostrou que o universo não é estático. Se Einstein tivesse confiado nas equações originais da relatividade geral, teria previsto a expansão do universo. Einstein arrependeu-se e apagou a constante cosmológica.

E se o campo de Higgs congelasse a uma energia não nula e aí permanecesse enquanto o resto do universo continuava a arrefecer? O campo de Higgs ficara superarrefecido. Esta situação é análoga ao que acontece com a água altamente purificada, que pode ser superarrefecia a menos de 0ºC, porque a formação de gelo requer impurezas em torno dos cristais.

Um campo de Higgs que fique preso num planalto não só preenche o espaço com energia como também contribui com uma pressão negativa uniforme: tem as mesmas propriedades da constante cosmológica.

Processos quânticos irão causar saltos aleatórios no valor do campo de Higgs permitindo que a sua energia e pressão relaxem para zero. Este salto pode ter acontecido num tempo tão curto como 10-35 segundos.

A energia e a pressão negativa dos campos de Higgs é mais de 10100 vezes maior que o valor que Einstein escolhera.

Quando o universo era muito denso a energia era carregada por um campo de Higgs, num valor afastado do seu ponto mais baixo: é o inflatão. Devido à pressão negativa, o inflatão gerou repulsão gravitacional, levando o universo a inflacionar. A repulsão durou apenas 10-35 segundos.

O universo expandiu-se por um factor de 1030 ( como escalonar uma molécula de DNA ao tamanho da Via Láctea em menos de um bilionésimo de bilionésimo de segundo).

Nenhuma da luz emitida pela maior parte do universo poderia ter-nos alcançado, e muita não chegará senão muito depois de o Sol e a Terra terem morrido.

O espaço continuou a crescer e a arrefecer permitindo que as partículas de matéria se agregassem em estruturas como galáxias, estrelas e planetas.

- "O Tecido do Cosmos" - Brian Greene

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28/02/2007

Entropia e datação do Universo

Se a relatividade nos ensina que a passagem do tempo depende da rapidez com que nos movemos e do campo gravitacional em que estamos, de que tratamos quando os astrónomos falam do universo inteiro como tendo uma idade bem definida de 14 mil milhões de anos?
O Universo está recheado de uma radiação de microndas, que se diluiu progressivamente e arrefeceu até aos 2,7 graus acima do zero absoluto.
Nos seus estados iniciais o Universo não estava povoado por aglomerados de matéria grandes, de grande entropia. A uniformidade da radiação da temperatura da radiação confirma que o jovem universo era homogéneo – o que implica baixa entropia.
À escala das moléculas a água é heterogénea. Mas, se fizermos a média sobre os granulados moleculares de pequena escala e examinarmos a água às escalas “grandes” do quotidiano, a água no copo parece-nos uniforme. Quando o universo é examinado a escalas suficientemente grandes parece-nos homogéneo. A uniformidade da radiação é assim um testamento fossilizado de uma grande uniformidade.
Se o universo não tivesse simetria no espaço, se a radiação de fundo fosse completamente desordenada, com temperaturas muitíssimo diferentes em regiões diferentes, o tempo, num sentido cosmológico, teria pouco significado. Relógios em locais diferentes mostrariam a passagem do tempo a ritmos diferentes.
Se passássemos por uma fábrica e víssemos uma série de coisas a voarem violentamente para fora em todas as direcções, provavelmente pensaríamos que houvera uma explosão. Se seguíssemos os percursos dos fragmentos de metal e pedaços cimento ao contrário, acabaríamos por encontrá-los a todos a convergir para um sítio que seria um candidato muito provável ao local onde a explosão ocorrera.

"O Tecido do Cosmos" - Brian Greene

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