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Duas Estórias, parte II

Segunda:

"A luz inicial veio do nada e depois Deus fez o Sol e pô-lo no sítio de onde vinha a luz para pensarmos que era o Sol a dar a luz."

Estas histórias estão tal qual eu as ouvi de mais do que uma pessoa que o dizia com uma cara séria, e eu o tentava ouvir também com uma cara séria…

Passo às críticas (construtivas):


Uma teoria para explicar o aparecimento da luz antes das estruturas que a produzem (estrelas) é um pouco estranha. A cosmologia tem uma resposta séria, plenamente de acordo com os cálculos e confirmadas em laboratório, mas há quem não aceite estas respostas e tente outros esquemas mais imaginativos para a explicação do aparecimento da luz antes de qualquer estrutura universal. A explicação cosmológia: A explosão de matéria foi muito violenta e projectou fotões resultantes da aniquilação da matéria com a antimatéria. Esta luz com o passar do tempo foi-se diluindo no Universo e tornou-se anémica, hoje é conhecida como radiação de fundo em microondas. A chuva que às vezes aparece nas nossas televisões confirma que essa radiação existe, e se existe veio da grande explosão. Era a luz inicial. Porém outra teoria afirma apenas, e sem nada para provar, que Deus fez a luz e depois pôs os corpos no sítio de onde vinha a luz. Isto é, Deus fez-nos a luz do Sol, e depois pôs o Sol no lugar de onde vinha essa luz. Alguma lógica?? Não! Eu e um amigo meu, matemático falava-mos desta teoria a rir porque há maneiras ridículas de não querer acreditar em outra teoria, que é séria.

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Duas Estórias, parte I

Primeira:

"Um astronauta foi ao espaço e ouviu vozes a cantar, disse que eram anjos."

Passo às críticas (construtivas):

Existem 2 tipos de ondas: as ondas electromagnéticas (luz) e as ondas mecânicas (som). As ondas electromagnéticas deslocam-se em qualquer meio enquanto que as ondas mecânicas se deslocam apenas onde o seu meio permite, ou seja, onde haja meio de propagação favorável. O som desloca-se onde haja partículas que transportem o som, o som, na Terra, é transportado pelo ar, não é mais que choque de partículas, logo se houver partículas suficientes para dar continuidade a esses choques o som chega até onde o número dessas partículas seja suficiente. Como no Universo é praticamente tudo vácuo (0 partículas) como pode o som propagam-se a não ser onde a concentração de partículas seja elevada?

A história de um astronauta que foi ao espaço e afirmou ter ouvido vozes pode ser muito duvidosa. Os sons poderiam ser do interior da sua nave, se ele estivesse no interior desta; podia ser algo na comunicação incorporada no seu fato, se ele estivesse fora da nave. Ele não poderia ter ouvido nada: 1 – o som não se propaga no espaço; 2 – o fato não o deixava ouvir nada do exterior.

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criacionismo vs cerveja












A perspectiva mais radical do «criacionismo» desfaz-se num minuto. Por exemplo: acreditar que o mundo foi criado há exactamente 6000 anos significa esquecer que a cerveja foi inventada cerca de 2500 anos antes dessa data. É uma injustiça.
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Design Inteligente??

O fundamentalismo cristão nasce nos ambientes protestantes e caracteriza-se pela decisão de interpretar literalmente as Escrituras. Mas para que possa haver uma interpretação literal das escrituras, é preciso que estas possam ser livremente interpretadas pelo crente, e isto é típico do protestantismo. Não pode haver fundamentalismo católico porque a interpretação das Escrituras é mediada pela Igreja.

Já com os padres se tinha desenvolvido uma hermenêutica mais flexível, como a de Santo Agostinho, que não hesitava em admitir que a Bíblia recorria com frequência a metáforas e alegorias, e que os sete dias da Criação podiam ter sido sete milénios.

Uma vez admitindo que os sete dias da Criação são um conto poético que pode ser interpretado para além da sua letra, o Génesis parece dar razão a Darwin: primeiro tem lugar uma espécie de Big Bang, com a explosão de Luz, depois os planetas ganham forma e a Terra sofre os grandes choques geológicos (as terras separam-se do mar), em seguida aparecem os vegetais, os frutos e as sementes, e por fim as águas começam a fervilhar com seres vivos (a vida surge a partir da água), os pássaros levantam voo, e só depois, aparecem os mamíferos (é imprecisa a posição genealógica dos répteis, mas não se pode exigir demasiado do Génesis).

No fim aparece o homem que é criado a partir do barro, ou seja, de matéria precedente. Mais evolucionista do que isto não pode ser.

O que é que a teologia católica pretexta para não se identificar com um evolucionismo materialista? Tudo é obra de Deus, como é óbvio, e também que na escala evolutiva se verifica um salto qualitativo, quando Deus introduziu num organismo vivo uma alma racional imortal. É apenas este o ponto em que se funda a batalha materialismo/espiritualismo.

Um aspecto interessante nos EUA para reintroduzir a doutrina criacionista nas escolas é que não se está a falar tanto de criação divina quanto de “Desenho Inteligente”.

A ideia é: não queremos impor-vos a presença de um barbudo antropomórfico, queremos apenas que aceitem que, a ter existido um desenvolvimento evolutivo, tal não aconteceu ao acaso mas de acordo com um plano que não pode deixar de depender de uma qualquer forma de Mente (é o mesmo que admitir que o “Desenho Inteligente” admite um Deus panteísta em vez de transcendente).

Curioso é que o Desenho Inteligente não exclua um processo casual que se processa através de tentativas e erros, como o darwinismo, de modo que só sobrevivem os indivíduos que melhor se adaptam ao meio ambiente no decurso da luta pela vida.

Como fazer uma estátua a partir de um bloco de pedra, a imagem da estátua vai aparecendo por tentativas deitando-se fora o excesso.

Um Desenho Inteligente pode manifestar-se através de uma série de aceitações e repulsas daquilo que o caso oferece. Temos de decidir se primeiro está o Desenho, que escolhe e rejeita, ou se é o Caso que, aceitando e rejeitando, se manifesta como a única forma de Inteligência – o que equivaleria a dizer que é o Caso que faz Deus.

Umberto Eco – A Passo de Carangueijo

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O Que explodiu?

O big bang é uma teoria que descreve a evolução cósmica no tempo que decorreu desde uma pequeníssima fracção de segundo após o que quer que tenha acontecido que deu origem ao universo, mas não diz nada sobre o tempo zero em si. Já que, de acordo com a teoria, no começo supostamente ocorreu uma explosão. Não nos diz nada sobre o que explodiu, porque explodiu, como exoplodiu.

Einstein e todos os cientistas da época “sabiam” que o universo à maior das escalas era fixo e imutável. Einstein procurou uma modificação das equanções da relatividade geral que permitisse um universo de acordo com o preconceito prevalecente. Foi introduzida nas equações da relatividade geral a constante cosmológica.. Esta era uma forma exótica de energia que preenchia todo o espaço.

Hoje os físicos invocam a “energia escura”, que se assemelha à velha noção de éter e à nova noção de campo de Higgs.

Pressões positivas contribuem para a gravidade atractiva; as pressões negativas contribuem para a gravidade repulsiva. Quando a pressão é negativa, existe uma competição entre a gravidade atractiva normal, que surge da massa e energia, e a gravidade repulsiva exótica, que surge da pressão negativa.

A matéria e a radiação exercem uma força gravitacional atractiva. O novo termo cosmológico exerce uma força gravitacional repulsiva. Einsteis conseguia equilibrar estas duas forças para produzir um universo estático.

Hubble mostrou que o universo não é estático. Se Einstein tivesse confiado nas equações originais da relatividade geral, teria previsto a expansão do universo. Einstein arrependeu-se e apagou a constante cosmológica.

E se o campo de Higgs congelasse a uma energia não nula e aí permanecesse enquanto o resto do universo continuava a arrefecer? O campo de Higgs ficara superarrefecido. Esta situação é análoga ao que acontece com a água altamente purificada, que pode ser superarrefecia a menos de 0ºC, porque a formação de gelo requer impurezas em torno dos cristais.

Um campo de Higgs que fique preso num planalto não só preenche o espaço com energia como também contribui com uma pressão negativa uniforme: tem as mesmas propriedades da constante cosmológica.

Processos quânticos irão causar saltos aleatórios no valor do campo de Higgs permitindo que a sua energia e pressão relaxem para zero. Este salto pode ter acontecido num tempo tão curto como 10-35 segundos.

A energia e a pressão negativa dos campos de Higgs é mais de 10100 vezes maior que o valor que Einstein escolhera.

Quando o universo era muito denso a energia era carregada por um campo de Higgs, num valor afastado do seu ponto mais baixo: é o inflatão. Devido à pressão negativa, o inflatão gerou repulsão gravitacional, levando o universo a inflacionar. A repulsão durou apenas 10-35 segundos.

O universo expandiu-se por um factor de 1030 ( como escalonar uma molécula de DNA ao tamanho da Via Láctea em menos de um bilionésimo de bilionésimo de segundo).

Nenhuma da luz emitida pela maior parte do universo poderia ter-nos alcançado, e muita não chegará senão muito depois de o Sol e a Terra terem morrido.

O espaço continuou a crescer e a arrefecer permitindo que as partículas de matéria se agregassem em estruturas como galáxias, estrelas e planetas.

- "O Tecido do Cosmos" - Brian Greene

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Entropia e datação do Universo

Se a relatividade nos ensina que a passagem do tempo depende da rapidez com que nos movemos e do campo gravitacional em que estamos, de que tratamos quando os astrónomos falam do universo inteiro como tendo uma idade bem definida de 14 mil milhões de anos?
O Universo está recheado de uma radiação de microndas, que se diluiu progressivamente e arrefeceu até aos 2,7 graus acima do zero absoluto.
Nos seus estados iniciais o Universo não estava povoado por aglomerados de matéria grandes, de grande entropia. A uniformidade da radiação da temperatura da radiação confirma que o jovem universo era homogéneo – o que implica baixa entropia.
À escala das moléculas a água é heterogénea. Mas, se fizermos a média sobre os granulados moleculares de pequena escala e examinarmos a água às escalas “grandes” do quotidiano, a água no copo parece-nos uniforme. Quando o universo é examinado a escalas suficientemente grandes parece-nos homogéneo. A uniformidade da radiação é assim um testamento fossilizado de uma grande uniformidade.
Se o universo não tivesse simetria no espaço, se a radiação de fundo fosse completamente desordenada, com temperaturas muitíssimo diferentes em regiões diferentes, o tempo, num sentido cosmológico, teria pouco significado. Relógios em locais diferentes mostrariam a passagem do tempo a ritmos diferentes.
Se passássemos por uma fábrica e víssemos uma série de coisas a voarem violentamente para fora em todas as direcções, provavelmente pensaríamos que houvera uma explosão. Se seguíssemos os percursos dos fragmentos de metal e pedaços cimento ao contrário, acabaríamos por encontrá-los a todos a convergir para um sítio que seria um candidato muito provável ao local onde a explosão ocorrera.

"O Tecido do Cosmos" - Brian Greene
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Revolução Científica do Séc. XVII - PARTE I

A revolução científica dos séc. XVII e XVIII é o resultado de um longo e complexo processo que culminou com os trabalhos de Galileu e Newton. Esta revolução originou uma profunda mudança de mentalidade e de “revoluções industriais” que transformaram o mundo, os hábitos e as relações humanas.

De igual forma levou ao surgimento de uma nova arte (Renascimento literário e artístico), centralização do poder e aumento do poder na burguesia (Estado Moderno), alargamento dos horizontes geográficos, desenvolvimento do comércio a longa distância, início do capitalismo mercantil, etc.

A nova mentalidade originada por esta tremenda transformação caracteriza-se por uma crescente confiança das capacidades humanas.

Segundo Galileu, a autoridade reside «nas experiências sensíveis e nas demonstrações necessárias» e não na argumentação «vã e falaciosa» da retórica filosófica. No entanto, Descartes afirma que «poderia encontrar muito mais verdade nos raciocínios que cada um faz sobre os assuntos que lhe interessam, e cujas consequências logo se sentem no caso de ter mal julgado, do que aqueles que no seu gabinete formula o homem de letras sobre especulações que não produzem efeito algum.»

Uma nova concepção do mundo é dada por uma maior valorização da ciência. «O saber é agora um poder: daqui a sua eficácia, mas também a sua modéstia.»

A ciência moderna obriga a uma reconversão total da imagem do mundo através do fenómeno e da repetição, a medida e o cálculo, liquidou os preconceitos e as categorias mentais que tinham sustentado durante quinze séculos a ciência peripatética.

Segundo muitos pensadores e investigadores a maior transformação na história da humanidade foi a revolução científica de séc. XVII, visto que o homem ambicionava encontrar um domínio da natureza, enquanto que o homem mediecal buscava apenas a contemplação.

Como consequência de todas estas profundas modificações a escolas começam a pôr em questão com uma atitude duvidosa os saberes herdados da ciência antiga.

A ciência moderna pode ser caracterizada como um saber: não dogmático, crítico, aberto, reformulável, aproximado, susceptível a correcções ou refutações, universal e necessários “instrumentos de verificação (provas) para que se possam testar os seus resultados, tem um método organizado, é limitado aos fenómenos, possibilidade de previsão, quantitativo, funcional e operacional, com capacidade técnica e instrumental, autónomo relativamente aos outros saberes (filosofia, religião, etc.) com aos poderes estabelecidos (Estado, Igreja, etc.).

Segundo Descartes, «toda a ciência é um conhecimento certo e evidente» e que « rejeitamos todos os conhecimentos que não passam de prováveis e declaramos que é preciso confiarmos unicamente no que é perfeitamente conhecido e de que não se pode duvidar.

O objecto da ciência é o mundo, a natureza, e o seu nome é física.

Descartes expõe uma teoria do experimentalismo que o leva na elaboração científica a não separar a razão da experiência: «Esta física (…) é inseparavelmente racional e empírica, dedutiva e indutiva. Em vez de ser contraditória, esta dualidade radical exprime a necessidade de justificar a experiência pela concordância crescente da experiência e da razão, isto é, fazer penetrar a racionalidade da alma na realidade do corpo. Daqui resulta uma espécie de tensão, no estatuto da ciência, entre a sua pretensão de uma parte e a sujeição da outra.»

É pela análise das causas e efeitos e das suas múltiplas relações que podemos explicar os fenómenos no movimento que vai do efeito à causa, assim como dar a sua prova no percurso inverso, isto é, indo da causa ao efeito.

Daqui surge uma grande questão: qual é o lugar da experiência científica? Como tal, várias soluções possíveis são formuladas, de um lado Descartes defendendo a minimização do trabalho experimental, desconfiança relativamente aos sentidos, pedir tudo ao entendimento e sobretudo, a explicação do Universo por ter uma causa exterior, Deus, ao qual impõe a sua lei, o seu mecanismo, a sua organização. Outras interpretações tentam contrariar esta anti-carterianismo radical, em que se defende a posição contrária a Descartes, considerando que a sua produção é interpretada como um cientista prático que escreveu uns breves ensinos com alguma importância filosófica.

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Revolução Científica do Séc. XVII - PARTE II

Na Idade Média a posição dominante da filosofia é fortemente contestada pela fé e crença e posteriormente pela teologia. Esta contestação começa inicialmente pelos danos que tal atitude poderia causar à alma, confrontando constantemente a religião, como tal, a ciência não passava para muitos de um jogo supérfluo ou diabólico. Importante era o conhecimento das coisas divinas, onde a razão se mostrava importante e só a graça de Deus poderia ajudar.

A filosofia medieval perde o sentido da pesquisa e da reverência tão característico dos gregos: sobrevivendo em circunstâncias extremamente duras e precárias, mantida sob tutela pelos agentes culturais da época, agarrou-se desesperadamente aos textos antigos que eregiu em dogmas venerandos e quase sagrados.

A filosofia ou melhor a especulação filosófica ganhou um novo lugar na interpretação e comentário do texto, na recuperação do saber antigo agora ao serviço da fé cristã.

Como consequência dos confrontos e discussão entre fé, espírito e filosofia surge o renascimento e o humanismo.

Nos séc. XV e XVI é a chamada crise de mudança: do nada não se consegue libertar da visão mística da natureza, a alquimia, a magia e ou ciências ocultas crescem por todo o lado; do outro, novos e vigorosos progressos são feitos no campo do saber, especialmente no campo da física e da matemática.

Deste modo alguns filósofos dedicam-se simultaneamente às questões da ciência e da filosofia como Descartes, Locke, Espinoza, Leibniz.

«A partir do momento em que se estabelece um tipo de explicação dos fenómenos que assenta num tipo de prova diferente da mera coerência interna, e do resto por vezes aparente, do raciocínio, um tipo de prova apta a decidir realmente a verdade ou a falsidade de uma proposição que esta seja susceptível de ser infinitamente posta em questão – então o pensamento simplesmente verosímil, convincente, hábil, por mais genial que seja, muda de posição dentro da topografia do saber. Ou antes, perante o saber ela assume a categoria de interpretação».

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Revolução Científica do Séc. XVII - PARTE III

Nas civilizações grega e medicinal a Filosofia era a totalidade do saber e representava o conhecimento racional.

Segundo Aristóteles na sua Metafísica: «O conhecimento de todas as coisas pertence necessariamente a quem possuir, no mais alto grau, a ciência do universal (…); ora o conhecimento supremo são os primeiros princípios e as primeiras causas, porque é graças aos princípios e a partir dos princípios que o resto é conhecido (…).»

Esta definição foi a “bandeira” dos filósofos até aos tempos modernos, na medida em que atribuía a cada um deles, um valor enorme como especialista do saber, um homem que, conhecendo tudo na sua generalidade, podia discorrer pertinentemente sobre qualquer assunto em particular.

A procura do saber pelo saber era sinal de elevação do espírito, característico de uma elite intelectual e social.

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Revolução Científica do Séc. XVII - PARTE IV

A nova filosofia é forçada a reformular a sua função e estatuto. Assim, cria-se uma nova maneira de filosofar, uma metodologia mais eficaz e rigorosa e, sobretudo, a fundamentação do saber científico.

«(…) a filosofia moderna toma consciência – e o seu traço mais específico consiste precisamente nesta consciência – do carácter subjectivo ou mental do mundo que está perante nós e no qual vivemos.»

De todas estas significativas transformações resulta uma distinção mais nítida entra a representação e o objecto, isto é, a consciência de que o dado imediato da nossa consciência não é a realidade em si mesma. «Com efeito, se aquilo que conhecemos imediatamente são as nossas representações, então não podemos estar imediatamente seguros de que a realidade externa é independente da nossa mente seja tal como nós a representamos.»

A filosofia moderna toma uma autoconsciência e consequente distanciação relativamente ao mundo relacionando-se com o espírito crítico, a prática livre exame, o repúdio de toda a autoridade que não seja a da razão ou experiência. Pode-se mesmo dizer que exigência critica-se – e até mesmo um certo gosto pela argumentação céptica – são comuns em Descartes e Kant; o 1º leva a dúvida às suas consequências extremas na primeira Meditação enquanto o segundo irá restringir o conhecimento ao mundo fenomenal, isto é, aos últimos limites da experiência humana.

De igual forma verifica-se uma independência da filosofia com a fé.

Esta filosofia não parte assim da própria ideia, mas da efectividade como dado, transformando-o em ideia: o ser.

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Tecnociência

A ciência é um ponto de vista sobre o mundo, sobre o universo e sobre o homem, e por ser um ponto de vista abundam ocasiões para se cometerem erros e proporcionar as oportunidades para uma utilização destrutiva das suas próprias descobertas, algumas vezes ao arrepio das intenções dos próprios investigadores.
Os problemas éticos levantados pela tecnociência contemporânea são tão pretinentes e graves que podem provocar uma “espécie de vertigem”: é o futuro da própria humanidade na sua composição biológica que está em jogo.
Na técnica existem dois elementos culturais: conhecimento científico e valores morais. O desenvolvimento da técnica exige a aceitação de determinados valores e implica a re-valorização das valorações éticas e sociais. É que q técnica não traz só benefícios, acarreta também malefícios; os seus poderes são os nossos riscos. Precisamos não de uma técnica “fria” mas de uma técnica “temperada” pela ética.
A técnica surge como forma de o Homem dominar a Natureza para poder satisfazer as suas necessidades e, desta maneira, criar um “novo mundo” com novos objectos e instrumentos.
A ciência e a técnica são as grandes responsáveis pelos problemas como a poluição causada pelas indústrias, a extinção das espécies animais e vegetais, a escassez dos recursos da Natrureza ( Na última cimeira da Terra, em 2002, foi divulgado o como os recursos do nosso planeta estão em escassez: Para que toda a população mundial pudesse viver a nível de recursos e qualidade de vida média europeia seriam necessárias 4 “terras” e meia com os mesmos recursos que o nosso planeta). Não podemos culpar nem a ciência nem a técnica pelo caminho que se poderá tomar. Nós é que escolhemos o caminho, damos uma espécie de vida às invenções. Caminhamos com elas para um futuro que tem 50% de probabilidade de ser catastrófico até ao final do século, segundo as palavras do astrofísico Martin Rees (Público 13 de Dezembro 2003 e também Scientific American Agosto de 2004). “As novas tecnologias e as biotecnologias, em particular podem conduzir a ameaças em relação às quais poderá ser ainda mais difícil protegermo-nos delas”. Outros problemas são “desenvolvimentos em biologia e nos computadores, que podem levar-nos a construir máquinas inteligentes, e à capacidade de modificar os seres humanos. Houve uma coisa que não mudou desde que existe civilização: A NATUREZA HUMANA. MAS, durante este século, ATÉ ISSO PODE MUDAR.” Comenta Sir Martin Rees.
Se a ciência, enquanto investigação pura, é eticamente neutra, o mesmo já não podemos dizer do seu processo e das escolhas na investigação da sua aplicação. Também não podemos esquecer que a investigação científica acaba por ser refém de interesses económicos, políticos e religiosos.
Entramos duma dualidade: a tecnociência veio salvar ou destruir? Ou melhor: Quem conduz essa tecnociência salva ou mata? Ou ambas as coisas? Vivemos numa rede gigantesca, é uma questão muito complexa. Podemos apenas afirmar que existe algo positivo ou negativo ou até num estágio de reflexão numa dada comunidade científica em relação a um assunto num objectivo. O que pode ser bom para uma coisa pode ser mau para outra. O que nos salva de uma multiplicação desenfreada ( ou pelo menos ainda mais desenfreada) da tecnociência é a ética por detrás, é um travão reflectivo e ao mesmo tempo que nos sufoca. Dá espaço para se pensar no que se está a fazer mas ao mesmo tempo não deixa tempo nem certas condições para pensar em algo que não seja um ser com auréola no nosso obro a dizer: “vê lá o que estás a fazer!”.

Ler:
Scientific American Agosto 2004 – Entrevista com Sir Martin Rees
Público 13 de Dezembro 2003
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Ética e os perigos da tecnociência

A ciência é um ponto de vista sobre o mundo, sobre o universo e sobre o homem, e por ser um ponto de vista abundam nela ocasiões para se cometerem erros e proporciona as oportunidades para uma utilização destrutiva das suas próprias descobertas, algumas vezes ao arrepio das intenções dos próprios investigadores.

A investigação genética, na área da clonagem reprodutiva, é uma área de risco da ciência.
Os problemas éticos levantados pela tecnociência contemporânea são tão pretinentes e graves que podem provocar uma “espécie de vertigem”: é o futuro da própria humanidade na sua composição biológica que está em jogo.

Na técnica existem dois elementos culturais: conhecimento científico e valores morais. O desenvolvimento da técnica exige a aceitação da determinados valores e implica a re-valorização das valorações éticas e sociais.
É que a técnica não traz só benifícios, acarreta também malefícios; os seus poderes são os nossos riscos. Precisamos não de uma técnica fria mas de uma técnica temperada pela ética.

A técnica surge como forma de o homem dominar a natureza para poder satisfazer as suas necessidades e desta maneira criar um “novo mundo” com novos objectos e instrumentos.
A técnica e a ciência são as grandes responsáveis por problemas como a poluição causada pelas indústrias, a extinção das espécies animais e vegetais, a escassez dos recursos da natureza (na cimeira da terra de 2002 discutiu-se como se poderia por todas as pessoas com pobreza extrema de todo o mundo a nível médio europeu em termos económicos e de recursos, ficou-se a saber que para neste momento se poder fazer isso seriam precisas quatro planetas iguais ao nosso em termos de recursos energéticos e alimentares), o armamento nuclear, etc... Mas não podemos condenar a técnica nem a ciência mas sim que a usa para fins negativos.
O conhecimento científico pode apresentar-se como um instrumento de destruição e manipulação da humanidade. A ciência e a técnica podem ser altamente destrutivas. A ciência pode corromper-se, quando colocada ao serviço da destruição e da violação de direitos como a liberdade e a autodeterminação.
Se a ciência, enquanto investigação pura, é eticamente neutra, o mesmo já não podemos dizer do seu processo e escolhas na investigação e da sua aplicação. Também não podemos esquecer que a investigação científica acaba por ser refém de interesses económicos, políticos e religiosos.

Coloca-se a questão:
Até onde é aceitável que a ciência vá? No campo da engenharia genética com a realização de experiências com embriões humanos, foi dado ao homem um poder que pertencia unicamente à natureza.
Não podemos negar os benefícios da engenharia genética relativamente à área da clonagem terapêutica.

A ciência tem limites: não conhece toda a realidade.
Conhecemos as leis que estão na base de toda a química e de toda a biologia. Tivemos pouco êxito com a previsão do comportamento humano a partir de equações matemáticas, equacionar turbulência atmosféricas! Mesmo que encontremos um conjunto de leis básicas, continuará a existir a tarefa de desenvolver métodos de aproximação melhores que possamos elaborar com êxito previsões das consequências possíveis em situações realistas, por exemplo prever com maior precisão, na área da meteorologia, tempestades, tornados, e sismos.
Outro limite é a de não explicar a totalidade da existência humana.

É positivo não se poder saber tudo. “Um universo em que tudo se saberia seria estático e aborrecido” (Carl Sagan; “Cosmos”).
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desde (quase) o início: Evolução biológica

Evolução biológica
As mais velhas rochas, na Gronelândia, com cerca de 3 mil e oitocentos milhões de anos (menos de mil milhões de anos depois da formação da Terra). O vulcanismo primitivo chegava ao fim. Os oceanos regurgitavam de moléculas complexas geradas durante o grande dilúvio. Neste terreno há microfósseis: algas azuis, capazes de realizar fotossíntese. Nesta alga não há núcleo, apenas uma massa gelatinosa fechada dentro de uma membrana. São estas células simples que se teriam associado para formar as complexas células dos seres vivos.
Os organismos pluricelulares mais antigos têm 700 milhões de anos e são as medusas
Há 600 milhões de anos eis as primeiras conchas e artrópodes, com um exoesqueleto.
Há 500 milhões de anos o esqueleto passa para o interior: começa o reino dos peixes. Há 300 milhões de anos eis a passagem para a terra, graças à camada de ozono criada pela respiração vegetal aquática: é o começo do período dos répteis e das aves.

"Um pouco mais de azul", Humberto Reeves
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desde (quase) o início: Fase planetária

Fase planetária
No espaço faz frio e os átomos são raros, na novas moléculas são frágeis e estão sob ameaça de raios cósmicos e radiação UV. É preciso um abrigo. A natureza vai inventar um abrigo. Um ambiente sem muito calor nem muito frio, denso, que facilite os contactos e que proteja dos raios letais cósmicos: Um planeta.
O calor tem um papel dominante na vida dos planetas: qual é a origem desse calor? 1º - violência dos choques da chuva meteórica; 2º - radioactividade natural dos átomos instáveis na nebulosa inicial (urânio e tório).
Quanto mais maciço o planeta maior o seu calor inicial. A lua, 80 vezes mais leve que a Terra, extinguiu as suas reservas de calor em 3 milhões de anos. Marte ainda tem algumas reservam como testemunham os seus raros vulcões.
A quase totalidade da matéria universal é gasosa. A fracção sólida é de cerca um milionésimo do universo e a fracção líquida é mil vezes inferior. A água líquida é mais rara à escala cósmica que ouro na Terra.
O poder de dissolução da água permite integrar grandes quantidades de moléculas estranhas, os contactos entre moléculas são prolongados: a água é um potente auxiliar da organização.
Reaparece a construção fotoquímica mas em condições muitos favoráveis:
1º - A fraca radiação UV das estrelas distantes é substituída pela do Sol, há também o potente efeito ionizante dos relâmpagos;
2º - A densidade das moléculas é muito mais elevada que no espaço;
3º - Este acréscimo de população aumenta a possibilidade de encontros e ligações;
4º - A temperatura, que era de algumas dezenas de graus no espaço, agora é de centenas.
5º - As gigantes vagas oceânicas misturam as moléculas nas águas, que as protegem das radiações ionizantes.
Numa experiência em que põe num sistema fechado água líquida e gases da atmosfera inicial, com eléctrodos para efectuar descargas eléctricas. A água adquire uma cor acastanhada onde se encontram açúcares, álcoois, gorduras e ácidos aminados: substâncias orgânicas. Pensava-se que estas substâncias orgânicas só podiam ser produzidas por seres vivos.
Através de catálise formam-se moléculas capazes de quebrar o álcool ou açúcar e sugar a sua energia: é o começo da alimentação. Esta energia capturada poderia servir para rebentar em moléculas mais pequenas. Neste caso é um fracasso: os fracassos são eliminados, os êxitos persistem e abrem a via a novas aventuras
Com a ajuda de ganchos atómicos, moléculas podem associar-se a moléculas fgordas, criando uma capa impermeável. Algumas membranas possuem a propriedade de deixar entrar certas moléculas e excluir outras: tornam-se selectivas. Se, no seu interior, se encontrar um enzima, para quebrar os açúcares e libertar a sua energia ver-se-ão resíduos a sair para o exterior do sistema: é a primeira digestão(realizado em experiências laboratoriais).
Com a multiplicação dos sistemas consumidores, as reservas de energia oceânica são gastas. O progresso ficou ameaçado... até aparecer uma molécula especial, antepassado rudimentar da clorofila, que capta a energia dos fotões solares.

"Um pouco mais de azul", Humberto Reeves
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desde (quase) o início: Fase interestelar

Fase interestelar
A temperatura aproxima-se a algumas dezenas de graus absolutos. O hidrogénio vai dar novas moléculas : água, amoníaco, metano e outros hidrocarbonetos.
Partículas formadas por electrões, protões e núcleos complexos atingem a Terra: raios cósmicos. Estes raios têm energias superiores ao necessário para quebrar as ligações nucleares. Núcleos interestelares quebram-se em núcleos mais pequenos formando novos átomos: lítio, berílio e boro, que não são formados nas estrelas por serem frágeis ao calor.

"Um pouco mais de azul", Humberto Reeves
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29/03/2007

Duas Estórias, parte II

Segunda:

"A luz inicial veio do nada e depois Deus fez o Sol e pô-lo no sítio de onde vinha a luz para pensarmos que era o Sol a dar a luz."

Estas histórias estão tal qual eu as ouvi de mais do que uma pessoa que o dizia com uma cara séria, e eu o tentava ouvir também com uma cara séria…

Passo às críticas (construtivas):


Uma teoria para explicar o aparecimento da luz antes das estruturas que a produzem (estrelas) é um pouco estranha. A cosmologia tem uma resposta séria, plenamente de acordo com os cálculos e confirmadas em laboratório, mas há quem não aceite estas respostas e tente outros esquemas mais imaginativos para a explicação do aparecimento da luz antes de qualquer estrutura universal. A explicação cosmológia: A explosão de matéria foi muito violenta e projectou fotões resultantes da aniquilação da matéria com a antimatéria. Esta luz com o passar do tempo foi-se diluindo no Universo e tornou-se anémica, hoje é conhecida como radiação de fundo em microondas. A chuva que às vezes aparece nas nossas televisões confirma que essa radiação existe, e se existe veio da grande explosão. Era a luz inicial. Porém outra teoria afirma apenas, e sem nada para provar, que Deus fez a luz e depois pôs os corpos no sítio de onde vinha a luz. Isto é, Deus fez-nos a luz do Sol, e depois pôs o Sol no lugar de onde vinha essa luz. Alguma lógica?? Não! Eu e um amigo meu, matemático falava-mos desta teoria a rir porque há maneiras ridículas de não querer acreditar em outra teoria, que é séria.

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26/03/2007

Duas Estórias, parte I

Primeira:

"Um astronauta foi ao espaço e ouviu vozes a cantar, disse que eram anjos."

Passo às críticas (construtivas):

Existem 2 tipos de ondas: as ondas electromagnéticas (luz) e as ondas mecânicas (som). As ondas electromagnéticas deslocam-se em qualquer meio enquanto que as ondas mecânicas se deslocam apenas onde o seu meio permite, ou seja, onde haja meio de propagação favorável. O som desloca-se onde haja partículas que transportem o som, o som, na Terra, é transportado pelo ar, não é mais que choque de partículas, logo se houver partículas suficientes para dar continuidade a esses choques o som chega até onde o número dessas partículas seja suficiente. Como no Universo é praticamente tudo vácuo (0 partículas) como pode o som propagam-se a não ser onde a concentração de partículas seja elevada?

A história de um astronauta que foi ao espaço e afirmou ter ouvido vozes pode ser muito duvidosa. Os sons poderiam ser do interior da sua nave, se ele estivesse no interior desta; podia ser algo na comunicação incorporada no seu fato, se ele estivesse fora da nave. Ele não poderia ter ouvido nada: 1 – o som não se propaga no espaço; 2 – o fato não o deixava ouvir nada do exterior.

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criacionismo vs cerveja












A perspectiva mais radical do «criacionismo» desfaz-se num minuto. Por exemplo: acreditar que o mundo foi criado há exactamente 6000 anos significa esquecer que a cerveja foi inventada cerca de 2500 anos antes dessa data. É uma injustiça.

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08/03/2007

Design Inteligente??

O fundamentalismo cristão nasce nos ambientes protestantes e caracteriza-se pela decisão de interpretar literalmente as Escrituras. Mas para que possa haver uma interpretação literal das escrituras, é preciso que estas possam ser livremente interpretadas pelo crente, e isto é típico do protestantismo. Não pode haver fundamentalismo católico porque a interpretação das Escrituras é mediada pela Igreja.

Já com os padres se tinha desenvolvido uma hermenêutica mais flexível, como a de Santo Agostinho, que não hesitava em admitir que a Bíblia recorria com frequência a metáforas e alegorias, e que os sete dias da Criação podiam ter sido sete milénios.

Uma vez admitindo que os sete dias da Criação são um conto poético que pode ser interpretado para além da sua letra, o Génesis parece dar razão a Darwin: primeiro tem lugar uma espécie de Big Bang, com a explosão de Luz, depois os planetas ganham forma e a Terra sofre os grandes choques geológicos (as terras separam-se do mar), em seguida aparecem os vegetais, os frutos e as sementes, e por fim as águas começam a fervilhar com seres vivos (a vida surge a partir da água), os pássaros levantam voo, e só depois, aparecem os mamíferos (é imprecisa a posição genealógica dos répteis, mas não se pode exigir demasiado do Génesis).

No fim aparece o homem que é criado a partir do barro, ou seja, de matéria precedente. Mais evolucionista do que isto não pode ser.

O que é que a teologia católica pretexta para não se identificar com um evolucionismo materialista? Tudo é obra de Deus, como é óbvio, e também que na escala evolutiva se verifica um salto qualitativo, quando Deus introduziu num organismo vivo uma alma racional imortal. É apenas este o ponto em que se funda a batalha materialismo/espiritualismo.

Um aspecto interessante nos EUA para reintroduzir a doutrina criacionista nas escolas é que não se está a falar tanto de criação divina quanto de “Desenho Inteligente”.

A ideia é: não queremos impor-vos a presença de um barbudo antropomórfico, queremos apenas que aceitem que, a ter existido um desenvolvimento evolutivo, tal não aconteceu ao acaso mas de acordo com um plano que não pode deixar de depender de uma qualquer forma de Mente (é o mesmo que admitir que o “Desenho Inteligente” admite um Deus panteísta em vez de transcendente).

Curioso é que o Desenho Inteligente não exclua um processo casual que se processa através de tentativas e erros, como o darwinismo, de modo que só sobrevivem os indivíduos que melhor se adaptam ao meio ambiente no decurso da luta pela vida.

Como fazer uma estátua a partir de um bloco de pedra, a imagem da estátua vai aparecendo por tentativas deitando-se fora o excesso.

Um Desenho Inteligente pode manifestar-se através de uma série de aceitações e repulsas daquilo que o caso oferece. Temos de decidir se primeiro está o Desenho, que escolhe e rejeita, ou se é o Caso que, aceitando e rejeitando, se manifesta como a única forma de Inteligência – o que equivaleria a dizer que é o Caso que faz Deus.

Umberto Eco – A Passo de Carangueijo

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06/03/2007

O Que explodiu?

O big bang é uma teoria que descreve a evolução cósmica no tempo que decorreu desde uma pequeníssima fracção de segundo após o que quer que tenha acontecido que deu origem ao universo, mas não diz nada sobre o tempo zero em si. Já que, de acordo com a teoria, no começo supostamente ocorreu uma explosão. Não nos diz nada sobre o que explodiu, porque explodiu, como exoplodiu.

Einstein e todos os cientistas da época “sabiam” que o universo à maior das escalas era fixo e imutável. Einstein procurou uma modificação das equanções da relatividade geral que permitisse um universo de acordo com o preconceito prevalecente. Foi introduzida nas equações da relatividade geral a constante cosmológica.. Esta era uma forma exótica de energia que preenchia todo o espaço.

Hoje os físicos invocam a “energia escura”, que se assemelha à velha noção de éter e à nova noção de campo de Higgs.

Pressões positivas contribuem para a gravidade atractiva; as pressões negativas contribuem para a gravidade repulsiva. Quando a pressão é negativa, existe uma competição entre a gravidade atractiva normal, que surge da massa e energia, e a gravidade repulsiva exótica, que surge da pressão negativa.

A matéria e a radiação exercem uma força gravitacional atractiva. O novo termo cosmológico exerce uma força gravitacional repulsiva. Einsteis conseguia equilibrar estas duas forças para produzir um universo estático.

Hubble mostrou que o universo não é estático. Se Einstein tivesse confiado nas equações originais da relatividade geral, teria previsto a expansão do universo. Einstein arrependeu-se e apagou a constante cosmológica.

E se o campo de Higgs congelasse a uma energia não nula e aí permanecesse enquanto o resto do universo continuava a arrefecer? O campo de Higgs ficara superarrefecido. Esta situação é análoga ao que acontece com a água altamente purificada, que pode ser superarrefecia a menos de 0ºC, porque a formação de gelo requer impurezas em torno dos cristais.

Um campo de Higgs que fique preso num planalto não só preenche o espaço com energia como também contribui com uma pressão negativa uniforme: tem as mesmas propriedades da constante cosmológica.

Processos quânticos irão causar saltos aleatórios no valor do campo de Higgs permitindo que a sua energia e pressão relaxem para zero. Este salto pode ter acontecido num tempo tão curto como 10-35 segundos.

A energia e a pressão negativa dos campos de Higgs é mais de 10100 vezes maior que o valor que Einstein escolhera.

Quando o universo era muito denso a energia era carregada por um campo de Higgs, num valor afastado do seu ponto mais baixo: é o inflatão. Devido à pressão negativa, o inflatão gerou repulsão gravitacional, levando o universo a inflacionar. A repulsão durou apenas 10-35 segundos.

O universo expandiu-se por um factor de 1030 ( como escalonar uma molécula de DNA ao tamanho da Via Láctea em menos de um bilionésimo de bilionésimo de segundo).

Nenhuma da luz emitida pela maior parte do universo poderia ter-nos alcançado, e muita não chegará senão muito depois de o Sol e a Terra terem morrido.

O espaço continuou a crescer e a arrefecer permitindo que as partículas de matéria se agregassem em estruturas como galáxias, estrelas e planetas.

- "O Tecido do Cosmos" - Brian Greene

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28/02/2007

Entropia e datação do Universo

Se a relatividade nos ensina que a passagem do tempo depende da rapidez com que nos movemos e do campo gravitacional em que estamos, de que tratamos quando os astrónomos falam do universo inteiro como tendo uma idade bem definida de 14 mil milhões de anos?
O Universo está recheado de uma radiação de microndas, que se diluiu progressivamente e arrefeceu até aos 2,7 graus acima do zero absoluto.
Nos seus estados iniciais o Universo não estava povoado por aglomerados de matéria grandes, de grande entropia. A uniformidade da radiação da temperatura da radiação confirma que o jovem universo era homogéneo – o que implica baixa entropia.
À escala das moléculas a água é heterogénea. Mas, se fizermos a média sobre os granulados moleculares de pequena escala e examinarmos a água às escalas “grandes” do quotidiano, a água no copo parece-nos uniforme. Quando o universo é examinado a escalas suficientemente grandes parece-nos homogéneo. A uniformidade da radiação é assim um testamento fossilizado de uma grande uniformidade.
Se o universo não tivesse simetria no espaço, se a radiação de fundo fosse completamente desordenada, com temperaturas muitíssimo diferentes em regiões diferentes, o tempo, num sentido cosmológico, teria pouco significado. Relógios em locais diferentes mostrariam a passagem do tempo a ritmos diferentes.
Se passássemos por uma fábrica e víssemos uma série de coisas a voarem violentamente para fora em todas as direcções, provavelmente pensaríamos que houvera uma explosão. Se seguíssemos os percursos dos fragmentos de metal e pedaços cimento ao contrário, acabaríamos por encontrá-los a todos a convergir para um sítio que seria um candidato muito provável ao local onde a explosão ocorrera.

"O Tecido do Cosmos" - Brian Greene

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22/09/2006

Revolução Científica do Séc. XVII - PARTE I

A revolução científica dos séc. XVII e XVIII é o resultado de um longo e complexo processo que culminou com os trabalhos de Galileu e Newton. Esta revolução originou uma profunda mudança de mentalidade e de “revoluções industriais” que transformaram o mundo, os hábitos e as relações humanas.

De igual forma levou ao surgimento de uma nova arte (Renascimento literário e artístico), centralização do poder e aumento do poder na burguesia (Estado Moderno), alargamento dos horizontes geográficos, desenvolvimento do comércio a longa distância, início do capitalismo mercantil, etc.

A nova mentalidade originada por esta tremenda transformação caracteriza-se por uma crescente confiança das capacidades humanas.

Segundo Galileu, a autoridade reside «nas experiências sensíveis e nas demonstrações necessárias» e não na argumentação «vã e falaciosa» da retórica filosófica. No entanto, Descartes afirma que «poderia encontrar muito mais verdade nos raciocínios que cada um faz sobre os assuntos que lhe interessam, e cujas consequências logo se sentem no caso de ter mal julgado, do que aqueles que no seu gabinete formula o homem de letras sobre especulações que não produzem efeito algum.»

Uma nova concepção do mundo é dada por uma maior valorização da ciência. «O saber é agora um poder: daqui a sua eficácia, mas também a sua modéstia.»

A ciência moderna obriga a uma reconversão total da imagem do mundo através do fenómeno e da repetição, a medida e o cálculo, liquidou os preconceitos e as categorias mentais que tinham sustentado durante quinze séculos a ciência peripatética.

Segundo muitos pensadores e investigadores a maior transformação na história da humanidade foi a revolução científica de séc. XVII, visto que o homem ambicionava encontrar um domínio da natureza, enquanto que o homem mediecal buscava apenas a contemplação.

Como consequência de todas estas profundas modificações a escolas começam a pôr em questão com uma atitude duvidosa os saberes herdados da ciência antiga.

A ciência moderna pode ser caracterizada como um saber: não dogmático, crítico, aberto, reformulável, aproximado, susceptível a correcções ou refutações, universal e necessários “instrumentos de verificação (provas) para que se possam testar os seus resultados, tem um método organizado, é limitado aos fenómenos, possibilidade de previsão, quantitativo, funcional e operacional, com capacidade técnica e instrumental, autónomo relativamente aos outros saberes (filosofia, religião, etc.) com aos poderes estabelecidos (Estado, Igreja, etc.).

Segundo Descartes, «toda a ciência é um conhecimento certo e evidente» e que « rejeitamos todos os conhecimentos que não passam de prováveis e declaramos que é preciso confiarmos unicamente no que é perfeitamente conhecido e de que não se pode duvidar.

O objecto da ciência é o mundo, a natureza, e o seu nome é física.

Descartes expõe uma teoria do experimentalismo que o leva na elaboração científica a não separar a razão da experiência: «Esta física (…) é inseparavelmente racional e empírica, dedutiva e indutiva. Em vez de ser contraditória, esta dualidade radical exprime a necessidade de justificar a experiência pela concordância crescente da experiência e da razão, isto é, fazer penetrar a racionalidade da alma na realidade do corpo. Daqui resulta uma espécie de tensão, no estatuto da ciência, entre a sua pretensão de uma parte e a sujeição da outra.»

É pela análise das causas e efeitos e das suas múltiplas relações que podemos explicar os fenómenos no movimento que vai do efeito à causa, assim como dar a sua prova no percurso inverso, isto é, indo da causa ao efeito.

Daqui surge uma grande questão: qual é o lugar da experiência científica? Como tal, várias soluções possíveis são formuladas, de um lado Descartes defendendo a minimização do trabalho experimental, desconfiança relativamente aos sentidos, pedir tudo ao entendimento e sobretudo, a explicação do Universo por ter uma causa exterior, Deus, ao qual impõe a sua lei, o seu mecanismo, a sua organização. Outras interpretações tentam contrariar esta anti-carterianismo radical, em que se defende a posição contrária a Descartes, considerando que a sua produção é interpretada como um cientista prático que escreveu uns breves ensinos com alguma importância filosófica.

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Revolução Científica do Séc. XVII - PARTE II

Na Idade Média a posição dominante da filosofia é fortemente contestada pela fé e crença e posteriormente pela teologia. Esta contestação começa inicialmente pelos danos que tal atitude poderia causar à alma, confrontando constantemente a religião, como tal, a ciência não passava para muitos de um jogo supérfluo ou diabólico. Importante era o conhecimento das coisas divinas, onde a razão se mostrava importante e só a graça de Deus poderia ajudar.

A filosofia medieval perde o sentido da pesquisa e da reverência tão característico dos gregos: sobrevivendo em circunstâncias extremamente duras e precárias, mantida sob tutela pelos agentes culturais da época, agarrou-se desesperadamente aos textos antigos que eregiu em dogmas venerandos e quase sagrados.

A filosofia ou melhor a especulação filosófica ganhou um novo lugar na interpretação e comentário do texto, na recuperação do saber antigo agora ao serviço da fé cristã.

Como consequência dos confrontos e discussão entre fé, espírito e filosofia surge o renascimento e o humanismo.

Nos séc. XV e XVI é a chamada crise de mudança: do nada não se consegue libertar da visão mística da natureza, a alquimia, a magia e ou ciências ocultas crescem por todo o lado; do outro, novos e vigorosos progressos são feitos no campo do saber, especialmente no campo da física e da matemática.

Deste modo alguns filósofos dedicam-se simultaneamente às questões da ciência e da filosofia como Descartes, Locke, Espinoza, Leibniz.

«A partir do momento em que se estabelece um tipo de explicação dos fenómenos que assenta num tipo de prova diferente da mera coerência interna, e do resto por vezes aparente, do raciocínio, um tipo de prova apta a decidir realmente a verdade ou a falsidade de uma proposição que esta seja susceptível de ser infinitamente posta em questão – então o pensamento simplesmente verosímil, convincente, hábil, por mais genial que seja, muda de posição dentro da topografia do saber. Ou antes, perante o saber ela assume a categoria de interpretação».

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Revolução Científica do Séc. XVII - PARTE III

Nas civilizações grega e medicinal a Filosofia era a totalidade do saber e representava o conhecimento racional.

Segundo Aristóteles na sua Metafísica: «O conhecimento de todas as coisas pertence necessariamente a quem possuir, no mais alto grau, a ciência do universal (…); ora o conhecimento supremo são os primeiros princípios e as primeiras causas, porque é graças aos princípios e a partir dos princípios que o resto é conhecido (…).»

Esta definição foi a “bandeira” dos filósofos até aos tempos modernos, na medida em que atribuía a cada um deles, um valor enorme como especialista do saber, um homem que, conhecendo tudo na sua generalidade, podia discorrer pertinentemente sobre qualquer assunto em particular.

A procura do saber pelo saber era sinal de elevação do espírito, característico de uma elite intelectual e social.

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Revolução Científica do Séc. XVII - PARTE IV

A nova filosofia é forçada a reformular a sua função e estatuto. Assim, cria-se uma nova maneira de filosofar, uma metodologia mais eficaz e rigorosa e, sobretudo, a fundamentação do saber científico.

«(…) a filosofia moderna toma consciência – e o seu traço mais específico consiste precisamente nesta consciência – do carácter subjectivo ou mental do mundo que está perante nós e no qual vivemos.»

De todas estas significativas transformações resulta uma distinção mais nítida entra a representação e o objecto, isto é, a consciência de que o dado imediato da nossa consciência não é a realidade em si mesma. «Com efeito, se aquilo que conhecemos imediatamente são as nossas representações, então não podemos estar imediatamente seguros de que a realidade externa é independente da nossa mente seja tal como nós a representamos.»

A filosofia moderna toma uma autoconsciência e consequente distanciação relativamente ao mundo relacionando-se com o espírito crítico, a prática livre exame, o repúdio de toda a autoridade que não seja a da razão ou experiência. Pode-se mesmo dizer que exigência critica-se – e até mesmo um certo gosto pela argumentação céptica – são comuns em Descartes e Kant; o 1º leva a dúvida às suas consequências extremas na primeira Meditação enquanto o segundo irá restringir o conhecimento ao mundo fenomenal, isto é, aos últimos limites da experiência humana.

De igual forma verifica-se uma independência da filosofia com a fé.

Esta filosofia não parte assim da própria ideia, mas da efectividade como dado, transformando-o em ideia: o ser.

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Tecnociência

A ciência é um ponto de vista sobre o mundo, sobre o universo e sobre o homem, e por ser um ponto de vista abundam ocasiões para se cometerem erros e proporcionar as oportunidades para uma utilização destrutiva das suas próprias descobertas, algumas vezes ao arrepio das intenções dos próprios investigadores.
Os problemas éticos levantados pela tecnociência contemporânea são tão pretinentes e graves que podem provocar uma “espécie de vertigem”: é o futuro da própria humanidade na sua composição biológica que está em jogo.
Na técnica existem dois elementos culturais: conhecimento científico e valores morais. O desenvolvimento da técnica exige a aceitação de determinados valores e implica a re-valorização das valorações éticas e sociais. É que q técnica não traz só benefícios, acarreta também malefícios; os seus poderes são os nossos riscos. Precisamos não de uma técnica “fria” mas de uma técnica “temperada” pela ética.
A técnica surge como forma de o Homem dominar a Natureza para poder satisfazer as suas necessidades e, desta maneira, criar um “novo mundo” com novos objectos e instrumentos.
A ciência e a técnica são as grandes responsáveis pelos problemas como a poluição causada pelas indústrias, a extinção das espécies animais e vegetais, a escassez dos recursos da Natrureza ( Na última cimeira da Terra, em 2002, foi divulgado o como os recursos do nosso planeta estão em escassez: Para que toda a população mundial pudesse viver a nível de recursos e qualidade de vida média europeia seriam necessárias 4 “terras” e meia com os mesmos recursos que o nosso planeta). Não podemos culpar nem a ciência nem a técnica pelo caminho que se poderá tomar. Nós é que escolhemos o caminho, damos uma espécie de vida às invenções. Caminhamos com elas para um futuro que tem 50% de probabilidade de ser catastrófico até ao final do século, segundo as palavras do astrofísico Martin Rees (Público 13 de Dezembro 2003 e também Scientific American Agosto de 2004). “As novas tecnologias e as biotecnologias, em particular podem conduzir a ameaças em relação às quais poderá ser ainda mais difícil protegermo-nos delas”. Outros problemas são “desenvolvimentos em biologia e nos computadores, que podem levar-nos a construir máquinas inteligentes, e à capacidade de modificar os seres humanos. Houve uma coisa que não mudou desde que existe civilização: A NATUREZA HUMANA. MAS, durante este século, ATÉ ISSO PODE MUDAR.” Comenta Sir Martin Rees.
Se a ciência, enquanto investigação pura, é eticamente neutra, o mesmo já não podemos dizer do seu processo e das escolhas na investigação da sua aplicação. Também não podemos esquecer que a investigação científica acaba por ser refém de interesses económicos, políticos e religiosos.
Entramos duma dualidade: a tecnociência veio salvar ou destruir? Ou melhor: Quem conduz essa tecnociência salva ou mata? Ou ambas as coisas? Vivemos numa rede gigantesca, é uma questão muito complexa. Podemos apenas afirmar que existe algo positivo ou negativo ou até num estágio de reflexão numa dada comunidade científica em relação a um assunto num objectivo. O que pode ser bom para uma coisa pode ser mau para outra. O que nos salva de uma multiplicação desenfreada ( ou pelo menos ainda mais desenfreada) da tecnociência é a ética por detrás, é um travão reflectivo e ao mesmo tempo que nos sufoca. Dá espaço para se pensar no que se está a fazer mas ao mesmo tempo não deixa tempo nem certas condições para pensar em algo que não seja um ser com auréola no nosso obro a dizer: “vê lá o que estás a fazer!”.

Ler:
Scientific American Agosto 2004 – Entrevista com Sir Martin Rees
Público 13 de Dezembro 2003

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14/09/2006

Ética e os perigos da tecnociência

A ciência é um ponto de vista sobre o mundo, sobre o universo e sobre o homem, e por ser um ponto de vista abundam nela ocasiões para se cometerem erros e proporciona as oportunidades para uma utilização destrutiva das suas próprias descobertas, algumas vezes ao arrepio das intenções dos próprios investigadores.

A investigação genética, na área da clonagem reprodutiva, é uma área de risco da ciência.
Os problemas éticos levantados pela tecnociência contemporânea são tão pretinentes e graves que podem provocar uma “espécie de vertigem”: é o futuro da própria humanidade na sua composição biológica que está em jogo.

Na técnica existem dois elementos culturais: conhecimento científico e valores morais. O desenvolvimento da técnica exige a aceitação da determinados valores e implica a re-valorização das valorações éticas e sociais.
É que a técnica não traz só benifícios, acarreta também malefícios; os seus poderes são os nossos riscos. Precisamos não de uma técnica fria mas de uma técnica temperada pela ética.

A técnica surge como forma de o homem dominar a natureza para poder satisfazer as suas necessidades e desta maneira criar um “novo mundo” com novos objectos e instrumentos.
A técnica e a ciência são as grandes responsáveis por problemas como a poluição causada pelas indústrias, a extinção das espécies animais e vegetais, a escassez dos recursos da natureza (na cimeira da terra de 2002 discutiu-se como se poderia por todas as pessoas com pobreza extrema de todo o mundo a nível médio europeu em termos económicos e de recursos, ficou-se a saber que para neste momento se poder fazer isso seriam precisas quatro planetas iguais ao nosso em termos de recursos energéticos e alimentares), o armamento nuclear, etc... Mas não podemos condenar a técnica nem a ciência mas sim que a usa para fins negativos.
O conhecimento científico pode apresentar-se como um instrumento de destruição e manipulação da humanidade. A ciência e a técnica podem ser altamente destrutivas. A ciência pode corromper-se, quando colocada ao serviço da destruição e da violação de direitos como a liberdade e a autodeterminação.
Se a ciência, enquanto investigação pura, é eticamente neutra, o mesmo já não podemos dizer do seu processo e escolhas na investigação e da sua aplicação. Também não podemos esquecer que a investigação científica acaba por ser refém de interesses económicos, políticos e religiosos.

Coloca-se a questão:
Até onde é aceitável que a ciência vá? No campo da engenharia genética com a realização de experiências com embriões humanos, foi dado ao homem um poder que pertencia unicamente à natureza.
Não podemos negar os benefícios da engenharia genética relativamente à área da clonagem terapêutica.

A ciência tem limites: não conhece toda a realidade.
Conhecemos as leis que estão na base de toda a química e de toda a biologia. Tivemos pouco êxito com a previsão do comportamento humano a partir de equações matemáticas, equacionar turbulência atmosféricas! Mesmo que encontremos um conjunto de leis básicas, continuará a existir a tarefa de desenvolver métodos de aproximação melhores que possamos elaborar com êxito previsões das consequências possíveis em situações realistas, por exemplo prever com maior precisão, na área da meteorologia, tempestades, tornados, e sismos.
Outro limite é a de não explicar a totalidade da existência humana.

É positivo não se poder saber tudo. “Um universo em que tudo se saberia seria estático e aborrecido” (Carl Sagan; “Cosmos”).

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desde (quase) o início: Evolução biológica

Evolução biológica
As mais velhas rochas, na Gronelândia, com cerca de 3 mil e oitocentos milhões de anos (menos de mil milhões de anos depois da formação da Terra). O vulcanismo primitivo chegava ao fim. Os oceanos regurgitavam de moléculas complexas geradas durante o grande dilúvio. Neste terreno há microfósseis: algas azuis, capazes de realizar fotossíntese. Nesta alga não há núcleo, apenas uma massa gelatinosa fechada dentro de uma membrana. São estas células simples que se teriam associado para formar as complexas células dos seres vivos.
Os organismos pluricelulares mais antigos têm 700 milhões de anos e são as medusas
Há 600 milhões de anos eis as primeiras conchas e artrópodes, com um exoesqueleto.
Há 500 milhões de anos o esqueleto passa para o interior: começa o reino dos peixes. Há 300 milhões de anos eis a passagem para a terra, graças à camada de ozono criada pela respiração vegetal aquática: é o começo do período dos répteis e das aves.

"Um pouco mais de azul", Humberto Reeves

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desde (quase) o início: Fase planetária

Fase planetária
No espaço faz frio e os átomos são raros, na novas moléculas são frágeis e estão sob ameaça de raios cósmicos e radiação UV. É preciso um abrigo. A natureza vai inventar um abrigo. Um ambiente sem muito calor nem muito frio, denso, que facilite os contactos e que proteja dos raios letais cósmicos: Um planeta.
O calor tem um papel dominante na vida dos planetas: qual é a origem desse calor? 1º - violência dos choques da chuva meteórica; 2º - radioactividade natural dos átomos instáveis na nebulosa inicial (urânio e tório).
Quanto mais maciço o planeta maior o seu calor inicial. A lua, 80 vezes mais leve que a Terra, extinguiu as suas reservas de calor em 3 milhões de anos. Marte ainda tem algumas reservam como testemunham os seus raros vulcões.
A quase totalidade da matéria universal é gasosa. A fracção sólida é de cerca um milionésimo do universo e a fracção líquida é mil vezes inferior. A água líquida é mais rara à escala cósmica que ouro na Terra.
O poder de dissolução da água permite integrar grandes quantidades de moléculas estranhas, os contactos entre moléculas são prolongados: a água é um potente auxiliar da organização.
Reaparece a construção fotoquímica mas em condições muitos favoráveis:
1º - A fraca radiação UV das estrelas distantes é substituída pela do Sol, há também o potente efeito ionizante dos relâmpagos;
2º - A densidade das moléculas é muito mais elevada que no espaço;
3º - Este acréscimo de população aumenta a possibilidade de encontros e ligações;
4º - A temperatura, que era de algumas dezenas de graus no espaço, agora é de centenas.
5º - As gigantes vagas oceânicas misturam as moléculas nas águas, que as protegem das radiações ionizantes.
Numa experiência em que põe num sistema fechado água líquida e gases da atmosfera inicial, com eléctrodos para efectuar descargas eléctricas. A água adquire uma cor acastanhada onde se encontram açúcares, álcoois, gorduras e ácidos aminados: substâncias orgânicas. Pensava-se que estas substâncias orgânicas só podiam ser produzidas por seres vivos.
Através de catálise formam-se moléculas capazes de quebrar o álcool ou açúcar e sugar a sua energia: é o começo da alimentação. Esta energia capturada poderia servir para rebentar em moléculas mais pequenas. Neste caso é um fracasso: os fracassos são eliminados, os êxitos persistem e abrem a via a novas aventuras
Com a ajuda de ganchos atómicos, moléculas podem associar-se a moléculas fgordas, criando uma capa impermeável. Algumas membranas possuem a propriedade de deixar entrar certas moléculas e excluir outras: tornam-se selectivas. Se, no seu interior, se encontrar um enzima, para quebrar os açúcares e libertar a sua energia ver-se-ão resíduos a sair para o exterior do sistema: é a primeira digestão(realizado em experiências laboratoriais).
Com a multiplicação dos sistemas consumidores, as reservas de energia oceânica são gastas. O progresso ficou ameaçado... até aparecer uma molécula especial, antepassado rudimentar da clorofila, que capta a energia dos fotões solares.

"Um pouco mais de azul", Humberto Reeves

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desde (quase) o início: Fase interestelar

Fase interestelar
A temperatura aproxima-se a algumas dezenas de graus absolutos. O hidrogénio vai dar novas moléculas : água, amoníaco, metano e outros hidrocarbonetos.
Partículas formadas por electrões, protões e núcleos complexos atingem a Terra: raios cósmicos. Estes raios têm energias superiores ao necessário para quebrar as ligações nucleares. Núcleos interestelares quebram-se em núcleos mais pequenos formando novos átomos: lítio, berílio e boro, que não são formados nas estrelas por serem frágeis ao calor.

"Um pouco mais de azul", Humberto Reeves

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