Nos últimos meses todos nós temos sido assaltados através do nosso mail. Pior, querem matar as pessoas fazendo acreditar que uma cura não o é. Pois é, têm havido vários hoaxes a circular nas nossas caixas de correio virtual a convidar-nos a não tomarmos a vacina para a gripe e a proclamar que o vírus foi criado para nos matar, que a vacina mata, etc…
Um hoax é uma mensagem que desinforma. É muito apelativo pois contém caracteres grandes, outros em maiúsculas, outros sublinhados, frases extravagantes e coloridas. Há muita gente que não está apta para visualizar os erros contidos num hoax. As datas erradas, nomes fictícios, contactos fictícios, pequenos pormenores de incoerência e contradições, etc.
Esses hoaxes descrevem o esqualeno (componente da vacina da gripe) como letal, o thimerosal (outro componente) também é mortal. Sem falar de que o vírus se pode infiltrar no nosso genoma e uma série de barbaridades que, para quem não percebe do assunto (e há muita gente), apanha as pessoas e as consegue influenciar. Qual é a solução quando apanhamos uma hoax (mail cheio de cor e letras garrafais)? É ir ao Google e procurar pelo assunto em sites científicos. Muitos sites científicos e mais sérios informam de forma simples (para leigos na matéria) que esse mail é falso e porquê. Pesquisar 5 minutos não custa. Depois é só substituir o que vem no mail pela explicação séria, coerente e correcta e passar. Assim toda a gente vai perceber o que é a realidade.
O Esqualeno é um adjuvante usado em algumas vacinas da gripe, nomeadamente da Novartis e da GSK. Contudo é usado desde 1997 e já foram administradas cerca e 45 milhões de doses com este componente. Se fosse letal como referem os hoaxes haveriam centenas de milhares ou até milhões de mortes. Este composto é encontrado em plantas, em óleo de peixe, em cosméticos, em suplementos nutricionais e até em humanos. O nosso fígado produz esqualeno que passa a circular no sangue. E agora? Estamos todos mortos? Parece-me que não.
Os EUA não usaram esqualeno como adjuvante nas suas vacinas para esta última estirpe de gripe (A/H1N1/2009) enquanto a Europa usou. Segundo a CDC “The absence of significant vaccine-related adverse events following this number of doses suggests that squalene in vaccines has no significant risk.”. Isto com 22 milhões de doses administradas.
Outra desinformação é que o esqualeno provoca doenças auto-imunes. Um estudo com esqualeno MF59 induziu, de facto, sintomas idênticos a lúpus em camudongos. Mas altas quantidades do mesmo produto não provocaram o mesmo efeito em humanos. Mito desfeito!
Agora o thimerosal. É usado para evitar a contaminação da solução das vacinas por bactérias. O problema neste componente é o mercúrio que os hoaxes dizem ser letal. Contudo não há evidência de que a quantidade seja tóxica. Mais, o cação tem mais mercúrio do que a vacina.
Mais sobre os mitos horrendos que andam a ser disseminados pela Web:
Até agora as mutações silenciosas eram aquelas a que não correspondia qualquer alteração fenotípica, pois não haveria alteração das proteínas formadas.
As mutações pontuais, trocas de uma única letra, podem levar a alterações de aminoácidos e das proteínas constituídas por eles. O aminoácido pode ser errado e a proteína deixa de ter função ou tem a sua função debilitada. Ou pior, em determinadas trocas de letras pode surgir o sinal de STOP de tradução e a proteína não fica concluída. Outro tipo de mutação é a mutação silenciosa, a troca é feita mas o seu significado é semelhante no codão final (conjuntos de 3 letras que leva à formação de um aminoácido).
Três mutações pontuais modificam moléculas de hemoglobina e são responsáveis por três doenças graves:
Anemia falciforme – Substituição de um aminoácido hidrofílico por um hidrofóbico
Policitemia – Mutação sem sentido (tradução incompleta da proteína) interrompe uma das proteínas da hemoglobina. Esta mutação resulta no espessamento do sangue.
Talassemia– Mutação com sentido (tradução alongada da protína pela retirada do sinal STOP) troca o codão TAA (sinal STOP) pelo CAA. A proteína torna-se disfuncional.
Estratégia
A bactéria Escherichia coli traduz o aminoácido asparagina. O codão AAC aparece com mais frequência no seu DNA do que o codão AAT. Ambos os codões codificam para a asparagina. Contudo observa-se um aumento das taxas de síntese proteica com o AAC. A razão é que os tRNA (estruturas que se inserem no ribossoma e constroem os aminoácidos aquando da entrada do RNA) destes codões aparecem em concentrações diferentes. O tRNA do AAT é mais abundante do que o tRNA do AAC, desta forma há maior probabilidade de se traduzir o aminoácido do AAT. “Análises de genes de mamíferos [plantas, moscas e vermes também apresentam desvios similares] revelam tendências que favorecem determinados codões.”
Sair do Silêncio
Após a transcrição de DNA para RNA são retiradas regiões não codificadas, os intrões. Os exões são deixados, são as regiões codificadas. O RNA contendo apenas os exões é o mRNA. As coisas complicam-se quando se descobre que os exões não têm a função única de codificar para aminoácidos mas também ajudam na remoção dos intrões. Num RNA inicial os intrões e os exões estão alternados. Para que um intrão seja removido terá de haver um sinal que faça a maquinaria remover o intrão. Na junções intrão/exão existem 3 a 8 letras (estimuladores de intrões exónicos – ESSE) que podem ter um sinal de quebra da ligação ou de não quebra, mantendo-os unidos. Estes estimuladores podem fazer com que o organismo opte por certos nucleótidos. Os codões GGA e GGG codificam o aminoácido glicina, mas também se encontram em estimuladores de junções.
Alterações silenciosas nesses estimuladores de junções podem não alterar um aminoácido mas podem interromper a remoção dos intrões, o que poderá ter um efeito nefasto para uma proteína. A fibrose cística é uma doença causada por uma mutação silenciosa que intervém, também, na remoção dos intrões.
Outro mecanismo pelo qual a mutação silenciosa pode ser prejudicial é na dobra do mRNA. Mesmo que o intrão seja removido correctamente, o mRNA pode não dobrar devidamente, apenas pelo facto de uma letra ser diferente. O modo como se dobra determina a estabilidade do mRNA e isso afecta a velocidade de tradução. Alguns distúrbios cognitivos têm este mecanismo associado.
Eficiência
Grzegorz Kudla e colegas alteraram a percentagem relativa de G e C, o que levou a uma produção proteica cem vezes superior comparativamente com os mesmo genes pobres em G e C.
O gene COMT associado à tolerância à dor apresenta uma mutação que resulta numa alteração de um aminoácido. Contudo não há uma única variante deste gene. Não é do tipo on e off. Pessoas com intolerência à dor alta ou baixa apresentavam os mesmos nucleótidos, o que indicava haver outra causa para as variações. Os últimos resultados apontam para as mutações silenciosas.
J.V. Chamary e Laurence D. Hurst estimam que “entre 5% e 10% dos genes humanos contêm pelo menos uma região onde as mutações silenciosas poderiam ser prejudiciais.”
Fonte: Scientific American “O Custo das mutações Silenciosas”, J.V. Chamary e Laurence D. Hurst , Julho 2009
"Resistência às bactérias nãoo é um fenómeno evolutivo uma vez que nada de novo é criado, mas sim ocorre uma recombinação de genes que já existem.
Mutação não é sinónimo de evolução."
Ele não é da área da ciência, como tal terei de usar letras como A, B e C como exemplos de bases azotadas e fazer metáforas com o alfabeto. Sim porque no nosso genoma, ao microscópio, não vemos G, T, C ou A, vemos estruturas e,a elas damos nomes.
Para o Mats uma alteração genética nunca pode formar informação nova porque vê que um A não pode gerar um B por magia, tal como um certo deus criou o ser humano (aí já pode haver magia). De facto não há magia nenhuma, há compreensão científica de como as coisas funcionam.
Imaginemos 2 sequências genómicas:
1-ABCDEFGHI
2-RAYGUCBDI
Têm mais ou menos 50% das mesmas letras mas são muito diferentes, vejamos:
A proteína resultante em 1: ABC DEF GHI
A proteina resultante em 2: RAY GUC BDI
Nenhum dos aminoácidos é igual, a proteína seria diferente, não efectuaria o seu trabalho. Talvez fosse uma proteina que efectuasse o mesmo trabalho com mais eficácia. As bactérias usam proteinas ligeiramente diferentes para sobreviver num meio com menos oxigénio, por exemplo. É um fenómeno destes que está por detrás duma resistência.
Uma mutação pode ser pontual ou numa zona vasta, pode até incluir cromossomas inteiros. Podem ser delecções, inserções, transposões ou inversões. Após a alteração a mutação pode ter efeitos ou pode ser silenciosa.
Delecções:
ABCDEFGHI -> ACDEFGHI o B foi eliminado
proteina final - ACD EFG HI
Inserções:
ABCDEFGHI -> AMCDEFGHI o M foi inserido
proteina final - ABM CDE FGH I
Como podemos ver apenas por estes dois exemplos, a proteina final pode ser totalmente diferente, uma sequência genética pode codificar para uma proteina totalmente diferente, ou não, dependendo da zona alvo da mutação.
No blog Sem Ciência aparece uma notícia intrigante. Uma descoberta interessante. Começa assim: "“No princípio, Deus criou os Céus e a Terra” seria uma afirmação incorreta de acordo com o estudo de uma pesquisadora holandesa."
Ellen Van de Wolde, divulgou recentemente a sua tese na Universidade de Radbound. Ellen é "professora que refuta as primeiras palavras da Gênesis ensina e pesquisa o Velho testamento e textos fonte do judaísmo na universidade. Para ela, houve um erro de tradução e interpretação da Bíblia." refere o blog.
Ainda podemos ler que:
"Após uma análise do texto original hebraico, levando em conta seu contexto, ela afirma que a palavra “bara”, que é usada na primeira frase do Gênesis, não significaria “criar”, mas sim “separar”, de forma que o Velho Testamento começaria com: “No princípio, Deus separou os Céus da Terra”."
E que:
"Na sua interpretação, o Gênesis não fala sobre o princípio absoluto do tempo, mas sim do início de um determinado ato – o que significa que o início da Bíblia não é o princípio de tudo, mas o de uma narrativa."
Bem, os fanáticos pelas escrituras literais e pelo "colar" as peças à na sua cosmovisão poderão chegar à seguinte hipótese: Afinal a poeira sempre existiu e a Terra e os céus vieram dela. Bom, mas mesmo assim.. hmm.. foi Deus.
Até onde isto nos leva? Uns trabalham para encontrar pistas e os outros aproveitam e colam essas pistas na sua visão deturpada? Ou deturpam as "peças" recortando-as à medida dos buraquinhos? Limam as arestas dos cubos e esculpem as esferas. Assim, os cientistas podem descobrir o que quiserem. É só colar a magnífica e irrefutável frase: "mas quem criou isso foi Deus". Bom, sendo assim, um dia chegaremos ao Big Bang e, encostados ao limite temporal do início dirão o mesmo: "mas quem o criou foi Deus". É que assim não encaixa...
"O Satélite de Observação e Detecção de Crateras Lunares (LCROSS), um componente da missão do Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), realizou uma calibragem de rotina dos seus instrumentos há uns dias, apontando-os para a Terra para observar o que nosso planeta se parece visto de fora." (eternos aprendizes).
O oxigénio molecular (O2) é bastante instável. Contudo, na nossa atmosfera apresenta-se numa percentagem de cerca de 21%. Isto porque aqui na Terra há vida vegetal, que forma O2 a uma velocidade idêntica à do seu consumo pelos outros seres.
Assim, a busca de oxigénio molecular é buscar uma forma de vida.
A sonda Stardust recolheu da cauda do cometa Wild 2 o aminoácigo Glicina, um dos 20 tijolos das proteínas.
A nossa descoberta dá força à teoria de que alguns dos ingredientes da vida se formaram no espaço e chegaram à Terra há muito tempo, através de impactos de meteoritos e cometas”, disse Jamie Elsila, do Goddard Space Flight Center da NASA.
A poeira da cauda do cometa ficou retida num segmento de aerogel (meterial comporto por 1% de hidrogénio e 99% de "vazio").
Foi criado em laboratório o primeiro genoma sintético de um organismo vivo. O feito pode ser um passo importante no processo de criação de vida. A criação vem explicada na revista Science. Esta publicação científica explica que a espécie eleita pela equipa de Craig Venter, pai do Projecto Genoma Humano, foi a bactéria "Mycoplasma genitalium", o ser vivo com o genoma mais pequeno, de entre os que são passíveis de ser reproduzidos de forma independente. "Este pode ser o primeiro passo para a síntese artificial de qualquer coisa que um dia possa vir a ser vida completa", afirmou o investigador português, Alexandre Quintanilha. Na perspectiva do investigador, os cientistas estão a demonstrar "de uma forma simples e clara que uma célula viva é um sistema complexo mas que pode ser feito a partir dos seus constituintes". "Nesta altura, ainda não conseguimos fazer células a partir dos seus blocos constituintes de uma célula, ainda não conseguimos criar vida a partir da vida, mas se for possível começar a construir cromossomas novos a partir do seu material químico e fazer um DNA a partir dos seus componentes químicos, isso será um passo importantíssimo", afirma. Para Alexandre Quintanilha, essa evolução científica será "um passo muito importante para demonstrar que a vida pode ser criada a partir dos seus componentes".
Nos últimos meses todos nós temos sido assaltados através do nosso mail. Pior, querem matar as pessoas fazendo acreditar que uma cura não o é. Pois é, têm havido vários hoaxes a circular nas nossas caixas de correio virtual a convidar-nos a não tomarmos a vacina para a gripe e a proclamar que o vírus foi criado para nos matar, que a vacina mata, etc…
Um hoax é uma mensagem que desinforma. É muito apelativo pois contém caracteres grandes, outros em maiúsculas, outros sublinhados, frases extravagantes e coloridas. Há muita gente que não está apta para visualizar os erros contidos num hoax. As datas erradas, nomes fictícios, contactos fictícios, pequenos pormenores de incoerência e contradições, etc.
Esses hoaxes descrevem o esqualeno (componente da vacina da gripe) como letal, o thimerosal (outro componente) também é mortal. Sem falar de que o vírus se pode infiltrar no nosso genoma e uma série de barbaridades que, para quem não percebe do assunto (e há muita gente), apanha as pessoas e as consegue influenciar. Qual é a solução quando apanhamos uma hoax (mail cheio de cor e letras garrafais)? É ir ao Google e procurar pelo assunto em sites científicos. Muitos sites científicos e mais sérios informam de forma simples (para leigos na matéria) que esse mail é falso e porquê. Pesquisar 5 minutos não custa. Depois é só substituir o que vem no mail pela explicação séria, coerente e correcta e passar. Assim toda a gente vai perceber o que é a realidade.
O Esqualeno é um adjuvante usado em algumas vacinas da gripe, nomeadamente da Novartis e da GSK. Contudo é usado desde 1997 e já foram administradas cerca e 45 milhões de doses com este componente. Se fosse letal como referem os hoaxes haveriam centenas de milhares ou até milhões de mortes. Este composto é encontrado em plantas, em óleo de peixe, em cosméticos, em suplementos nutricionais e até em humanos. O nosso fígado produz esqualeno que passa a circular no sangue. E agora? Estamos todos mortos? Parece-me que não.
Os EUA não usaram esqualeno como adjuvante nas suas vacinas para esta última estirpe de gripe (A/H1N1/2009) enquanto a Europa usou. Segundo a CDC “The absence of significant vaccine-related adverse events following this number of doses suggests that squalene in vaccines has no significant risk.”. Isto com 22 milhões de doses administradas.
Outra desinformação é que o esqualeno provoca doenças auto-imunes. Um estudo com esqualeno MF59 induziu, de facto, sintomas idênticos a lúpus em camudongos. Mas altas quantidades do mesmo produto não provocaram o mesmo efeito em humanos. Mito desfeito!
Agora o thimerosal. É usado para evitar a contaminação da solução das vacinas por bactérias. O problema neste componente é o mercúrio que os hoaxes dizem ser letal. Contudo não há evidência de que a quantidade seja tóxica. Mais, o cação tem mais mercúrio do que a vacina.
Mais sobre os mitos horrendos que andam a ser disseminados pela Web:
Até agora as mutações silenciosas eram aquelas a que não correspondia qualquer alteração fenotípica, pois não haveria alteração das proteínas formadas.
As mutações pontuais, trocas de uma única letra, podem levar a alterações de aminoácidos e das proteínas constituídas por eles. O aminoácido pode ser errado e a proteína deixa de ter função ou tem a sua função debilitada. Ou pior, em determinadas trocas de letras pode surgir o sinal de STOP de tradução e a proteína não fica concluída. Outro tipo de mutação é a mutação silenciosa, a troca é feita mas o seu significado é semelhante no codão final (conjuntos de 3 letras que leva à formação de um aminoácido).
Três mutações pontuais modificam moléculas de hemoglobina e são responsáveis por três doenças graves:
Anemia falciforme – Substituição de um aminoácido hidrofílico por um hidrofóbico
Policitemia – Mutação sem sentido (tradução incompleta da proteína) interrompe uma das proteínas da hemoglobina. Esta mutação resulta no espessamento do sangue.
Talassemia– Mutação com sentido (tradução alongada da protína pela retirada do sinal STOP) troca o codão TAA (sinal STOP) pelo CAA. A proteína torna-se disfuncional.
Estratégia
A bactéria Escherichia coli traduz o aminoácido asparagina. O codão AAC aparece com mais frequência no seu DNA do que o codão AAT. Ambos os codões codificam para a asparagina. Contudo observa-se um aumento das taxas de síntese proteica com o AAC. A razão é que os tRNA (estruturas que se inserem no ribossoma e constroem os aminoácidos aquando da entrada do RNA) destes codões aparecem em concentrações diferentes. O tRNA do AAT é mais abundante do que o tRNA do AAC, desta forma há maior probabilidade de se traduzir o aminoácido do AAT. “Análises de genes de mamíferos [plantas, moscas e vermes também apresentam desvios similares] revelam tendências que favorecem determinados codões.”
Sair do Silêncio
Após a transcrição de DNA para RNA são retiradas regiões não codificadas, os intrões. Os exões são deixados, são as regiões codificadas. O RNA contendo apenas os exões é o mRNA. As coisas complicam-se quando se descobre que os exões não têm a função única de codificar para aminoácidos mas também ajudam na remoção dos intrões. Num RNA inicial os intrões e os exões estão alternados. Para que um intrão seja removido terá de haver um sinal que faça a maquinaria remover o intrão. Na junções intrão/exão existem 3 a 8 letras (estimuladores de intrões exónicos – ESSE) que podem ter um sinal de quebra da ligação ou de não quebra, mantendo-os unidos. Estes estimuladores podem fazer com que o organismo opte por certos nucleótidos. Os codões GGA e GGG codificam o aminoácido glicina, mas também se encontram em estimuladores de junções.
Alterações silenciosas nesses estimuladores de junções podem não alterar um aminoácido mas podem interromper a remoção dos intrões, o que poderá ter um efeito nefasto para uma proteína. A fibrose cística é uma doença causada por uma mutação silenciosa que intervém, também, na remoção dos intrões.
Outro mecanismo pelo qual a mutação silenciosa pode ser prejudicial é na dobra do mRNA. Mesmo que o intrão seja removido correctamente, o mRNA pode não dobrar devidamente, apenas pelo facto de uma letra ser diferente. O modo como se dobra determina a estabilidade do mRNA e isso afecta a velocidade de tradução. Alguns distúrbios cognitivos têm este mecanismo associado.
Eficiência
Grzegorz Kudla e colegas alteraram a percentagem relativa de G e C, o que levou a uma produção proteica cem vezes superior comparativamente com os mesmo genes pobres em G e C.
O gene COMT associado à tolerância à dor apresenta uma mutação que resulta numa alteração de um aminoácido. Contudo não há uma única variante deste gene. Não é do tipo on e off. Pessoas com intolerência à dor alta ou baixa apresentavam os mesmos nucleótidos, o que indicava haver outra causa para as variações. Os últimos resultados apontam para as mutações silenciosas.
J.V. Chamary e Laurence D. Hurst estimam que “entre 5% e 10% dos genes humanos contêm pelo menos uma região onde as mutações silenciosas poderiam ser prejudiciais.”
Fonte: Scientific American “O Custo das mutações Silenciosas”, J.V. Chamary e Laurence D. Hurst , Julho 2009
"Resistência às bactérias nãoo é um fenómeno evolutivo uma vez que nada de novo é criado, mas sim ocorre uma recombinação de genes que já existem.
Mutação não é sinónimo de evolução."
Ele não é da área da ciência, como tal terei de usar letras como A, B e C como exemplos de bases azotadas e fazer metáforas com o alfabeto. Sim porque no nosso genoma, ao microscópio, não vemos G, T, C ou A, vemos estruturas e,a elas damos nomes.
Para o Mats uma alteração genética nunca pode formar informação nova porque vê que um A não pode gerar um B por magia, tal como um certo deus criou o ser humano (aí já pode haver magia). De facto não há magia nenhuma, há compreensão científica de como as coisas funcionam.
Imaginemos 2 sequências genómicas:
1-ABCDEFGHI
2-RAYGUCBDI
Têm mais ou menos 50% das mesmas letras mas são muito diferentes, vejamos:
A proteína resultante em 1: ABC DEF GHI
A proteina resultante em 2: RAY GUC BDI
Nenhum dos aminoácidos é igual, a proteína seria diferente, não efectuaria o seu trabalho. Talvez fosse uma proteina que efectuasse o mesmo trabalho com mais eficácia. As bactérias usam proteinas ligeiramente diferentes para sobreviver num meio com menos oxigénio, por exemplo. É um fenómeno destes que está por detrás duma resistência.
Uma mutação pode ser pontual ou numa zona vasta, pode até incluir cromossomas inteiros. Podem ser delecções, inserções, transposões ou inversões. Após a alteração a mutação pode ter efeitos ou pode ser silenciosa.
Delecções:
ABCDEFGHI -> ACDEFGHI o B foi eliminado
proteina final - ACD EFG HI
Inserções:
ABCDEFGHI -> AMCDEFGHI o M foi inserido
proteina final - ABM CDE FGH I
Como podemos ver apenas por estes dois exemplos, a proteina final pode ser totalmente diferente, uma sequência genética pode codificar para uma proteina totalmente diferente, ou não, dependendo da zona alvo da mutação.
No blog Sem Ciência aparece uma notícia intrigante. Uma descoberta interessante. Começa assim: "“No princípio, Deus criou os Céus e a Terra” seria uma afirmação incorreta de acordo com o estudo de uma pesquisadora holandesa."
Ellen Van de Wolde, divulgou recentemente a sua tese na Universidade de Radbound. Ellen é "professora que refuta as primeiras palavras da Gênesis ensina e pesquisa o Velho testamento e textos fonte do judaísmo na universidade. Para ela, houve um erro de tradução e interpretação da Bíblia." refere o blog.
Ainda podemos ler que:
"Após uma análise do texto original hebraico, levando em conta seu contexto, ela afirma que a palavra “bara”, que é usada na primeira frase do Gênesis, não significaria “criar”, mas sim “separar”, de forma que o Velho Testamento começaria com: “No princípio, Deus separou os Céus da Terra”."
E que:
"Na sua interpretação, o Gênesis não fala sobre o princípio absoluto do tempo, mas sim do início de um determinado ato – o que significa que o início da Bíblia não é o princípio de tudo, mas o de uma narrativa."
Bem, os fanáticos pelas escrituras literais e pelo "colar" as peças à na sua cosmovisão poderão chegar à seguinte hipótese: Afinal a poeira sempre existiu e a Terra e os céus vieram dela. Bom, mas mesmo assim.. hmm.. foi Deus.
Até onde isto nos leva? Uns trabalham para encontrar pistas e os outros aproveitam e colam essas pistas na sua visão deturpada? Ou deturpam as "peças" recortando-as à medida dos buraquinhos? Limam as arestas dos cubos e esculpem as esferas. Assim, os cientistas podem descobrir o que quiserem. É só colar a magnífica e irrefutável frase: "mas quem criou isso foi Deus". Bom, sendo assim, um dia chegaremos ao Big Bang e, encostados ao limite temporal do início dirão o mesmo: "mas quem o criou foi Deus". É que assim não encaixa...
"O Satélite de Observação e Detecção de Crateras Lunares (LCROSS), um componente da missão do Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), realizou uma calibragem de rotina dos seus instrumentos há uns dias, apontando-os para a Terra para observar o que nosso planeta se parece visto de fora." (eternos aprendizes).
O oxigénio molecular (O2) é bastante instável. Contudo, na nossa atmosfera apresenta-se numa percentagem de cerca de 21%. Isto porque aqui na Terra há vida vegetal, que forma O2 a uma velocidade idêntica à do seu consumo pelos outros seres.
Assim, a busca de oxigénio molecular é buscar uma forma de vida.
A sonda Stardust recolheu da cauda do cometa Wild 2 o aminoácigo Glicina, um dos 20 tijolos das proteínas.
A nossa descoberta dá força à teoria de que alguns dos ingredientes da vida se formaram no espaço e chegaram à Terra há muito tempo, através de impactos de meteoritos e cometas”, disse Jamie Elsila, do Goddard Space Flight Center da NASA.
A poeira da cauda do cometa ficou retida num segmento de aerogel (meterial comporto por 1% de hidrogénio e 99% de "vazio").
Foi criado em laboratório o primeiro genoma sintético de um organismo vivo. O feito pode ser um passo importante no processo de criação de vida. A criação vem explicada na revista Science. Esta publicação científica explica que a espécie eleita pela equipa de Craig Venter, pai do Projecto Genoma Humano, foi a bactéria "Mycoplasma genitalium", o ser vivo com o genoma mais pequeno, de entre os que são passíveis de ser reproduzidos de forma independente. "Este pode ser o primeiro passo para a síntese artificial de qualquer coisa que um dia possa vir a ser vida completa", afirmou o investigador português, Alexandre Quintanilha. Na perspectiva do investigador, os cientistas estão a demonstrar "de uma forma simples e clara que uma célula viva é um sistema complexo mas que pode ser feito a partir dos seus constituintes". "Nesta altura, ainda não conseguimos fazer células a partir dos seus blocos constituintes de uma célula, ainda não conseguimos criar vida a partir da vida, mas se for possível começar a construir cromossomas novos a partir do seu material químico e fazer um DNA a partir dos seus componentes químicos, isso será um passo importantíssimo", afirma. Para Alexandre Quintanilha, essa evolução científica será "um passo muito importante para demonstrar que a vida pode ser criada a partir dos seus componentes".